Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sábado, 27 de março de 2010

A procissão do Passos

Passos Coelho é o novo presidente do PSD. Quais os ingredientes da longa marcha que antecede? Uma preparação férrea, os apadrinhamentos convenientes, as vagas e misteriosas retiradas académicas, a conquista interna dos sindicatos do voto, os soundbites certos no local e hora apropriados, a campanha à americana, a chegada num andor... Eis os sinais que compuseram a entronização do antigo líder da JSD à frente do outro partido do Bloco Central. Por detrás, esteve a nebulosa clientelar do aparelho, sustentada pelas autarquias, alguns condottieri como Santana, o maluquinho de Gaia, Menezes qualquer coisa, o inenarrável Marco António, umas fulanas com ar (só ar) de veras lagoas, que aparecem nos congressos com tiques histéricos... Em síntese, um conjunto sinistro e bem agarrado aos seus interesses e aos seus jogos de influência, completamente deste mundo, e às suas fixações paranóides. Pois é só disso que se trata. O PSD revelou aqui um afastamento das suas origens como partido de base popular, da "sociedade civil". Assemelhando-se cada vez mais, na sua caracterização, aos partidos do circuito do poder da segunda fase da Regeneração liberal - o pós-fontismo - com Hintze Ribeiro e Luciano de Castro eternizando-se no Governo. Ou seja, nem uma ideia, nem uma leitura arrojada da actualidade, nem sombra de debate, nem vontade de rupturas, incorporando alguns temas liberais e tirando algum partido do estertor ideológico, mas sobretudo moral, de certa esquerda. Nada. É então esta a direita com expressão partidária que temos? O corpo político cuja nova cabeça é uma espécie de Sócrates bem arranjadinho e sem licenciaturas duvidosas? No meu caso, este jogo de espelhos até vai facilitar a vida. Se fosse outro o candidato vencedor, talvez uma simpatia natural impedisse a crítica distanciada e pertinente. Todavia, graças ao novo líder e sua entourage, fiquei com um magnífico campo de tiro à disposição. Ou seja, baterias assestadas e fogo à discrição!... Boa Páscoa e amendoinhas...

terça-feira, 16 de março de 2010

O Partido do senhor Silva e do tio Alberto (1)

Por iniciativa do eterno Santana Lopes, o país assistiu durante o passado fim de semana a mais um Congresso do PSD. A magna reunião decorreu, como é sabido, em Mafra. Mais precisamente no Pavilhão Eng. Ministro dos Santos, presidente da autarquia local desde, salvo erro, o período Cretáceo. O qual, fazendo jus à profícua tradição inaugurada pelo comendador Vieira de Carvalho na Maia, baptiza equipamentos pagos com dinheiros públicos com o seu cristianíssimo nome. Vá, caros amigos, nada de poses de virgens ofendidas... "Afinal", pensará o Ministro engenheiro, "se eu não me homenagear a mim próprio, quem o fará?". E no seguimento, "olhem, quem nunca quis construir um calhau (nome que é dado na gíria militar local ao Convento, e que dificilmente esquecerei, graças aos 4 penosos meses de instrução e muita lama na Tapada), nem que seja no Lego, que atire a primeira pedra!!!". Justíssimas lucubrações, direis, e com toda a razão! Toda uma teia argumentativa de peso... Que ilustra uma síntese perfeita entre o epicurismo puro e duro e a literatura de auto-ajuda! Mormente as prolixas edições do guru Osho, diria eu... Adiante. Do convénio propriamente dito, algumas notas:
- Tirando o bónus extra de campanha oferecido aos dois candidatos underscore (Aguiar Branco declaradamente e Rangel cada vez menos), o Congresso pouco ou nada trouxe à clarificação da vida interna e à definição de uma linha política consistente pelo PSD;
- Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva. Sobretudo porque insistiu em fazer passar um discurso sustentável para o país, conseguindo assim marcar a agenda política para o exterior. E também porque não quis alinhar no patético beija-mão a Jardim. Por outro lado, num lance de contra-fogo, quis cortar pela base as críticas pessoais mais recorrentes que lhe são atiradas. Demonstrou pois ter a lição bem estudada;
- Rangel optou pela tonitruância tribunícia, percebendo que nada melhor entusiasma e une o povo do PSD do que a emergência do poder e a proclamação do seu exercício. Mas pouco ou nada de substancial se lhe ouviu. Mormente em relação ao PEC. Eis um exemplo feliz da aplicação da linguagem binária espera/esperança ao debate político. Com isso, garantiu aliados, fez vacilar muitos indecisos e trouxe para si alguns neófitos. Mas chegará?

