Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Balanxo 2011

Como vem sendo hábito, pelo Ano Novo, o Américo Rodrigues convida uma série de figuras ligadas à Guarda, entre os quais o escriba, para escreverem um balanço da realidade local do ano que passou. Os vários depoimentos são depois publicados no seu blogue, "Café Mondego". Para abreviar o intróito, foi assim que "vi" a Guarda em 2011:

"Um apanhado do que na Guarda se passou no ano transacto tem que ser necessariamente breve. Realmente, não se passou grande coisa. Há anos que não se passa, a bem dizer, nada que suscite a curiosidade ou a comoção do cidadão médio. Neste desiderato, já se sabe e especial relação entre as excepções e a regra. Numa equipa de futebol normal, um treinador dura em média três anos. E sai quer por defenestação ou pelo pórtico da glória. Passado esse período, entra-se na fase da institucionalização, com o seu cortejo de vícios e compromissos. Na Guarda, os treinadores têm uma espécie de bênção vitalícia. Certos interesses instalados têm a caução da eternidade. Criaram, e bem, um pântano cívico, onde a vacuidade e o medo prevalecem. Luzindo na impunidade, a salvo do escrutínio, na adoração de si e dos cúmplices a que dedicaram os seus dias, atingiram a bem aventurança em vida. Os cidadãos estranhos ao círculo são mantidos na periferia, em resultado de uma cautela mansa, habilmente acumulada, que se serve sem servir. Estes têm, digamos, uma utilização decorativa: no todo, com funções legitimadoras, de pretensa higiene democrática, tropas prescindíveis; na parte, sem função alguma.
Por outro lado, o pecadilho da desatenção e um módico de prudência aconselham à brevidade. Impossível passar em revista, sem parcimónia, o que o ano trouxe à cidade. Ou seja, este é um balancete e não um inventário. Para minha tranquilidade e para não tomar ao leitor o seu precioso tempo. Assim sendo:

Para cima:
- Por uma questão de economia de espaço, subscrevo e incluo os activos culturais e cívicos já aqui assinalados.
- O precioso papel desempenhado pelo TMG na criação de uma massa crítica na cidade. O qual não passa só pela programação de espectáculos, como é sabido.
- O funcionamento razoável da ULS e do novo Centro de Saúde.
- A melhoria da rede de transportes urbanos
- As novas áreas comerciais.
- O novo traçado da linha Lusitânia Expresso (Lisboa - Madrid) via Beira Alta, com paragem na Guarda.
- As zonas verdes da cidade.
- O novo Hospital

Para baixo:
- Tudo o que se disse na introdução
- A venda não devidamente explicada do Hotel Turismo.
- Muitos pavimentos em estado lastimável e passeios construídos de forma errática.
- A não solução para o edifício do ex-matadouro e para os antigos Paços do Concelho.
- O pântano em que se tornou o CyberCentro (com a página oficial em manutenção ad aeternum) e as ligações políticas suspeitas da Guarda Digital.
- A fraca mobilização cívica para uma contestação às portagens nas ex SCUT que não passe pelo demagógico e simples “não pagamos”.
- A transferência de serviços para outras bandas e o anunciado fecho da maternidade.
- Os líderes políticos locais e os deputados eleitos pelo círculo.
- O estado deplorável de algumas zonas do Centro Histórico e da Praça Velha em particular.
- A situação preocupante do IPG
- O novo Hospital."

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Balanxo 2009

À semelhança de anos anteriores, o blogue "Café Mondego" reúne e publica depoimentos de uma série de autores convidados, sob o lema "Balanxo". Onde é passado em revista o que de relevante, positivo ou negativo, aconteceu na Guarda durante o ano anterior. Segue-se a minha colaboração:

1. Negativo:

- A profunda crise social e económica que se vive no distrito. É certo que esta realidade não é excepção no conjunto do país. Só para não ir mais longe. A diferença, neste caso, está no âmbito mais ou menos limitado dos danos, na capacidade de absorção da comunidade e na relativa eficiência das instituições que a combatem, públicas e privadas, com destaque para a rede assistencial da Igreja. Ou seja, o desemprego e a depauperação, para não falar das situações crónicas de miséria, têm ainda na Guarda factores de peso que diluem o seu impacto. Refiro-me à existência de uma forte rede de solidariedade familiar e comunitária e, se isso não bastar, de uma tradição migratória recentemente reactivada.
- O clima de pessimismo e de ausência de horizontes, embora não expresso, que sobressai dos rostos e dos discursos. Sobretudo em muitos jovens, o que é um sinal de derrota que deveria constar da agenda diária dos decisores políticos, antes de qualquer projecto.
- O golpismo puro e duro que se tornou prática na estrutura distrital do PS.
- A campanha medíocre, com algumas excepções, a que os guardenses assistiram nas autárquicas.
- As reacções inqualificáveis dos dirigentes do PSD, mormente o seu cabeça de lista para a Câmara, face aos resultados eleitorais. Aliás, com a actual composição dirigente, o PSD atingiu o fundo do poço a nível distrital, tornando-se pouco mais do que uma federação de interesses autárquicos, pejada de truques florentinos. Neste momento, representa – embora não de forma exclusiva – o que de mais atávico e clientelar existe no distrito.
- As obras no pano de muralha junto ao Vivaci, que ainda ninguém percebeu a que se destinam nem quando acabam.
- O escandaloso estado de abandono do Chafariz da Dorna e largo respectivo. Há muitos anos que insisto nisto. Mais uma vez não se perde nada…
- O alcatroamento do caminho que conduz ao sopé da crista do Tintinolho, quando bastava melhorar a estrada de terra e a sinalização pedonal existente.
- A oferta musical dos estabelecimentos nocturnos da cidade, regra geral desinspirada e que exclui o Jazz do menu.
- O estado de total degradação da via pública em muitos pontos da cidade. O qual, aliado a um planeamento urbanístico em cima do joelho, faz da circulação a pé ou de carro nessas zonas um autêntico tormento.
2. Positivo:
- O início do processo das obras de requalificação do Hospital Sousa Martins.
- A vitória de Joaquim Valente para a edilidade guardense. Sem dúvida, a melhor opção para o futuro na cidade.
- O Parque Urbano de Rio Diz, do qual sou utilizador crónico. Embora inaugurado em 2007, continua a ser o espaço verde de lazer que a cidade há muito merecia e cujo potencial só o tempo e uma gestão cuidadosa saberão quantificar.
- A requalificação da Torre de Menagem da antiga alcáçova do castelo. A obra custou cerca de um milhão de euros. O centro de recepção compreende uma exposição permanente sobre a história e património da cidade, bastante aceitável, mas não se percebe onde está a anunciada “rede de percursos na paisagem”. A intervenção na torre, com a criação de mais um piso, foi quanto baste. Inclui a projecção interactiva de excertos do foral e de um pequeno filme em 3D sobre a cidade.
- O alto nível da programação e gestão do TMG. O qual tem cumprido com distinção um serviço público que é a sua principal atribuição. Algo a que não será alheio a excelente equipa que nele trabalha e a batuta inspirada do seu Director artístico. Seria fastidioso enumerar aqui o que de melhor passou pelos palcos do TMG no ano que findou. Direi apenas que, relativamente à programação, quando se refere que atinge vários públicos, tal significa simplesmente variedade na oferta e não a sua uniformização, tendo o gosto hegemónico como pano de fundo. O que permite, e ainda bem, que cada um ajuste a sua agenda pessoal ao programa disponível.
- O início das obras de construção da alameda que ligará a VICEG à rotunda da "Ti Jaquina".
- O índice de poder de compra per capita do concelho da Guarda – 91,7%, tendo como referência a média nacional (100%) – o mais elevado em toda a região.
- Os inúmeros guardenses cujo talento, empreendedorismo e competência profissional e académica, nos mais variados domínios, são reconhecidos e não poucas vezes premiados.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ilha não ilha

Ao cair do pano do ano da graça de 2007, este blogue recebeu um dos estímulos mais gratificantes desde que foi criado. Pedro Correia, do "Corta-Fitas", leitor atento deste espaço, dignou-se elaborar uma lista de bloggers que, no seu entender, pelo seu desempenho na blogosfera, melhor exemplificaram o aforismo de Jonh Donne de que nenhum homem é uma ilha. Ser incluído no rol e vindo de quem vem é efectivamente um motivo de orgulho e um desafio. Que este blogue irá naturalmente aceitar, agora que está prestes a entrar no terceiro ano da sua existência. No arquipélago, precisamente.
Por outro lado, em jeito de balanço caseiro, o ano que passou firmou a continuidade, um maior apuro gráfico e dos conteúdos. Eis um blogue unipessoal, interventivo, sério sem solenidade, bem disposto sem leviandade, confessional sem ser "o meu diário", comprometido com causas e não com interesses. Três polémicas dignas desse nome marcaram o ano: a questão do aborto, a "beira interior" e os fundamentalismos religiosos. Espero que outras lhes sucedam em 2008. A todos os que o leram, o comentaram, o referiram, o criticaram e ainda àqueles que só agora chegaram e continuarão a chegar, desejo um excelente 2008.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

A nata

No passado dia 21, o suplemento Ípsilon do jornal "Público" publicou o seu Best Of 2007, nas áreas da literatura, cinema, música, teatro, artes plásticas e televisão. Quanto à música, en passant, tive a felicidade de encontrar, no último raid à FNAC (passe a publicidade), três pérolas aí referenciadas: os discos dos Tinariwen, Beirut e Panda Bear. Em relação aos livros, ver aqui as edições escolhidas. Por sinal, algumas delas já recenseadas neste blogue. Boas leituras.