Ela avança, tritura, atropela, tiraniza, negoceia, embala, demove, alucina, quase quase que nos convence da certeza do triunfo, da ferocidade do ardor, da impossibilidade da renúncia, ela dispõe as mesas e as cadeiras, os sinais precisos e cronometrados da virtude, a ilusão da festa, o fato por estrear, o circo em letra de forma e pasteis de riso, ela, a que nos passeia à noite, nos aproxima do risco com gritinhos de virgem, nos coloca frente a frente com imagens do paraíso em papel de cenário, a que nos faz olhar para o lado quando deparamos com as escâncaras da luz, sem puto de mistério, só alegria feroz, gentileza indomável, felicidade sem linhas estendidas, sem razões, sem poços, só o trevo, a glória, a exaltação muda, o sangue cantante, ela que colocou o riso no lugar de um esconjuro acessível, universal, vedando a derisão onde ela é preciosa, ela sempre por lá, vigilante, a salvo os novos tabus, a sofreguidão do espectáculo puxando-nos para o vazio. A vidinha.
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