- Aguiar Branco, em circunstâncias normais e num partido sem sindicatos de voto nem lógicas clientelares, demonstrou que seria o melhor candidato dos três;
- Marcelo, como seria previsível, passeou o seu proverbial brilhantismo. Dessa forma condicionando a própria agenda eleitoral dos candidatos, nomeadamente quanto ao apoio à reeleição de Cavaco. Graças ao seu discurso, confirmou uma vez mais ter um sentido de oportunidade único no que à análise, avaliação e antecipação do jogo político diz respeito. Todavia, percebeu-se que esgotou aqui a sua derradeira oportunidade para a acção. Para além de assegurar um lugar cativo como valido/conselheiro do próximo líder, seja ele quem for. Talvez Marcelo não tenha percebido, para seu prejuízo, que o pavor de errar é menos desculpável do que o erro propriamente dito. Ou então, se percebeu, esqueceu-se que um Code Civil, por muito brilhante e revolucionário que seja, de pouco vale se não tiver um Napoleão a outorgá-lo.
(continua)

O Partido do senhor Silva e do tio Alberto (2)

- O cesáreo Jardim, como não podia deixar de ser, abrilhantou o Concílio com a sua majestática presença. Desta feita, conseguindo congregar na sua pessoa um inédito unanimismo piedoso, uma lacrimejante reverência, só devida, sejamos francos, aos "grandes do reino". Algo nunca visto. A explicação mais óbvia para esta genuflexão devocional colectiva (que, em grande medida, faz lembrar a célebre sequência da gorada execução do protagonista de "O Perfume", de Süskind) estará no peso dos delegados madeirenses, aquando da contagem final de espingardas. Também, é claro. Mas o que aconteceu foi outra coisa, incomparavelmente mais grave. Jardim comprou a tragédia que se abateu sobre a Madeira por dez reis de mel coado. Para vendê-la, a preços exorbitantes e em momentos cirúrgicos, a quem depende, politica e financeiramente. Jardim deu a conhecer neste Congresso a sua nova roupagem: embaixador plenipotenciário de uma catástrofe humanitária que utiliza para fins de branqueamento político, amealhando os dividendos que essa situação possa trazer. Uma velhacaria a que o PSD reunido em Mafra deu ampla cobertura, como se viu.
- Sobra a já célebre "lei da rolha", aprovada por proposta de Santana Lopes. A qual diz mais ou menos isto: qualquer militante que se atreva a criticar a direcção nos dois meses anteriores a um acto eleitoral terá um processo disciplinar à perna, que pode ir até à expulsão. A solução, que consagra um autêntico delito de opinião, é abominável, evidentemente. Mas já lá vamos. Antes, é preciso referir que o episódio foi imediatamente comentado pelo speaker socialista de serviço: Vitalino Canas. A melíflua personagem balbuciou algumas indignações de ordem apocalíptica, com uns sinistros trejeitos bocais pelo meio. O problema, nestes casos, são os telhados de vidro. Como se sabe, o debate e a crítica não abundam para os lados do Rato. O silêncio é devidamente policiado pela núcleo duro socratiano desde 2005. E toda a gente se recorda do tratamento que foi dado ao histórico Edmundo Pedro, quando colocou algumas dúvidas sobre a existência de pluralismo interno no PS, precisamente antes da reeleição de Sócrates como secretário-geral. De resto, leia-se o art. 94º dos estatutos do PS. Embora a letra da lei não seja a mesma, o resultado é idêntico. E sem os 6o dias. Como li algures na blogosfera, pelo menos desde que mataram a Rosa Luxemburgo, ninguém se lembra de ver um socialista criticar os seus dirigentes.
- Seja como for, ao aprovar esta alteração estatutária, o PSD perdeu qualquer autoridade política para manter na sua agenda a denúncia da "asfixia democrática". A questão da liberdade de informação e de expressão é demasiado séria para ser desbaratada por tão pouco. E "tão pouco" quer dizer que a proposta de SL se deve exclusivamente ao seu ajuste de contas com o passado. Aliás, a hidden agenda de Santana para este Congresso incluía certamente a terapia de grupo e o uso intensivo do role playing. Todavia, se as suas limitações óbvias ao nível da personalidade e o seu permanente auto-centramento são já dados adquiridos, não se compreende como proposta tão aberrante teve tamanho acolhimento entre os delegados. Como também não se compreende como a tímida discordância manifestada pelos candidatos não foi expressa de forma mais veemente e comprometida. A não ser, como alguns dizem, que o PSD já percebeu que o próximo líder, qualquer que ele seja, será uma solução transitória, incapaz de unir o partido. E desta forma se conformando com uma solução administrativa de carácter disciplinador, numa área onde a política é quem mais ordena. Ou devia.

