Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bolosfera

No interior da vasta galáxia blogosférica existe o planeta futebol. E dentro deste, o asteróide composto pelos blogues benfiquistas, benficófilos e afins. Alguns deles, e não por acaso, estão listados no sidebar deste blogue, em "SLB files". Embora tendo em comum a mesma paixão clubística, todos têm uma linha editorial diferente: ou mais alinhada com o discurso oficial, ou mais crítica em relação ao mesmo. Há também os outsiders, num registo mais irónico e desprendido, onde a marca identitária é claramente a do autor. Mas há um que é um caso especial. Trata-se do "Religião Nacional". Um espaço cujo autor apresenta como de "Crónicas liberais sobre o futebol português". O subtítulo não engana e, na primeira leitura, confirma-se o seu acerto. Um caso onde a paixão clubística não belisca em nada a lucidez, a clarividência e o rigor. O autor não procura a arrumação politicamente correcta, nem os casos de faca e alguidar do futebol. Mas consegue, paradoxalmente, trazer-nos as visões mais desassombradas, polémicas e descomplexadas. O autor escreve artigos, pequenos ensaios. Fora de causa está o comentário fácil, ou os recados que só a bajulação acomoda. Aqui não cabe a  inveja social e humores ínvios, que muitos transportam clandestinamente para o futebol. E, de forma excelsa, fala-se deste por aquilo que realmente é: um jogo. Mesmo que com implicações políticas, cada vez mais extensas e muitas vezes opacas. Como exemplo, leiam isto.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Lido

Churchill chorava quando, durante o blitz e sendo aclamado e adorado pela população, visitava as zonas bombardeadas e via as casas destruídas e imaginava o que passariam os east enders pobres e ainda por cima desalojados; Soares, pelo seu lado, fica 'bem disposto' por ter uma manifestação de apoio no aeroporto antes do exílio, indiferente ao facto de os manifestantes serem mimoseados com uma carga policial.

Maria João Marques, no "Cachimbo de Magritte"

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lido

A primeira consequência da publicação da notícia da tentativa de Sócrates em influenciar o voto no OE2012 é que António José Seguro optará pela abstenção. Não existe outra possibilidade pois, se votasse contra, a sua liderança ficaria abalada pela dúvida sobre, afinal, quem manda no partido. A segunda consequência é o desgastar crescente da liderança de Seguro, aproximando-se cada vez mais o dia em que subirá à liderança um dos fiéis do socratismo.

Alexandre Homem Cristo, em "O Cachimbo de Magritte"

terça-feira, 19 de abril de 2011

O espelho

Em alguns blogues de referência da Guarda continuo a detectar um padrão de comentários. Ou seja, na caixa respectiva, os multi identitários anónimos vêm, de mansinho, e a coberto de responsabilidades, lançar a suspeição, a dúvida, o aviltamento. Alimentar autos de fé particulares com mais gasolina. Colocar mais merda no ventilador, como dizem os nossos confrades brasileiros. Os temas são invariavelmente a política e os políticos locais. A dança dos cargos e das sinecuras. As prebendas e as comendas. A transumância das influências e dos notáveis. Se este ou aquele gere bem a sua capelinha. Se a terrinha do anónimo é melhor do que as outras. Porque dotada de líderes clarividentes, bem colocados na roda dos mandarinetes paroquiais em exercício. Medíocres incensados pelas estruturas de veludo partidário. Pequenos e médios orgiastas e régulos avulso, que num país decente não passariam da tarimba e da continência. Porque as tais terrinhas possuem uma dinâmica imparável. Porque são um autêntico berçário de virtudes, diante das quais as terrinhas confinantes deveriam somente praticar a inveja, ou, no limite, a genuflexão regulamentar. A razão profunda para esta pobreza de ideias e de projectos, está onde? Na inveja e na pequenez. Algo que  Pacheco Pereira retratou recentemente de forma exemplar no seu blogue: (...) a inveja era um poderoso sentimento nacional, impulsionada pela fome social e pelo ressentimento. (...) não nos enxergamos. (...) o subdesenvolvimento estava na enorme preguiça mental que atravessa tudo, da comunicação social à política. (...) num país em que somos todos primos uns dos outros, é difícil a democracia. (...) os bens são escassos e a fome é muita. Portanto, se o mal é nacional, na Guarda é trágico. A qualidade dos políticos é sofrível. A maioria depende dos cargos que ocupa e das influências e notoriedade (muitas vezes de papelão) que por essa via conseguem. Mas não existe um espaço público onde essa realidade seja discutida olhos nos olhos. Portanto, a solução é ir para as caixas de comentários dos blogues e anonimamente depositar o fel, açaimar o boato, empilhar a suspeição, promover interesses e amigos. Afinal, o anonimato até pode prevenir um futuro convite para o lugarjinho, ou axim. Ou seja, pouco mais do que o reflexo distorcido da mesma realidade que se pretende denunciar. Quando aquilo que falta na Guarda é precisamente a audácia, o destemor, a iniciativa, romper o compadrio, trabalhar, criar mais valias...

