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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Tábua de marés (14)


"Vamos desenhar cogumelos – passeio, almoço e sessão de desenho orientada por Maria Lino”
Organização: Associação Luzlinar
Aldeia do Feital, Trancoso, 5 de Novembro

Esta actividade aparece no seguimento de outras sessões dedicadas ao tema. Este ano teve um figurino um pouco diferente, com a inserção de uma sessão de desenho. No ano passado, por exemplo, o evento centrou-se mais no âmbito didáctico, com a presença de uma bióloga. Este é o tipo de sessões para que esta associação está naturalmente vocacionada. Demonstrando, mais uma vez, que se pode aliar o conhecimento da natureza, a actividade física, a gastronomia e a criatividade de forma harmónica a atractiva para vários públicos, do ponto de vista social e geográfico. Durante a manhã, percorreu-se parte da serra do Feital, recolhendo-se vários exemplares de fungos. Simultaneamente, desfrutava-se a paisagem e o convívio. Entre os cogumelos apanhados, destaco alguns míscaros e vários amanita muscaria, conhecidos pela sua toxicidade e rara beleza. Por outro lado, os boletos primaram pela ausência. Devida, em grande medida, às condições climatéricas. Seguiu-se o almoço. Devo dizer que, este ano, fiquei um pouco desiludido. Talvez porque a expectativa era alta, atendendo à excelência do ano anterior. O creme de boletos e as sobremesas estiveram à altura do que a arte de António Lino nos habituou. Já o prato principal e acompanhamentos desapontaram ligeiramente. Veio então a componente criativa da actividade: desenhar os espécimes recolhidos. Sob a inspiração da artista, os participantes deitaram mãos à obra. Pela minha parte, lá consegui rabiscar qualquer coisa. Muito colorida, para disfarçar… Porém, o panorama geral foi animador… Explicando, por sua vez, cada artista de ocasião, o porquê da sua obra. E adeus, até para o ano. Numa apreciação geral, eis mais um evento interessante, que suscitou uma adesão notável, o que é de realçar num país tradicionalmente micófobo. No entanto, em próximas sessões, e para enriquecer o tema, poderia desenvolver-se um pouco mais as características, papel desempenhado no ecossistema, cuidados a ter na sua recolha e preservação e práticas culturais associados aos fungos ao longo da história.

Publicado no jornal "O Interior", em 20 de Novembro

sábado, 8 de novembro de 2008

Bora aí!

"Vamos desenhar cogumelos - passeio, almoço e sessão de desenho orientada por Maria Lino". Tal como em anos anteriores, a Associação Luzlinar (Feital, Trancoso) organizou mais uma actividade relacionada com os nossos amigos fungos. Muito em breve darei neste espaço notícia mais desenvolvida do evento. Tal como já aqui fiz no ano passado. Para amostra, aqui ficam dois exemplares recolhidos hoje de manhã. Trata-se de um Amanita muscaria (o tal, esse mesmo) e um Lepista nuda, ou pé azul, ambos do tipo agarical.

Ver anterior

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Abrigos de pastores (1)

No passado sábado, participei em mais uma das actividades promovidas pela Associação Luzlinar. Desta vez, o tema era "Reconstrução de um abrigo de pastores". Um percurso com passagem por 24 casinhas dispostas numa das encostas da Serra do Feital (Trancoso), incluindo a reconstrução de uma destas edificações. Estes abrigos - até agora documentados mais de uma centena - espalham-se por aquela serra, em volta da aldeia que lhe dá o nome, e pelas serras das Brocas e Vilares. Destinam-se, como o nome indica, a abrigar os pastores do mau tempo. Há-os com as mais diversas configurações, tamanhos, tipo de acabamento. Alguns estão associadas a um abrigo para o gado. Em comum, a sua originalidade enquanto pequenas construções de granito, com abertura virada a nascente e cobertura com lajes. Podem abrigar da chuva e vento de duas a mais de vinte pessoas, continuando a ser utilizadas pelos pastores. Há quem identifique uma origem céltica nestas construções. Neste momento, decorre o processo de classificação do conjunto como Património de Interesse Municipal.
Eis algumas imagens recolhidas durante a actividade.





Abrigos de pastores (2)



domingo, 18 de novembro de 2007

Cogumelos e tudo

Painel dos exemplares recolhidos

A Associação Luzlinar, sediada no Feital (Trancoso), realizou ontem uma actividade chamada (ups!): "Vamos aos tortulhos, comer cogumelos e estudar macrofungos IV (passeio, almoço e conferência)". Pois o escriba esteve lá. Acaso já adivinhava que a coisa iria ser superlativa. E foi mesmo. Pena que o Outono esteja tão seco, primando os fungos pela escassez. Sobre a morfologia dos cogumelos, cuidados a ter na identificação e recolha, quais as espécies comestíveis e as razões porque Portugal é um país micófobo, remeto para aqui, aqui e aqui. A conferência, a cargo da Dra. Sílvia Neves, bióloga, teve duas qualidades fundamentais: suficientemente curta para não se tornar sonolenta; suficientemente rica em informação para estimular um conhecimento mais profundo dos fungos nas várias vertentes: características, papel desempenhado no eco-sistema, reconhecimento e classificação, utilização para fins gastronómicos, farmacêuticos ou industriais, cuidados a ter na sua recolha e preservação e, numa perspectiva antropológica, práticas e costumes associados ao longo da história. Algumas espécies são produzidas em cultura (Agaricus bisporus, Agaricus campestris, Auricularia auricula-judae, Lentinus edodes, Pleurotus ostreatus), mas a maioria dos cogumelos mais valorizados ainda não se consegue obter desta forma e por isso são recolhidos no campo e depois comercializados: Tricholoma Equestre (míscaros), Amanita caesarea (amanita dos césares), Boletus edulis (boletos ou cepes), Cantharellus cibarius, Lactarius deliciosus (sanchas), Fistulina hepatica (língua-de-boi), Macrolepiota Procera (frades ou tortulhos). De entre os mencionados na conferência, chamaram-me a atenção três espécies:
  • o extraordinário Claviceps Purpurea, ou esporão do centeio. Trata-se de um fungo que cresce nas espigas do centeio. É conhecido na Beira Alta por lenticão. Tem propriedades alucinogéneas. De um dos seus alcalóides, em 1943, extraiu Albert Hofmann o LSD. Na Idade Média originou uma doença chamada ergotismo, devido ao consumo daquele cereal.
  • o Amanita Muscaria, o mais popular dos cogumelos mágicos. A sua beleza carismática, difundida pela literatura e pelo imaginário popular, é proporcional à sua toxicidade, graças à psilocibina que contém.
  • o Amanita Caesarea, uma das espécies comestíveis mais apreciadas desde a Antiguidade.
Reservo o inesquecível almoço para o final. Uma verdadeira ode culinária em honra dos "tortulhos". Só para fazer inveja aos leitores, aqui vai a ementa.