Segundo foi anunciado, amanhã o Prof. Malaca Casteleiro virá ao Instituto Politécnico da Guarda, onde proferirá uma conferência, intitulada "O novo acordo ortográfico". Como é sabido, o académico é o artífice principal do mencionado acordo. Que, pelos vistos, não perde uma oportunidade para defender a sua dama. Ou seja, caucionar cientificamente decisões políticas tomadas previamente por quem o contratou para a "empreitada". Ora, como já foi expresso pela opinião pública contrária ao acordo, para além da eminência, dos "especialistas" que coadjuvaram no cozinhado e dos zelotas politicamente correctos do costume, ninguém compreende a necessidade do aludido "acordo". Nesta nota da minha página do Facebook encontrarão uma súmula dos argumentos que utilizei ou transcrevi neste blogue, em defesa da preservação da língua portuguesa. Para que conste, NUNCA irei respeitar a nova norma, que irei combater por todos os meios. Sucede que deixei um comentário noutro blogue acerca do tema e da referida conferência. Logo uma "especialista" (que não conheço de lado nenhum) veio à carga, chamando-me (e aos críticos do Acordo) "ignorante" e desconhecedor dos "princípios orientadores e basilares das novas teorias", alvitrando mais à frente que "talvez nem nunca me tenha dado ao trabalho de as ler". Claro que, quando se trata deste tipo de argumentário, quem o esgrime possui quase sempre o dom da infalibilidade e da omnisciência. À falta de outras armas, procuram contradizer os argumentos contrários diminuindo os seus autores. No fundo, para mim, são velhos conhecidos. Que assumem inúmeras formas, qual delas a mais caricata. Desta feita, caso invulgar, respondi à comentora no lugar próprio. Sugerindo, entre outras coisas, que esta se informe melhor sobre o que sobre o assunto já tornei público e que a humildade e a civilidade são sempre boas companheiras nesta azáfama do espaço público. Para Lá do que foi dito, subsiste ainda um ponto fundamental. Ou seja, qualquer língua é um corpo móvel, permanentemente reinventado e quase sempre auto-determinado. As transformações acontecem naturalmente, como uma espécie de resposta a diferentes ambientes e condicionalismos. Não é um assunto de especialistas, pois interessa a todos os que a falam e, por isso mesmo, são os seus únicos intérpretes. Quando aparece um grupo de académicos a fazer esse trabalho em representação de todos, algo está mal. E quando os seus postulados são seguidos cegamente pelas legiões de sub-académicos que "acham muita piada" às sumidades que, nos seus gabinetes, decretaram o futuro da português, como é o caso da comentadora, então a situação é trágica. À semelhança de milhões, a língua portuguesa é a minha ferramenta primordial de trabalho, a minha janela para o exterior, a cifra que me permite descodificar o mundo. Está fora de causa aceitar que um punhado de "especialistas" legislem, sem qualquer justificação, sobre algo tão precioso e inconspícuo.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Acordo Ortográfico? Não, obrigado! (4)
Mais de 15.000 assinaturas constam do Manifesto/Petição Contra o Acordo Ortográfico, documento que quinta-feira será entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, por uma delegação dos signatários do documento. Ver aqui notícia completa.
A este propósito, mais uma vez, convém lembrar o óbvio:
1º Esta reforma foi feita ao arrepio da etimologia do português, do seu padrão europeu.
2º Ao contrário das reformas anteriores, nomeadamente a de 1911, feitas a pensar na eliminação de arcaísmos, esta destina-se exclusivamente a adaptar a grafia do português padrão à grafia brasileira.
3º A esmagadora maioria dos especialistas, mesmo que por razões não coincidentes, tem vindo a a recusar este acordo.
4º As alterações propostas têm um impacto real e dramático na vida de toda a gente, uma realidade ignorada pelos promotores do acordo.
4º A míngua de argumentos dos defensores do protocolo degenerou na patética acusação de neo-colonialismo e outras pérolas do politicamente correcto, dirigidas aos que tomaram posição contra o acordo.
