Em qualquer país do hemisfério ocidental, em circunstâncias idênticas, já o actual Procurador Geral da República se teria demitido. A sucessão de trapalhadas desde que o inquérito do caso "Face Oculta" lhe caiu em cima da secretária, proveniente de Aveiro, em Junho, vão desde a simples incompetência à ignomínia. Passando pela mentira descarada. Como é possível que os principais visados nas escutas então em curso tenham, logo no dia seguinte à recepção dos autos, trocado de cartão telefónico - mencionando expressamente o facto de terem tido conhecimento nessa data que estavam a ser escutados, segundo as conversas divulgadas pelo "Sol" - sem que nenhuma responsabilidade pela fuga de informação tenha sido imputada a Pinto Monteiro? Como se explica que tenha negado sempre que tenha havido pressões do procurador Lopes da Mota para com os investigadores - uma estrela de primeira água da constelação rosa que cintila nas instituições judiciais, onde os favores de ocasião e a produção legislativa encomendada ad personae são a regra (vejam-se algumas alterações constantes da última reforma do Código de Processo Penal, que vieram mesmo a calhar à "Fatinha" de Felgueiras) - mesmo depois de o magistrado ter sido afastado da Direcção do Eurojust, devido à comprovação de essas pressões terem mesmo sido feitas? Como aceitar, por fim, que Pinto Monteiro tenha afirmado por várias vezes aos jornais que Sócrates seria absolvido no caso Freeport? E numa altura em que ainda decorria o inquérito!!! Pressões sobre os magistrados que dirigiam a investigação? Que ideia! O facto de Sócrates não ter sido inquirido no caso, devido à magistrada Cândida Almeida, directora do DCIAP, não ter emitido despacho em tempo útil, é o cúmulo do servilismo. Confesso que, no inicio, a figura me era simpática. Não só por ser originária do distrito da Guarda, mas sobretudo pelo corte que, acreditava eu, representaria com o passado. Mas depois, foi o que se viu. Portanto, só há que dizer: "Demita-se, senhor procurador! Não tem outra saída!"
Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.
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sábado, 7 de agosto de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Técnicas de propaganda para acossados
O primeiro governo de Sócrates foi dominado pela propaganda no sentido clássico do termo. Aquilo a que estamos a assistir neste momento é algo de muito diferente. Com os números da dívida e do desemprego a subirem; com o Tribunal de Contas a reprovar sucessivos negócios governamentais; com a Justiça a sofrer das maiores pressões exercidas por um governo em Portugal; com o primeiro-ministro cujo nome começou por aparecer em alguns casos e se transformou ele mesmo num caso único da política portuguesa, a estratégia de comunicação do círculo de José Sócrates é cada vez mais o ataque e de cada vez que ataca atinge os alvos duma forma que até esse momento se julgava interdita. Foi isso que aconteceu ontem com as respostas dadas por Vieira da Silva e Ricardo Rodrigues no parlamento a propósito das acusações de “espionagem política” formuladas pelo ministro da Economia, no momento em que se tornou público que havia escutas de conversas entre Armando Vara e José Sócrates.
Como Portugal não é (ainda) uma república das bananas não é normal que um ministro acuse o Ministério Público, as polícias de investigação e não se percebeu se também o Supremo Tribunal de Justiça de “espionagem política” pois essas seriam as entidades que estavam ao corrente das escutas. Chamado ao Parlamento para explicar o que queria dizer com a expressão “espionagem política”, Vieira da Silva não explicou nada e mudou estrategicamente o alvo, acusando Manuela Ferreira Leite não se percebeu se de espiar, de alguém espiar por ela ou de estar ao corrente do conteúdo da dita espionagem. Foi secundado nesta acusação pelo deputado Ricardo Rodrigues, sendo que este último cometeu o deslize de admitir que o negócio da TVI, que Sócrates dizia desconhecer, é de facto referido nas escutas que diz alegadas. E assim, num golpe que tem a vantagem para quem o usa de contribuir para confusão que já não nos permite perceber quem disse o quê e quando – o problema deixou de ser um ministro acusar o Ministério Público e as polícias de fazerem espionagem política –, passámos a ter a líder do PSD a fazer espionagem. E mais importante ainda, caso a líder do PSD peça explicações por estas acusações de Vieira da Silva e de Ricardo Rodrigues há-se ser acusada de não ter sentido de Estado ou ridicularizada, ou provavelmente ambas as coisas. E o assunto assim morrerá até que amanhã Vieira da Silva, Santos Silva, Ricardo Rodrigues ou José Junqueiro voltem a usar esta técnica, até agora eficaz, de responder atacando duma forma que não se julgava possível num partido de governo para, em seguida, rapidamente recolherem à segurança da postura institucional. Sendo que todos sabem que para próxima usarão a mesma técnica mas o ataque será ainda mais feroz.
