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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Imagens do Maio de 68 (4)

Martine Franck, greve na fábrica da Renault, em Boulogne-Billancourt

Bruno Barbey, manifestação de estudantes, em 13 de Maio

Henri Cartier-Bresson, a Sorbonne sob ocupação estudantil

Henri Cartier-Bresson, Rue de Vaugirard*

* o slogan inscrito no tapume é retirado de um manifesto com 32 páginas, distribuído durante um boicote a uma cerimónia académica, por estudantes da Universidade de Estrasburgo afectos à Internacional Situacionista, em 22 de Novembro de 1966. O panfleto, cujo título abreviado é "De la misère en milieu étudiant", foi redigido por Mustapha Khayati e Guy Debord. Trata-se de um texto essencial, que sintetiza a crítica situacionista da vida quotidiana e do imperativo lúdico da revolução. Muitos vêm neste manifesto o prelúdio dos acontecimentos de 1968. A máxima "Vivre sans temps morts et jouir sans entraves" permaneceu como um hino dos soixant-huitards e de toda uma geração.

Ver anterior

domingo, 11 de maio de 2008

Duas visões de maio de 68


Forget 68, de Daniel Cohn-Bendit, ed. L'Aube, 128 pgs, Maio de 2008
(conversas com Stéphane Paoli et Jean Viard)


O Maio de 68 explicado a Nicolas Sarkozy, de André e Raphaël Glucksmann,
trad. Rui Santana Brito, ed.Guerra & Paz, Maio de 2008

Nota: recomendo a leitura da entrevista de ambos, pai e filho, a Kathleen Gomes, publicada no suplemento P2, do "Público de 2 de Maio.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A mentira em edição de luxo

Julgava eu que, do lado dos comunistas, já nada me podia surpreender. Incluindo, sobretudo, a falsificação da História. Eis que deparei, agora mesmo, com algo que supera a mais febril alucinação: o anúncio de uma edição especial do "L' Humanité" - o órgão oficial do PC gaulês, como é sabido - intitulada "Mai 68, le grand tournant" (Maio de 68, a grande viragem). Contem 132 páginas, abundantes declarações de estudantes e assalariados envolvidos, e faz-se acompanhar de um DVD. Repare-se no hirsuto manifestante, quiçá após um tirocínio na Sierra Maestra, tentando assemelhar-se aos seus heróis. Além disso, desfila (bem) acompanhado por uma moçoila que, por contraste, parece saidinha de um filme do Godard. Só falta um "pormenor" nesta imagem antológica: empunhar o protagonista um puro habano, em vez de uma bandeira.
Os comunistas estão na fase de tomar como seus todo o tipo de ícones que sinalizem movimentos sociais e políticos. É um autêntico processo de usurpação. Neste caso, a história é conhecida. O Maio de 68 nasceu em meios estudantis politizados, em grande parte fora dos circuitos marxistas. Pretendia-se uma forma nova de combate político, pela afirmação de uma liberdade integral, da espontaneidade, da imaginação. Os meios sindicais ortodoxos, controlados pelo PCF, cedo perceberam que esta não era a sua luta. Que passava já só pela adesão à sociedade de consumo e nunca por outro tipo de reivindicações. E, naturalmente, só por razões tácticas a elas pareceram aderir. O que quer dizer que, só em meios operários ligados ao anarco-sindicalismo, ou onde a influência dos comunistas era residual, o apoio e a participação nas revoltas teve alguma expressão. No final, conta-se que foram mesmo os comunistas que traíram a "revolução", tudo fazendo para que definhasse um movimento por definição inorgânico, não controlável. Entregando-o aos pés de de Gaulle. Esta estratégia já dera frutos durante a Guerra Civil Espanhola, com a jovem República e, sobretudo, com os anarquistas catalães, repetindo-se aqui. Portanto, esta apropriação de um movimento de contestação sem paralelo no Ocidente é tão incongruente como sinistra. Como se os algozes se quisessem desculpar, tomando como seu o discurso das vítimas. Por outro lado, nos tempos que correm, o comunismo não se poderá descredibilizar unicamente por via política ou doutrinal. Esse trabalho competirá à História e só a ela.