Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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terça-feira, 20 de julho de 2010

De meio artista a artista completo

A história é exemplar e  vem oportunamente contada aqui. Há poucos dias, organizado pelo centro Regional de Segurança Social da Guarda, decorreu um passeio de barco pelo Douro, entre Barca d'Alva e o Pocinho. Os passageiros eram crianças do distrito oriundas de famílias carenciadas. O evento teve inclusive honras de reportagem na SIC. Para que conste, devo dizer que nada tenho contra estas iniciativas. Bem pelo contrário, sou apologista de que, com as crianças, a generosidade nunca é demais.
Mas o passeio teve um protagonista: o inefável José Albano. Para quem não sabe, trata-se de um verdadeiro artista. Depois de andar aos caídos em Celorico da Beira, resolveu "entrar para o política", como se diz em bom vernáculo. E em boa hora o fez. Pois apadrinhado nos locais certos da nomenclatura socratina, e graças a algumas manobras, chegou à presidência da Federação Distrital do PS. E daí até aparecer como número dois da lista concorrente às legislativas foi um passo. E eis como alguém sem competências profissionais, cientificas ou cívicas de vulto chega a deputado da Nação.!... Se lerem alguns capítulos de "Uma Campanha Alegre" de Eça de Queirós, depois incluída nas "Farpas", saberão o que é preciso fazer para se chegar ao cargo. Naquela época tanto como agora. Mas eis que, passado um ano, Albano deserta do hemiciclo e dos calores da capital. Para regressar então ao torrão natal. Para explicar o sucedido, várias hipóteses se colocaram: um epígono de Jacinto regressado a Tormes? Um arroubo de consciência pô-lo a dar assistência gratuita ao seu eleitorado? Um caso exemplar de renúncia aos bens terrenos, antes da austeridade do voto de pobreza? Tudo possibilidades comoventes, não haja dúvida!... Porém, desenganem-se desde já, caros leitores! O Albano não dorme em serviço! Regressou, sim! Mas com os olhos postos na sinecurazinha da ordem que lhe acenava, fremente, à sua espera. Sabem qual?  A Direcção Regional da Segurança Social da Guarda!... Neste ponto, confesso que estou quase a chorar... Mas a história, pelos vistos, só agora começou. Para o nosso herói, o momento é propício a que a política não política seja a continuação da política. Ou seja, que o exercício de um cargo não político na Administração seja a continuação da política por outros meios. E o Clausewitz que me perdoe estes abusos de exegese.
Mas voltemos ao tema que aqui me traz. Qual o significado da exposição mediática de Albano no passeio? Decerto o ex deputado não se chegou à frente para dar uma Ted Conference, numa paisagem de luxo, sobre um tema a propósito. Até porque tenho dúvidas que a criatura saiba o que isso seja. Não tenhamos ilusões. O novo Director resolveu fazer política pura e da forma mais demagógica e rasteira que é possível. Como já dei a entender, a iniciativa poderia ter decorrido sem os holofotes da comunicação social por perto. Para isso, bastaria que o Director Regional não estivesse lá. Logo isso demoveria a comunicação social de aparecer. Havendo declarações do responsável regional, fá-las-ia fora do contexto físico da actividade. Mas o nosso Albano não resistiu aos holofotes. Nem sequer lhe passando pela cabeça que as crianças, assim expostas numa acção que deveria ser tão somente de sensibilização, podem ser objecto de estigmatização no futuro. E que ele não está a dar nada a ninguém que lhe saia do bolso, mas tão só a gerir recursos públicos para fins assistenciais. E que a primeira qualidade do benemérito (que ele não é nem nunca será) é a humildade.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Lembram-se do Zé?

