Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Rota dos Galhardos (1)

Tipo: P.R.1
Extensão: - 11 Km
Partida e  Chegada: Folgosinho, Gouveia
Grau de dificuldade: Moderado 
Desnível:  450 m
Duração apróx.: 3,5 H

A Rota dos Galhardos (vd. Mapa do percurso) é um trilho com tudo o que é preciso para uma manhã ou uma tarde bem preenchida. Paisagens deslumbrantes, património histórico (calçadas romanas, necrotério de Pias, moinhos da Fórnea), bosques misteriosos, exóticas figuras de pedra esculpidas pelos elementos (Pedra do Faraó, Pedra Furada, etc.) ribeiros sussurrantes, fontes retemperadoras. E no final, ainda haverá tempo para um mergulho num poço da Ribeira do Freixo, de águas cristalinas. 
O trilho é feito, durante uma parte significativa, pela calçada romana dos galhardos, (classificada como IIP desde 1992), que inicia no termo da aldeia e termina na Portela de Folgosinho, em plena Serra da Estrela. O troço fazia parte do itinerário que ia de Braga (Bracara) a Mérida (Emerita), passando por Freixo, Marco de Canavezes (Tongobriga) e Idanha-a-Velha (Igaeditania). Neste ponto, ligava Viseu a Famalicão da Serra. Depois de passar por Melo e Freixo da Serra, cruzava Folgosinho, antes de ganhar fôlego e atravessar a Serra. Depois da Portela, seguia para Cantarinhos, Casa das Pias, Reigoso, atravessando o Mondego na Qta. da Taberna e daí pela Tapada/Quinta da Eira, onde existe novamente calçada, Quinta. do Cadouço, até atingir Famalicão. Pontuam várias casas-abrigo ao longo do percurso, a maioria em ruínas, o que é pena. Vencida a Portela, segue-se o entroncamento de ligações para o Covão da Ponte, Curral do Negro, Vale do Rossim e Videmonte, para onde segue o trilho, por estrada de terra, durante uns 5 Km. Junto ao marco geodésico dos Galhardos (1323 m) avista-se o magnífico planalto de Videmonte, com seus vastos campos de centeio, lameiras e terras lavradas de pousio, as torres eólicas de Salgueirais, a Penha de Prados, a Guarda, imponente, no cimo do seu horst. Do lado oposto, o Vale do Zêzere, a encosta sul do Vale Glaciário e os cumes da maciço central. Para poente, a Portela e o alto da Santinha. Este troço percorre uma das áreas menos conhecidas da Serra. Depois de cortar pela esquerda e passar pela Pedra Furada - curiosa formação que faz lembrar um animal mitológico que nos observa à passagem da fraga - o percurso descendente continua por via romana até à ponte que atravessa o Ribeiro do Freixo, passando por Pias e a pedra do Faraó. É chamada "Calçada dos Cantarinhos", mas pouco se sabe acerca do seu traçado e função. Várias possibilidades se colocam: a) Folgosinho foi um cruzamento de vias romanas (a já referida e uma outra, que ligava Marialva (Aravorum) a Bobadela, Ol. do Hospital (Veladis), pela vertente oeste do PNSE) e desde sempre ponto obrigatório de penetração na Serra. Ora, sabe-se da existência, já naquela época, de exploração de estanho nas Minas dos Azibrais, ali perto. É então possível que tenha servido como via de acesso à mina (algo que os romanos nunca descuravam) e assim se tenha mantido durante longo período; b) A sua (re)construção pode ser medieval e tenha sido utilizada como ligação, pela Serra, entre Folgosinho a Linhares;  c)  É possível que tenha funcionado como nó de ligação entre Folgosinho e a via que partia de Lamego até Famalicão, pelo Mondego, na qual entroncaria perto da aldeia dos Trinta.
Segue-se o registo fotográfico do percurso, que em boa hora calcorreei  esta semana. Para ampliar, basta clicar na imagem.

