Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dois pesos, duas medidas (2)

(continuação)
Por outro lado, a administração da RDP, por instâncias do Governo, decidiu suspender, desde 1 de Junho, a emissão em onda curta do serviço internacional. Chamado a prestar declarações à Comissão para a Ética, Cidadania e Comunicação da Assembleia da República, o Ministro da tutela, Miguel Relvas, veio justificar a medida. Para o efeito, baseou-se em três argumentos: redução de custos, sendo a onda curta uma "tecnologia obsoleta e muito cara" (sic); baixos índices de audiência, conclusão retirada da ausência de protestos pela interrupção circunstancial da emissão nessa frequência, devido a uma avaria, ocorrida anteriormente; por último, ser o fecho da onda curta uma prática seguida por estações radiofónicas de referência, dando na circunstância o exemplo da Deutsche Welle. Entretanto, o tema mereceu forte contestação da comissão de trabalhadores da RDP e da oposição parlamentar. Por seu turno, o Provedor do Ouvinte da RDP, Mário Figueiredo, tem contestado energicamente a decisão. Quer nas suas comunicações difundidas nas emissões, quer na audição junto da Comissão referida da AR. Onde chegou a afirmar que o encerramento do serviço tinha por detrás a especulação imobiliária dos terrenos onde funciona o emissor. O Provedor desmontou, um por um, os argumentos do Ministro. A saber:  
1º a emissão em onda curta não custa, nem de perto nem de longe, o que diz Relvas. Se se quer reduzir nos custos, não é fechando uma emissão que decorre da própria concessão de serviço público e que é um imperativo constitucional. Até porque, há dois anos a empresa fez um investimento considerável no emissor de Pegões. Não foi certamente pensando em encerrá-lo a seguir.
2º  A avaria mencionada foi breve e só privou da audição das emissões uma pequena parte de África. Não se esperaria que o facto motivasse uma manifestação dos cidadãos prejudicados à frente da sede da Administração da RDP. A alegada ausência de protestos vale pois o que vale.
3º É falso que a Deutsche Welle tenha encerrado as emissões em onda curta. Pelo contrário, desde há pouco, dispõe igualmente de emissões em português. A BBC segue as mesmas pisadas,desconhecendo-se qualquer desinvestimento na matéria por parte deste colosso.
4º O universo alcançado pela RDP Internacional abrange as comunidades nacionais pelo mundo e os países lusófonos. Significa isto que a audiência é vastíssima. E que, caso se concretize o fecho da emissão, ficará, em muitos casos, privada do único meio disponível de informação e de ligação a Portugal. Trata-se pois de um serviço público na acepção plena do termo: insubstituível, intransmissível e universal. E sobretudo de um poderosíssimo meio de difusão da língua e cultura nacionais. O seu fim é um verdadeiro crime.

Dois pesos, duas medidas (1)

