Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Fogos circunscritos

As boas notícias deste domingo eleitoral (em Portugal e na Alemanha):

1. O PS perdeu a maioria absoluta
2. O PSD entrou provavelmente em processo de desagregação, caso se reduza a uma simples congregação de interesses e caciques autárquicos. Para quando a criação de um Partido Liberal?
3. Haverá uma maioria de esquerda nas bancadas parlamentares, mas será puramente nominal.
4. O CDS é a 3º força política, afirmando-se como representante da direita não envergonhada e combativa.
5. O PCP continua a transformar as derrotas em vitórias, fazendo lembrar cada vez mais o célebre ministro da informação iraquiano, clamando que os americanos estavam a perder em todo a linha, enquanto os tanques aliados percorriam já as ruas de Bagdad. Seja como fôr, a descida dos comunistas jurássicos para último dos grandes é uma evidência de modernidade.
6. O BE cresceu, mas não o suficiente para conseguir ser um parceiro para uma possível coligação, pois ficou a dois deputados de poder oferecer uma maioria a Sócrates. Passou para 4º lugar, sendo-lhe negado o bronze precisamente pelo CDS/PP, o representante da direita que os bloquistas tanto zurziram. Espera-se também que a sua influência na governação seja pouco mais do que nula. Atendendo também ao ressentimento que a sua campanha agressiva anti-Sócrates gerou no PS.
7. O especial prazer ao ver este BE-travesti-do-PSR a morrer na praia. Imaginando o Dr. Louçã - que ao espelho não parava de perguntar se haveria líder melhor para a esquerda do que ele - aos saltinhos em cima do chapéu, como um personagem do "Amarcord" de Fellini, ou auto-fustigando-se com um chicote oferecido pela Opus Gay.
8. Houve cerca de 100 000 votos em branco, representando 1.75% dos sufrágios, constituindo o sexto "partido" mais votado.
9. Angela Merkel, embora o seu partido tenha baixado a votação, irá governar em coligação com o Partido Liberal.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O capuchinho vermelho

No "Portugal Profundo", António Balbino Caldeira elenca a sucessão de "enérgicos" desmentidos de Sócrates e Louça, após o PSD ter denunciado a preparação de uma coligação pós eleitoral entre o PS e o BE. Vale a pena dar uma vista de olhos. Deliciosa é a citação final, que não resisto a transcrever, já traduzida:

"A primeira regra da política: nunca acreditar em coisa alguma, até ser oficialmente desmentida."

Francis Claud Cockburn, citado em «Yes, Minister» ( BBC, 1984):

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O noivado do sepulcro

Compreende-se o aparecimento de Alegre e Soares na campanha do PS. Garantir as franjas eleitorais da esquerda socialista é uma questão de vida ou de morte. No entanto, parece-me que o circo só ainda agora começou. As hordas milenaristas de Louçã não abrandam o ritmo. A pressão é enorme e Sócrates tem muitas razões para estar preocupado. Há então que fazer uso da prata da casa, reunir à volta da fogueira, pois a Pátria socialista poderá perder o controlo do Estado. O pior pesadelo para os boys e girls, que enxameiam a administração, e para os spin doctors, que determinam a agenda informativa. Noutras palavras, daqui até ao fim da campanha, vamos assistir a uma série de apostasias, seguidas de conversões à esquerda, como há muito não se via. Uma espécie de meio termo entre as operações militares "Rufam os Tambores" e "Barbarossa". E é bom não esquecer que foi na última que Hitler invadiu a Rússia e aí precipitou o seu fim. Ou seja, na feliz conclusão de Pacheco Pereira, "votar Sócrates hoje significa dar meio voto ao PS e meio voto ao BE."

Nota: enquanto escrevia este texto, ouvi lá fora a fanfarra, os megafones e alguma agitação. Soube então que era Sócrates y sus muchachos em campanha, no seu périplo pelo "interior esquecido". Ele há coisas!

sábado, 19 de setembro de 2009

Eles vivem!


Hoje de manhã, na marginal, deparei com mais um outdoor do berloque de esquerda. A mensagem é clara: "Estamos prontos!". Vendo-se, por trás, imparáveis, os rostos mais conhecidos daquela força política. Ou seja, como os votos ganhos com as causas fracturantes já atingiram o seu limite natural, mesmo que empolado pelas sondagens, toca de se apresentarem como alternativa "séria", "credível". Ficámos a saber que os trotsquistas estão prontinhos para tomar de assalto a democracia "burguesa", desmantelar a economia "capitalista", transformar Portugal num acampamento permanente de assistencializados, desprivatizar, desprivatizar, aumentar a carga fiscal para níveis incomportáveis, criar uma comissão de zeladores do politicamente correcto, com o Torquemada Oliveira a superintender, tornar enfim esta parcela atlântica (ainda mais) ingovernável!... "Eles vivem", portanto. Tal como as figuras (na imagem) do filme de Carpenter, com o mesmo nome.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O desígnio