PS: os esclarecimentos dados a posteriori por Santana Lopes, em defesa da alteração, valem por si.

terça-feira, 9 de março de 2010

O homem do aparelho

A corrida eleitoral no interior do PSD está ao rubro. Só espero que, ao longo da campanha, o debate politico-ideológico, e não simplesmente os casos da actualidade, seja o cerne do argumentário. Sobre Passos Coelho, já aqui tornei público por várias vezes o que penso acerca dele: um produto genuíno dos berçários partidários. Está mais firme do que nunca a minha convicção de que se trata de uma espécie de Sócrates laranja, só que aprumado como quem vai para um baile de finalistas do liceu. Recentemente, um amigo relativamente bem colocado na engrenagem daquele partido, relatou-me um episódio assaz curioso. Porventura à semelhança de outras organizações, existe no PSD uma figura carismática e privilegiada, no que toca ao seu modus operandi: a secretária das secções. É por ela que passa toda a informação relativa à actividade política, à logística, às finanças. É a secretária o elo incontornável, o filtro, o pilar silencioso, mas insubstituível. Por isso mesmo, desde sempre, à cautela, instalou-se a ideia de que, quem quer que ambicione a liderança ou um lugar de destaque nas estruturas do partido, não pode ignorar o verdadeiro poder paralelo das secretárias. Passos Coelho, ao que parece, foi mais longe. Ainda líder da JSD, contou-me o meu amigo, chegou a memorizar a lista das secretárias das secções mais importantes do partido, tratando-as pelo nome antes de iniciar qualquer expediente organizativo. Imagino mesmo que, no limite, teria uma agenda com o rol completo. Just in case!!!...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O cluster


Este novíssimo velho, nascido para a vida política por via de um longo e extenuante tirocínio da carne assada, num desses aviários de mediocridade que dão pelo nome de juventudes partidárias, tem funcionado recentemente, no PSD, como a reserva moral que busca a respeitabilidade, a réplica "xóven" de um acácio queiroziano que abrilhanta os salões e emudece os basbaques. Para Sócrates, este personagem que é oposição (dentro do PSD) mas afinal não é, que pisca o olho aos liberais, mas afinal gosta de grandes investimentos públicos, que está mas não está, que vai passeando a sua irrelevância intelectual pelos lustres e pelas ribaltas oferecidas pelo jornalismo "oficial", veio a revelar-se de uma enorme utilidade. No fundo, tiveram ambos o mesmo percurso: os anos de "formação" nas respectivas juventudes partidárias, a existência televisiva, umas golpadas aparelhísticas aqui e acolá, umas sinecuras nos entretantos. Com uma diferença: mesmo tendo frequentado a mesma escola e participado nas mesmas brincadeiras, Sócrates vem da pequena-burguesia da província; por sua vez, Coelho vem da burguesia da linha. Uma diferença considerável. Mas que não deixa de incentivar os cruzamentos, as confluências, as afinidades comuns, o gosto por soundbites vazios. O último, veio agora a saber-se, é apologista do TGV, mas defende a criação de um "cluster". Um "cluster"? A coisa aconteceu num jantar promovido pelo "Economist". Ver aqui a notícia. Embora diga que não, Coelho assume-se pois como contraditor qualificado da líder do PSD. Mesmo defendendo uma insanidade como a construção de um TGV num momento de recessão como o que vivemos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O regresso do emplastro

Este homem continua com actividade declarada nas finanças como político no activo. Deveria haver, em certos casos, um encerramento compulsivo aplicado a certos contribuintes em situação de relaxe. A ambiguidade semântica do termo é notável. O que permite, neste caso, equiparar a ausência de animus solvendi a um impertinente animus nocendi. Ou seja, a flagrante intenção de não pagar, de não assumir responsabilidades, seguindo o seu curso, aparecendo engalanada com propósitos punitivos, retaliadores. O homem tem mau carácter. Ponto. Tem a subtileza de um elefante numa loja de porcelanas. Na diplomacia ficou-se pela canhoeira. No fair play ficou-se pela magnanimidade de um hooligan. O homem tem também pesadelos frequentes. O mais possante é o do pavor de ser apagado da história. Aqui em algoritmo sequencial. O homem é do pior que já houve na vida pública em Portugal. Retirar-lhe o microfone é uma condição de elementar salubridade. Depois da queda, esperou sempre por uma vaga de fundo. Que nunca existiu. Com excepção de alguns amigos do peito, clones e clientelas autarquicas. Ao fim ao cabo, o seu habitat natural. De resto, no PSD a memória é mais curta do que é habitual. E mais implacável. O que significa que nunca haverá graça para quem caiu em desgraça. Este homem poderia até fazer germinar alguma dignidade, reduzindo-se ao limbo da sua insignificância. Mas o low profile e a ausência de números circenses da sua sucessora exasperam-no, para além de qualquer descrição. A juntar, a inglória queda da ribalta só amplificou, desmesuradamente e sem a mediação dos spin doctors, a verdade da sua natureza. É triste. Mas verdadeiro. Os plumitivos agradecem.

