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quinta-feira, 3 de março de 2011

Contra as portagens, marchar, marchar

Marchar, neste caso, quer dizer também assinar a petição contra mais esta machadada nas aspirações ao desenvolvimento do interior do país. Basta dizer que, aos preços actuais dos combustíveis, uma viagem Guarda - Lisboa ida e volta, numa viatura ligeira a gasolina, incluindo portagem existente na A1 e prevista na A23, importará em cerca de 120 euros. Quanto a ir ao Porto pela A25, façam os leitores as respectivas contas. 

Petição "Não às portagens na A23 e A25"

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Os ricos que paguem as SCUTs

Algum dia tinha que acontecer. Gostaria de partilhar a minha total concordância com a recente medida do Governo de introduzir portagens em três SCUTs do Norte e Centro. Mais concretamente do Norte/Litoral, Costa de Prata e Grande Porto. Efectivamente, trata-se de infra-estruturas pensadas para, mais cedo ou mais tarde, o respectivo custo se vir a repercutir nos utentes. Neste caso, é motivo para dizer que, "enquanto o pau ia e vinha, folgavam as costas". Só que, o momento da verdade haveria de chegar. Por outro lado, já ouvi algumas críticas à não extensão da medida a todas as SCUTs. Discordo de todas elas. Porquê? A razão é simples: no caso das três abrangidas pela medida, verificam-se preenchidos os pressupostos para a decisão: vias alternativas razoáveis e rendimento superior à media nacional. Mas há um outro motivo, de ordem estruturante. Se me disserem que alguns troços de auto-estrada, sobretudo no litoral, são uma duplicação de vias com esse perfil já existentes, uma estratégia esbanjadora cujos maiores beneficiários são os construtores, os concessionários e certas redes clientelares devidamente "enluvadas", estou pronto a aceitar sem hesitação. Mas já que existem, então que quem deles beneficia directamente contribua para o seu pagamento e manutenção. Na  condição de existirem soluções alternativas de circulação, estarem essas SCTs implantadas  em zonas desenvolvidas e servirem troços inter-urbanos, como é o caso. Portanto, esteve bem o Governo em não impor portagens, para já, na A 23 e A 25. Uma vez que, servindo ambas uma vasta região do interior, cumprem um desígnio de coesão nacional, de correcção das assimetrias. Propósitos estes só atingidos se se mantiver a actual discriminação positiva. Para além de que, neste momento, não haveria praticamente vias alternativas nas zonas abrangidas...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O velho do restelo

Em outro momento, aqui declarei Miguel Sousa Tavares como intelectualmente defunto para este blogue. As razões foram explicadas na altura. Até porque MST não lê blogues, detesta bloggers e desconfia das redes sociais, como por várias vezes já se prestou a esclarecer. Pois o autor de "Equador" acaba de publicar uma crónica no jornal “Expresso”, intitulada "Esta noite sonhei com Mário Lino". Trata-se da recriação de um diálogo, meio real meio ficcional, que teve com uma "amiga estrangeira" (uma péssima definição, pois penso que os amigos nunca são estrangeiros para nós, a não ser que...) num percurso pela A6, entre Lisboa e Badajoz. Como se dá conta, o tema é a "alta velocidade", a construção de auto-estradas "a mais" e outros "elefantes brancos". O texto, muito apropriado para a silly season, é inquestionavelmente divertido e cria uma razoável malha argumentativa sobre temas fundamentais para o desenvolvimento do país. No entanto, se por um lado revela um pathos muito característico, por outro enferma de alguma demagogia e de muito pessimismo. Senão vejamos:
1. MST tornou-se uma espécie de luddite do séc. XXI. Que para além de desdenhar as novas formas de comunicação e informação, é contra o investimento em vias de comunicação estruturantes (ferro-rodoviárias), que associa a um fontismo desmesurado e sem justificação.
2. A sua "luta" pretende recriar o mesmo episódio de há 150 anos atrás, quando começaram a ser construídas as grandes linhas férras e o combóio se afirmou na paisagem e na economia nacionais. Marcando irreversivelmente o seu desenvolvimento. Sabendo-se que, em 1820, não havia sequer uma estrada contínua entre Lisboa e o Porto, demorando a viagem de carruagem dois dias. E não houve decerto factor de aproximação à Europa tão forte como a existência da linha "Sud Express", apartir de 1880. Sim , também li "A Cidade e as Serras", mas aqui a discussão é outra.
3. Portanto, em vez de fazer esperas aos combóios, armado com um chuço ou uma gadanha, como os camponeses da época do fontismo, MST aparece sob as vestes do paladino contra o betão, o asfalto e os planos faraónicos. Sejam eles o TGV ou a barragem do Alqueva, as autoestradas ou o novo aeroporto.
4. Convém agora dizer que o cronista tem razão nalguns pontos. Passo a enumerá-los: o excesso de troços de autoestrada ligando pontos já servidos por essa infraestrutura, ou cuja extensão diminuta aconselharia à simples duplicação das vias existentes; o caos urbanístico que se instalou na maior parte do território continental e insular; a saturação da linha do Norte, apesar do colossal investimento aí realizado; o tradicional esbanjamento de recursos públicos.
5. Em tudo o resto, a sua crónica parece-me manifestamente exagerada, parafraseando Mark Twain. Notam-se demasiado os preconceitos e a mente curta do lisboeta para quem o resto do país, com excepção do Algarve, deveria ser uma reserva cinematográfica, cinegética e com livre-trânsito para as provas com veículos todo o terreno. De preferência com estradinhas com boas vistas, paisagens sem mácula poluente, gente sorridente e solícita, uma disneylandia rural fantasmática, sem campos de golfe, mas cheia de hoteis com jaccuzzi, para as escapadinhas com as "amigas estrangeiras". Um país de acordo com a versão ampliada e revista da que teve o Estado Novo, pela mão de António Ferro e do SNI.
6. Po outro lado, MST recusa liminarmente a construção do TGV. Usando o argumento do provincianismo. É curioso que o cronista tenha referido esse pecadilho intelectual. O escritor Milan Kundera, no seu último ensaio, "A Cortina" (ed. ASA, 2005) refere precisamente a existência de dois tipos de provincianismo, igualmente negativos: o dos "grandes" e o dos "pequenos". É certo que o autor se refere sobretudo à produção literária. No entanto, o argumento é válido mutatis mutandis. Pois MST consegue, de uma assentada, conciliar os dois provincianismos. Ou seja o "deixemo-nos ficar isolados pois ninguém quer saber de nós", típico de quem vive num país periférico, com o "nós aqui já estamos servidos do que interessa, para quê dar valor ao que está fora?", típico de quem vive na capital!
7. O ponto de vista de MST resulta assim pobre, curto e algo arrogante E porquê? Sabe-se que o custo do transporte rodoviário, de que depende 80% da economia nacional, se tornou incomportável; que existem autoestradas transversais, que ligam o interior e o litoral, ainda sem custos para os utentes (algo de que MST decerto discorda), onde a discriminação positiva se justifica plenamente, uma vez que são essenciais para o desenvolvimento do país e para a sua coesão; que um novo aeroporto se justifica, embora com dimensões modestas, destinado a vôos "low cost", associando as respectivas companhias à gestão da nova estrutura; que é urgente a construção de duas linhas de alta velocidade: uma em "T" que ligue Lisboa ao Porto e a Madrid, e uma outra, sobretudo para mercadorias, entre Aveiro e Salamanca, com ligação à rede europeia.
8. Claro que todas estas estruturas são dispendiosas e requerem um elevadíssimo investimento. Mas os benefícios não se podem medir somente em números. Tal como o Alqueva não se pode avaliar pelos resultados imediatos, mas pela sua utilização futura, cujos contornos porventura desconhecemos. Ora, é precisamente pela amplitude da generosidade para com as gerações vindouras e pela visão prospectiva em relação ao devir que a história nos irá julgar. Não desperdicemos a oportunidade.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Os novos povoadores

