Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

Tábua de marés (24)

António Carmo (http://www.antoniocarmo.com.pt)

Exposição de pintura

Galeria do Paço da Cultura da Guarda

de 13 de Janeiro a 28 de Fevereiro

António Carmo (n. 1949), é um nome consagrado no panorama artístico nacional. Não tanto pela inovação artística, mas por uma originalidade estética mantida ao longo de 40 anos de carreira. A propósito, foi recentemente editada uma retrospectiva da sua obra, sob a chancela da Caminho, que inclui grande parte dos seus quadros, com fotos e alguns textos. Nesta mostra são expostos cerca de 40 trabalhos seus, incluindo dois desenhos. Como informação complementar, existem quatro expositores com recortes de jornais e dois com exemplares de catálogos de exposições do autor. Percebe-se, à primeira vista que a sua pintura tem um pendor decorativo. E a homogeneidade das suas propostas, se por um lado acentua a singularidade do seu universo poético poética recorrente, onde abundam as citações e as referências, pode também indiciar uma espécie de “produção em série”. Por outro lado, conhecendo-se os desenhos a tinta-da-china com que iniciou a sua obra, não é difícil desvendar um propósito ilustrativo que o veio a acompanhar até aos trabalhos mais recentes. Todavia, se esse objectivo faz todo o sentido nos desenhos, já não faz assim tanto nas pinturas a óleo que constituem o grosso da sua obra. Percorrendo-se a exposição, ganha consistência a ideia de que, pese embora o equilíbrio cromático e a semi-transparência das texturas assegurarem o tom inefável pretendido, o artista acabou por se tornar um repetidor de processos. Para o efeito recorrendo a técnicas pictóricas que, tendo dado frutos a partir de certa altura, acabam por se tornar automatismos que o artista tem sabido gerir com sucesso. Das obras exibidas, gostaria de destacar, na pintura, o díptico “Leitura” e Movimento”, “Movimento”, o tríptico “Destinos do Fado” I, II e III, “Memória”, bem como os dois únicos desenhos expostos. Nota negativa para alguns títulos que, à força de querer ser poéticos, se tornaram rebuscados e ainda por algumas citações pictóricas um pouco descontextualizadas, como a inclusão de um cão “de Velásquez” num dos quadros.

Publicado no jornal "O Interior", em 22 de Janeiro

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Tábua de marés (15)

Günter Grass, o artista plástico
Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda
De 15 de Novembro a 14 de Janeiro de 2009

Para quem tenha visitado recentemente a exposição “Desenhos de Escritores”, que decorreu no CCB e tenha saído um tanto defraudado, como é o meu caso, esta foi uma ocasião soberana para reconsiderar as más impressões aí recolhidas, no que toca à polivalência criativa dos escritores. Com notáveis excepções, claro. Claro que aquela exposição tinha um propósito documental que esta não tem. Sendo apresentada, sem ambiguidades, como parte do acervo artístico de um artista, “por acaso” notabilizado como escritor. O conjunto espanta pela diversidade de meios, materiais e linguagens. Compreende gravuras, desenhos, aguarelas e esculturas em bronze. Num texto notável inserido no catálogo, o autor explica, na primeira pessoa, a convergência entre o desenho e a escrita. Onde afirma, a certa altura: “não é só porque a escrita e a linha figurativa são igualmente gráficas, mas também por razões de plasticização que o desenhar e o escrever existem em recíproca inter-relação”. Antes de se tornar romancista, Grass foi escultor. Aprendiz de entalhador de pedras, dedicou-se também ao estudo das artes gráficas. Mas quiseram as musas que a pena fosse sua principal arma de combate intelectual. Segundo ele, as figuras desenhadas ou esculpidas tomaram forma "em silêncio, à sombra da literatura". Porém, que cada uma é também uma "obra independente", sendo a coexistência de literatura, escultura e pintura “completamente natural”. Há ocasiões inclusive em que passou de um campo para outro a meio de uma obra. Ora, percorrendo a exposição, não só pelos motivos, mas pela intensidade, pelos temas escolhidos e pela sua repetição, nota-se a influência do expressionismo alemão na obra de Grass. Sobretudo nos desenhos e em duas aguarelas. Do conjunto, destaco algumas águas-fortes, logo á entrada, as sanguíneas, a litografia retratando a máquina de escrever de (Heinrich) Böll e toda a obra escultórica.

Publicado no jornal "O Interior", de 27 de Novembro

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domingo, 17 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O regresso das trevas

O Metro de Londres acaba de proibir a afixação de cartazes publicitando uma exposição de Lucas Cranach, o Velho, pintor da renascença alemã, na Royal Academy of Arts. Isto porque o "corpo do delito" continha a reprodução do seu célebre quadro "Vénus", (1530). "Devemos ter em conta os milhões de viajantes diários do metro e procurar não ofender ninguém", adiantam os responsáveis, justificando a proibição. O regresso da época vitoriana? Não, é muito pior. Trata-se de não ferir a susceptibilidade daqueles que, à primeira oportunidade, não hesitam em lançar bombas e o terror, em nome da sua paranóia fundamentalista. O episódio vem na mesma linha do recuo da Ópera de Berlim, aquando da estreia do "Idomeneo", de Mozart. É o multiculturalismo na sua face mais sinistra. O tal relativismo atrás do qual a esquerda politicamente correcta cerra fileiras. É o triunfo do medo e da barbárie, que meia dúzia de fanáticos querem impôr na pátria da liberdade. Aquilo precisamente que os jihadistas odeiam e nunca hão-de compreender. E cada recuo da firmeza é um ponto a mais a favor deles.

sábado, 8 de dezembro de 2007

sexta-feira, 30 de novembro de 2007