Rota dos Galhardos (3)



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sopa da pedra

Sou espectador assíduo do programa Ponto/Contraponto, na SIC Notícias. Um emissão onde Pacheco Pereira tem oportunidade de se debruçar em pormenor sobre vários exemplos de mau jornalismo. E de como isso ilustra a falta de pluralidade e de isenção na informação. JPP é aqui, com toda a propriedade, uma espécie de provedor do cidadão, no que aos media diz respeito. E o programa é claramente um exemplo de serviço público. Ora, os baixos níveis de qualidade da maioria do jornalismo que se pratica no nosso país aferem-se, sobretudo, no tipo de tratamento dado aos temas de 1ª página. Mas nem por isso o tipo de apresentação das notícias "menores" deixará de definir também um quadro clínico de negligência e falta de rigor. Muitas vezes, é mesmo através do pormenor que se detectam os principais sintomas.
E é precisamente de um exemplo desses que hoje irei falar. Recentemente, no "Portugal em Directo" emitido pela RDP Centro, a seguir ao noticiário das 13h00, um jornalista dessa estação apresentava o "X Festival de Sopas da Serra da Estrela", em S. Paio, Gouveia. Claro que se não andasse com uma dieta semi-rigorosa às costas, tinha lá dado um pulo, mas a questão não é essa. Em termos globais, se abstrairmos do indiscutível mérito da ideia e da qualidade evidenciada, o facto em si não passa de mais uma iniciativa de promoção local. Todavia, o tratamento dado por esse jornalista foi desastroso. Após a descrição inicial, com aquele à vontade de quem associa uma mostra gastronómica a uma quermesse de feira, informou o auditório indígena que os que ali acorriam estavam (sic) "sequiosos de comer"!!! Sequiosos? Mas de comer o quê? As sopas, presumo! Confesso que, em termos semânticos, é complicado definir a apetência segregada no hipotálamo por uma sopa. Será sede? Será fome? Será uma sede que não chega a ser fome? Será uma fome envergonhada, mascarada de sede? Ou antes uma irreprimível necessidade de um aconchego da alma, por via do estômago, sem demasiado comprometimento? É de supôr que todas estas visões contraditórias passaram pela cabeça do jornalista. Se tal ocorreu depois de uma prova das sopas, é de supôr igualmente que o paradoxo se transmutou, adquirindo as propriedades do puro disparate. Se foi antes, é de acatar a hipótese de o jornalista pré-comensal ter ficado à mercê do trocadilho semântico de ocasião. Ou seja, o pau para toda a colher dos preguiçosos. E a ocasião produziu um magnífico oxímoro (figura de estilo que consiste numa contradição muito intensa e cujo significado é aparentemente absurdo). Vejamos então a definição para "sequioso" no Dicionário Priberam de Língua Portuguesa: 1. Sedento, ávido de água. 2. Seco em extremo, falto de água. 3. Fig. Sedento; ávido; muito desejoso. Como se depreende, o elemento chave é a falta de água. A qual, no limite, também pode ser a metáfora para outros apetites. Que inclui, ora aí está, o apetite de comer, perdoem-me o recurso estilístico. Portanto, não é de descartar a possibilidade de o jornalista, alucinado com os aromas de uma sopa de beldroegas, ter efectuado um trajecto linguístico singular, bizarro mesmo. Ou seja, o percurso que vai de um oxímoro a um simples pleonasmo.
Mais à frente, o jornalista entrevista alguns transeuntes. A páginas tantas, questiona um jovem sobre "o que é que andava ali a fazer"!!! Isto na suposição, presume-se, de que o jovem pudesse ser um ET, um adepto de uma claque de futebol em vilegiatura serrana, ou um pré-delinquente a quem foi dado o devido "correctivo das sopinhas". O mencionado jovem respondeu, sensatamente, que vinha "experimentar umas sopas". "Sopas?!", zuniu o jornalista. "Então vocês não gostam mais de bifes e assim?", acrescentou. Claro que a luminária queria dizer hambúrgueres. Claro que o perguntante estava surpreendido por causa de o jovem estar ali, "normalmente", e não num estabelecimento de fast food a empaturrar-se de toxinas, ou a fumar um charro, ou a insuceder na escola, ou a jogar ao braço de ferro com um professor numa sala de aula, com um telemóvel de permeio. Claro que esses clichés (temos que chamar as coisas pelos nomes), alimentados em grande parte pelos media, são de tal forma irresistíveis que o nosso jornalista não evitou sucumbir diante deles. Imaginemos que diante da sopa. Precisamente.

sábado, 9 de agosto de 2008

Lagoa dos Cântaros

Aqui ficam dois filmes gravados ontem , durante o percurso aqui assinalado.