Contudo ficou por saber se o ministro nos informou oficialmente que existe em Portugal uma rede de espionagem nas polícias e na Procuradoria que, segundo o mesmo ministro, fornece informações a Manuela Ferreira Leite. Se Vieira da Silva quis mesmo dizer o que disse tem de voltar novamente ao parlamento porque se uma rede de espionagem política é grave, uma rede que trabalha para um determinado partido é ainda mais grave. E um ministro que lança suspeitas deste teor ou as fundamenta ou deixa de ser ministro.
Como Portugal não é (ainda) uma república das bananas não é normal que um ministro acuse o Ministério Público, as polícias de investigação e não se percebeu se também o Supremo Tribunal de Justiça de “espionagem política” pois essas seriam as entidades que estavam ao corrente das escutas. Chamado ao Parlamento para explicar o que queria dizer com a expressão “espionagem política”, Vieira da Silva não explicou nada e mudou estrategicamente o alvo, acusando Manuela Ferreira Leite não se percebeu se de espiar, de alguém espiar por ela ou de estar ao corrente do conteúdo da dita espionagem. Foi secundado nesta acusação pelo deputado Ricardo Rodrigues, sendo que este último cometeu o deslize de admitir que o negócio da TVI, que Sócrates dizia desconhecer, é de facto referido nas escutas que diz alegadas. E assim, num golpe que tem a vantagem para quem o usa de contribuir para confusão que já não nos permite perceber quem disse o quê e quando – o problema deixou de ser um ministro acusar o Ministério Público e as polícias de fazerem espionagem política –, passámos a ter a líder do PSD a fazer espionagem. E mais importante ainda, caso a líder do PSD peça explicações por estas acusações de Vieira da Silva e de Ricardo Rodrigues há-se ser acusada de não ter sentido de Estado ou ridicularizada, ou provavelmente ambas as coisas. E o assunto assim morrerá até que amanhã Vieira da Silva, Santos Silva, Ricardo Rodrigues ou José Junqueiro voltem a usar esta técnica, até agora eficaz, de responder atacando duma forma que não se julgava possível num partido de governo para, em seguida, rapidamente recolherem à segurança da postura institucional. Sendo que todos sabem que para próxima usarão a mesma técnica mas o ataque será ainda mais feroz.
Contudo ficou por saber se o ministro nos informou oficialmente que existe em Portugal uma rede de espionagem nas polícias e na Procuradoria que, segundo o mesmo ministro, fornece informações a Manuela Ferreira Leite. Se Vieira da Silva quis mesmo dizer o que disse tem de voltar novamente ao parlamento porque se uma rede de espionagem política é grave, uma rede que trabalha para um determinado partido é ainda mais grave. E um ministro que lança suspeitas deste teor ou as fundamenta ou deixa de ser ministro.
Helena Matos, no "Público" de ontem
terça-feira, 24 de novembro de 2009
A irmandade da sucata (2)
Sobre as conversas escutadas entre Sócrates e seu amigo Vara, ao que parece a propósito da compra fraudulenta da TVI pela PT, que o Presidente do STJ convenientemente mandou apagar, leia-se este texto lapidar no "Vivo e de Boa Saúde". Note-se que a celeridade da decisão permite imaginar o pior.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A cáfila
Recebi um email que diz isto:
SILVA LOPES, com 77 (setenta e sete) anos de idade, acaba de ser nomeado administrador da "EDP Renováveis". Ex-Administrador do Montepio Geral, de onde saiu há pouco tempo com uma indemnização de mais de 400.000 euros, acrescidos de varias reformas que tem, uma das quais do Banco de Portugal como ex-governador, logo que saiu do Montepio foi nomeado Administrador da EDP RENOVAVEIS, empresa do Grupo EDP. Com mais este tacho dourado, lá vai sacar mais umas centenas de milhar de euros num emprego dado pela escumalha politica do governo, que continua a distribuir milhões pela cambada afecta aos partidos do centrão. Entretanto o Zé vai empobrecendo cada vez mais, num pais com 20% de pobres, onde o desemprego caminha para niveis assustadores, onde os salários da maioria dos portugueses estão cada vez mais ao nivel da subsistencia.