"Em Portugal, 42% da população vive em 5% do território. Apenas 3,5% da população vive em cidades médias: Coimbra e Braga. Isto significa que 42% da população vive imobilizada sobre si e 54,5% da população no "interior profundo". Segundo dados da ONU, em 2015 a situação será ainda mais caótica: 69,2% da população portuguesa viverá nas duas áreas metropolitanas. Em Espanha, 25% da população vive em cidades médias, no total de 32." Estes números, que só não surpreendem quem não assiste a esta realidade, aqui bem no centro do chamado interior profundo, são revelados no blogue "Inovação & Inclusão". O qual funciona como porta-voz de um projecto recente, apoiado pela ANM, chamado "Novos Povoadores". Claro que, no século XXI já não existem as amnistias generalizadas para quem opte por viver nas áreas do "no man's land", nem forais prometendo benefícios e isenções fiscais, "propostas irrecusáveis" com que os reis da 1ª dinastia acenaram aos potenciais pioneiros. E não se pode encarar 2/3 do território nacional como um pacato e remoto "couto de hominizados". A ideia para o projecto surgiu a partir de três licenciados. Tem precisamente como objectivo obstar ao êxodo demográfico e de competências no interior. Promovendo a fixação de famílias constituídas por profissionais qualificados em algumas cidades médias, com boas acessibilidades, e cujas autarquias acolham o programa. Até agora, já houve 100 candidaturas e em Setembro irão ser instaladas as primeiras 25, em Abrantes. As novidades sobre o desenrolar deste projecto vão sendo actualizadas também na respectiva página do Twitter, que sigo. Ora, entre as cidades piloto do programa figuram, por exemplo Castelo Branco e Viseu. Sobre a Guarda, nenhuma menção. E não se julgue que esta afirmação é firmada em algum tipo de regionalismo atávico. As razões são outras. A desertificação é negativa para o país no seu todo e não só para o interior. Contra ela, não bastam as promessas sazonais dos políticos, nem a generosa captação de investimentos. É a proliferação de programas como este, pensados a médio prazo, sustentados e cujo retorno não se mede em cifrões, mas em níveis de qualificação e competitividade, que verdadeiramente pode fazer inverter a sangria demográfica do interior para o litoral. Projectos esses onde o princípio da discriminação positiva é encarado sem preconceitos e onde o apelo ao empreendorismo e à criação de know how são as palavras-chave. Só que, pelos vistos, ao alhear-se da iniciativa, o executivo da autarquia guardense parece continuar a definir como prioridades o betão e as grandes superfícies. Depois admirem-se que "isto", qualquer dia, "é só paisagem".

sábado, 26 de abril de 2008

TMG, três anos


O Teatro Municipal da Guarda acabou ontem de cumprir três anos de existência. Para esta longevidade, contribuiu um cúmulo de factores: a tenacidade, a vontade política, a reunião de meios, a arquitectura, o trabalho, a ambição, uma gestão cuidada e reivindicativa, entre outros. E um nome por trás de cada um deles: Américo Rodrigues. Todos tornaram possível que uma utopia se tornasse realidade. Que um local de cultura se tenha afirmado, definitivamente, como um sinal distintivo da cidade e região. Parabéns.