5º Esta luta envolve realidades mais profundas do que à partida se julga: é a realpolitik dos que usam a língua como instrumento diplomático e a ligeireza que sempre impuseram na discussão pública do problema. A língua não é propriedade de ninguém, mas uma marca indissociável da nossa história e da nossa cultura.
Ver anterior
A este propósito, mais uma vez, convém lembrar o óbvio:
1º Esta reforma foi feita ao arrepio da etimologia do português, do seu padrão europeu.
2º Ao contrário das reformas anteriores, nomeadamente a de 1911, feitas a pensar na eliminação de arcaísmos, esta destina-se exclusivamente a adaptar a grafia do português padrão à grafia brasileira.
3º A esmagadora maioria dos especialistas, mesmo que por razões não coincidentes, tem vindo a a recusar este acordo.
4º As alterações propostas têm um impacto real e dramático na vida de toda a gente, uma realidade ignorada pelos promotores do acordo.
4º A míngua de argumentos dos defensores do protocolo degenerou na patética acusação de neo-colonialismo e outras pérolas do politicamente correcto, dirigidas aos que tomaram posição contra o acordo.
5º Esta luta envolve realidades mais profundas do que à partida se julga: é a realpolitik dos que usam a língua como instrumento diplomático e a ligeireza que sempre impuseram na discussão pública do problema. A língua não é propriedade de ninguém, mas uma marca indissociável da nossa história e da nossa cultura.
Ver anterior
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Mais querer
O dialecto futebolês salienta-se pela profusão de expressões rendilhadas por um traquejo poético de vão de escada, a meias com um surrealismo naif. À anafada verbosidade dos comentadores, opinadores, jornalistas e treinadores de bancada, corresponde o discurso vazio, formatado, dos jogadores e treinadores. Recentemente, tomei nota de duas expressões fabulosas: o jogador X joga bem de costas para o adversário e a equipa Y teve mais querer. Sobretudo esta última é notável. Pois usurpa o significado de crer e inculca-o no demasiado prosaico querer. Por outro lado, faz o improvável, empregando um verbo como um substantivo. É que, se na natureza tudo se transforma, na gramática já não. Excepto, pelos vistos, no futebol. Será porque a bola é redonda e se perde porque não se marcam golos?
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Spin doctor
Um contínuo upgrade vocabular no mercado dos anglicismos é um exercício fascinante. Não porque evoque hábitos recolectores ou uma indisfarçada vaidade em estar... up to date. Antes fosse. A questão é esta: expressões novas que são postas a circular na teia global referem-se, quase sempre, a realidades cuja apresentação verbal dispensa grandes análises semióticas. Mas cujo apelo ao sincretismo e ao poder sugestivo de uma imagem forte faz milagres. Veja-se o caso do termo "spin doctor". Alude, basicamente, ao profissional da área do marketing político. A expressão tem-se difundido em velocidade de cruzeiro. Até hoje, ignorava o seu significado. Entretanto, encontrei-a nos mais diversos suportes. O número suficiente de vezes para que a placeba ignorância se sentisse finalmente diminuída perante a curiosidade. E compreender como nas democracias modernas os políticos mais facilmente dispensam os votos do que o retoque da sua imagem.
Para quem quiser saber mais acerca do termo e da actividade em alta que designa, recomendo a leitura deste texto.
Para quem quiser saber mais acerca do termo e da actividade em alta que designa, recomendo a leitura deste texto.
sábado, 19 de maio de 2007
A mancha
Marcas de leitura. Gosto dessas marcas. Porque a leitura é uma refrega. Por vezes uma batalha. De que vale ler, se não houver nódoas negras? De que vale ler, se não se lancetam as nódoas? Um texto incólume diante de um leitor inalterado: haverá relação mais triste?
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Nenhum parvo ou parvo nenhum?
Dando início a uma série de digressões acerca de algumas expressões que utilizamos correntemente no luso vernáculo, começo hoje por essa pérola que dá pelo nome: "fulano não é parvo nenhum!".