sábado, 26 de abril de 2008

Varrer a tralha

A candidatura de Manuela Ferreira Leite é uma boa notícia para o país. Só por si, o sinal de que o PSD está a balbuciar os primeiros passos para sair do pântano onde a inimaginável trupe de populistas comandados por Menezes o quis enfiar. O qual, se lhe restar um pingo de bom senso, voltará, sossegadinho, para o seu limbo autárquico. Rio seria o melhor candidato. Mas ainda não chegou a sua vez. Restam ainda dois "cavalos" na corrida. De um lado, o eterno Lopes. Em qualquer país do hemisfério ocidental, já se teria retirado da política, tornando-se um empresário de sucesso da "noite" e estrela das revistas côr-de -rosa, segmento rasca. Porém, em Portugal abusa-se da compaixão com a mediocridade e condena-se ao ostracismo o mérito. É sina. Na linha de partida está igualmente Passos Coelho. O tal "jovem" que cedo foi velho demais. Mesmo para querer parecer um "velho" a fazer de "novo". É o produto perfeito das fornalhas de nulidades criadas nas juventudes partidárias: só aprendem os vícios; uma simples ideia que saia das suas cabeças é uma mera probabilidade estatística. Essas escolas de habilidosos estéreis conhecia-a bem de perto, lutando contra elas durante as minhas lides associativas na Faculdade de Direito de Lisboa. Vendo bem, uma perda de tempo. O recrutamento dos políticos em Portugal atingiu níveis de qualidade de tal forma baixos que põe em risco a sobrevivência do próprio regime. Para animar a banda, só faltou mesmo avançar o impagável Jardim.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A implosão

O Dr. Menezes, conhecido chefe da banda vindo de Gaia, assessorado pelo Engº. Ribau e mais umas luminárias, já anda a trabalhar no arame, tentando fazer durar o seu deslumbramento com a ribalta até as pilhas acabarem e o anedotário nacional se enriquecer. O coelho agora saído da cartola é uma espécie de arranjo de secretaria para futuras chapeladas internas, just in case. E, já agora, criar um sucedâneo de ANP informal, formada pela nomenklatura do momento. Capucho já bateu com a porta e Rui Rio foi chamado ao gabinete do reitor. Pelos vistos, a fúria desmanteladora do Dr. Menezes já começou no seu próprio partido. Precisamente para acabar com ele.

terça-feira, 4 de março de 2008

O emplastro

Este homem é pior do que uma dor de dentes ambulante. Este homem causa efeitos secundários fora de toda a posologia. Este homem não tem uma única ideia para o país. O seu princípio de Peter é ser um mediano autarca suburbano. Mais do que isso, é uma afronta à inteligência e à res publica. Este homem é, afinal, um subúrbio de si próprio. Este homem é uma mistura de vendedor de banha da cobra e contorcionista. Onde chega, manda um soundbyte para o pagode. Que ninguém leva a sério, a não ser ele próprio. Este homem quer desmantelar, seccionar, despublicizar, descasinar, desmedicinar, descomentarizar, desnaturalizar. Num dia quer salvar o "Estado Social", no outro quer desmantelá-lo. Este homem é um vendedor de enciclopédias que não sai do bairro que votou nele. Um líquido fefrigerador em circuito fechado, esquecendo-se que o país existe. Que precisa de alternativas. Que tem problemas complexos para resolver. Que precisa de seriedade. Que está farto de tacticismo e de faz de conta. Este homem está quase a chegar ao prazo de validade. Para muitos, seria 2009. Todavia, o mais certo é nem sequer lá chegar. Assim, já não vamos saber por quantos iria perder contra Sócrates. Os barões do seu partido já andam impacientes. Uns lamentam abertamente o investimento. Outros já vão coçando os tomates, enquanto esperam sentados que o homem caia, como diz JPP. As "bases" da carne assada, por sua vez, não vêm o seu lugarzinho ao fundo do túnel, como lhes foi prometido. Este homem, porém, cometeu um feito notável: conseguir ser o pior desastre da vida pública nacional, desde que me lembro. Pior ainda do que Santana Lopes. É obra!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Crónicas da paróquia (2)

