Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A casa (22)

 Esta noite invoquei todas as potências. Ninguém respondeu. Caminhei ruas, percorri praças. interroguei portas, sondei espelhos. Desertou a minha sombra, abandonaram-me as recordações.

 A memória é um presente que nunca acaba de passar. espreita, colhe-nos de improviso entre as suas mãos de fumo que não soltam.

 
 A água do tempo escorre lentamente neste vazio gretado, cova onde apodrecem todas as palavras hirtas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A casa (21)

 Não há ninguém acima, nem abaixo; não há ninguém atrás da porta, nem  no quarto vizinho, nem fora da casa.

 Não há eu. E o outro, o que me pensa, não me pensa esta noite. Pensa outro, se pensa.

Para quê gravar com um punhal ferrugento sinais e nomes sobre a pele reluzente da noite?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A casa (20)

Damos voltas e voltas no ventre animal, no ventre mineral, no ventre temporal. Encontrar a saída: o poema.

 Pelas ameias da tua fronte o canto alvorece. A justiça poética incendeia de opróbio: não há sítio para a nostalgia, o eu, o nome próprio.

Falar por falar, arrancar sons à desesperada, escrever o que diz o vôo da mosca, enegrecer. O tempo abre-se em dois: hora do salto mortal.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A casa (19)

 Sua queda / é o salto da água / congelada no salto: tempo petrificado.

 Não procuram terra: procuram um corpo, / tecem um abraço.

Cai durante anos e anos / em linha recta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A casa (18)

 Estou parado no meio desta linha / não escrita

 Acesa a árvore estremece / Já a noite a circundou / Ao falar com ela falo contigo

Na outra margem o sol cresce / ao contrário

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A casa (17)

 Fala deixa cair uma palavra

 Invisíveis pássaros / Feitos da mesma substância da luz

A infância com suas flechas e seu ídolo e sua figueira

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A casa (16)

 Contra a água, dias de fogo. / Contra o fogo, dias de água.

A luz despenha-se, / as colunas acordam / e, sem se moverem, dançam.

 A hora é transparente: / se o pássaro é invisível, vemos / a cor do seu canto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A casa (15)

 Imóvel /entre os altos girassóis / és / uma pausa da luz

 O mundo é verdadeiro / Vejo / habito uma transparência

O dia / é uma grande palavra clara / palpitação de vogais

sábado, 5 de novembro de 2011

A casa (14)

 O poema ainda sem rosto / O bosque ainda sem árvores / Os cantos ainda sem nome

 Mas já a luz irrompe com passos de leopardo

E a palavra levanta-se ondula cai / E é uma longa ferida e um silêncio cristalino

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A casa (13)

 O salto da onda / mais branca / cada hora / mais verde / cada dia / mais jovem / a morte

 Os lábios e as mãos do vento / o coração da água

A meio da noite / verte, / no ouvido de seus amantes, / três gotas de luz fria.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A casa (12)

Sol-coração, pedra que lateja, / pedra de sangue que se torna fruto: / as feridas abrem-se a não doem, / minha vida flui semelhante à vida.

 E agora, meus olhos cantam. Inclina-te sobre o seu canto, lança-te à fogueira.

Surgem / uns tantos pássaros / e uma ideia negra.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A casa (11)

 Caio e ergo-me, / ardo e afogo-me.

Não sou mais que uma pausa entre duas vibrações: o ponto vivo, o agudo, imóvel ponto fixo de intersecção de dois olhares que se ignoram e se encontram em mim.

Sou o espaço puro, o campo de batalha. Vejo através de meu corpo meu outro corpo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A casa (10)

 Vem voa ascende desperta / Rompe diques avança

 Estou parado no meio desta linha / não escrita

Não vimos senão relâmpago / não ouvimos senão o entrechocar de espadas da luz

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A casa (9)

 Negro o céu / Amarela a terra / O galo rasga a noite

 Acesa a árvore estremece /Já a noite a circundou / Ao falar com ela falo contigo

 
O céu esmaga-nos, / a água sustém-nos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A casa (8)

 A hora é transparente / se o pássaro é invisível, vemos / a cor de seu canto.

 Duma palavra à outra /o que digo desvanece-se

A noite torna enorme a janela / Não há ninguém / a inominada presença rodeia-me

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A casa (7)

 Olhos de água de sombra / olhos de água de poço / olhos de água de sonho.

 Mas já a luz irrompe com passos de leopardo / E a palavra levanta-se ondula cai / E é uma longa ferida e um silêncio cristalino.

A infância com suas flechas e seu ídolo e sua figueira.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A casa (6)

 Se tu és o bosque das nuvens / eu sou o machado que as corta

 Como o bosque em seu leito de folhas / tu dormes em teu leito de chuva / tu cantas em teu leito de vento / tu beijas em teu leito de chispas.

A água levanta-se e pergunta a hora / O vento levanta-se e pergunta por ti