Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

Mostrar mensagens com a etiqueta bruges. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bruges. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bruges on my mind (1)





Naquela tarde, ele e ela foram finalmente passear, depois de várias tentativas goradas. Logo que entraram na marginal, apanharam uma bicha gigantesca. Tudo isto graças às obras de última hora do Isaltino, esse grande malandrote, mais conhecido pelo "axediador de secretárias" na câmara de Oeiras.





Por fim, lá chegaram à zona de estacionamento do Guincho. Depois de rememorar o que tinha lido numa revista feminina da especialidade sobre o que "elas" pensam que "eles" pensam que "elas" pensam "deles" quando "eles" pensam "nelas", ele, o próprio, passou à acção. Depois do já esperado olhar manso do "posso ir ao armário das bolachas?", aproximou-se dela e beijou-a, ardentemente, como quem anda à procura do isqueiro...

Bruges on my mind (2)





A reacção dela foi tão enérgica como a de um polícia mexicano em período de sesta. Ou mesmo de um burocrata luso perante um pedido de urgência. Vai daí, os lábios ofegantes procuraram-se e tal. De tal forma que, passados alguns minutos, a moça começou a arfar vigorosamente. "Epá, sou o maior, aposto que nem o merdas do J. lá do bairro punha a gaja assim tão depressa!", pensou ele, inebriado...





"Ventilan! Ventilan! Depressa! Tenho asma!" Gritou ela com ar desesperado. "Está aí na minha carteira!" "Despacha-te"! O pedido inusitado gelou o ambiente. Glaciais é o termo mais apropriado para adjectivar aqueles minutos. "Toma! Que diabo, até me assustaste!", rematou ele, encostado ao banco com ar desolado.

Bruges on my mind (3)





Foi então que, apoderado de uma iluminação súbita, lançou a acendalha: "JÁ FOSTE A BRUGES?" Só isto. Ao mesmo tempo, aproximou-se dela com ar lânguido. "Bruges?, Não é aquela cidade flamenga dos canais?" disse ela, rendida, pronta a reiniciar as primícias. "Sim, uma cidade comercial e um porto hanseático durante a Idade Média. Mas cujo assoreamento dos tais canais (risos) ditou o seu declínio, a partir do sec. XVI." Dizia ele, enquanto lhe abria os botões da blusa"... "Já sei, e que foi capital europeia da cultura em 2002", afirmava ela, acesa para os próximos desenvolvimentos.





"E também foi lá que foi impresso o 1º livro em inglês e se desenvolveu uma bolsa de valores no séc. XIV, para além de um sofisticado sistema financeiro", acrescentou ele, enquanto lhe apalpava os seios, já com uma intumescência a notar-se nas calças. "Estou mesmo a imaginar os antepassados do padre Louçã a irem lá executar os banqueiros, com bestas..." Lá ia dizendo ela, arfando, tomada pelo desejo...

Bruges on my mind (4)





"Não dá mesmo é perder um passeio de barco, pelos canais"!...juntou ele. "Tens preservativo?", perguntou ela. "Acho que sim. Locais a visitar: o Beatério, a praça do Burgo, o museu de arte flamenga, o quarteirão do antigo porto, a nova sala de concertos (Concertgebouw), a Igreja de Nossa Senhora, a Grand Place, a Catedral e fazer um raid fotográfico pelos canais." "Bolas, tens aquilo ou não?", insistia ela, depois de mais uma sessão de linguado.





Por fim, encontrou a embalagem do contraceptivo no porta-luvas, com um ar ligeiramente contrariado. Gesto que encerrou o prelúdio erótico, comme il faut. Mas antes, ainda balbuciou. "Se lá fores, não percas por nada deste mundo umas batatas fritas com molho especial nas barracas da praça principal"...