sábado, 26 de março de 2011

O assalto

João Gonçalves, autor do "Portugal dos Pequeninos", é uma figura incontornável da blogosfera nacional. Aguerrido, alheio às nebulosas informativas onde pontuam os spin doctors, sem medo de afrontar os poderes e as convenções, sabe desmontar como ninguém os jogos da política lusa e os micro fascismos do politicamente correcto. Visões que, em grande medida, partilho com o autor.  Em Junho de 2009 publicou "Portugal dos Pequeninos". Como o nome indica, trata-se de uma compilação de textos do blogue, um "best of" com a chancela da Bertrand. O livro foi na altura lançado com pompa e circunstância e apresentado por Pacheco Pereira. E eis que, no dia 24 deste mês, foi tornada pública a sua última obra, intitulada "Contra a Literatice e afins", edição "Guerra & Paz". Na cerimónia, a apresentação coube a Pedro Mexia. Ora, do próprio título retira-se o programa desta edição. Sem cerimónia, privilegiando determinadas "figuras, autores e acontecimentos", o autor comenta a obra de algumas "vacas sagradas" da literatura nacional, mais ou menos "light", como  José Rodrigues dos Santos, Margarida Rebelo Pinto, Eduardo Pitta, Maria Filomena Mónica e Miguel Sousa Tavares. E fá-lo fora dos vínculos e das vassalagens feudais que minam a crítica literária em Portugal. Ao estilo do saudoso João Pedro George, que tão bem desmascarou as toupeiras e as coutadas literárias. Neste clip da rubrica "Estante dos Livros", do "DN", veja-se uma breve referência crítica ao livro. O qual se recomenda sem restrições. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lido

O governo - ou o que resta dele - trata o parlamento como se aquilo fosse as "novas fronteiras" socráticas. Os ministros - ou que resta deles - actuam como se estivessem em comícios do PS e não enquanto membros do governo de Portugal. Ou seja, comportam-se como se estivessem diante de serviçais dependentes e acéfalos sempre dispostos à banha da cobra (que Sócrates vai "vender" às tvs como um vulgar publicitário depois de ter ignorado a AR). É preciso mais provas?

João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"

segunda-feira, 21 de março de 2011

Lido

Tenho uma perspectiva de movimentos como o de 12 de Março: penso que qualquer movimento regenerador em democracia passa pelos partidos, a ida a eleições, e a escolha feita no voto, e não embarco em “democracias directas” nem tecnologicamente conduzidas E por isso a minha opinião depende da resposta à seguinte pergunta: será que a manifestação de 12 de Março afasta do poder as personagens que hoje controlam os aparelhos partidários, controlam secções gigantes cacicadas, estão à frente de sindicatos de voto, e daí retiram poder nacional ou autárquico, controlam as lideranças e as escolhas de lugares, e que são corruptas como quem respira?