Duas recentes medidas gevernamentais merecem total repúdio. Em comum, têm por trás o Ministro Miguel Relvas,  bombeiro de serviço / eminência parda deste executivo.
A primeira delas foi a extinção liminar da Inspecção-Geral da Administração Local. Trata-se do único órgão com competência fiscalizadora plena das autarquias. Ou como se diz na página respectiva, tem como objecto "o exercício da tutela administrativa e financeira a que se encontram constitucionalmente sujeitas as autarquias locais". A motivação da medida é óbvia. O emagrecimento das transferências financeiras, as restrições ao endividamento das Câmaras, a diminuição de vereadores e a fusão (para já) de Juntas de Freguesia não foram propriamente boas notícias para o Poder Local. Os lobbies respectivos, com o inefável e eterno Ruas à frente, mexeram logo os cordelinhos para suavizar a dieta. Nem que fosse para ocupar os batalhões de funcionários que se passeiam pelos edifícios camarários por esse país fora. Muitos deles recrutados graças a fidelidades partidárias e clientelares. Logo na primeira investida, o Governo cedeu no mais óbvio: ir desencantar receitas extraordinárias. E onde? Ao IMI, naturalmente. O imposto passa agora a ser arrecadado pelas Câmaras. Adivinhem o que veio a seguir. Exactamente. Aumentou a taxa que incide sobre os imóveis actualizados já no próximo ano. De uma assentada, matam-se assim dois coelhos. Ou seja, por um lado, satisfaz-se o apetite voraz das autarquias, em jeito de prémio de consolação. E quem paga a festa? Os proprietários dos imóveis, é claro. Cuja esmagadora maioria é constituída por cidadãos com modesta capacidade económica. E que vêm no escasso rendimento que obtém do património um justo retorno das poupanças que investiram. Muitas vezes fruto de uma vida de trabalho. E que já foram sucessivamente objecto de taxação. Ao agravar a pressão fiscal sobre o património, para satisfazer clientelas autárquicas, o Governo andou pessimamente. Continuando a alimentar os vícios públicos com as virtudes privadas. Por outro lado, com a extinção da IGAL oferece às autarquias o "prémio" da abertura das portas da impunidade e do afrouxamento do escrutínio público. Adivinha-se o regabofe que aí vem. Por sinal, o Presidente do IGAL, juiz-desembargador Orlando dos Santos Nascimento, publicou no site respectivo uma carta com a sua posição, fortemente crítica da extinção do serviço. Pois o Ministro demitiu-o e fechou o site, criando um novo, para que ninguém acedesse à carta. Mesmo assim, mão amiga fez-me chegar o documento. O qual, graças à sua frontalidade e clareza, merece aqui uma leitura atenta.
(continua)

domingo, 5 de julho de 2009

Contraditório

Por vezes ouço o programa "Contraditório", na Antena 1. Trata-se de uma emissão em formato "debate", com comentadores residentes: Ana Sá Lopes, Carlos Magno e Luís Delgado. Recentemente, fui formando a convicção de que a rubrica já teve melhores dias. Na última emissão discutiu-se a saga taurina de Manuel Pinho, o debate parlamentar sobre o Estado da Nação e o relatório da SEDES, que aponta o estado da Justiça como o principal factor de descredibilização do regime. Pois acreditem que o fórum se saldou por uma mediocridade nunca vista. Os comentadores limitaram-se a debitar lugares-comuns, por vezes a descair para o engraçadismo, sem nunca ir à raiz dos problemas. Ana Sá Lopes, um dos maiores exemplos vivos do politicamente correcto, não descola do discurso da tia da Linha, indecisa entre ir ao psicanalista ou ir a uma reunião feminista. A vacuidade é atroz. Luís Delgado, mais um liberal saído na Farinha Maizena, tornou-se um apoiante de última hora de Sócrates. Tudo isto porque, sendo um santanista, não lhe interessam nem um bocadinhos os louros para Ferreira Leite. Lá vai dizendo umas coisinhas sobre politica internacional com algum interesse. O mais lúcido, apesar de tudo. Por último, aparece Carlos Magno. O homem está em estado de pré-senilidade. Repete-se, não deixa falar os outros. Permanentemente auto-centrado, não esconde um provincianismo que, no Porto, já só usa quem quer. O seu posicionamento político é uma nebulosa de bitaites. Onde o factor territorial, com o Porto no centro de tudo, comanda a vida, como na canção. Depois quer fazer passar um progressismo afinal conservador, muito "anos 60", do género "eu é que estive lá nos anos da brasa", etc. É o típico burguês do Norte, mas sem o brilho, a ilustração, ou aquele cepticismo epicurista que podemos encontrar nas crónicas de António Souza Homem. O que redunda, por vezes, num atavismo inaceitável. Recordo-me do momento em que Ana Sá Lopes relatava a importância que tiveram na AR as redes sociais online, mormente o Twitter, no episódio da demissão de Pinho, após a sua investida. Magno rebateu logo que isso (as redes) era politicamente correcto. Assim, sem mais nada. Em que planeta vive este homem? No conjunto, a argumentação de todos foi paupérrima. No caso da Justiça, limitaram-se a meia dúzia de banalidades, a uma comparação com o sistema judicial americano e se a pena imposta a Madoff tinha sido "correcta". Muito pouco, diga-se. Nunca lhes passou pela cabeça que o maior problema da Justiça se pode encontrar na crónica balcanização pelas várias classes que nela operam?

