Conto de Verão
Vendo bem, o normal é o que aconteceu ao meu amigo e a mim: as pessoas passam a vida a fazer acreditar as outras em qualquer coisa e depois acabam a justificar-se com mentiras piedosas. Acreditar no contrário pode ser euforizante. Mas a realidade é de uma simplicidade cruel e edificante: está-se só e morre-se só. O resto são entusiamos para principiantes. Portanto, o melhor é só contar comigo. De promessas está o inferno cheio. Todavia, será esta dedução assim tão linear? Não será essa a suprema justificação que encobre todas as outras? É. O que fica então? Manter a esperança quando tudo aponta para que a espera cesse. A horta. É claro que não disse nada disto ao meu amigo. Só lhe perguntei se não queria fazer férias das férias. E avançar com a torre quando tudo estava à espera que lançasse a rainha.
* Voltaire, Cândido, Guimarães Editores, 2005
Etiquetas: memórias





a ver o que o Outono reserva.
Publicado por @
Anónimo |
17 Agosto, 2006 20:41
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