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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Os malefícios do Curling


Descobri uma modalidade desportiva que, pasme-se, consegue ser mais entediante do que os jogos do Benfica da era Quique. Refiro-me ao CURLING. "Ao quê"? Vá, perguntem lá! Imaginem então um ringue de patinagem no gelo, um pouco mais para o comprido. Dentro, umas linhas de uma pista traçada no pavimento glaciar e que conduzem a umas marcas coloridas, circulares. Uma espécie de alvo desenhado no gelo. Entretanto, há um(a) "artista" que, a páginas tanta, lança um "pedregulho" parecido com um ferro de passar dos antigos, só que de pedra, ou coisa que o valha. O qual vai deslizando em direcção ao alvo à mesma velocidade com que o Benfica de Quique procede à efectivação das transições defesa/ataque (ufa, já pareço o Freitas Lobo). O bólide lá vai, imparável, jurássico, à "velocidade de cruzeiro". Por trás, segue o indómito lançador, munido de uma raquete em forma de esfregona. Ou não será antes um piaçaba em forma de detector de metais? Eis a questão. Com o qual esfrega o piso gelado à volta e à frente do objecto deslizante não identificado. Ao mesmo tempo, lança-lhe olhares perscrutadores, fatais. Como num exercício de telepatia. Afinal, o que significa o tal "querer", o misterioso desíginio de que se ouve falar tanto aos treinadores, jogadores e comentaristas da lusopédia? Está aqui a resposta. Nem a miúda do "Stalker", de Tarkovski, conseguiria mover assim os objectos com o simples pensamento. Duas horas depois, o tal objecto já vai a meio do seu percurso. Mas falta mencionar os restantes membros da equipa. Sim, porque isto das vibrações telepáticas não chegam para empurrar carroças. Isso é que eram elas! Ora, o lançador, que segue atrás, vigilante, quase em levitação, é devidamente acolitado por dois elementos patinantes. Um de cada lado. Os quais vão equipados com um pau com um disco na ponta, ou seja, duas esfregonas adaptadas. Os marmanjos esfregam vigorosamente a área adjacente ao ODNI e, sobretudo, o espaço que este irá ocupar na sua "alucinante" trajectória. Por fim, a coisa lá chega ao destino, devendo ficar o mais perto possível da tal marca central, a vermelha. Há pontuação, excitações e gritinhos dos "atletas", aplausos do público e tudo! Como se de um desporto a sério se tratasse! Estranho. Muito estranho... No fundo, uma espécie de jogo da malha. Só que com gelo, com objectos esquisitos, com esfreganços suspeitos, com energias subtis a darem uma ajudinha... E, em vez da vinhaça e do petisco nos intervalos, muita cafeína para conseguir chegar ao fim. Onde encontrar? Vão ao canal Eurosport e, com sorte, topam esta benzodiazepina nórdica com efeito garantido. Para quem não conseguir, já sabemos, resta a solução óbvia: assistir a jogos do Benfica da era quiquesca. Boa sorte.

3 comentários:

  1. ficas a saber que sou adpto deste desporto e que gosto bastante de o ver. e não estou a ser irónico

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  2. Gil
    será esse um desporto verdadeiramente intelectual? é quase tudo com a mente!!
    Agora a sério: de facto também eu me interrogo sobre a graça, o esforço e a tecnicidade da coisa quando em dias de zapping tenho a felicidade suprema de apanhar uma partida de curling!!!
    Quanto aos comentários quiqueanos.... no comments!
    Beijos
    Mabel

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  3. Olá Mabel, talvez este seja mesmo um desporto zen e eu não dei por isso. Aparece sempre.

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