Soube-se, esta semana, que o cabeça de lista pelo PS no círculo da Guarda será Francisco Assis. O nome foi indicado pela direcção nacional do partido, após uma série de "auto-nomeações" a que Sócrates terá decidido pôr fim. Desta vez, percebeu-se o porquê da tradição da imposição, pelos directórios dos vários partidos, de cabeças de cartaz na Guarda. Ou seja, actores convidados para um palco que não é o seu e decorando um guião que nunca irão usar. E isto porque as estruturas locais abdicaram de apresentar nomes credíveis, que não resultem de uma cooptação numa sala fechada. Nomes onde pese a competência política, é claro, mas em que a estatura cívica, a grandeza cultural, ou uma particular visão audaciosa não fiquem para trás. O que acontece, quase sempre, é a notoriedade afirmada em exclusivo nos aparelhos, a simples persistência ou os lances florentinos, virem a ser recompensados com uma sinecura parlamentar. Tudo se passa em circuito fechado. O cobiçado "veludo" passa de mãos em mãos, até que chega a altura de ser disputado. Nesse momento, já alguém se apoderou dele sem apelo nem agravo. Portanto, para alcançar a elegibilidade, basta percorrer com êxito uma série de etapas, um conjunto de degraus ziquezagueantes que conduzem, quase de certeza, ao resultado pretendido. Repare-se que, neste processo, o mérito realmente político dos putativos candidatos pouco interessa, mas sim a sua competência "processual" para triunfar internamente. Não admira pois que, sobretudo no caso do PS, a direcção nacional recorra frequentemente aos serviços de figuras de topo, a necessitarem de rodagem e de uma tribuna episódica, para colmatar os Albanos que lhe são sazonalmente apresentados.
O acto eleitoral é o momento supremo onde é manifestada a vontade contratual dos cidadãos em relação aos seus representantes. Historicamente, pelo menos em Portugal, houve sempre duas formas de adulteração dessa escolha: pelo lado da definição do universo eleitoral e pela subversão dos mecanismos da representação. A ilustrar o primeiro caso, basta referir o sufrágio censitário do liberalismo, a exclusão dos analfabetos da 1º república, pelo PRP, e a contingentação administrativa do recenseamento, durante o Estado Novo. O expediente destinava-se, respectivamente: à exclusão dos elementos radicais setembristas e do "povo miúdo", de modo a assegurar o perpétuo girar de cavalheiros vitorianos representando as duas ou três facções do costume; à exclusão das massas rurais e do proletariado, afastando-se assim quer o voto católico e tradicionalista, quer o voto socialista; à fixação de um eleitorado funcionalizado e obediente. Do outro lado, ressalta a inexistência de uma verdadeira responsabilização intuitu personae dos eleitos pelos seus constituintes. Seja qual for o modelo de contabilidade eleitoral seguido. Neste particular, a marcação de audiências periódicas onde os deputados recebem as reclamações dos eleitores do círculo respectivo, como acontece no Reino Unido, parece um cenário de ficção científica. Portanto, é tradição nacional a distribuição dos lugares ser tão errática como a diluição do vínculo representativo.
Francisco Assis estará pois na Guarda, durante a vileggiatura eleitoral. A abnegação com que se dispôs a aceitar o "desterro" é apropriadamente franciscana. Evidentemente, não é o político Assis que está em causa. Até porque demonstrou muita coragem, onde outros não a tiveram, no infâme episódio de Felgueiras. Até porque o próprio confessou a transitoriedade do seu desempenho, afirmando continuar o Porto a ser o seu centro político. Lamenta-se é a Guarda não ter mais nada que "oferecer" às instâncias partidárias decisórias, senão os melhores golpistas da temporada. Deparando-se os eleitores com uns ilustres (?) desconhecidos, recém-empossados em qualquer coisa, em busca da notoriedade pastosa das prebendas da pequena política. Encabeçados, precisamente, pela prestimosa "figura" de circunstância. Muito pouco, na verdade.

domingo, 21 de setembro de 2008

A chapelada

O PS decidiu fazer aprovar na AR uma proposta legislativa que põe fim ao voto por correspondência entre os emigrantes. A partir de agora, só é permitido o voto presencial nos consulados. Lembre-se que, ainda recentemente, encerraram as portas dezenas destas representações, um pouco por todo o mundo. E que, em muitas delas, os nacionais são tratados abaixo de cão, por burocratas em regime de sinecura política, cujo verdadeiro pedigree é o da incompetência. Como já tive ocasião de assistir. O Governo diz querer acabar com os sindicatos de voto e promover a transparência no processo eleitoral. Regista-se o esforço, embora a caricatura seja impossível de esconder: a nível interno, o PS é o partido onde há mais chapeladas, manipulações de representantes e sindicatos de voto de que há memória. Basta lembrar que um candidato à Federeção Distrital da Guarda conta entre os seus apoiantes dezenas de militantes recém inscritos e com morada comum: a Associação dos Doadores de Sangue... A campanha eleitoral já começou e o PS precisa deseperadamente de votos, pois sabe que, desta vez, não vai ser a feijões. Alterar administrativamente a vontade popular num círculo onde já não ganha desde 1999 é só mais um expediente anti-democrático, que só aos mais distraídos poderá surpreender.