Pacheco Pereira, no "Abrupto"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Balanxo 2010

À semelhança dos anos anteriores, Américo Rodrigues, autor do blogue "Café Mondego", convida várias figuras a escrever uma espécie de balanços sobre o que na Guarda se passou no ano transacto. Os "balanxos" são depois reunidos e editados no blogue. Este ano, o meu foi assim:

(...) não se espere um rol exaustivo e ordenado de acontecimentos. Para isso, já existem os jornais e as rádios. Ficar-me-ei pela pincelada instaladora das sobras da memória. E à maneira dos mensageiros militares romanos, ciosos da permanência de uma cabeça sobre os ombros, comecemos pelas más notícias:
- o fecho anunciado da Delphi
- a descoordenação e incompetência evidenciada pela Protecção Civil em dias de neve
- a inexistência de jornalismo de investigação e equidistante dos poderes
- a continuação das admissões de pessoal na Câmara Municipal, após o início oficial da austeridade
- o desmazelo urbanístico que tomou conta da cidade
- a permanência de um Quasímodo ignorante e prepotente na Sé, a que alguns chamam “guia”
- a continuação no papel da Alameda da Ti Jaquina
- o tratamento noticioso dado aos chamados “gangues” da Guarda
- o definhamento do IPG
- a “inauguração” do Museu de Arte Sacra
- a morte lenta do Centro Histórico, em particular da Praça Velha
- a degradação imparável de uma das alas do antigo Convento de S. Francisco
- o adiamento da Plataforma Logística
- a continuação da incapacidade em fixar competências e vocações na cidade
- o estado comatoso de boa parte da classe política local, ao prestar-se a colocar o órgão máximo do município no grau zero da dignidade, por via da inqualificável aprovação de um voto de repúdio, por delito de opinião, contra um cidadão que nem sequer foi ouvido.
Agora as boas:
- as obras do novo Hospital a bom ritmo
- a nova rede de transportes urbanos
- a reconversão do Hotel Turismo em escola de hotelaria
- a criação de uma Unidade de Limpeza de Neve, por instâncias do Governador Civil
- o funcionamento razoável da Biblioteca Municipal
- os “Passos à volta da memória”, visitas encenadas ao centro histórico, durante o Verão.
- a mega-produção “Guarda: a República”, no palco do TMG em Novembro.
- a capacidade dos guardenses de enfrentar os desafios e ousar sonhar sem esperar que outros o façam.
Sobra a nova simultaneamente péssima (para alguns) e tonificante (para larguíssimas minorias)
- o TMG continua a dar cartas e baralhar de novo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Lido

O chorão Sampaio foi, de viva voz, apoiar Alegre. Andou para ali a jogar com os termos "solidário" e "solitário" para concluir, dirigindo-se ao segundo na segunda pessoa do singular ("tu"), que o dito cujo é "solidário". A comissão de honra é uma lástima mas, sobre isso, não sou eu quem vai atirar a primeira pedra. Sampaio vem de um "mundo" político e de uma geração - que já incluia Alegre pelo lado "externo" - que sempre olhou para a solidariedade como um valor retórico, componente indispensável do "manual" do bom burguês esquerdista, nada e criado na classe média alta desafecta (ou mesmo afecta) ao regime. E que acha que aqueles que não tiveram o privilégio de classe a amparar-lhes os delíquios "solidários" são, por definição, reaccionários e "poderosos". O raio que os parta.

João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lido

Jornais, rádios e televisões estão cheios de reportagem, relatos e notícias sobre a pobreza que  parece estar por todo o lado. Parece exagerado que, de repente, haja uma epidemia de efeitos, muitas vezes antes sequer das medidas que os provocam começarem a ser implementadas. É verdade que o desemprego já cá está há mais de dois anos (começou antes do início “oficial” da crise pelo nosso preclaro governo…), mas a gravidade do fenómeno acontecerá só quando se esgotarem as almofadas sociais, familiares e públicas, que ainda lhe minimizam os efeitos. E só durante o ano de 2011 é que a quebra abrupta do nível de vida começará em toda a sua gravidade. Por isso, convinha haver alguma contenção, porque a pobreza não é substituir as férias em Cancún por uma semana no Algarve, nem comer menos um bife por semana. É outra coisa muito mais grave, muito mais perigosa e muito menos visível.

Pacheco Pereira, no "Abrupto"

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Adeus até ao meu regresso...

