Contra a água, dias de fogo. / Contra o fogo, dias de água.
A luz despenha-se, / as colunas acordam / e, sem se moverem, dançam.
A hora é transparente: / se o pássaro é invisível, vemos / a cor do seu canto.
SEIXO AMARELO – O Azeite
PÊRA DO MOÇO – A Árvore Não dorme. Com a idade tornou-se igual a um campo onde houve uma batalha, uma batalha ocorrida há séculos, um campo de muitas batalhas. Eis um ser doido. Um ser farol. Um ser mil vezes suprimido. Um ser exilado do fundo do horizonte. Um ser altivo. Um ser como no primeiro dia. Porque és apenas uma semente de uma semente. Outono, terra, água, altura, silêncio prepararam o germe, a farinhenta espessura, as pálpebras maternas que enterradas abrirão novamente para o alto a singela grandeza da folhagem. A sombria teia húmida de novas raízes, as antigas e novas dimensões de outro castanheiro na terra.
JOÃO ANTÃO – A Tosquia
CAVADOUDE – Tremoços
BENESPERA – A Estação
Avelãs da Ribeira - O Livro