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domingo, 29 de janeiro de 2012

Breves (3)

1.Por causa de uma crónica a propósito da emissão do programa "Prós e Contras" a partir de Angola, o jornalista Pedro Rosa Mendes foi "dispensado" pela direcção de informação da RDP 1, onde colaborava na rubrica "Este Tempo" com as suas crónicas. O acto de censura resulta de uma crítica contundente ao espectáculo propagandístico oferecido à cleptocracia angolana e ao "nauseante e grosseiro exercício de propaganda e mistificação" (sic) do referido programa. Aqui poderão aceder à nota publicada no "Público", a propósito do tema. 
2. As virgens ofendidas do costume andam indignadas por causa de um desabafo do Presidente da República acerca da sua reforma. É claro que Cavaco Silva pode ser criticado por vários motivos. Do meu ponto de vista, como homem educado no regime anterior, está demasiado marcado por uma prudência imobilista e incapaz de retirar peso ao Estado. É bom não esquecer que a deriva despesista que nos tem em apertos começou com ele. Seja como for, circulam pela net panegíricos inflamados condenando Cavaco à execração. Esquecendo talvez que o seu trunfo maior é a identificação com o português comum, que sobe a pulso, com sacrifício, avesso a rupturas. Nas redes sociais, o fait-divers com Cavaco atinge proporções pantagruélicas. Desde peditórios a músicas, há para todos os gostos. Mas vê-se também a arruaça de tasca, do tipo "segurem-me senão vou-me a ele". E com isto andamos a perder um tempo precioso. Que deveria servir para aproveitar a crise da única maneira possível: desfazermo-nos de hábitos consumistas e de um individualismo sem futuro. Novas formas de convivialidade, de participação cívica, de solidariedade. O caminho é esse. Não é continuar a dar importância aos mesmos actores de sempre.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sapo, qual sapo?

Os deputados do PSD-Madeira acabam de aprovar a suspensão administrativa de um deputado, seu par, na Assembleia legislativa daquela região autónoma. Ao arrepio da Constituição e do Estatuto respectivo, como já salientaram os especialistas. Entretanto, Cavaco Silva, que tem poder de dissolução sobre aquele órgão, lavou as mãos do assunto, melhor ainda do que Pilatos. A justificação é surrealista. Baseando-se em informações que lhe foram transmitidas pelo representante da República, o qual tem dialogado imenso com o presidente da Assembleia, não hesitou em garantir que que a situação "tende para a normalidade". E que, quanto a uma ameaça ao regular funcionamento de uma instituição, nada pode fazer. Ver aqui a notícia completa. "Extraordinário!", é o que os portugueses que acreditam num estado de direito democrático poderão dizer. Repare-se que a situação "tende". O que significa que, logicamente, este movimento para a normalidade pressupõe uma anormalidade anterior. E que os bons ofícios para essa reposição resultarão necessariamente de uma intervenção divina. Assombroso é assistir a esta tendinite aguda, onde o PR emite declarações de fé sobre um assunto que, pela sua gravidade, só admite a sua intervenção célere e exemplar. Sobre o prestígio do regime estamos conversados. Depois admirem-se de ouvir dizer que no tempo do Salazar é que era bom.