É verdade, algum dia haveria de chegar este momento. Quatro anos e meio depois de ter surgido, mais mês menos mês, este blogue vai entrar em modo stand by. Mas vamos ter calma. Não é ainda um fim, mas uma pausa para respirar. Não é a maturação de um epílogo, mas uma retirada para reabastecimento. O que significa que, por tempo indeterminado, as actualizações virão a espaços, assegurando os serviços mínimos. Ou seja, sempre que algum assunto público justifique uma tomada de posição. Ou um gesto de solidariedade não possa esperar. Ou a necessidade de um desabafo seja incontornável. Não é por acaso que a mudança ocorre no dia do equinócio de Outono. Ocasião onde os acenos da renovação e do recolhimento são impossíveis de ignorar. Por outro lado, circunstâncias pessoais particularmente difíceis foram a pedra de toque no falso final. Que, não obstante, é sobretudo uma migração, como irão ver. E porquê? A surpresa chama-se "a meia da maratona". Trata-se de um blogue iniciado em Abril, mas que tenho mantido clandestino, ou em fase de testes, digamos assim. Concebido para se tornar um espaço intimista, (de)ambulatório, declaradamente subjectivo. Que recolhe a poesia do quotidiano sem ser poético. E fá-lo-á, assim espero, quer com palavras quer com imagens. Será  então lá, doravante, a esquina da blogosfera onde este vosso criado será mais facilmente encontrado. E pronto, até sempre!...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Lido

Ano sim, ano não, o país arde. Nos anos não, o Ministro da Administração Interna vem dar-nos as boas estatísticas acompanhado pela massa de dirigentes da protecção civil, em ambiente controlado e asséptico, mostrando determinação e gabando-se de que nada ardeu porque o governo fez o que devia. Em ano sim é o caos, umas vezes o Ministro também aparece, mas nem sequer uma parecença de ordem operacional se consegue manter. Nada é mais poderoso do que as imagens dos fogos, do desespero das pessoas, dos bombeiros esgotados, dos comandantes a pedir meios que não vem, dos jornalistas que acham que fazer um relato de um incêndio é aumentar o histerismo colectivo.

Pacheco Pereira, no "Abrupto"

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Percorrendo a blogosfera

Calcorrear a blogosfera é uma fonte de surpresas. Algumas delas têm vindo a ser aqui divulgadas regularmente. Acontece quando o desejo de partilhá-las com os leitores voa mais alto. O que nem sempre coincide com a oportunidade. Nesse lote, incluo tendências, sinais, padrões. Vejam-se então dois casos:
1. Sucede com alguma frequência abrir um blogue e apanhar imediatamente com o som ambiente com que o autor ou autores decidiram brindar o visitante. Não me parece ser essa uma boa prática. É como inundar a casa de decibeis sempre que se recebem visitas, sem passar pela cabeça que estas podem preferir o silêncio. Se a partilha de escolhas musicais fizer parte do perfil do blogue, tal como desejado pelo seu autor, existem soluções alternativas: colocar um ou vários plug in, seja do You Tube ou em formato Quick Time, iniciados por exclusiva opção do visitante; colocar ícones a apontar para rádios em streaming; colocar simples links direccionados para os conteúdos propostos, etc.
2. No "segmento" da blogosfera a que chamo intimista, noto amiúde uma enorme confusão entre intimidade e memorialismo (este mais confessional). No primeiro caso, pespega-se com uma prosa poética semi-melada, normalmente com destinatário certo. Coloca-se umas pitadas de onirismo de estufa, à mistura com uns avanços "sexy hot" e fotos "de partir o coco". No vocabulário, abunda o "tu", "azul", "corpo", "beijo", "esta noite", "muro", "escaldante", "verão", "sonhos", "ao teu lado", etc. Aqui vai um exemplo : quero conseguir ouvir-te murmurar o meu nome. e tu, consegues ouvir-me? não me deixes partir. sempre te segurei na tristeza de não conseguires ver-me. e...se me trouxesses aquele mar de outrora e eu encontrasse o teu joelho como que por acaso...renasceriam braços e olhos de encantamento para apertar fraquezas, sentir-te tremer e ver-te dormir. depois dum dedo num canto da minha boca. Que tal? Devo dizer que a menção ao joelho me transportou ao célebre conto "Alma Grande", de Torga. Espero que não haja nenhum "abafador" metido na história... Ora, a marca que separa as águas, meus amigos, é muito simples: mandar postais com feromonas ou viajar em voz alta. Desenrolar a língua pelas palavras, estendê-las à mercê de uma vaidade viscosa, embuçada, ou então soltar a serpente pelas palavras, outras, ser mordido, morder, espantar, ilusionar, ir atrás, com a cobra na mão, sobreviver às estações fatais, enquanto alastra a silenciosa desordem das células... Snake snake, aí vai ela...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Navegar é preciso

