Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Muito mais gira assim...




A obra foi ontem apresentada
nesta cidade pela Agência para a Promoção da Guarda. Para além das fotografias e dos textos, contem uma nota introdutória de Antonieta Garcia.
António Saraiva, responsável pela APG, esclareceu que esta edição vem na sequência de outras publicações através das quais têm “sido destacados factores identitários da nossa zona e fornecida informação para um melhor conhecimento da Guarda”. Para aquele gestor urbano, a nova obra tem a particularidade de oferecer uma perspectiva “bem interessante da Guarda e do concelho a partir do céu”.Imagens inéditas da Guarda, e de alguns dos seus mais expressivos monumentos, integram este livro, com edição bilingue.
Fonte: "Correio da Guarda"

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A rambóia



Le cool é uma editora transnacional que, à semelhança da Time Out, publica guias temáticos de várias cidades. Para tal, recorre e editores locais e ainda designers, escritores, fotógrafos e ilustradores, criando um guia absolutamente alternativo e fervilhante. O ritmo é frenético e reflecte o que realmente se passa nas cidades respectivas. No catálogo consta igualmente o guia de Lisboa. Para além deste, existe ainda um outro formato, a "Le cool magazine". Trata-se de "uma revista semanal grátis, que apresenta uma selecção de concertos, d.j. sets, exposições, exibições de filmes antigos, peças de teatro e uma série de outros eventos culturais e de entretenimento. A le cool é também um guia de lojas, restaurantes, bares e outros locais de ócio, sem serem necessariamente trendy, apenas com qualidade e que valham realmente a pena. Em vez de impressa, esta magazine é enviada todas as quintas por e-mail aos seus subscritores." Ou seja, aos interessados basta inscreverem-se no serviço de newsletter e já está! A publicação desta semana anuncia-se como "Repertório Útil a Toda a Gente Cool! 'Tão certo como após o dia vir a noite.' Contendo os dados astronómicos, culturais e ramboieiros, assim como muita indicações do interesse geral e pessoal." Bom proveito, cambada!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

"Eu queria encontrar aqui ainda a terra": o livro


A peça estreou em Maio do ano passado, apresentada no âmbito do Projéc~. Produziu-a o TMG para a Câmara Municipal da Guarda e Centro de Estudos Ibéricos. Segue-se agora o livro. Ou melhor, o décimo caderno da colecção TMG, assim é que é. Os autores, ou seja, manuel a. domingos e este que vos escreve, agradecem a todos aqueles que tornaram possível esta edição, em especial ao director do TMG. E mais declaram aos costumes estar mortinhos (ia a dizer "em pulgas", mas assim fica mais... mais... quitoso, pronto) por manusear um exemplar. “Eu queria encontrar aqui ainda a terra” procura situar vários encontros, intensos, irónicos e por vezes desconcertantes: da memória recente da cidade com dois passageiros ilustres: Eduardo Lourenço e Vergílio Ferreira; de duas gárgulas de granito que são o mesmo e o diferente, a matéria e o espírito; de duas personagens em trânsito num ambiente exótico, cujas perguntas são maiores do que as respostas e estas provêm do inesperado.
A apresentação será no Sábado, dia 10 de Janeiro, no Café Concerto, pelas 21h30. A entrada é livre. Estão convidados.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A mentira em edição de luxo