Silva Lopes foi o tal que afirmou ser necessário o congelamento de salários e o não aumento do salário mínimo nacional, por causa da competividade da economia portuguesa. Claro que para este senhor, o congelamento dos salários deve ser uma atitude a tomar, (desde que não congelem o dele, claro)!!!
Quanto a FERNANDO GOMES, mais um comissário político do PS, recebeu em 2008, como administrador da GALP, mais de 4 milhões de euros de remunerações. Acresce a isto um PPR de 90.000 euros anuais, para quando o " comissário PS " for para a reforma. Claro que isto não vai acontecer pois, tal como Silva Lopes, este senhor vai andar de tacho em tacho, tal como esta cambada de ex-politicos que perante a crise "assobia para o ar ", sempre com os bolsos cheios com os milhões de euros que vão recebendo anualmente.
Claro que as pessoas estão mais do que avisadas. A monstruosa promiscuidade entre os negócios e a política é o pão nosso de cada dia. Claro que os cidadãos sabem que esta deriva de sinecuras e transferências milionárias é uma doença crónica do Bloco Central. Mas onde o PS tem exagerado para lá do que é imaginável. Claro que estes filhos da puta só alteram os métodos depois de um abanão a sério. Muitos, como é o caso do esbriba, não se reconhecem nesta plutocracia monopartidária (às vezes bi), nesta baixíssima qualidade de um regime que alguns confundem com democracia. Periodicamente, convém exemplificar os motivos desta descrença. Como agora. Por uma questão profiláctica.
SILVA LOPES, com 77 (setenta e sete) anos de idade, acaba de ser nomeado administrador da "EDP Renováveis". Ex-Administrador do Montepio Geral, de onde saiu há pouco tempo com uma indemnização de mais de 400.000 euros, acrescidos de varias reformas que tem, uma das quais do Banco de Portugal como ex-governador, logo que saiu do Montepio foi nomeado Administrador da EDP RENOVAVEIS, empresa do Grupo EDP. Com mais este tacho dourado, lá vai sacar mais umas centenas de milhar de euros num emprego dado pela escumalha politica do governo, que continua a distribuir milhões pela cambada afecta aos partidos do centrão. Entretanto o Zé vai empobrecendo cada vez mais, num pais com 20% de pobres, onde o desemprego caminha para niveis assustadores, onde os salários da maioria dos portugueses estão cada vez mais ao nivel da subsistencia.
Silva Lopes foi o tal que afirmou ser necessário o congelamento de salários e o não aumento do salário mínimo nacional, por causa da competividade da economia portuguesa. Claro que para este senhor, o congelamento dos salários deve ser uma atitude a tomar, (desde que não congelem o dele, claro)!!!
Quanto a FERNANDO GOMES, mais um comissário político do PS, recebeu em 2008, como administrador da GALP, mais de 4 milhões de euros de remunerações. Acresce a isto um PPR de 90.000 euros anuais, para quando o " comissário PS " for para a reforma. Claro que isto não vai acontecer pois, tal como Silva Lopes, este senhor vai andar de tacho em tacho, tal como esta cambada de ex-politicos que perante a crise "assobia para o ar ", sempre com os bolsos cheios com os milhões de euros que vão recebendo anualmente.
Claro que as pessoas estão mais do que avisadas. A monstruosa promiscuidade entre os negócios e a política é o pão nosso de cada dia. Claro que os cidadãos sabem que esta deriva de sinecuras e transferências milionárias é uma doença crónica do Bloco Central. Mas onde o PS tem exagerado para lá do que é imaginável. Claro que estes filhos da puta só alteram os métodos depois de um abanão a sério. Muitos, como é o caso do esbriba, não se reconhecem nesta plutocracia monopartidária (às vezes bi), nesta baixíssima qualidade de um regime que alguns confundem com democracia. Periodicamente, convém exemplificar os motivos desta descrença. Como agora. Por uma questão profiláctica.
sábado, 30 de maio de 2009
Ana útil

"Penso que posso ser particularmente útil no Parlamento Europeu, entendendo-me como intérprete dos interesses do nosso país e da Europa no seu conjunto."