O PSD da Guarda, porventura devido ao défice crónico de tema e de credibilidade, lançou uma ofensiva contra a política cultural da Câmara, o TMG e a actividade cultural em geral. O pretexto foi buscá-lo ao espectáculo "Julgamento e Morte do Galo do Entrudo", que encheu a cidade na noite do dia 4. O qual recebeu o aplauso praticamente unânime do público e amplas referências na comunicação social, como se sabe. O tom desta ofensiva já havia sido dado, pela voz da vereadora Ana Manso, que aqui comentei. Todavia, embora tenha discordado dessas declarações, ainda consigo encará-las no contexto da luta política local. Esta campanha, pelo contrário, é das coisas mais estúpidas e ineptas que tenho visto na vida pública. Desdobra-se em dois momentos: um comunicado da estrutura local do partido e declarações do vereador José Gomes à Radio Altitude. Note-se que em momento algum se questiona o figurino, as opções estéticas do espectáculo. É óbvio que isso requereria um tipo de conhecimento e uma honestidade intelectual que escasseiam naquelas bandas. Ou, pelo menos, não se dá por eles. Lido o comunicado e ouvidas as declarações, ficámos a saber o seguinte: o Carnaval de Famalicão é que foi "genuíno, participado e organizado pelas colectividades", portanto um evento "de raiz verdadeiramente popular"; na Guarda, a participação dos cidadãos "limitou-se a assistir a uma coisa que lhe era debitada"; o primeiro foi um exemplo de cultura popular e o segundo um exemplo de "cultura contratada"; a Câmara "deu de bandeja" o espectáculo ao TMG, "para alimentar um monstro"; os grupos locais - "que, não fazendo vida da actividade cultural, conseguem prestações que em nada ficam atrás dos que não sabem fazer outra coisa" - são "esquecidos". Outros exemplos desta verborreia semeada de má-fé podiam ser dados, mas vou ficar por aqui. Tendo em atenção os limites da paciência e da imaginação dos leitores. Pacheco Pereira falava em "estado de estupor", a propósito do momento actual do PSD. Palavras apropriadas para os autores desta campanha, que urge desmentir, em jeito de serviço público. Começo pelos factos, seguindo-se as conclusões.
O primeiro espectáculo que recuperou a tradição do "Galo do Entrudo" decorreu em 2001, por iniciativa do NAC. Portanto, não foi o "Todos à Roda" que "teve a ideia".
Seguiram-se mais dois espectáculos, em 2002 e 2003, com outra estrutura de produção. Contou com a participação de inúmeras colectividades, entre as quais o "Aquilo Teatro", que na altura dirigia.
No ano passado, foi retomada a tradição, sendo o espectáculo produzido pelo "Todos à Roda", por via de uma proposta que apresentou à Câmara.
Situação que se manteria este ano, caso esse grupo não tivesse apresentado uma proposta que excedia a disponibilidade financeira da Câmara.
A autarquia decidiu então apresentar o projecto ao TMG/Culturguarda, de acordo com o orçamento existente, co-financiado pela Agência para a Promoção da Cidade.
O arranque do processo de produção e criação teve lugar um mês antes do espectáculo, o que limitou em grande medida as opções a tomar.
O evento contou com a participação de 20 colectividades do concelho, sendo que a totalidade dos actores e dos autores vivem ou são da cidade. Pelo contrário, o Carnaval de Famalicão contou apenas com três colectividades.
Como é sabido, fui co-autor do texto e participei como actor no espectáculo em questão. No entanto, de acordo com as luminárias do PSD, não faço parte dos happy few que fazem coisas na Guarda, por sinal as melhores do mundo, segundo a opinião do directório e de quem lha encomendou. Tenho pois dúvidas se não habitarei na Finlândia, ou até mesmo na Cidade do México. O Rui Isidro - também co-autor - provavelmente ainda está em Macau e o dinâmico jornalista que conhecemos da Guarda é, afinal, um holograma. Será que o Vasco Queiroz é um clone do outro, o original, que continua em Coimbra? E o Clube de Montanhismo, veio de Marte? Será que isto foi tudo uma ilusão?
Portanto:
Limitando-me aos eventos com maior impacto local, no seguimento da apresentação do "Guarda, Paixão e Utopia" e da evocação histórica do centenário da inauguração do Sanatório Sousa Martins, o TMG ofereceu à cidade e ao público em geral mais um espectáculo de grande qualidade, com padrões profissionais e de que a Guarda tem justos motivos para se orgulhar. E devo dizer que estou à vontade para o dizer, pois as únicas críticas negativas A ESPECTÁCULOS apresentados no TMG que pude ler até agora fui eu próprio que as escrevi neste blogue.
A área de intervenção do engenheiro Gomes tem a ver com sinais de trânsito e manilhas de saneamento. Sector fundamental na gestão autárquica, sem dúvida, mas insuficiente para perorar sobre políticas culturais. Talvez o sabor popular que encontrou em Famalicão provenha do cozido à portuguesa distribuído à borla .
Segundo o PSD, a qualidade do trabalho produzido pelos grupos locais mede-se por serem... locais. E, logicamente, em nada inferiores ao "que vem de fora". Estas ideias, para além de disparatadas, são perigosas: fomentam a auto-complacência, o autismo, a arrogância e o provincianismo. São o sinal de que a preservação da aurea mediocritas é uma realidade para muita gente na cidade. A actividade cultural, a criação de novos públicos e a própria afirmação de tradições locais nasce da experimentação e da troca. Não se compadece com o isolacionismo, próprio de quem não tem ideias, propostas consistentes ou hábitos de fruição de bens culturais. Ou, quiçá, medo de reconhecer as próprias limitações.
Conheço relativamente bem o associativismo local, tendo dirigido o "Aquilo Teatro" durante dois anos. Quer então, quer agora, sempre me bati por um apoio efectivo às colectividades e às criações locais. Todavia, o ênfase dado pelo PSD à "cultura de base popular" padece de uma vacuidade tal que sugere um discurso encomendado por terceiros, para além de se basear nos mesmos pressupostos que apontei no texto anterior sobre este episódio.
É claro que o actual modelo de apoio às colectividades merece severas críticas. Para além de exíguo, não promove a qualidade, a formação, a criatividade e muitas vezes dá azo ao favoritismo e à arbitrariedade. A autarquia deveria, em primeiro lugar, fixar um montante que, realisticamente, pretenda afectar ao apoio aos grupos ou criadores individuais. Parte dele, seria atribuído, per capita, com valor igual para todos, destinado a comparticipar as despesas de funcionamento, ainda que exigindo padrões mínimos de actividade. Uma espécie de rendimento mínimo garantido. Em seguida, deveria estabelecer prazos para recepção de projectos artísticos ou formativos e avaliar o seu mérito, tendo em atenção, exclusivamente, o interesse cultural especificamente local, mas também a originalidade e a criatividade. Esses projectos seriam apoiados caso a caso, sendo encorajado o recurso a outras fontes de financiamento e o funcionamento em rede. Tudo isto mediante a celebração de contratos-programa, com duração variável e onde fossem definidas as necessárias contrapartidas.
Desta forma se apoiariam com dignidade os agentes culturais de base associativa. Quer as colectividades, quer o público ficariam a ganhar. Em caso algum, com palmadinhas nas costas, ou abusando da condescendência populista. Quem o faz, os políticos medíocres, são precisamente "aqueles que não sabem fazer outra coisa".
A mesma força política que, na semana anterior, tanto defendeu uma "gestão equilibrada" da autarquia, vem agora questionar o facto de esta ter legitimamente optado por encomendar o evento por um custo inferior àquele que lhe foi inicialmente proposto. Indo ao ponto de justificar a diferença de preço com a presença de funcionários da Câmara a participar no espectáculo! Note-se que poderia mesmo, com alguma razão, criticar a forma como a autarquia geriu o processo. No entanto, preferiu tomar partido, olhar para o "prejuízo" de uma simples associação, em vez de olhar para o correspondente benefício da comunidade e racionalização dos recursos existentes.
Esta apagada e vil campanha do PSD, para além do que demonstra, sugere ainda outras considerações. Sou levado a crer que foi precisamente o êxito do espectáculo que tanto irritou esta gente, directa ou indirectamente. Foram apanhados descalços por uma adesão popular que, de certa forma, lhes usurpou a legitimidade, a representatividade pública. O entusiasmo genuíno e espontâneo da população assusta estas almas. Que não descansam enquanto não o diminuem, ou amesquinham o que o faz irromper.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Crónicas da paróquia (1)