Julgava eu que, do lado dos comunistas, já nada me podia surpreender. Incluindo, sobretudo, a falsificação da História. Eis que deparei, agora mesmo, com algo que supera a mais febril alucinação: o anúncio de uma edição especial do "L' Humanité" - o órgão oficial do PC gaulês, como é sabido - intitulada "Mai 68, le grand tournant" (Maio de 68, a grande viragem). Contem 132 páginas, abundantes declarações de estudantes e assalariados envolvidos, e faz-se acompanhar de um DVD. Repare-se no hirsuto manifestante, quiçá após um tirocínio na Sierra Maestra, tentando assemelhar-se aos seus heróis. Além disso, desfila (bem) acompanhado por uma moçoila que, por contraste, parece saidinha de um filme do Godard. Só falta um "pormenor" nesta imagem antológica: empunhar o protagonista um puro habano, em vez de uma bandeira.
Os comunistas estão na fase de tomar como seus todo o tipo de ícones que sinalizem movimentos sociais e políticos. É um autêntico processo de usurpação. Neste caso, a história é conhecida. O Maio de 68 nasceu em meios estudantis politizados, em grande parte fora dos circuitos marxistas. Pretendia-se uma forma nova de combate político, pela afirmação de uma liberdade integral, da espontaneidade, da imaginação. Os meios sindicais ortodoxos, controlados pelo PCF, cedo perceberam que esta não era a sua luta. Que passava já só pela adesão à sociedade de consumo e nunca por outro tipo de reivindicações. E, naturalmente, só por razões tácticas a elas pareceram aderir. O que quer dizer que, só em meios operários ligados ao anarco-sindicalismo, ou onde a influência dos comunistas era residual, o apoio e a participação nas revoltas teve alguma expressão. No final, conta-se que foram mesmo os comunistas que traíram a "revolução", tudo fazendo para que definhasse um movimento por definição inorgânico, não controlável. Entregando-o aos pés de de Gaulle. Esta estratégia já dera frutos durante a Guerra Civil Espanhola, com a jovem República e, sobretudo, com os anarquistas catalães, repetindo-se aqui. Portanto, esta apropriação de um movimento de contestação sem paralelo no Ocidente é tão incongruente como sinistra. Como se os algozes se quisessem desculpar, tomando como seu o discurso das vítimas. Por outro lado, nos tempos que correm, o comunismo não se poderá descredibilizar unicamente por via política ou doutrinal. Esse trabalho competirá à História e só a ela.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

A Torre de Babel

No mundo editorial actual, escritor não é aquele que escreve, mas o que escreve e é publicado. Portanto, é a edição o que, em primeira instância, homologa a identidade do escritor, ao recair nela a pertinência necessária - ainda que não suficiente - para poder ser investido como tal. Ora, numa economia de mercado, a edição requer capital e alguém que o detenha - o publisher - no sentido que a palavra adquire em inglês: o que dispõe de meios para converter um discurso privado num discurso público. A outra figura tradicional da actividade editorial - o editor - pode reunir a condição de publisher, mas a sua função é outra: selecciona, prepara e revê os textos, funcionando por vezes como uma espécie de conselheiro-interlocutor para o autor.
Sobretudo para aqueles que ainda não encontraram o seu lugar ao sol no mercado editorial, mantem-se o sonho de publicar os seus textos sem depender da decisão do publisher. E é um sonho razoável, pois não parece justo que o filtro do que é editável dependa de uma figura pautada por critérios económicos, ainda que lhe seja reconhecida alguma idoneidade artística. No entanto, não tenhamos dúvidas: nos dias que correm, por muito que os nostálgicos insistam em encarar o livro como um simples diálogo entre o autor e o leitor, essa comunicação nunca é directa. Entre ambos existe um espaço onde é o publisher que fala mais alto. Sendo a sua voz cantante e sonante. O sonho de pôr de lado o publisher já vem de há muito. Contudo, recentemente levou um empurrão considerável. É que a Internet propiciou um espaço ao alcance de todos os orçamentos: o ciberespaço.
Há quem delimite à partida este novo espaço de publicação, afirmando que acabará por não passar de um depósito intersubjectivo, onde a ilusão de publicar não passa de uma ilusão plurinarcisista. Não obstante, é evidente que a edição digital tornou-se um sério suporte de publicação de conteúdos. Ainda que, não é difícil imaginar, seja o capital - por via dos grandes portais ou domínios - o que acabará por regular e hierarquizar o tal sistema de homologações. Deste modo, a ciberedição concentrar-se-ia nas mãos dos novos publishers digitais, naturalmente coadjuvados pelos editores para as tradicionais tarefas editoriais. No entanto, a afirmação desse sistema de edição ciberespacial talvez clarificasse alguns mal-entendidos que têm vindo a ensombrar a tradicional e aparentemente inquestionável identidade dos escritores. Ora, do ponto de vista económico, na verdade não é o publisher quem paga ao autor, mas sim este quem paga ao primeiro, pelos serviços prestados ( impressão, promoção, distribuição, gestão), mediante contratos nos quais o autor cede à editora até 90% do que produziu, conformando-se em reter somente 10%, ou menos, sob a forma de direitos, com ou sem o correspondente adiantamento. A referida confusão é provocada pelo tempo económico em que o intercâmbio se produz: o autor, que não dispõe de capital, paga antes e cobra depois. No cenário aqui traçado para o futuro, não antevejo que venha a acontecer qualquer alteração significativa a este esquema de homologação editorial. No qual, aparentemente, é o capital que cria trabalho, quando, na realidade, sucede precisamente o contrário.