Ana Gomes, durante o lançamento do seu livro de crónicas "Todo-o-Terreno - Quatro Anos de Reflexões", adiantando que está bem junto das instituições comunitárias e que gostava de cumprir mais um mandato (TSF, 20/11/2008).
Tenho uma embirração de estimação por esta senhora. O que é que querem? Onde há um sinal de peixeirada, lá está ela. Brandindo argumentos em registo mural, dos tempos do MRPP. Uma questão hormonal, talvez. Ou uma nostalgia profunda dos tempos da Praia do Meco. Na questão de Timor, até esteve bem. Depois veio a vertigem das luzes da ribalta. Perdeu-se uma diplomata aguerrida, mas eficaz, e veio ao mundo uma criatura irrequieta, a tentar justificar de forma ridícula as sinecuras com que foi premiada. Foram os voos da CIA, foram as quotas de pesca e, agora, vem atacar o neófito Rui Tavares. É a peixeira preferida de Sócrates. Já alguém lhe fez saber que o ridículo pode matar?
Ana Gomes, durante o lançamento do seu livro de crónicas "Todo-o-Terreno - Quatro Anos de Reflexões", adiantando que está bem junto das instituições comunitárias e que gostava de cumprir mais um mandato (TSF, 20/11/2008).
Tenho uma embirração de estimação por esta senhora. O que é que querem? Onde há um sinal de peixeirada, lá está ela. Brandindo argumentos em registo mural, dos tempos do MRPP. Uma questão hormonal, talvez. Ou uma nostalgia profunda dos tempos da Praia do Meco. Na questão de Timor, até esteve bem. Depois veio a vertigem das luzes da ribalta. Perdeu-se uma diplomata aguerrida, mas eficaz, e veio ao mundo uma criatura irrequieta, a tentar justificar de forma ridícula as sinecuras com que foi premiada. Foram os voos da CIA, foram as quotas de pesca e, agora, vem atacar o neófito Rui Tavares. É a peixeira preferida de Sócrates. Já alguém lhe fez saber que o ridículo pode matar?
quarta-feira, 22 de abril de 2009
As velhíssimas fronteiras
No passado dia 19, decorreu na Guarda a sessão inaugural do Fórum “Novas Fronteiras". Organizada, como é sabido, pela Federação local do PS. Sob o título “Desafios para um Portugal Moderno”, uma série de convidados encontraram-se com o objectivo anunciado de "propor um espaço de debate das grandes questões da actualidade Internacional, Nacional ou Regional". O Fórum visou "construir uma rede permanente de relações entre personalidades destacadas da região". As quais, diz-se, "cimentarão em torno do debate de ideias e de oportunidades", "recuperando-se laços afectivos e culturais de algum modo perdidos no tempo." A ideia de base não era má. Cativar os sectores mais dinâmicos da sociedade civil para a política é uma forma de requalificar a vida pública. Pois. Todavia, sabem o que aconteceu realmente? A reunião estava reservada a militantes! Ou seja, cria-se a ilusão da abertura para depois se cerrar fileiras, na perspectiva da recolha das migalhas do poder; propala-se uma abrangência que redunda numa assembleia de conversos. Mais palavras para quê?
domingo, 1 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O vazio estridente (2)
A expressão "para quem é bacalhau basta" tem um âmbito de aplicação maior do que se julga. Na criação cultural, pode justificar a falta de talento ou de empenho. Ou até mesmo a condescendência, esse agente patogénico com efeitos devastadores na arte. O "bacalhau" a pataco é pois o álibi perfeito para a falta de audácia e de capacidade de assumir riscos. Na política, esse fenómeno é ampliado até à exaustão. Com as consequências que se conhecem. Veja-se o que se está a passar em Pyongyang. Perdão, em Espinho, no congresso do Partido Socialista.