O PSD da Guarda votou recentemente contra o Plano e Orçamento da Culturguarda, na reunião de Câmara em que o mesmo foi aprovado, graças ao voto de qualidade do vice-presidente da autarquia. O documento é equilibrado e toma em linha de conta a recuperação do défice e a estabilização financeira do TMG, durante o ano de 2007. Surpreendentemente, ou talvez não, a vereadora Ana Manso vem justificar aquela posição com a prioridade a "uma gestão equilibrada" da autarquia, compreendendo "as necessidades básicas da população". E só depois destas, no fim da lista, então "é que podemos aumentar as transferências para a cultura". A tese é exemplificada com umas manilhas de saneamento em Dominga Feia. O que permite concluir, de imediato, o seguinte: 1º a cultura deveria ser um luxo, um adorno tolerado; 2º as necessidades básicas ainda se agitam como bandeira numa agenda política paupérrima; 3º depois do lamentável episódio do aproveitamento da morte de uma criança numa ambulância na Régua, o PSD actual prossegue na senda da demagogia sem escrúpulos. Não obstante, o episódio é notável, pela sua nitidez. Daria um belo epitáfio para o PSD da Guarda, em particular, e para os políticos que enxameiam o país com semelhante "modus operandi", seja qual for a sua cor partidária. Comecemos pelo princípio: falar do ADN do PSD local é um tropismo, mas que não deixa de ser útil. O que dizer então de um grupo de saudosos não assumidos da velha ordem, que misturam os preconceitos da patética burguesia de província com um tom seminarista que fica a matar, de "empresários" que mais não são do que capatazes com jeito para o negócio, que levam à letra a detestável máxima local "quanto pior melhor" (que a contrario quer dizer "venham os incompetentes para os podermos criticar, mas cuidado com quem mostra trabalho, pois esses são para abater"), de néscios que ignoram as novas tendências ao nível da gestão, que fogem a sete pés do verdadeiro e profícuo debate ideológico na direita e ao centro, que pensam pequenino, que correm como hobbits, que actuam por impulsos de clã, nunca por convicções, exímios representantes do poder de veludo local, de que falava Pacheco Pereira, de sindicalistas da inércia, de populistas de vão de escada, de pobres títeres de papelão, de enxertos de um novo-riquismo cada vez mais paroquial, sem uma ideia, um rasgo, um projecto agregador do bem comum, nada que ultrapasse a defesa dos seus negócios, dos seus todo-o-terreno, do seu estatuto, das suas vistas curtas, do seu umbigo, bem no centro do portugal dos pequeninos? Pois bem, aí têm o PSD guardense. E como não há regra sem excepção, é justo apontá-la: a saudosa lista de Carlos Andrade, concorrente à Câmara nos anos 80. O que se disse significa então que as declarações de Ana Manso em nada me surpreenderam. Revelam a génese demagógica e ressabiada da tal escola de virtudes. Incapaz de reconhecer um bom desempenho onde ele existe. Incapaz de uma visão prospectiva da cidade. Incapaz de resistir ao mais torpe eleitoralismo. Mas, para além do pathos, há ainda um elemento novo: uma profunda ignorância sobre o significado estratégico do apoio público às actividades culturais. Uma matéria onde a vereadora deveria escutar com atenção alguns colegas do seu partido, maxime Vasco Rato. Ou ler a revista "Atlântico", por exemplo. Ou viajar pela Europa, ver in loco a importância crescente, cada vez mais consensual, do investimento público na Cultura e no património. Por todo o lado, como aqui expliquei, já se percebeu que quanto maior o volume de recursos afectos á actividade cultural, menores são os custos da sua manutenção. Esta matéria, pela sua sensibilidade, pelo carácter inconspícuo do que coloca em jogo, é pasto abundante para o populismo fácil e imediato. Aquele que prefere coliseus a teatros, salões de festas a foruns artísticos, rebanhos a cidadãos, quinquilharia urbana a bibliotecas, emissários a jornalistas, gente que obedeça a gente que crie. A luta continua. Pois.