Os mais incautos julgarão que o epíteto designa alguém que se distinguiu numa área determinada da investigação científica, ou que se notabilizou pela filantropia, ou que é um grande pensador, ou que tem uma moral impoluta, ou que paga escrupulosamente os seus impostos, ou que dinamiza determinada colectividade ou determinado jornal, ou cuja dimensão cívica é assinalável, ou que dispensa maior tempo à família do que o habitual, ou que se distinguiu em alguma disciplina artística, ou que tem uma participação activa em defesa do meio ambiente, ou que é um profissional exemplar na sua área, ou cujo saber e curiosidade sobressaem pela vastidão...
Pois estão redondamente enganados. Em Portugal, dizer de alguém que "não é parvo nenhum" significa simplesmente que se escusou airosamente às obrigações fiscais, que arranjou um emprego assaz pretendido, que entrou em determinado local sem pagar, que tem uma isençãozinha que lhe dá direito a ser diferente de todos os outros, que tendo sido presidente de certa colectividade, foi admitido em lugar de destaque numa instituição de ensino sem dispor de qualquer qualificação para o efeito, que conseguiu enganar tudo e todos, colocando o seu dinheirinho a coberto dos credores, que sabe sempre primeiro que todos quando sobre si recai uma ordem judicial, que conseguiu que a sua equipa ganhasse a taça à margem do mérito desportivo, que não está para perder tempo a dar prioridade aos peões nas passadeiras, que acabou por construir mais um andar na nova moradia, cuja falta de licença foi suprida da forma expedita que se imagina, que é um incompetente mas não deixa de ser promovido por isso...
Em resumo, a expressão justifica, deifica, "normaliza" o chico-espertismo, essa grande instituição nacional. Tornando possível uma tolerância razoavelmente consensual perante o arranjinho duvidoso, a finta obscura, o "faz-de-conta" espertalhaço. Democratizando-os, coloca-os ao alcance de todos, de tal modo que qualquer um pode ascender a "parvo nenhum". Mas nem por isso os que não conseguem lá chegar se conformam com o estatuto de "nenhuns parvos". Era o que faltava! Precisamente porque só um parvo nega essa qualidade a outro! Só um parvo reconhecerá que um "parvo nenhum" é possuidor de um dom que ele não tenha, ou de uma qualidade especial que ele não possa desenvolver, ou de uma oportunidade de que não possa tirar partido. Por essa razão, pagam adiantado, nomeando os meros espertalhões como "parvos nenhuns". Mas fazem-no por exclusão de partes, não lhes concedendo um destaque inconveniente e imerecido. É que a inveja ainda pesa... Todavia, publicamente gabam-lhes profusamente a perícia. Para deles se sentirem próximos, cúmplices, familiares. Repare-se pois que os felizardos passam a ser "parvos nenhuns" e não "parvos alguns". Dessa forma, a mediania fica salvaguardada. Quando chegar a hora da "promoção", a condescendência que se "deu" de avanço irá ser devidamente recompensada. Ficando garantidas a invisibilidade e a impunidade.
Por outro lado, cada "nenhum parvo" que, podendo, um dia há-de ser um "parvo nenhum", acaba por reconhecer, no seu íntimo, que a façanha resulta de um cálculo feliz ou de uma mediania esforçada. Mas como a risibilidade desses factores é transformada em qualidade insuspeita, nunca haverá o perigo de, sendo eu ou o leitor o próximo "parvo nenhum", passar alguém a ser algum parvo.
Os mais incautos julgarão que o epíteto designa alguém que se distinguiu numa área determinada da investigação científica, ou que se notabilizou pela filantropia, ou que é um grande pensador, ou que tem uma moral impoluta, ou que paga escrupulosamente os seus impostos, ou que dinamiza determinada colectividade ou determinado jornal, ou cuja dimensão cívica é assinalável, ou que dispensa maior tempo à família do que o habitual, ou que se distinguiu em alguma disciplina artística, ou que tem uma participação activa em defesa do meio ambiente, ou que é um profissional exemplar na sua área, ou cujo saber e curiosidade sobressaem pela vastidão...
