Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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segunda-feira, 2 de março de 2009

Animações

No "Lisboa SOS", um excelente e interventivo photoblog de há muito por aqui visitado, descobri um retrato fiel e comovente do Bairro Alto de finais dos anos 70. Chama-se "No tempo dos marceneiros". Muitos dos locais por lá referidos foram "poiso habitual" deste que vos escreve, uns anos mais tarde. Quando desembarcou no "Bairro" e dele ficou cliente habitual durante uns bons quinze anos. Tornando-se um verdadeiro taxicodependente. Outros locais só conheci indirectamente, por terem sido referências iconográficas, ou por se terem transformado noutra coisa. Seja como fôr, enquanto o "Bairro" retratado no post é o dos pioneiros, da forte presença dos jornais e da boémia tradicional, aquele que eu conheci já tinha o selo da "movida" inscrito no seu destino. Durante algum tempo coexistiram. Depois, o segundo absorveu o primeiro. Hoje, parece que há recolher obrigatório em todo o quarteirão às duas da manhã. Espero piamente ser poupado a esse número.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

O dia em que 37,8% votaram

Como se esperava, António Costa ganhou em Lisboa. Recolheu 57 907 votos - representando 29,5 por cento dos sufrágios expressos - o que lhe permitiu conquistar 6 mandatos, ficando a 3 da desejada maioria absoluta. Também no seguimento das expectativas dos analistas, a abstenção foi a mais alta de sempre em actos similares: 62,61. De registar igualmente alguns resultados relevantes:
1º a votação expressiva na candidatura de Helena Roseta - 10,2% - alcançando 2 mandatos e o quarto lugar, à frente de três forças políticas com representação na autarquia.
2º o desaparecimento no executivo camarário do PP, que, entre outras razões, terá lamentado a ausência de Nogueira Pinto.
3º a esperada eleição do "". Mesmo assim, o candidato apoiado pelo BE teve menos 9 000 votos do que nas eleições de 2005.
4º a votação conseguida por Carmona Rodrigues (16,7%). Foi a o reverso da moeda do resultado medíocre de Fernando Negrão, que ultrapassou em número de votos, mas empatando em mandatos.
Sobram alguns pontos de reflexão:
1º Como irá o executivo camarário articular-se com a Assembleia Municipal - cuja composição é substancialmente diferente - até 2009?
2º Que conclusões retirará o PSD desta eleição, perante o paradoxo de o partido ter sido mais penalizado do que o anterior presidente, que apoiou?
3º Como irá Costa gerir a previsível tentação do aparelho partidário em governamentalizar a autarquia?
4º Que tipo de coligações (e sobretudo com quem) fará o PS para garantir a maioria absoluta no executivo. É mais do que óbvio que as mais fáceis não são as mais desejadas e as mais desejadas não são as mais fáceis.

Por último, parece que o PS se especializou em turismo interno no segmento da 3ª idade. À míngua de apoiantes alfacinhas, foi o que se viu em todas as estações televisivas: toca de fretar os tradicionais autocarros e o Altis encheu-se, como por milagre, de anciãos de Cabeceiras de Basto, do Alandroal e do Teixoso, entre outras localidades. Alguns até pararam em Fátima, de permeio. Isto não lhes faz lembrar algo?

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Ainda Lisboa

No "Combustões" encontrei esta pérola sobre a situação actual de Lisboa, com uma breve digressão sobre as grandes mudanças operadas na cidade de há 100 anos para cá. O texto completo poderá ser lido aqui.

"A nostalgia é sempre uma condenação e um libelo contra o que está. A torrente de obras sobre Lisboa, que invade as estantes das livrarias, tem uma explicação: os lisboetas detestam a cidade onde vivem, olham para a cidade perdida com um misto de misericórdia e saudade. Lisboa foi assassinada por portugueses. Hoje, é buraco, são graffitis, portas e janelas emparedadas, obras suspensas, jardins devastados, árvores ressequidas, lixo, mendigos e gente esfarrapada, urinóis contra as paredes, fachadas escalavradas. Lisboa já não é cabeça de nada. O império morreu, os ministérios estão entregues a provincianos boçais que a invejam e detestam, os ricos dela se ausentaram, estabelecendo-se nas Cascais e Belouras. Lisboa morreu. Só não demos conta disso porque há por aí alguns necrófagos que querem acabar o trabalho por outros entusiasticamente iniciado."