domingo, 26 de outubro de 2008

MEC de novo

Não queria deixar de partilhar com os meus leitores a audição da entrevista de Miguel Esteves Cardoso a Carlos Vaz Marques, no "Pessoal e Intransmissível", em 6 do corrente. A propósito do lançamento do seu mais recente livro "Em Portugal não se come mal", MEC fala de tremoços, de peixe e dos prazeres da mesa. Confessa-se um bom garfo, gosta de blogues, tem um baú com romances inéditos e revela que a sua única ambição é ser aprendiz de sábio. Imprescindível. Está aqui em podcast.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Boa onda




A Rádio Oxigénio é a nova emissora oficial deste blogue. A selecção musical é superlativa. Na programação, destaque para rubricas como O2 Hi Fi, Oxigénio Elementar, Heróis no Ar, Jazz Café, Planeta Jazz, Last night a Dj saved my life, Madrugada Estado Líquido. Espaço também para o cinema, com Oxigénio Cinema, a web, com Oxigénio Internet, uma Agenda actualizada e o serviço Upload, um link directo para um servidor de notícias. De que é que estão à espera?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Boa onda

12 Polegadas é o nome de um novo programa da Rádio Altitude. Trata-se de uma emissão ao vivo, transmitida todas as sextas, entre as 23 00h e a meia-noite, dedicada às novas tendências da música electrónica. Segundo aquela estação, a emissão " Tem a particularidade de ser realizado por DJs da Guarda... Para isso foi estabelecida uma parceria com um dos mais frequentados bares da cidade, onde os intervenientes actuam como DJs residentes ou convidados. Este acordo poderá alargar-se à organização de festas temáticas ou à realização de emissões ao vivo a partir do bar".

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Notas hertzianas

Desde os tempos do "mocas" (a Rádio Altitude, para quem não sabe) que a rádio é um elemento essencial do meu quotidiano. É claro que a audição é, cada vez mais, selectiva. Para informação e debate, recorro à TSF. Para ouvir música nova e compactos temáticos, sintonizo a Antena 3, embora só à noite, pois no período diurno escasseia o serviço público. Compensado com a audição da excelente RNE 3, a "sucedânea" espanhola. Aqui, a qualidade musical é superlativa. A Antena 2 é igualmente uma referência crónica. No panteão da memória permanece a saudosa XFM, que depois, um degrau abaixo, se transformou na VOXX. O mesmo se diga de uma rádio localizada nos arredores de Lisboa, onde cheguei a fazer algumas emissões regulares, numa altura em que se aguardava a atribuição dos alvarás - a Rádio Horizonte Tejo. Informação local, já se sabe, é na Rádio Altitude. Nada de "estação das grandes músicas", ou Rádio Comercial, as quais, noblesse oblige, sou obrigado a ouvir nos balneários da piscina e nos expressos da Joalto. Por outro lado, é desesperante "levar" com espaços publicitários cada vez mais extensos, especialmente na TSF e na maioria das rádios locais. Para já não falar de um irritante expediente, utilizado pela maioria dos jornalistas que lêem os noticiários: o pivot repete exaustivamente o conteúdo da notícia que o repórter acabou de transmitir. Dá ideia que os ouvintes são crianças numa escola primária em que é preciso repetir a lição mais do que uma vez, ou que têm sérios problemas auditivos.
Recentemente, graças às possibilidades tecnológicas criadas através da web 2.0, tornei-me ouvinte assíduo das estações que emitem em streaming, ou aquelas em que posso configurar os conteúdos de acordo com gostos pessoais, de forma interactiva, nos chamados sistemas de recomendação musical. Das últimas já aqui dei notícia. O sistema Pandora, por exemplo, pode ser acedido através do plugin no sidebar deste blogue. Relativamente às primeiras, podem ser escutadas mediante software de leitura multimédia apropriado, associado a uma base de dados de estações de rádio: Winamp, Windows Media Player, Itunes e Online Radio Tuner. Este último é um programa muito simples de operar, no qual as emissões podem ser gravadas directamente e que recomendo. Como sugestões de audição, eis algumas das minhas estações favoritas:
And that's all folks!