O vazio estridente
Há umas horas atrás, pude escutar o início do discurso de José Sócrates, a abrir o congresso albanês do PS. O qual decorre em Espinho durante este fim de semana., como é sabido. Seguindo a clássica divisão da oratória popularizada pelo Padre António Vieira, o "querido líder", começou por exortar os celebrantes a apoiá-lo. Sim, já que a sua dívida de gratidão era imensa, e paga "al contado" a quem tamanha fidelidade lhe demonstrou, ao longo de quatro penosos anos. Não vou aqui analisar ponto por ponto o exórdio e a introdução. Queria apenas deter-me nas razões apresentadas para se candidatar a primeiro ministro nas próximas legislativas. Na altíssima ideia que tem de si, Sócrates declarou ter-se chegado á frente porque o país assim o exige. O mesmo país que anseia pela continuidade do seu programa político. O mesmo país que padece da falta de "alternativas credíveis". O mesmo país onde os spin doctors de serviço descobriram uma vaga de fundo imparável. Então pronto, já que o país tanto insiste, já que os portugueses esperam um santo milagreiro, ele avança! Vieram então os ataques à oposição, aos maldicentes, aos críticos, aos profissionais do bota-abaixo. Assunto onde o nosso Hohxa se demorou quanto baste. Evidenciando uma saudade irresistível dos tempos da ANP, onde a oposição ia para os calaboiços ou para o degredo. Até porque, caso único na nossa democracia, este Governo não teve oposição digna desse nome a perturbá-lo. Até porque o assalto à máquina do Estado pelo PS atingiu dimensões nunca vistas. Mas foi na última razão apresentada - a ética, a decência - que o discursante mais se expôs. Ou seja, forçou o discurso da vitimização até à náusea. Nada que não se esperasse. O escrutínio da opinião pública, da imprensa e dos próprios órgãos jurisdicionais, imprescindível nas sociedades abertas e democráticas, é reduzido por Sócrates a campanhas infâmes, orquestradas para manchar o seu bom nome. A maquinações destinadas a destruí-lo. Parecia uma sessão de terapia de grupo. Onde o celebrante necessita de inventar inimigos e fábulas conspiratórias para reforçar a coesão grupal. Utilizando um discurso onde nenhuma ideia pautava. Nenhum sinal de mudança. Nenhum sinal de uma nova leitura para um mundo globalizado e instável. Nenhuma resposta para a crise que comece por aceitá-la. Ao contrário de Obama, que não só enuncia os desígnios por que se bate, como diz porquê, Sócrates limita-se aos ajustes de contas domésticos, à infantilização, à pequena política. Ao precipício.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
The show must go on
Sócrates ergueu a espada em Guimarães, mas não como epígono do rei-fundador. Ao invés, apareceu notoriamente obamizado, brandindo a palavra mágica do marketing político com efeito garantido: mudança. O que é deveras estranho, não vos parece? Como pode um partido que ocupa o poder há 13 anos (excluindo o episódico consulado Durão/Santana) invocar ainda a mudança? Mudança de quê? Com quê? Com quem? Para onde? Sócrates reencontrou o seu estilo agressivo, televisivo e autista, com que pensa repetir uma maioria absoluta que não é líquida. O país e a conjuntura internacional parecem desmentir o seu triunfalismo, mas o que é que isso importa? Não é ele que terá que ir ao polígrafo no programa "Momento da Verdade"! A encenação foi preparada ao pormenor. Para que o demiurgo transportasse o facho da verdade e qualquer contrariedade fosse reduzida a simples maledicência ou incompetência. Devidamente acompanhado pelas figuras certas, é claro. Onde pontua o sr. César dos Açores. Uma espécie de novo "querido líder" insular, e que vai ter que gastar uns milhões para ser reeleito, o que já inclui o conhecido "Kit autonómico", generosamente distribuído pela populaça. Em resumo, mais uma fábula televisiva, servida em prime time. Que inaugura um estilo, seguramente em vigor até Outubro de 2009. Com mais umas inaugurações, uns brindes de última hora e demagogia repartida qb, Sócrates será seguramente reeleito. Resta saber com que números.
