Já quando andava no Liceu, a matemática era para mim um pesadelo. Mais tarde, já na Faculdade, as assombrações continuaram, por via das disciplinas da área económica. Sempre detestei a Economia. Uma ciência tão inútil como a morte. Mas que, no essencial, não deixa de ser uma realidade perfeitamente... paralela. Vai daí, soube hoje que, por aplicação da tabela das agências internacionais de rating, estas fizeram descer a notação financeira de Portugal, de 'A3' para 'Baa1'. O País fica assim a três degraus da classificação de "lixo"! A sunny junk country, man! Note-se que essas mesmas agências são as que, em 2008, antes da "bolha", avaliavam o tóxico subprime com a classificação AAA. Vejam o magnífico documentário "Inside Job" e perceberão como o esquema circular funcionava. Portanto, estamos à beira de acabar num anódino quintal das traseiras do mundo financeiro, convenientemente escondido dos convidados da boda. O que custa, no meio desta excitação pré-insolvente, é perceber que os investidores de Wall Street ou de Singapura conhecem melhor a nossa realidade económica do que os cidadãos deste cantinho à beira mar enxertado. Um realidade demasiado dura para a nossa mansidão e que os Governos têm vindo, piedosamente, a ocultar. Talvez pensando, que, como eu, os portugueses não gostem de fazer contas...
Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.
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terça-feira, 5 de abril de 2011
domingo, 30 de abril de 2006
A prole
O Governo da República está a estudar a forma de extorquir mais umas coroas ao incauto cidadão, antes do período de defeso do Mundial de Futebol, altura em que, podendo, pedirei asilo político num iglo algures no ártico. Desta vez, segundo o jornal "Público" de ontem, vai agravar a taxa social única de 11% para 13% para quem não tiver filhos ou só um, mantendo-se para quem tiver dois e beneficiando de "desconto" quem tiver mais que dois. Estou enternecido. Não há dúvida que o Estado pensa em nós, mesmo enquando concepturos.
Entretanto, vão fechando maternidades por esse país fora. Contraditório? Não. Existe uma explicação para o paradoxo: afim de concretizar o messiânico boom demográfico, vai dinamizar-se a circulação automóvel, com as pessoas a passar a vida entre a sua casa e a maternidade a 100 Kms, aprovisionando as despensas com fraldas, roupa para bebés, chupetas - adivinham-se tendências especulativas com estes artigos - e a aviar os receituários de Viagra, pois que o investimento é capaz de valer a pena. Agora pergunto: e aqueles que não podem (por razões económicas, clínicas, ou religiosas), ou não querem, por opção, obedecer ao célebre comando bíblico da multiplicação, vão ser penalizados por isso? Em que planeta estamos?
Se o Governo quer assegurar a sustentabilidade da Segurança Social, como lhe compete, então recorra a outras medidas, sem pôr em causa as liberdades individuais. Se essas medidas forem tomadas para encorajar o aumento da taxa de natalidade, então que os incentivos funcionem pela positiva - aumento do abono de família e dos períodos de licença de maternidade e de parto, por exemplo - mas nunca por uma penalização discriminatória. Só espero que o Presidente da República requeira a apreciação preventiva da constitucionalidade de qualquer diploma naquele sentido que lhe chegar às mãos.
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