Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sábado, 20 de novembro de 2010

A pastelaria (1)

De acordo com uma notícia da SIC, as lojas da Baixa de Lisboa estão a proteger as suas montras devido aos protestos anti-NATO. Cabe perguntar: serão estes os pacifistas de que o Bloco tanto gosta? Aposto que a sua porta-voz televisiva mais qualificada, a ciclotímica regateira Joana, não vai conseguir dormir por estes dias. Sabem porquê? Os sonhos lúbricos vão-se suceder, como uma vertigem. Povoam-nos jovens audazes, barbudos, mascarados, de pau na mão, vestidos de preto com roupa desenhada por costureiros da causa. Argonautas intrépidos, e-trogloditas, neo-ludditas e por aí adiante... Nada de quasímodos tropicais com sabor a charuto! Que ideia! Trata-se de tribos criadas no seio do bem-estar, que tresandam a ócio, mobilizadas para a violência pura e dura. Todavia caucionada pela esquerda do costume como "acção de protesto". E que ninguém toque no assunto! Os mesmos que, em vez de entrar na pastelaria e dizer que o leite está azedo, seguindo a sugestão de Cesariny, preferem partir a montra sem aviso. E assim estragar a vida de quem verdadeiramente luta e trabalha. Ou de quem gosta simplesmente de um pastel de nata bem quentinho...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cartaz turístico

Ontem de madrugada, na fronteira de Vilar Formoso, foi detido e recambiado para a origem um grupo de "simpáticos" jovens finlandeses. Revistado o autocarro, foi encontrado diverso material propagandístico, destinado a uma acção de protesto contra a cimeira da NATO. Para acentuar a veemência revolucionária, vinham também alguns bastões, entre outros "argumentos" que fariam corar Gandhi e Tolentino de Mendonça. Obviamente, a "peregrinação" destes simpáticos nórdicos foi largamente subsidiada pelo generoso estado social do país da Nokia e dos mil lagos. O mesmo "estado social" que o patusco candidato Alegre diz ir defender com umas bengaladas acaciano-ditirâmbicas, caso seja eleito. "Trás, que é para aprenderem! Tomem disto, já que esta é a ditosa pátria minha amada e eu não tenho medo!" Mas voltemos ao tema principal: "o turismo religioso em período de cimeiras da nato no sudoeste peninsular". E aqui, confesso à puridade que este título dava uma tese de doutoramento e pêras!  Ora, segundo o BE, o "nosso" grupo de agitadores finlandeses, armados até às orelhas, não passa, afinal, de um grupinho de objectores de consciência. Uma deputada daquela força política veio logo repudiar, em letra de forma, a "detenção e tratamento arbitrários". Comovente, não acham, caros leitores e leitoras? Sim, rapaziada escuteira e assim! Afinal, só vinham exercer o seu direito de protesto!... Mas talvez fosse bom lembrar-lhes que, se não fosse a NATO, hoje seriam simplesmente uma província russa. Apesar da bravura com que os seus antepassados se bateram contra o Exército Vermelho no início da II Guerra. Quanto à esquerda caviar, para mim é um caso perdido. A ignorância da História, aliada  à demagogia e ao ressentimento social, só pode trazer maus resultados.

terça-feira, 30 de março de 2010

A graçola dos caviares

Daniel Oliveira, uma das estrelas da constelação bloquista, acaba de nos brindar com mais uma das suas pérolas de requintado humor. No seu blogue "Arrastão", chegou a apelidar de "carne tenrinha" as crianças abusadas por elementos do clero católico... Aos interessados, valerá depois a pena ler a sua argumentação a amparar a asneira. Bom, já conhecíamos a proverbial boçalidade destes revolucionários do croquete. Ficámos agora a saber até onde pode ir a sua miséria moral...

PS: sobre o mesmo tema, mas claramente de outro campeonato, leia-se este magnífico texto de Miguel Serras Pereira, no "Vias de Facto".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Lembram-se do Zé?

A Câmara de Lisboa vai pagar ao consórcio CME/Tâmega 18,1 milhões de euros por causa do Túnel do Marquês, segundo o acordo alcançado entre as duas partes nas negociações que permitiram à autarquia poupar 6,5 milhões. De acordo com fonte do município, o acordo entre a Câmara de Lisboa e o consórcio foi assinado terça feira, quase seis anos depois de as obras no Túnel do Marquês terem parado por causa de uma providência cautelar interposta por José Sá Fernandes, hoje vereador na autarquia.
(Notícia completa aqui).