quarta-feira, 23 de maio de 2007

O palco está montado

As eleições intercalares em Lisboa têm o mérito de revelar algumas tendências em curso no panorama político nacional, ao mesmo tempo que o pathos dos vários candidatos:
1º desde logo, a inacreditável decisão da governadora civil em marcar as eleições para 1 de Julho, ao arrepio da lei, impedindo que se formassem e organizassem candidaturas independentes, em benefício claro das listas apresentadas pelos partidos políticos. Como se sabe, por imposição do Tribunal Constitucional, o acto eleitoral foi marcado para quinze dias depois. Coincidência ou não, a referida senhora foi vista recentemente numa acção de campanha do PS.
António Costa aparece, à partida, como o candidato ganhador . Mas ter avançado para a corrida diz bem da estratégia que o Governo montou para a autarquia lisboeta: uma espécie de mostruário, um elo instrumental das grandes decisões da Administração central em matéria urbanística, ambiental, financiamento das autarquias e planeamento do território.
3º O PSD deu de barato estas eleições como perdidas, não se esperando grandes surpresas do seu cabeça de lista, Fernando Negrão.
4º O CDS-PP avançou com Telmo Correia, um dos pitbull multiusos de Portas. Sendo óbvio que a gestão de expectativas associada se limita à fixação de eleitorado e lançamento de soundbytes no palco mediático. Capitalizados por Portas no seu labor oposicionista.
Sá Fernandes (o Grande Embargador) aparece de pedra e cal pelo BE. Decerto reunirá algumas simpatias que ultrapassam o universo tradicional do Bloco e cimentará a sua posição no executivo camarário. No entanto, apesar de bramir contra as sinecuras camarárias, incluindo os assessorias, veio-se a saber que o vereador tem ao seu serviço 11 assessores, custando ao erário público cerca de 20 880 Euros mensais. Os vícios aprendem-se depressa.
Helena Roseta parece ser a única lufada de ar fresco nesta eleição. Captando simpatias e apoios em várias faixas do eleitorado, de forma transversal, adivinha-se uma votação significativa na sua candidatura. Resta saber quem escolherá para a sua equipa e qual o programa que irá apresentar. Pois não basta agitar a marca da independência e da "marginalidade" em relação às estruturas partidárias. Das quais, afinal, procede. Pede-se-lhe que os métodos sejam diferentes e o modo de exercício do poder escape à lógica habitual do tráfico de influências e do clientelismo. Deste modo, talvez constitua a grande surpresa para Lisboa.

Soube agora que Carmona Rodrigues anunciará hoje a sua candidatura a esta corrida eleitoral. Esperando uma vaga de fundo que o sustivesse e um convite de um "Gosford Park" partidário que não vieram, Carmona atirou-se de cabeça para o altar sacrificial. Pretende assim forçar uma espécie de desagravo público perante quem lhe retirou o tapete. Sob as vestes de uma candidatura unipessoal, destinada a marcar presença. Mas que, por ser feita à margem da tralha dos partidos, é de aplaudir.

domingo, 29 de abril de 2007

O empata

O túnel do Marquês foi inaugurado no dia 25 de Abril. Dois anos e meio depois do previsto, graças ao embargo que sobre ele recaiu. Pior pior só a história do Tolan, que demorou 3 anos a ser rebocado diante do cais das colunas. Serviu a demora para alguma coisa, para além do impacto daquelas crateras inúteis e do incómodo para os transeuntes? Só me ocorre uma pista: a súbita notoriedade de Sá Fernandes e sua eleição para a vereação camarária lisboeta. Certo?

Acerca da complexidade da gestão autárquica da capital, recomendo a leitura do texto "Lisboa, a cidade -estado", de Carlos Leone, no "Esplanar".

sábado, 23 de dezembro de 2006

O falso regresso de Ulisses

Um Natal em Lisboa. Aos poucos, quase sem dar por isso, agora que a minha bússola aponta para outras paragens, sou levado a participar numa homenagem incerta, mas intensa, que a tranquilidade faz à agitação. Sem louvores antecipados, sem a intervenção de uma memória poderosa e cada vez mais imperturbável face aos singulares efeitos da luz a escoar-se pelos telhados ao fim da tarde. Uma imagem solta com que Fradique evocava a "sua" Lisboa. Longe, muito longe de um retorno, ou de um impulso exigido pela nostalgia. Antes a ocasião para a errância, para a descoberta sincera, sem afectação, para a fusão com um movimento, um caudal que se reconhece não sendo de ninguém, mas com o qual a empatia tem um sabor semelhante ao da liberdade.
Entre a prova da magnífica cozinha goesa, numa tasca em Santos - a sarapatela estava um espanto - e a degustação de um cachimbo de água com sabor a rosas, num Bar de Alfama, já nem me lembro da pantagruélica árvore de Natal, "plantada" no Terreiro do Paço. Apesar de tudo, prefiro a luz a escoar-se pelos telhados...