PS: sugerida pelo Kubik, recomenda-se outra plataforma de selecção e leitura de estações online: o sensacional Screamer Radio. Efectua busca por géneros, geográfica, ou rede; possui várias opções de codificação das gravações e um osciloscópio.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Chegou a rádio interactiva

De entre as ferramentas criadas a pensar na web 2.0, destacam-se os sistemas de recomendação de temas musicais. São também chamados os novos criadores de gostos, ou seja, funcionam como os principais representantes de uma corrente que combina as redes sociais com a rádio através da internet.
O funcionamento destes sistemas é simples. Em primeiro lugar, haverá que proceder à subscrição no serviço escolhido. Na respectiva página, dispomos de uma aplicação ou plug-in, que permite que tudo o que ouvimos com frequência a partir do disco duro fique registado. Essa informação é enviada ao servidor do projecto, que a junta ao ao restante feedback que é recolhido dos restantes utilizadores. Com esses dados são iniciados uma série de processos, nos quais a inteligência artificial (mas também a humana) intervêm para estabelecer relações lógicas e intuitivas. Por último, a partir destas, o sistema oferece uma série de recomendações que podemos escutar em directo (a partir de uma radio online integrada), ou podemos aceder ao serviço de venda associado. Os métodos são vários: os filtros colaborativos e a social recommendation, através das redes sociais; a análise musical a partir da experiência de profissionais especializados, que obtém as características de um tema para a relacionar com outras sismilares; finalmente, os resultados aparecem segundo a lógica de um motor de busca, sem outra intervenção.
A ideia é simples: trata-se de praticar o conhecido princípio de pedir uma opinião a amigos ou familiares sobre música ou filmes antes do passo seguinte, isto é , escolher. Estes sistemas são similares, embora levados ao extremo, pois baseiam-se numa comunidade de utilizadores que manifesta os seus gostos e um filtro selecciona somente aquelas ofertas que nos irão satisfazer.
Os sistemas recomendados são três. O Last.fm, talvez o melhor, integra uma emissão de rádio personalizada. O que já não acontece com o MyStrands, embora o sistema esteja organizado de forma mais criteriosa e intuitiva. Por último, temos o Pandora, o primeiro a aparecer. A resposta é imediata, pois os primeiros minutos deste sistema são preenchidos com os temas das emissoras que personalizamos, muito idênticas às que pedimos na origem.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Carlos Vaz Marques em conversa com Paul Auster. Em "Pessoal e Transmissível", na TSF.
Poderá ser ouvido aqui

segunda-feira, 27 de março de 2006

O Teatro segue dentro de momentos

Hoje é o tal dia difícil do ano. Acontecem umas iniciativas louváveis por esse país fora, obra de grupos e associações que não esperam pelos burocratas para agir. Todavia, se hoje ouvissem o noticiário da Antena 1 às 13 h00, numa daquelas intermináveis e irritantes repetições da mesma notícia, teriam qualquer coisa como:
Locutor 1: comemora-se hoje o Dia Internacional do Teatro. Para assinalar o evento, três grupos transmontanos organizaram uma iniciativa invulgar, não é assim, Não Ponhas os Pés...?
Repórter de exterior: exactamente, Em Rama Verde. Numa iniciativa conjunta de três grupos sedeados no nordeste transmontano, comemora-se hoje o Dia internacional do Teatro, com a apresentação da mesma peça em três locais diferentes, à mesma hora...ouvimos os responsáveis...etc...emissão com Em Rama Verde...
Locutor 1: Um trabalho de Não Ponhas os Pés, que acompanhou esta maratona teatral, assinalando a comemoração de mais um dia mundial do Teatro, por iniciativa de três grupos do interior transmontano, com declarações do director do...sim, daquele de Bragança, o Tristezas Não Pagam Dívidas...Prosseguimos com Cuidado Com o Cavalo Dado que Anda Marado!
Locutor 2: Obrigado, Em Rama Verde... Dia Mundial do Teatro, efeméride comemorada no nordeste transmontano com a apresentação da mesma peça em simultâneo em três locais diferentes...prosseguimos com notícias de desporto...
(Note-se que, a esta hora, estava já eu a dar cabeçadas na parede e a suspirar pelo regresso de Antonin Artaud... Haja paciência, algo que sobeja cada vez menos...)