Eis um bom exemplo de como a factura da demagogia é sempre paga pelos mesmos...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Louçã, o eterno jovem que nasceu velho

O Bloco de Esquerda pode ter perdido as autárquicas mas Louçã ganhou no fim deste ciclo eleitoral. Ganhou porque ele, o trotsquista, enviou para Bruxelas Miguel Portas, ou seja o representante da linha estalinista-revisionista. Em Lisboa, o maoísta Luís Fazenda saiu derrotadíssimo. E Louçã é para todos os efeitos o homem que nas últimas legislativas levou o BE quase a terceira força política nacional. Louçã é uma das mais interessantes figuras do universo político português. Alguém que aqui aterrasse vindo doutro planeta e tendo em conta os estereótipos vigentes imediatamente ao vê-lo e ouvi-lo acreditaria que ele era um representante da direita ultramontana. Na verdade não se enganava a não ser no rótulo pois Louçã é um homem muito antigo. Aliás Louçã não só é o mais antigo líder em funções em Portugal como ainda usa uma linguagem que remete para outras eras: pluraliza o nome dos que diz ricos num tique desses tempos em que os empresários não eram propriamente indivíduos mas sim os Mellos e os Champallimauds, eternamente representados de cartola e atolados de vícios. O que é notável, e isso é claramente mérito de Louçã, é que apesar da sua longevidade política e do seu estilo ele aparece associado a uma alternativa tida como jovem. E ainda mais notável é que consegue que a vida interna do BE seja retratada na comunicação social com a bonomia de quem recorda os acampamento de juventude: ali não há crises nem tensões, muito menos lutas pelo poder. O PCP tem linhas, o PSD é todo ele um conflito, o PS apesar de estar no poder ainda vai tendo uns críticos e o PP vive daquela luta entre grupos. O BE pelo menos mediaticamente é uma união sagrada.
Louçã, o líder que nunca envelhece, deu estrutura política ao sonho de uma geração nascida no pós 25 de Abril que gostaria de viver o folclore de um PREC sem ter de pagar no seu conforto e garantismos as consequências disso. Mas o que cabe perguntar é se Louçã pode envelhecer pois por ironia esse imaginário dos votantes do BE, imaginário muito mais de colecção lúdico-juvenil do que marxista, só se mantém enquanto o BE não for poder. Para essa geração ver Louçã ministro era o mais triste sinal de que afinal quer eles quer o próprio Louçã tinham crescido. De que acabara aquele tempo-espaço onde continuam sempre todos eternamente jovens, aquele BE liderado pelo Louçã.

Helena Matos, no "Público" de 19 de Outubro

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Mau perder


O Dr. Louçã continua imparável no desconchavo. Que diabo! Podia muito bem organizar uma semana de reflexão pós eleitoral, com os acólitos da seita, numa quinta qualquer, recitando cânticos milenaristas e mantras anti-capitalistas, leituras em voz alta das obras completas de Trotsky e uma sessão sobre "como fazer cocktails molotov!". Tudo apimentado com alto teor de THC, é claro, providenciado pelo Oliveira. O Daniel. Pois. Mas não! O auto-proclamado demiurgo da esquerda voltou logo à carga. É a saudosa revolução permanente, meus amigos... Agora voltou-se contra Portas, num acesso intempestivo de hidrofobia. Acusando-o, vejam só, de ter feito desaparecer o contrato dos submarinos, no meio das fotocópias que o então ministro tirou antes de sair. Mesmo depois, note-se, de o MP ter concluído o inquérito e determinado a autoria das irregularidades cometidas. Assim ilibando Portas de qualquer responsabilidade. O país ficou então a saber que o Dr. Louçã, para além de exibir uma inusitada ideia de si próprio, tem mau perder. Pois.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Com um Guronsan passa...


É com a mais profunda e sincera satisfação que tenho descoberto torrentes de suco gástrico desproporcionado em alguns ilustres blogonautas, ainda não conformados com a vitória de Pirro do berloque de esquerda. Mesmo assim, não desistem de caluniar, chantagear, antecipar o perfil do futuro Governo. Esquecendo-se que foram os eleitores, no exercício do seu poder soberano, quem retirou o Bloco da mesa das futuras negociações. Isto apesar do cenário apocalíptico apresentado pelo profeta Louçã. Ou seja, a "culpada" foi a enorme sabedoria do povo português. Portanto, os da esquerda caviar ainda vão ter muito que pedalar até atingirem a credibilidade e a consistência ideológica e programática dos Verdes na Alemanha. Olha só do que nos livrámos!!!...

sábado, 19 de setembro de 2009

Eles vivem!