Para quem realmente leva a sério a máxima de que "circular é viver" e viajar ser um bem de primeiríssima necessidade, existe na blogosfera uma caixinha das surpresas ideal. Trata-se do "Viagens Lacoste". A razão para o nome é indicada logo no subtítulo: "uma homenagem a todos aqueles que não conseguem dizer low cost." Se lá forem, verão que há muito por onde escolher: um conjunto de destinos mainstream ou não, sejam locais, acontecimentos, edifícios, bairros, cidades, regiões ou países, com uma breve apresentação, fotografias e  links para informações úteis e mapas diversos e, no final do post respectivo, um pequeno scroll com destinos congéneres; sugestões mais económicas para determinados destinos, com índices comparativos; rubricas como "locais que deveríamos visitar pelo menos uma vez na vida", etc. Em suma, um autêntico blogtrotter. Que coloquei logo nos favoritos, não vá o diabo tecê-las, recomendando aos leitores-viajantes que façam o mesmo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Lido

O Partido Socialista é socialista nos anos eleitorais, neoliberal nos restantes.
O Partido Social Democrata é neoliberal na oposição e socialista no governo.

João Miranda, no "Blasfémias"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lido

(...)
E quanto mais Sócrates se enterra na negação do real, mais este lhe bate à porta. Até o próprio parece começar a aperceber-se disto, e a responder a este fim dos tempos numa fuga em frente obstinada, porque é da sua natureza, mas confusa e caótica. Já toda a gente percebeu tudo isto menos os intelectuais orgânicos "socráticos", um conjunto modernaço de gente que tem o coração no Bloco de Esquerda, mas a carteira no PS, ou melhor, no gabinete do primeiro-ministro. Gente que pouco preza a liberdade mas que tem acima de tudo um enorme fascínio pelo poder como ele se exerce nos dias de hoje, entre o culto da imagem, o pedantismo das causas "fracturantes", o vanguardismo social, o "diabo que veste Prada" ou Armani, e o "departamento dos truques sujos" à Richard Nixon, tudo adaptado à mediania provinciana da capital. A ascensão ao poder de uma geração de diletantes embevecidos com os gadgets, pensando em soundbites, muito ignorantes e completamente amorais, que se promovem uns aos outros e geram uma política de terra queimada à sua volta, é a entourance
que o "socratismo" criou e vai deixar órfã.

Pacheco Pereira, no "Público" de 16.01

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Lido

Depois do Haiti. Deus.

- Comeu-se demais na terra – gritava o pai dela. Comeu-se demais e morreu-se demais. Disse o Papa que o Núncio em Port au Prince tinha sobrevivido. - Graças a deus – disse o Papa. E graças a quem morreram os outros? Graças a quem sofreram? Graças a quem ficaram assim, gente sem nome nas ruas de Port au Prince, entregues à ignomínia das câmaras e da ajuda internacional, ao cheiro da carne putrefacta, à banalidade dos corpos insepultos, dos membros amputados? Que deus é este que se invoca para a graça excepcional e se iliba da tragédia colectiva? O ridículo deus pós – conciliar, o deus dos homens cultos, um deus sem lugar num Universo pequeno demais para o esconder, um deus inútil que já não ameaça nem castiga, um deus mais insignificante que a cúria romana e o Paparmani.

Luís Januário, no "A Natureza do Mal"

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lido

Há arguidos e arguidos. O procurador "foge Fatinha", que se demitiu das funções de presidente do Eurojust, teve o seu advogado, o "sampaísta" Magalhães e Silva, nas tv's a falar em "bode expiatório". Ou seja, ficámos a saber que Lopes da Mota será o "bibi" do "caso Freeport".

João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Lux

Recomendo uma visita à "Rua dos Dias que Voam". Porquê? É que está lá "exposta" uma colecção de imagens com anúncios de estrelas de cinema, publicitando o sabonete Lux. Na mais antiga, seguramente dos anos 30, encontramos Mae West a falar com um cupido, não sem um afrodisíaco sabonete pelo meio. Vá, corram! Depois não digam que não avisei!