A Câmara de Lisboa vai pagar ao consórcio CME/Tâmega 18,1 milhões de euros por causa do Túnel do Marquês, segundo o acordo alcançado entre as duas partes nas negociações que permitiram à autarquia poupar 6,5 milhões. De acordo com fonte do município, o acordo entre a Câmara de Lisboa e o consórcio foi assinado terça feira, quase seis anos depois de as obras no Túnel do Marquês terem parado por causa de uma providência cautelar interposta por José Sá Fernandes, hoje vereador na autarquia.
(Notícia completa aqui).

Eis um bom exemplo de como a factura da demagogia é sempre paga pelos mesmos...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Acordo ortográfico? Não, obrigado

Nem aqui nem em nada do que terei de escrever daqui para diante sobre o que quer que seja alguma vez "aplicarei" o acordo ortográfico que impõe a "lulização" do português. Não aceito a degeneração da minha língua por causa de não sei quantos milhões que alegadamente a falam ou escrevem como analfabetos funcionais. Quando me apetecer ler algum autor brasileiro (dos "palops" não tenciono ler nenhum), leio e ponto final. Para além disso - e literalmente - burro velho não aprende línguas. Os prosélitos e os literatos do regime tratam da questão como tratam, aliás, de tudo. Como os pequeninos "kim-il-zinhos" de trazer por casa que são. É que um "intelectual" que fala em "uniformização da língua" não é um intelectual. É uma besta.

João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os novos fariseus

De acordo com a imprensa "da situação", parece que o Bloco de Esquerda foi o grande vencedor das recentes eleições europeias. Sempre com os media nas palminhas e com o beneplácito dos comentadores do regime, esta força política é bem capaz de se tornar a grande responsável pela ingovernabilidade do país a médio prazo. É bom recordar que o BE é um partido cuja espinha dorsal são antigos elementos da UDP (estalinistas) e do PSR (trotsquistas). Muitos dos seus dirigentes nacionais e locais não perderam os tiques controleiros. Basta dizer que o chefe da banda do BE na Guarda é um aparathnik típico, inimigo declarado da cultura, conhecido por dirigir críticas populistas à principal instituição cultural da cidade que envergonhariam a direita ultramontana. A pós-modernidade é, pois, unicamente uma fachada com objectivos precisos: conquistar votos ao PS e paralisar uma governação à esquerda. As correntes realmente modernas, libertárias, new age, a defesa do ambiente, as novas utopias da Rede, o que ficou do situacionismo, a real autonomia dos indivíduos, são para o Bloco realidades hostis, desprezíveis. O seu programa é destruir. O seu modus operandi é atacar tudo e tudos, de forma demagógica e arruaceira. As suas propostas políticas são invariavelmente irresponsáveis e despesistas. Acaso exercessem funções governativas, o país entrava em bancarrota no primeiro mês. Graças à destruição do tecido empresarial, à quebra brutal do investimento, à assistencialização forçada da população, ao aumento dos impostos, ao aumento da despesa pública, na voragem de um estado-providência sem qualquer correspondência no aumento do PIB, ao desperdício como nota dominante na Administração Pública, à criação de uma polícia de defesa e vigilância do politicamente correcto. No fundo, uma espécie de neo Inquisição, com o Daniel Oliveira como novo Torquemada. Assim, se alguém festejasse o Natal publicamente, apareciam logo os zelotas bloquistas, dando voz de prisão, pois os irmãos muçulmanos poderiam ficar ofendidos... Um verdadeiro pesadelo pós-moderno!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O kit

(via "Abrupto)

Antecipando as eleições regionais, o Governo Regional dos Açores promoveu a distribuição de um "Kit autonómico", cujo conteúdo é aqui descrito com algum detalhe. A designação do Kit é certeira e brilhante, há que confessar. Mas pode também mascarar o nome real do produto, na perspectiva do poder em funções: "kit de sobrevivência". Começo a pensar que, distraídos com o "circo Jardim", temos andado iludidos acerca do que se passa do arquipélago mais a norte. E que Cavaco tomará a atitude certa se vetar de novo o estatuto autonómico. Posição esta que o insuspeito Vital Moreira legitima.