domingo, 21 de setembro de 2008
A chapelada
O PS decidiu fazer aprovar na AR uma proposta legislativa que põe fim ao voto por correspondência entre os emigrantes. A partir de agora, só é permitido o voto presencial nos consulados. Lembre-se que, ainda recentemente, encerraram as portas dezenas destas representações, um pouco por todo o mundo. E que, em muitas delas, os nacionais são tratados abaixo de cão, por burocratas em regime de sinecura política, cujo verdadeiro pedigree é o da incompetência. Como já tive ocasião de assistir. O Governo diz querer acabar com os sindicatos de voto e promover a transparência no processo eleitoral. Regista-se o esforço, embora a caricatura seja impossível de esconder: a nível interno, o PS é o partido onde há mais chapeladas, manipulações de representantes e sindicatos de voto de que há memória. Basta lembrar que um candidato à Federeção Distrital da Guarda conta entre os seus apoiantes dezenas de militantes recém inscritos e com morada comum: a Associação dos Doadores de Sangue... A campanha eleitoral já começou e o PS precisa deseperadamente de votos, pois sabe que, desta vez, não vai ser a feijões. Alterar administrativamente a vontade popular num círculo onde já não ganha desde 1999 é só mais um expediente anti-democrático, que só aos mais distraídos poderá surpreender.
domingo, 6 de julho de 2008
Mais uma campanha alegre (1)
Os aprendizes de cacique com discurso provinciano são uma das minhas iguarias favoritas. É claro que não é difícil encontrá-los. Basta ir ao seu habitat natural: uma delegação partidária, uma direcção de uma associação de estudantes, à saída de uma assembleia municipal, no corropio famélico em busca de uma assessoria ou de uma sinecura partidária. Alguns podem mesmo ser encontrados nas colunas dos jornais locais. Depois de muito suor, conseguem alinhar dois parágrafos sem um único erro ortográfico. Um feito notável. Onde debitam resma e meia de lugares comuns para encher o olho (salvo seja) à populaça, naturalmente sequiosa de mais uns artistas que a salvem. Porém, há artistas e artistas. Alguns nem mesmo numa loja gourmet se encontrariam. Pois a fortuna veio em meu auxílio, trazendo-me o créme de la créme desta espécie. Nada mais nada menos do que a última estrela da política de veludo guardense (na feliz designação de Pacheco Pereira para a rede de interesses promíscuos de que se nutre a partidocracia local e autárquica), o apóstolo da nova trilogia: ouvir, dialogar, trabalhar (a parte do "diálogo" traz-me logo à memória não sei o quê, um dejá vu qualquer...bom... adiante!), a grande esperança do PS no distrito da Guarda, o homem que não deixa de frisar que está perto de Lisboa (ouviram bem, meninas e meninos, perto de Lisboa!)... Senhoras e senhores, convosco o camarada José Albano Marques!
I - Comecemos então pelo princípio: sabiam como é que este patusco conseguiu as assinaturas para se candidatar à Federação Distrital? Através do milagre do sangue comunitário. Passo a explicar. Desde Janeiro deste ano, entre os 400 novos militantes do distrito da Guarda inscritos no PS , contam-se "trinta dadores de sangue" e apareceram 18 "a morar na mesma casa". Em relação ao primeiro caso, vamos supor que uma onda de generosidade invadiu 30 cidadãos, que decidiram acampar junto à sede da associação de dadores, disponíveis para qualquer emergência. No entanto, desconheço se foram informados do facto de entre cada dádiva deverem decorrer três meses para os homens e quatro para as mulheres. Mesmo assim, louva-se a sumptuosa solidariedade manifestada por estes bravos. No segundo caso, das duas uma: ou esse grupo de 18 intrépidos cidadãos têm o mesmo grupo sanguíneo e resolveram acampar no mesmo local, para o que desse e viesse; ou são adeptos das experiências comunitárias anos 60 e 70, resolvendo implantá-las num recanto serrano da Beira, podendo tratar-se mesmo de um grupo de squatters criativos, também conhecidos por okupas, acabados de desembarcar num prédio devoluto da região. Mas porquê?, perguntareis vós. Aa razões não são exactamente deste mundo, meus caros: 400 cidadãos, em diferentes coordenadas GPS, receberam em simultâneo uma radiosa e inefável revelação do Divino. Era o Albano, envolto numa aura celestial cor de rosa, assessorado por um arcanjo menor, que servia de ponto. Insinuando a salvação eterna, lá ia indicando aos incréus o caminho da virtude e do futuro, ao mesmo tempo que disponibilizava a ficha de inscrição na congregação. "Milagre! Milagre!", gritavam os escolhidos pela Graça Divina. "Quando preencherem a fichinha, entreguem aqui ao Tony", ouviu-se sussurrar, por fim, com voz melíflua, o ditoso Albano. Por outro lado, 40 dos recém filiados militantes deram como "residência" o mesmo apartado postal, sendo os apartados mais vezes repetidos registados como pertencentes à Associação de Dadores de Sangue da Guarda e ao PS de Celorico da Beira. Para explicar este caso, aplicam-se as hipóteses referidas, podendo ainda tomar-se em consideração outras possibilidades: estes 40 "caloiros" afinal fazem parte de uma seita milenarista, tendo optado por cometer um suicídio em massa, aproveitando os bons ares da região; constituem um grupo de investigadores da lagarta dos pinheiros em trabalho de campo; um retiro espiritual de representantes do príncipe da Transilvânia, mais conhecido como o Drácula dos tótos; são simplesmente clones (ou hologramas) de José Albano Marques.