Correio dos Leitores
  • Então e não fala da inacreditável e mesquinha campanha do PSD contra a Culturguarda, a propósito do espectáculo do Entrudo? Tanto ressabiamento com o êxito da produção mais parece uma encomenda particular. (Luís Ramos)
  • Caro leitor, não perde pela demora.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ódios de estimação - 2

O tabu chegou ao fim. Santana Lopes mostrou-se disponível para chefiar o Grupo Parlamentar do PSD. É que o ex-primeiro entre os ministros deve ter estado a ouvir os célebres concertos de Paganini, que jurou um dia ter descoberto. Talvez para se inspirar. Para exercitar a genialidade, como Nero, chamando a si o melómano e o pirómano. O dois em um só para os eleitos. Aqueles que elegeram o culto narcísico como tema único para as suas vidas. É de ciência certa que, para PSL, o primeiro dos atributos só faz sentido num cenário de "Terna é a Noite". O segundo esteve quase a levá-lo por diante. Quando ficou à beira de incendiar um país, graças à sua inefável incompetência. Felizmente, esse país percebeu a tempo e remeteu-o ao seu verdadeiro lugar: a insignificância das revistas cor-de-rosa. Mas nova liderança tomou conta do PSD. Constituída pelo sindicato do aparelho, na feliz expressão de JPP. Com um animador provinciano e psicologicamente instável à frente. Que promete todo o tipo de prebendas aos apaniguados, como se sabe. PSL percebeu que era hora de voltar à ribalta. A sua missão estava longe de ficar concluída. Mas como? Ser-lhe oferecida uma sinecura qualquer nos órgãos do partido seria pouco. Afinal, o homem é uma instituição de per si. Não seria mais consentâneo com o seu estatuto especial colocá-lo numa espécie de liderança paralela, eminentemente parda? Sim, mas seria escasso para o seu apetite de protagonismo. A liderança do grupo parlamentar viria mesmo a calhar. Não sem antes uma série de "não confirmo nem desminto, antes pelo contrário", como se viu no Congresso. Lances florentinos cada vez mais acessíveis a políticos menores. Como se o desfecho não se soubesse desde a primeira hora! Pois é. Para mal dos nossos pecados, o Dorian Gray da política portuguesa está de volta. O tribuno pífio. O Cícero de papelão às voltas com um egotismo de dimensão imperial. Adivinha-se nova catástrofe. A que este blogue vai assistir na primeira fila.

