Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Serviço público

1. «A Presidência do Conselho de Ministros (PCM) clarificou que o cartão de cidadão “serve apenas para identificar” e “não possui o número de eleitor” em chip ou sob qualquer outra forma».(p)
.

2. « um documento prático que agrega e substitui os actuais cartões de contribuinte, de utente do serviço nacional de saúde, de beneficiário da segurança social e de eleitor
.
(na página do Cartão do Cidadão, da responsabilidade Agência para a Modernização Administrativa, IP, dependente da Presidência do Conselho de Ministros.

Gabriel Silva, no "Blasfémias"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A velha e a nova Ordem

Sexta-feira haverá eleições para os órgãos sociais da Ordem dos Advogados. Ou seja, sexta à noite serão conhecidos os resultados para o exercício no próximo triénio. Pela minha parte, e repetindo uma escolha anterior, espero que, sem surpresas, Marinho Pinto inicie mais um mandato como Bastonário. Pelo que tem feito em defesa da classe, no seu todo, merece-o. Já certo tipo de declarações públicas seriam de evitar, sobretudo nos casos Casa Pia e Freeport, onde evidenciou uma colagem inadmissível ao socratismo e, no primeiro caso, uma guerra dispensável com as magistraturas.. De acordo com a linhas mestras da lista que encabeça, o exercício de mais um mandato será fundamental em três vertentes: reforma da acção executiva, consolidação do actual sistema do apoio judiciário, contra as tentativas de impor a funcionalização através da criação da figura do Defensor público e a luta contra a desjudicialização da justiça e a massificação da Advocacia.  As outras candidaturas ao Conselho Geral, muito especialmente a de Fragoso Marques, representam os resquícios dos velhinhos interesses instalados. Ou seja, assegura a representatividade, não da maioria da classe, mas de meia dúzia de sociedades predadoras em Lisboa e no Porto. Com o "resto" a aproximar-se, digamos, do limbo paisagístico e periodicamente votante.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Lido

Ontem foram criados muitos empregos: 308 para Presidente de Câmara, 4 260 para Presidente de Junta de Freguesia, 2633 para deputados municipais. Começou a retoma económica.

no "Combustões"

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Esmiuçar as músicas

Uma das vantagens de morar no centro, durante uma campanha eleitoral, é ficar a saber de cor as músicas utilizadas pelas várias comitivas para galvanizar a populaça, alinhadas no meio de soundbytes cada vez mais uniformes. Esses temas icónicos são generosamente difundidos através de algumas dezenas de decibéis. Bom, para começar, devo dizer que o solo de harmónica do hino do PSD é particularmente interessante. Anda ali mãozinha do Rui Veloso, com certeza. Digna de nota é a introdução coral, muito semelhante à de "All you Need is Love", dos Fabulous Four. A CDU insiste na "carvalhesa", um best seller medieval recuperado pelos comunistas para uso doméstico. À mistura com vozes megafónicas anunciando novas políticas, embora nunca se sabendo quais, graças ao conhecido efeito Doppler. O PS apostou na criação local. E fez bem. Quem consegue ainda ouvir os hits do Paco Bandeira? Quanto ao PP, esperava uma coisa mais arrojada, mais vanguardista, atendendo ao lema da campanha: F de Futuro. Ou até mesmo um solo de canto lírico registado no jacuzzi de Portas. Mas não, tudo ficou por um mix beato-pimba. O silêncio do BE é que me desiludiu redondamente. Esperava uns temas arab-funk e hip-hop incendiário pour épater les bourgeois... Pena... Será que não têm dinheiro para uma reles instalação sonora? Ou foi todo gasto em tranquilizantes para Louçã, dada a sua característica impulsividade verborreica ("segurem-me senão eu bato em todos!")?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Então pronto...

Ainda bem cedo, aqui dei a entender que o sentido do meu voto nas eleições autárquicas que se avizinham seria uma decisão essencialmente racional, dada a abundância das dúvidas e perguntas por responder. A sua natureza seria pois a de uma escolha o mais esclarecida possível, independentemente do apelo da família política, digamos, "natural". Agora que já se conhecem os programas, as listas e os métodos de cada uma das forças em presença, decidi subscrever a candidatura de Joaquim Valente à Câmara da Guarda. As razões são essencialmente duas: 1º é aquela que, apesar das dúvidas que noutro momento suscitei e que mantive até agora, tem condições para protagonizar um novo ciclo político na cidade e, porque não, na região; 2º um segundo mandato do actual presidente da Câmara é a situação que melhor defende os interesses da Guarda, de acordo com as prioridades apresentadas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Abracadabra

Reproduzo, com a eliminação do intróito, um comentário que deixei no "Café Mondego", a propósito de um convite aí lançado por Américo Rodrigues aos seus leitores. O tema do desafio é a afirmação e confrontação de diferentes propostas para a Guarda.