Pois estão redondamente enganados. Em Portugal, dizer de alguém que "não é parvo nenhum" significa simplesmente que se escusou airosamente às obrigações fiscais, que arranjou um emprego assaz pretendido, que entrou em determinado local sem pagar, que tem uma isençãozinha que lhe dá direito a ser diferente de todos os outros, que tendo sido presidente de certa colectividade, foi admitido em lugar de destaque numa instituição de ensino sem dispor de qualquer qualificação para o efeito, que conseguiu enganar tudo e todos, colocando o seu dinheirinho a coberto dos credores, que sabe sempre primeiro que todos quando sobre si recai uma ordem judicial, que conseguiu que a sua equipa ganhasse a taça à margem do mérito desportivo, que não está para perder tempo a dar prioridade aos peões nas passadeiras, que acabou por construir mais um andar na nova moradia, cuja falta de licença foi suprida da forma expedita que se imagina, que é um incompetente mas não deixa de ser promovido por isso...
Em resumo, a expressão justifica, deifica, "normaliza" o chico-espertismo, essa grande instituição nacional. Tornando possível uma tolerância razoavelmente consensual perante o arranjinho duvidoso, a finta obscura, o "faz-de-conta" espertalhaço. Democratizando-os, coloca-os ao alcance de todos, de tal modo que qualquer um pode ascender a "parvo nenhum". Mas nem por isso os que não conseguem lá chegar se conformam com o estatuto de "nenhuns parvos". Era o que faltava! Precisamente porque só um parvo nega essa qualidade a outro! Só um parvo reconhecerá que um "parvo nenhum" é possuidor de um dom que ele não tenha, ou de uma qualidade especial que ele não possa desenvolver, ou de uma oportunidade de que não possa tirar partido. Por essa razão, pagam adiantado, nomeando os meros espertalhões como "parvos nenhuns". Mas fazem-no por exclusão de partes, não lhes concedendo um destaque inconveniente e imerecido. É que a inveja ainda pesa... Todavia, publicamente gabam-lhes profusamente a perícia. Para deles se sentirem próximos, cúmplices, familiares. Repare-se pois que os felizardos passam a ser "parvos nenhuns" e não "parvos alguns". Dessa forma, a mediania fica salvaguardada. Quando chegar a hora da "promoção", a condescendência que se "deu" de avanço irá ser devidamente recompensada. Ficando garantidas a invisibilidade e a impunidade.
Por outro lado, cada "nenhum parvo" que, podendo, um dia há-de ser um "parvo nenhum", acaba por reconhecer, no seu íntimo, que a façanha resulta de um cálculo feliz ou de uma mediania esforçada. Mas como a risibilidade desses factores é transformada em qualidade insuspeita, nunca haverá o perigo de, sendo eu ou o leitor o próximo "parvo nenhum", passar alguém a ser algum parvo.
Publicado no jornal "O Interior"
terça-feira, 26 de setembro de 2006
Os poetas, a actriz e o consenso
Na semana passada registei-me no site do jornal "Sol", ao qual está associado um blogue pessoal. Que poderá ser acedido aqui. Anteontem coloquei lá o post sobre o Outono já aqui publicado. Apareceu então um comentário assinado por uma actriz de telenovela - pelo que me foi dado a entender - afirmando que, "de poetas consensuais já estava farta". Referia-se à inclusão do excerto de um poema de Eugénio de Andrade e, implicitamente, ao de Teixeira de Pascoaes.
