Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Os gregos

Tenho recebido algum junk mail e lido comentários enaltecendo as virtudes da capacidade de contestação dos gregos, face às medidas de austeridade. O evidente propósito desta prosa é, a contrario sensu, realçar pela negativa um alegado conformismo nacional, face a idênticas medidas, tomadas no âmbito do acordo da troika. É com esta vulgata populista que muitos se entretêm e decidiram entreter os outros. Ou seja, derramar lágrimas pela perda de uma fatia dos rendimentos pelos trabalhadores por conta de outrem. Estes incontinentes são os mais fidedignos cães de guarda de um edifício que já ninguém pode pagar. Porque o sector privado produtivo já não gera riqueza que suporte o chamado estado social. Um colosso que certamente nos ancora numa zona de conforto de onde é penoso sair. Mas que, provavelmente, serão ainda os nossos bisnetos a pagar. Obviamente, a lição grega é fundamental para sabermos para onde queremos ir. Diria mais. Se queremos ou não conservar a soberania. Ficámos a saber, por exemplo, que a dimensão dos protestos na rua é indiferente: limita-se a criar ondas de fumo espalhadas pelos media e ocupar os analistas de serviço. Que a abordagem feita ao "caso grego" (que está longe de ser o "milagre" dos tempos helénicos) é puramente empírica - de sujeito para sujeito, de favor - ou convencional - do sujeito limitado pelo objecto. Longe uma visão que compare, que enquadre, que realce o que (ainda) lá não está. Tal e qual como na apreciação que se faz de um objecto artístico. Os gregos já perderam muito mais do que nós. Tanto mais que lá o descontrolo das contas públicas era crónico e "colossal". E o clientelismo um modo de vida, numa cleptocracia tolerada por Bruxelas e Berlim. Arriscam-se agora a serem banidos da zona euro. Portanto, cada vez têm menos a perder. E nós?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A luta

A esquerda festiva e suburbana, com o testa de ferro Carvalho à frente, está a promover uma coisa chamada "Greve Geral". A exibição terá lugar no dia 8 de Novembro nos melhores cinemas. É de esperar que vá bramir por mais "dinheirinho" ao fim do mês, promoções a eito, nada de coisas complicadas como a flexisegurança, que façam mover os "instalados" do empreguinho para toda a vida para empregos viáveis, uns carros de som a debitarem as palavras de ordem de sempre, onde pontuam termos como "ofensiva", "direitos dos trabalhadores", etc., os sindicatos atarefados a inflacionar os números dos aderentes. Em conclusão, uma autêntica "jornada de luta" contra... contra... enfim, alguma coisa há-de ser, em versão Jacques Tati da Brandoa.
Melhor só o comentário no "Incontinentes Verbais", sobre este acontecimento:
"Uns ficam em casa a coçar a barriga, como forma de luta. Outros lutam para terem uma casa onde coçar a barriga."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lido

 (clicar para aumentar)

Sobre a mais recente miragem nacional, pouco mais há a dizer. VPV no seu melhor.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A ração

Longe vão os tempos da 1ª República. Mas a tropa anda irrequieta com a perspectiva da ração diminuir e começarem as marchas forçadas. E está disposta mesmo a vir para a rua. Parodiando um daqueles desfiles do tipo pronunciamento, tão em voga naquela época. Só que desta vez à paisana, como manda a lei. E repare-se no discurso do porta-voz dos insurgentes, bem à medida do populismo de vão de escada: "vão mas é sacar a esses malandros dos bancos, a culpa é do Governo"..., etc. Sem lhes passar sequer pela cabeça que, em vez de atacar quem é parte da solução, deveriam era voltar-se para os verdadeiros responsáveis pelo problema: os políticos que conduziram o país ao abismo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Lido

(...) não é líquido que aquilo que fez muita gente abjurar de Sócrates não seja também uma ilusão: que, deitando Sócrates abaixo, se impedirá muita austeridade. Que papel tem a ilusão de que as coisas serão melhores, como por milagre, removendo o “mau”? Ou que, pelo menos, serão adiadas medidas duras, dentro da velha máxima que enquanto o pau vai e vem folgam as costas? É que o outro lado da nossa desgraça é que não existe uma verdadeira força endógena para a mudança que suporte os melhores, que dê suporte eleitoral ao que é difícil mas necessário. Depois não vale a pena andarmos-nos a queixar dos maus políticos. São aqueles que escolhemos.

Pacheco Pereira, no "Abrupto"

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Lido

Vamos todos pagar por isto. Mas o que é isso para a incapacidade do primeiro-ministro em lidar com, em reconhecer a realidade? O que é isso para a pulsão propagandística, para a vertigem da mentira de Sócrates? Desta forma, consegue projectar uma mentira para o futuro. Mesmo quando a realidade vem confirmar as perspectivas mais avisadas, Sócrates, fugindo daquela como o diabo da cruz, persiste no delírio. E arrasta-nos consigo.

Carlos Botelho, em "O Cachimbo de Magritte"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Já agora...

Intensificação da co-gestão como fórmula participativa por excelência na condução das empresas; encarar o trabalho como um valor acrescentado na qualidade de vida e realização pessoal e não como uma mera utilidade produtiva; abandono gradual do conservadorismo fiscal, com a adopção da progressividade e de uma taxa a incidir sobre operações financeiras; luta sem quartel contra a burocracia e a ineficácia da administração pública; e, sobretudo, para clarificar o contrato associativo que funda a democracia representativa, não confundir a vontade de todos com a vontade geral...
Eis alguns temas que, na praça pública e nos think tanks mais atentos, poderiam fazer a diferença no debate político e social do momento. E trazidos por quem? Pela esquerda reformista, evidentemente. Pois a outra anda demasiado ocupada a olhar para o passado e a apontar aos "neoliberais" nas barracas de tiro.