Interessa-me sobretudo aquilo que divide, mas que, nem por isso, pode deixar de unir. A Guarda tem sido muito mal servida de governantes. Os custos toda a gente conhece. Menos os que beneficiaram das benesses do poder, como é de calcular. A Guarda precisa de um novo ciclo de vida, como de pão para a boca. Até agora, não vi nenhum candidato habilitado para essa ruptura. Um por falta de coragem, outro por incapacidade, os outros por impossibilidade prática. Claro que o jornalismo predatório praticado na cidade interfere demasiado na agenda política, antes e durante o período negocial, pré contratual, a que se resume a campanha eleitoral. Algo que só aos candidatos e eleitores diz respeito. Mas isso não explica tudo. É por isso que o problema não está nas "ideias" propostas, no seu brilhantismo, no seu perfil mais ou menos programático. O principal está no rigor com que se vai gerir uma estrutura ciclópica como a CMG, em que 2/3 dos recursos são afectados a despesas de funcionamento! O principal está na capacidade de gerar investimento. O principal está na coragem em abolir velhas práticas, desmantelar redes de interesses que paralisam a cidade, mobilizar o mérito e não os cartões partidários. Para atrapalhar, já basta a opacidade, os pequenos feudos, a resistência à mudança, as camarilhas que gerem pequenos interesses, com fundos públicos, sem prestar contas a ninguém, os poderes paralelos ao nível urbanístico, a tenebrosa promiscuidade entre a administração local e as empresas de construção, a ausência de uma cidadania actuante e influente, a proliferação de caciques nalgumas Juntas de Freguesia, a desqualificação de grandes sectores da população. Portanto,não obstante alguns terem feito o obituário à política pura e dura, é dela precisamente que se trata aqui. Só a criação de um novo ciclo político poderá viabilizar a Guarda. Com determinação e autoridade. Muito mais do que com listas de boas intenções.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O tiro pela culatra


No rescaldo das eleições europeias, algumas leituras se podem desde já avançar:

1º Em todos os países governados por partidos socialistas/sociais-democratas, estes foram severamente castigados nas urnas (Espanha, Reino Unido, Holanda). Ao contrário daqueles onde forças políticas da área conservadora/liberal estão no poder. Portugal não foi assim excepção, no contexto da UE, onde a crise pesa a todos. O que significa que, embora a nova/velha cartilha da esquerda "histórica" tenha fustigado vigorosamente as forças "tenebrosas" do capitalismo e diabolizado os "neoliberais" como os novos dráculas - numa espécie de anti-semitismo não declarado, com bodes expiatórios e tudo - o eleitorado, que é quem decide, acabou por desmentir tais profecias agoirentas. Ou seja, a esquerda está a precisar urgentemente de rumo, de competência e de estratégia.
2º O rumo seguido por Manuela Ferreira Leite deu os seus frutos, numa altura em que as pessoas estão um bocado saturadas da política-espectáculo e de novo-riquismo tecnológico. Apesar do situacionismo na comunicação social e do clima de asfixia e atordoamento promovido pelas agências de comunicação ao serviço do governo. A propósito, registe-se o completo despropósito da SIC, durante a noite eleitoral, ao ter difundido um "estudo" da Eurosondagem, efectuado quatro dias antes, onde o PS aparecia como ganhador, no caso de as eleições serem legislativas. Bem fez António Barreto, ao não considerar a "sondagem" como motivo sério de debate.
3º A escolha de Vital Moreira como cabeça de lista revelou-se desastrosa para o PS, devendo os seus dirigentes retirar as respectivas conclusões.
4º Com menos de um milhão de votos, o PS obteve o seu pior score eleitoral de sempre.
5º Registaram-se cerca de 165 000 votos em branco, representando 4,64% dos sufrágios expressos. Ou seja, a sexta força política. Foram eleitores que não ficaram em casa, não foram à praia, não se demitiram, não se alhearam, nem sequer fizeram como o Georges Brassens, quando cantava que gostava de ficar na cama especialmente no feriado nacional. Quiseram expressar a sua descrença de forma lapidar. Não deixaram de, com toda a clareza, afirmar que não querem nenhum prato do ménu. "Deste" ménu partidário, entenda-se. Ao fim ao cabo, foi este o verdadeiro voto de protesto. Para o qual os políticos - com excepção de venerandas figuras como Almeida Santos e Ana Gomes, que já nada aprenderão - deveriam prestar a máxima atenção.
6º O crescimento do BE, devido sobretudo a razões circunstanciais e de oportunismo político. O que coloca algumas perplexidades quanto à futura governabilidade do país e ao número de deputados freaks no PE. Numa altura que a estratégia do padre Louçã irá ser a da "respeitabilidade" e da seriedade, acompanhando a condição de putativos comparsas do PS...
7º Embora Sócrates diga que não, mais parecendo que tudo isto não passou de um brainstormig destinado à reafirmação da "luta", o primeiro ministro está cada vez mais a prazo. E na corrida que aí vem, o tempo tornou-se para si um bem precioso. Não é a liderança partidária que saiu enfraquecida, mas a margem de manobra do seu Governo. Cuja legitimidade não se põe, naturalmente, em causa, mesmo com este voto de censura do eleitorado. Todavia, nada será como dantes.
8º A derrota clamorosa das empresas de sondagens perante a verdadeira sondagem: a ida ás urnas. Patético.