Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sábado, 20 de dezembro de 2008

Saatchi

Zhang Xiaogang, "A Big Family"
Sun Yuan e Peng Yu, "Old Person's Home"

Zhan Wang, "Ornamental Rock no. 71

Para encerrar os destaques da mais recente incursão a Londres, falta referir a Saatchi Gallery. Uma instituição já com créditos firmados e que acaba de reabrir junto a Slone Square, em Chelsea. Instalada no palácio do Duque de York, um magnífico espaço rodeado por uma extensa zona verde. A galeria exibe exclusivamente arte contemporânea. Sejam obras de artistas consagrados, quer emergentes. Apresentando-se como um espaço interactivo, mantém ainda uma carteira de artistas escolhidos on line, divulgando as suas obras, entre outras iniciativas. A seguir à Tate Modern, a Saatchi é provavelmente o grande centro de divulgação de arte contemporânea em Londres. Quando lá estive, pude disfrutar a notável e polémica exposição consagrada a um naipe de "novíssimos" artistas chineses, patente até Março. Mais informações, incluindo catálogo, disponíveis na página do site oficial, também em português. O panorama geral prima pelo arrojo, num espaço pensado, pela sua plasticidade e volume, para este tipo de exposições. Destaco as figuras estilizadas de Yue Minjun, o anjo caído de Cang Xin, a provocação política de Shi Xinning, as construções de Shen Shaomin, que utiliza mateiais pouco convencionais, e a a bizarra instalação de Sun Yuan e Peng Yu, "Old Person's Home", o momento iconográfico deste catálogo. Trata-se uma série de cadeiras para deficientes motores, "tripuladas" por figuras representando um conjunto de líderes políticos mundiais em estado de completa senilidade. As cadeiras vão-se movendo aleatoriamente, podendo chocar entre si. Todavia, não embatem nos visitantes que circulam no espaço, pois dispõe de sensores apropriados. Uma curta sequência da instalação poderá ser visionada aqui.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Incursões

Londres começa a ser para mim um local viciante. Nada a fazer. Com base nesta última estadia de 4 dias, algumas notas: a esplendorosa cripta de St. Martin in the Fields, em Trafalgar Square; a maré humana em Oxford Street, ao fim da tarde; a zona de Greenwich, um local magnífico, compreendendo: o complexo edificado por Cristopher Wren junto ao Tamisa, que já foi hospital e agora é uma Universidade e Escola Naval, o Museu Marítimo e o Observatório, um espaço museológico onde já esteve instalado o relógio onde era medido o tempo "oficial" , residência oficial dos astrónomos reais desde o séc. XVII e onde se pode ver a linha do meridiano zero, tudo rodeado por um grandioso espaço verde; um jantar no "Masala zone", um fantástico restaurante indiano, junto a Carnaby Street; a loja de chás da Whittard , na mesma área, de onde tive que ser arrancado "à força"; a assistência à peça "No man's land", de Harold Pinter, no Duke of York's, na zona "quente" do West Side; a Photographer's Gallery, onde não cheguei a entrar; claro, o Camden Market, um local iconográfico, de onde não apetece sair, mas onde se deve chegar pelo Regent Canal, o qual se percorreu, durante duas horas, atravessando a Little Venice, que mais poderia chamar-se Little Amsterdam, com as suas barcaças habitadas, os seus cafés e teatros de fantoches flutuantes; o Holland Park (ver postagem anterior) e a Galeria Saatchi, na zona de Chelsea, de que falarei a seguir.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Viagens

Aspectos do Holland Park, em Londres (e Kyoto Garden), ontem de manhã, durante um passeio memorável. Recorde-se que este magnífico espaço, situado na zona abastada de Kensington, foi celebrizado também por dois motivos. Por um lado, esta era uma área frequentada por espiões durante o período da guerra fria. Um cenário que decerto inspirou escritores e viajantes. E foi neste parque que foi rodada a célebre sequência do suposto homicídio visionado pelo fotógrafo e protagonista no filme "Blow up", de Antonioni. Obra essa que já aqui comentei.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Vai lá, vai! - 2

Nesta curta digressão, houve tempo ainda para algumas epifanias, como passear em Carnaby Street, por exemplo. Mas sobra ainda um breve episódio. Como já calculava, em Inglaterra lê-se muito. Seja nos jardins, nos autocarros, no comboio, em sítios públicos em geral, quase toda a gente lê um jornal, um livro ou uma revista. Certa vez, na carruagem do metro onde seguia - tentando abstrair dos desesperantes e repetidos avisos "mind the gap", durante as paragens - reparei que todos os passageiros iam a ler. Todos? Não, pois do outro da carruagem provinha um diálogo na língua de Camões. Era um casal jovem que trocava umas impressões acerca de títulos académicos e doutoramentos, na perspectiva dos "esquemas" e expedientes para lá chegar. O contraste desconcertante que a situação evidenciava era por demais sugestivo. Sinalizava o fosso entre a dedicação ao conhecimento, o cultivar da dúvida que se desfaz e refaz, próprio de outras latitudes, e o saber honorífico, a erudição saloia, a ignorância encartada... Bom, eis mais algumas imagens do périplo londrino:




Portobello Market

Vai lá, vai! - 1

Na semana passada andei por Londres durantes alguns dias. Claramente insuficientes para conhecer minimamente a grande metrópole. Mesmo assim, para uma impressão, chegou e bastou. Devo dizer que o tempo ajudou bastante: três dias seguidos de sol em Dezembro na pérfida albion não acontece muitas vezes. É impossível falar de tudo o que me impressionou: se a monumentalidade de certas zonas, se o ambiente de alguns pubs, se as pistas de gelo em Hyde Park e na Somerset House, se a magnífica Tate Modern, se a zona ribeirinha do Southbank, se o bem organizado sistema de transportes, se a estonteante zona em volta de Picadilly Circus à noite, se o excelente, embora pouco conhecido, Museum of London, junto à muralha romana nos limites da City, se a ponte pedonal do Millennium, sobre o Tamisa, entre a catedral de S. Paulo e a Tate, se o imperdível Mercado de Portobello Road. Eis algumas imagens:

St. James Park

Porta mais antiga de Inglaterra (séc. XI), na Adadia de Westminster

Millennium Bridge, com a Tate Modern ao fundo

O Tamisa e o London Eye