Trajectos

Dia luminoso com temperatura amena (26º-12º). Condições excelentes para fazer um percurso que já não tentava há oito anos. Pelas 15 horas peguei no calhambeque e fiz-me à estrada. Cerca de uma hora depois, estava no Covão da Ametade, um dos circos glaciários no cimo do vale glaciário do Zêzere, em plena Serra da Estrela. Um local mágico. Onde teve início o objectivo desta tarde:
- trilho covão d'ametade / lagoa dos cântaros
- 75 minutos em marcha rápida
- grau de dificuldade: médio.
O percurso está sinalizado à maneira dos pastores, com pedras sobrepostas e até meio também com sinais gráficos pintados nas rochas. A lagoa, uma das poucas na Serra de origem natural, tem a forma de um coração. É absolutamente necessário desfrutar o momento da chegada, depois do suor, dos arranhões e da canseira de uma subida interminável, por entre as fragas e as giestas. E só encontrar o eco do coaxar das rãs nas paredes do cântaro gordo, o sopro do vento e, se calhar, os badalos longínquos de algum rebanho no vale da Candeeira... E tudo parece tão longe! Aqui ficam algumas imagens.




terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Voltas (1)

Sempre que posso, reservo dias luminosos, sem vento e sem muitos visitantes para uma breve incursão à Serra. Para além de tudo, há sempre mais uma perspectiva, um troço ou um recanto por explorar. Pois bem, hoje estavam reunidos todos esses requisitos, pelo que me fiz ao caminho. Para ilustrar o resultado, aqui vão algumas fotos.



sábado, 10 de novembro de 2007

Stalker

O dia estava de feição. Botas calçadas e ala que se fez tarde. O objectivo era o percurso Manteigas (Fonte Santa) - Poço do Inferno, pela estrada florestal (12 Km, ida e volta). Mas também preparar-me devidamente para a travessia da Serra da Malcata que se avizinha, organizada pelo Clube de Montanhismo. Nunca pensei que algum dia iria passear na Serra, em meados de Novembro, com manga curta. Será que o Al Gore tem mesmo razão? Eis algumas das imagens registadas.




Stalker

(cont.)


quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Contas de somar

via "Estrela no seu Melhor"

Os representantes das habituais capelinhas locais andam apavorados com o recente anúncio da criação de uma Região de Turismo do Centro. A medida, prevista na Lei-quadro do sector, pretende reordenar as 19 regiões existentes e reduzi-las a 5. Ver aqui a notícia completa. A Câmara da Guarda já se pronunciou desfavoravelmente, indo ao encontro das posições do incrível presidente vitalício da RTSE. A Vereadora do Turismo destaca mesmo a "criação de novos produtos turístico" em favor do status quo. Por outro lado, Luís Celínio, presidente do clube Escape Livre, vem acrescentar que a Serra da Estrela terá que ter um "tratamento especial" no novo mapa do turismo nacional. Comecemos então a juntar as parcelas. Um dos "produtos inovadores" criados foi precisamente o "BMW X Experience/Serra da Estrela 2007", uma iniciativa promovida pelo Escape Livre. Sabem no que consistia, grosso modo? Uma série de veículos todo o terreno galgando a pista da estância de ski, em pleno maciço central!!! Supostamente com a complacência do Parque Natural e o natural contentamento da Turistrela. Entidade que, de mãos dadas com a RTSE, encara a Serra como uma coutada privada, onde tudo é possível, desde que as negociatas se mantenham. E pronto, contas feitas, conclusões à vista. Perceberam agora porque é que estes senhores querem manter a situação?

NOTA: para uma melhor apreciação da "actividade", veja-se esta postagem no "Estrela no seu Melhor", que oportunamente denunciou a situação.

quarta-feira, 18 de julho de 2007