domingo, 14 de outubro de 2007

A grande ilusão

"O futuro do PSD? Linear, como se ouviu no Congresso. Em 2008, vai ganhar as "regionais" dos Açores. E, em 2009, vencerá as eleições autárquicas, legislativas e europeias, julgo que por esta ordem. Afinal, as sondagens mentiam. Afinal, o país em peso estava à espera deste PSD, unido e complacente mas sem "pseudo-elites desacreditadas e esgotadas". Meio milhão de de-sempregados esperava um PSD que não se resigina "ao fatalismo, ao derrotismo e ao pessimismo", julgo que por esta ordem. Não sei quantos mil emigrantes esperavam um PSD "regenerado". Os jovens, os idosos, os funcionários públicos, os autarcas, os empresários, os pais, os professores, os polícias, os farmacêuticos e os apicultores, julgo que por esta ordem, esperavam por um PSD "imparável". E as mulheres, sobretudo as sofridas mulheres, esperavam por um PSD libertador para se transformarem no "grande núcleo aglutinador da revolta contra este Governo".
Se, nas palavras do poeta, faltava cumprir Portugal, é porque Portugal, derrotista e exausto, apenas aguardava que Luís Filipe Menezes chegasse. Pelo menos, essa é a opinião de Luís Filipe Menezes e não há nada que a possa contrariar, salvo a realidade, o eleitorado e Santana Lopes, julgo que por esta ordem."

Alberto Goçalves, no DN de hoje

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Pelo seguro...


É oficial. Pacheco Pereira vai mesmo avançar com a publicação de "O Paradoxo do Ornitorrinco", com o subtítulo "Textos sobre o PSD". A obra promete desencadear um terramoto com consequências imprevisíveis, a avaliar pelas amostras que o autor tem publicado no "Abrupto". A partir de amanhã, iremos ter pois um blockbuster no panorama político e editorial. Entretanto, aqui fica uma sugestão de casting para JPP levar a sério, nos tempos que virão.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Lido

"Como explicou a 12 de Julho, no seu blogue, Menezes atribuiu-se a si próprio a missão de "salvar" este Estado Social, exterminando em Portugal a heresia do "capitalismo selvagem". (...) Não há aqui novidade. Há mais de dez anos que Menezes recenseou os seus inimigos: "sulistas, elitistas e liberais". Nesta lista negra cabe muita gente. (...) inclui os que aspiram a mais do que à mediocridade, ou preferem outro modelo social, assente na iniciativa e responsabilidade dos cidadãos. Se Menezes quisesse criar uma alternativa ao actual Governo precisaria deles. Porque é nas suas aspirações e ideias que estão as melhores razões para uma oposição que pretendesse ser mais do que a mera exploração oportunista e demagógica dos cortes impostos pela viabilização do Estado Social. Menezes julga que confusão com a esquerda o levará longe. Talvez não leve. Vai permitir ao governo, por comparação, fazer figura de esclarecido e respeitável. E se Sócrates fechar menos maternidades nos próximos anos, Menezes arrisca-se a ficar sem assunto, a não ser a guerra doméstica do partido."

Rui Ramos, no "Público" de ontem

sábado, 29 de setembro de 2007

O abismo

Confirmando-se a vitória de Luís Filipe Menezes nas directas do PSD, o partido acaba de dar um tiro no pé. Em vez de introduzir no debate público propostas claras e arrojadas, blindou-se em torno do habitual clientelismo do aparelho, que foi atrás das promessas de emprego anunciadas pela entourage de Menezes. Que se revelou um Berlusconi à portuguesa, um portento em populismo e demagogia. Os sectores mais progressivos e dinâmicos da sociedade vão ficar naturalmente à margem deste PSD. Tomado de assalto por um exército de desempregados em luta pelos lugares do mando. Portas vai ter um sério concorrente. Sócrates agradece.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O nó górdio

No weblog de Luis Filipe Menezes apareceram vários textos retirados da Wikipédia e vários websites, assinados pelo próprio e sem qualquer referência à respectiva fonte. As postagens dizem respeito a Miguel Torga, à bomba de Hiroshima e ao desaparecimento de Antonioni e Bergman. Já depois de a notícia ter sido divulgada, o candidato à liderança do PSD corrigiu o tiro: ao mesmo tempo que enviava uma nota à imprensa, editou as fontes nos lugares próprios. Qual o significado do episódio? Escasso, pois só confirma a ideia que já tinha de LFM: um poço de contradições, populismo q.b., zero em ideias, menos que zero em projecto. Uma autêntica reedição do Lopes, revista e aumentada, com pronúncia do Norte. Além disso, escreve francamente mal. A propósito, vejam-se alguns excertos da postagem "Os Nós e os Laços" (será que LFM procurou criar ambiance com o romance homónimo de António Alçada Baptista, ou foi simples coincidência? Não se sabe): "Existe uma matriz, diria, genética nesta maneira de ser..." (o diria no início da frase é tipicamente politiquês e a vírgula inexistente após genética faz a diferença. Para pior); "a excessiva e asfixiante burocracia, é um dos nós mais górdios que nos estrangulam o desenvolvimento" (um dos nós mais górdios? quais serão os menos górdios? e não será a burocracia, por si só, um excesso?). Enfim, espero que LFM se mantenha entretido a compor a marginal fluvial de Gaia e não nos mace durante muito tempo com os seus ditirambos.