II - Pois bem, instalados e domiciliados os putativos apoiantes do Albano (seriam todos do tipo O, tipo AB? não se sabe) faltava o corropio habitual para a contagem das espingardas: 1º cativar os caciques de base; 2º trazer para si a inenarrável "J"S, para compôr a tribuna com carinhas larocas e carregar os pianos; 3º cheirar o rabiosque a um naipe escolhido de notáveis retirados ou no activo, bem como aos proverbiais assessores, situados muito pertinho, vá-se lá saber como, de Lisboa. Aliás, vendo bem, em Lisboa mesmo, diria até na zona de S. Bento, no gabinete do Sócrates mesmo mesmo (não é excitante?), a cheirar-lhe mesmo o cuzinho com regularidade, com sofreguidão canina, de modo a que esta cadeia de empatia olfactiva vença distâncias e embaraços, assegure "atenções" futuras, caucione promessas presentes e salvaguarde rabos de palha passados. Um mimo. (continua)
I - Comecemos então pelo princípio: sabiam como é que este patusco conseguiu as assinaturas para se candidatar à Federação Distrital? Através do milagre do sangue comunitário. Passo a explicar. Desde Janeiro deste ano, entre os 400 novos militantes do distrito da Guarda inscritos no PS , contam-se "trinta dadores de sangue" e apareceram 18 "a morar na mesma casa". Em relação ao primeiro caso, vamos supor que uma onda de generosidade invadiu 30 cidadãos, que decidiram acampar junto à sede da associação de dadores, disponíveis para qualquer emergência. No entanto, desconheço se foram informados do facto de entre cada dádiva deverem decorrer três meses para os homens e quatro para as mulheres. Mesmo assim, louva-se a sumptuosa solidariedade manifestada por estes bravos. No segundo caso, das duas uma: ou esse grupo de 18 intrépidos cidadãos têm o mesmo grupo sanguíneo e resolveram acampar no mesmo local, para o que desse e viesse; ou são adeptos das experiências comunitárias anos 60 e 70, resolvendo implantá-las num recanto serrano da Beira, podendo tratar-se mesmo de um grupo de squatters criativos, também conhecidos por okupas, acabados de desembarcar num prédio devoluto da região. Mas porquê?, perguntareis vós. Aa razões não são exactamente deste mundo, meus caros: 400 cidadãos, em diferentes coordenadas GPS, receberam em simultâneo uma radiosa e inefável revelação do Divino. Era o Albano, envolto numa aura celestial cor de rosa, assessorado por um arcanjo menor, que servia de ponto. Insinuando a salvação eterna, lá ia indicando aos incréus o caminho da virtude e do futuro, ao mesmo tempo que disponibilizava a ficha de inscrição na congregação. "Milagre! Milagre!", gritavam os escolhidos pela Graça Divina. "Quando preencherem a fichinha, entreguem aqui ao Tony", ouviu-se sussurrar, por fim, com voz melíflua, o ditoso Albano. Por outro lado, 40 dos recém filiados militantes deram como "residência" o mesmo apartado postal, sendo os apartados mais vezes repetidos registados como pertencentes à Associação de Dadores de Sangue da Guarda e ao PS de Celorico da Beira. Para explicar este caso, aplicam-se as hipóteses referidas, podendo ainda tomar-se em consideração outras possibilidades: estes 40 "caloiros" afinal fazem parte de uma seita milenarista, tendo optado por cometer um suicídio em massa, aproveitando os bons ares da região; constituem um grupo de investigadores da lagarta dos pinheiros em trabalho de campo; um retiro espiritual de representantes do príncipe da Transilvânia, mais conhecido como o Drácula dos tótos; são simplesmente clones (ou hologramas) de José Albano Marques.