Hoje de manhã, na marginal, deparei com mais um outdoor do berloque de esquerda. A mensagem é clara: "Estamos prontos!". Vendo-se, por trás, imparáveis, os rostos mais conhecidos daquela força política. Ou seja, como os votos ganhos com as causas fracturantes já atingiram o seu limite natural, mesmo que empolado pelas sondagens, toca de se apresentarem como alternativa "séria", "credível". Ficámos a saber que os trotsquistas estão prontinhos para tomar de assalto a democracia "burguesa", desmantelar a economia "capitalista", transformar Portugal num acampamento permanente de assistencializados, desprivatizar, desprivatizar, aumentar a carga fiscal para níveis incomportáveis, criar uma comissão de zeladores do politicamente correcto, com o Torquemada Oliveira a superintender, tornar enfim esta parcela atlântica (ainda mais) ingovernável!... "Eles vivem", portanto. Tal como as figuras (na imagem) do filme de Carpenter, com o mesmo nome.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os novos fariseus

De acordo com a imprensa "da situação", parece que o Bloco de Esquerda foi o grande vencedor das recentes eleições europeias. Sempre com os media nas palminhas e com o beneplácito dos comentadores do regime, esta força política é bem capaz de se tornar a grande responsável pela ingovernabilidade do país a médio prazo. É bom recordar que o BE é um partido cuja espinha dorsal são antigos elementos da UDP (estalinistas) e do PSR (trotsquistas). Muitos dos seus dirigentes nacionais e locais não perderam os tiques controleiros. Basta dizer que o chefe da banda do BE na Guarda é um aparathnik típico, inimigo declarado da cultura, conhecido por dirigir críticas populistas à principal instituição cultural da cidade que envergonhariam a direita ultramontana. A pós-modernidade é, pois, unicamente uma fachada com objectivos precisos: conquistar votos ao PS e paralisar uma governação à esquerda. As correntes realmente modernas, libertárias, new age, a defesa do ambiente, as novas utopias da Rede, o que ficou do situacionismo, a real autonomia dos indivíduos, são para o Bloco realidades hostis, desprezíveis. O seu programa é destruir. O seu modus operandi é atacar tudo e tudos, de forma demagógica e arruaceira. As suas propostas políticas são invariavelmente irresponsáveis e despesistas. Acaso exercessem funções governativas, o país entrava em bancarrota no primeiro mês. Graças à destruição do tecido empresarial, à quebra brutal do investimento, à assistencialização forçada da população, ao aumento dos impostos, ao aumento da despesa pública, na voragem de um estado-providência sem qualquer correspondência no aumento do PIB, ao desperdício como nota dominante na Administração Pública, à criação de uma polícia de defesa e vigilância do politicamente correcto. No fundo, uma espécie de neo Inquisição, com o Daniel Oliveira como novo Torquemada. Assim, se alguém festejasse o Natal publicamente, apareciam logo os zelotas bloquistas, dando voz de prisão, pois os irmãos muçulmanos poderiam ficar ofendidos... Um verdadeiro pesadelo pós-moderno!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Juventude em marcha

(clicar para ampliar)

Começou ontem, em S. Gião (Oliveira do Hospital), mais um encontro nacional dos jovens do Bloco de Esquerda. O acampamento/festa prolonga-se até domingo. Refere-se no site oficial do Bloco que tudo irá decorrer "com muita festa, alegria e luta, mas com um formato diferente". Ups! Formato diferente? Sim, caros leitores, "contra o cinzentismo das vidas usurpadas", reclama-se "o direito à liberdade, à vida, à imaginação". Como já devem ter percebido, sou inimigo declarado da vidinha e devoto do inconformismo. O que significa que um programa destes, fazendo lembrar as proclamações dos situacionistas (atente-se ao "ensaiamos") é mais do que aliciante. O problema começa logo a seguir: o programa de actividades. Não pela ambição, mas pela vacuidade, pela visão a preto e branco. A abrangência dos workshops é avassaladora: inclui debates sobre Imigração e Racismo, Bio-combustíveis e Crise Alimentar, LGBT, Feminismo e Combate Social, Drogas Leves e Precariedade, entre outros temas, todos absolutamente indispensáveis. Destaque também para as sessões práticas, operativas, sobre "Faixas", "Stencil/Subvertize" e "Mobilização para comício". O ponto alto ocorrerá hoje, pelas 17 H, com um workshop sobre "Brinquedos Sexuais". O fantasma de Baden Powell, patrono destas actividades escutistas ao ar livre, já deve estar escarlate de vergonha. Seja como for, a coisa promete. Serão brinquedos multiusos? Virtuais? Na formação será utilizado o método demonstrativo ou também o activo? E dentro deste, recorrer-se-á ao role playing, ao brainstorming ou aos trabalhos de grupo? Maravilha maravilha era juntar este workshop ao das drogas leves. Até eu lá aparecia, disfarçado de Pai Natal.

Nota: acedi há pouco ao Portal da Empresa, para simular a criação online de uma sociedade. Na bolsa de denominações fantasia disponíveis, figurava, imaginem, "007... ordem para brincar". Nem de propósito!!!