O enunciado é curioso e revelador. Hoje em dia, sobretudo na blogosfera, quando se pretende argumentar, não se pega numa ideia, ou numa simples projecção subjectiva e, do lugar onde ela nos transporta, se devolve essa ou outra impressão para um lugar neutro. Não! Pega-se num soundbyte, que muitas vezes é um simples referente, uma citação que envolve o propósito do texto, para lhe acentuar o sabor e o contexto. Depois, é só disparar uma boutade, e já está! Assim fez aquela comentadora. Por outro lado, o que são poetas consensuais? Antes de mais, ser apelidado de consensual é concerteza o pior pesadelo que qualquer poeta deverá ter. Ora, acredito que só os verdadeiros poetas inscrevem no mundo um enigma insolúvel e uma inexplicável coerência. Que, sem eles, seria uma casa desabitada e sombriamente consensual.
Por outro lado, supondo-se que o consenso apontado se refere a uma aceitação generalizada e inquestionável da qualidade da obra, será isso, só por si, critério para a julgar? Repare-se que a comentadora poderia ter dito: "lamento, mas não gosto da obra desses autores", por qualquer razão intrínseca à própria obra. Mas não, ela qualificou-a de acordo com a sua aceitação. Esta perversão argumentativa em que toma parte, pode ser definida como a afirmação do consequente. Isto é, uma falácia em que se ignoram outras causas a partir da ocorrência de um efeito. A fórmula seria: P, então Q; Q; então, P. Exemplo: "se estiver a chover (P), o correio atrasa-se (Q). O correio atrasou-se (Q), entaõ está a chover (P). Ou então, estaremos em presença de uma negação imprópria, onde se confunde a causa e o efeito, trocando-os.
Seja como fôr, é bom não esquecer que, embora uma obra poética possa ser consensual, um poeta jamais o será. A comprová-lo, bastaria visitar a casa-museu de Teixeira de Pascoaes, em Amarante, incursão para a qual desde já convido a comentadora. Garantindo que uma manhã em locais como esse é substancialmente mais inspirador do que qualquer telenovela. Mas as telenovelas não são, afinal, o paradigma do consenso, do mainstream?
O enunciado é curioso e revelador. Hoje em dia, sobretudo na blogosfera, quando se pretende argumentar, não se pega numa ideia, ou numa simples projecção subjectiva e, do lugar onde ela nos transporta, se devolve essa ou outra impressão para um lugar neutro. Não! Pega-se num soundbyte, que muitas vezes é um simples referente, uma citação que envolve o propósito do texto, para lhe acentuar o sabor e o contexto. Depois, é só disparar uma boutade, e já está! Assim fez aquela comentadora. Por outro lado, o que são poetas consensuais? Antes de mais, ser apelidado de consensual é concerteza o pior pesadelo que qualquer poeta deverá ter. Ora, acredito que só os verdadeiros poetas inscrevem no mundo um enigma insolúvel e uma inexplicável coerência. Que, sem eles, seria uma casa desabitada e sombriamente consensual.
Por outro lado, supondo-se que o consenso apontado se refere a uma aceitação generalizada e inquestionável da qualidade da obra, será isso, só por si, critério para a julgar? Repare-se que a comentadora poderia ter dito: "lamento, mas não gosto da obra desses autores", por qualquer razão intrínseca à própria obra. Mas não, ela qualificou-a de acordo com a sua aceitação. Esta perversão argumentativa em que toma parte, pode ser definida como a afirmação do consequente. Isto é, uma falácia em que se ignoram outras causas a partir da ocorrência de um efeito. A fórmula seria: P, então Q; Q; então, P. Exemplo: "se estiver a chover (P), o correio atrasa-se (Q). O correio atrasou-se (Q), entaõ está a chover (P). Ou então, estaremos em presença de uma negação imprópria, onde se confunde a causa e o efeito, trocando-os.
Seja como fôr, é bom não esquecer que, embora uma obra poética possa ser consensual, um poeta jamais o será. A comprová-lo, bastaria visitar a casa-museu de Teixeira de Pascoaes, em Amarante, incursão para a qual desde já convido a comentadora. Garantindo que uma manhã em locais como esse é substancialmente mais inspirador do que qualquer telenovela. Mas as telenovelas não são, afinal, o paradigma do consenso, do mainstream?
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