II - Pois bem, instalados e domiciliados os putativos apoiantes do Albano (seriam todos do tipo O, tipo AB? não se sabe) faltava o corropio habitual para a contagem das espingardas: 1º cativar os caciques de base; 2º trazer para si a inenarrável "J"S, para compôr a tribuna com carinhas larocas e carregar os pianos; 3º cheirar o rabiosque a um naipe escolhido de notáveis retirados ou no activo, bem como aos proverbiais assessores, situados muito pertinho, vá-se lá saber como, de Lisboa. Aliás, vendo bem, em Lisboa mesmo, diria até na zona de S. Bento, no gabinete do Sócrates mesmo mesmo (não é excitante?), a cheirar-lhe mesmo o cuzinho com regularidade, com sofreguidão canina, de modo a que esta cadeia de empatia olfactiva vença distâncias e embaraços, assegure "atenções" futuras, caucione promessas presentes e salvaguarde rabos de palha passados. Um mimo. (continua)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A manada veio à serra
Vão picnicar aqui pelo burgo, com telhadinhos vermelhos a cintilar como nos desenhos animados do grunje granja, uns simpáticos parlamentares do peése. Vão cá estar durante uns dias. E tudo. A debater. A partilhar exegeses. A inventar as palavras que já foram inventadas. O quê? Esta deixa do Almada era para o Alegre brilhar? Muito bem, já cá não está quem falou. Mesmo assim, dei voltas ao miolo e não consigo descobrir como os contínuos do circus maximus, a confraria do silêncio, podem debater, assim, o que quer que seja, sem autorização do chefe. O que são parlamentares? O que é o peése? Ainda existe? O quê? Não há teleponto? Ah, ti António, não quer tosquiar este rebanho?
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
O fascismo não tarda
Dois textos de leitura obrigatória:
1. "PS, S.A.", de António Barreto, publicado no "Público" em 30.12.2007. Uma radiografia do tenebroso assalto às grandes empresas do sector público e privado pelo Partido do Governo. A fase seguinte, depois de ter tomado o aparelho do Estado. Esta ofensiva, de que o caso BCP é só o sinal mais visível, tem sido convenientemente silenciada pela dócil comunicação social.
2. "Os "Velhos do Restelo" contra a West Coast da Europa", de Pacheco Pereira, versão publicada no "Abrupto" de um artigo saído no "Público" em 12.1.2008. A desmontagem do clima de intimidação e os ataques ao pluralismo por parte da maioria socialista e seus comentadores avençados. Comum, de resto, aos clones do actual patético PSD. É o sacrifício da política às mãos do marketing. Este texto notável vem na sequência da polémica aqui assinalada.
1. "PS, S.A.", de António Barreto, publicado no "Público" em 30.12.2007. Uma radiografia do tenebroso assalto às grandes empresas do sector público e privado pelo Partido do Governo. A fase seguinte, depois de ter tomado o aparelho do Estado. Esta ofensiva, de que o caso BCP é só o sinal mais visível, tem sido convenientemente silenciada pela dócil comunicação social.
2. "Os "Velhos do Restelo" contra a West Coast da Europa", de Pacheco Pereira, versão publicada no "Abrupto" de um artigo saído no "Público" em 12.1.2008. A desmontagem do clima de intimidação e os ataques ao pluralismo por parte da maioria socialista e seus comentadores avençados. Comum, de resto, aos clones do actual patético PSD. É o sacrifício da política às mãos do marketing. Este texto notável vem na sequência da polémica aqui assinalada.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
O João Ratão
O Ministério da Educação contratou por duas vezes o advogado João Pedroso para fazer o mesmo trabalho. No "período experimental" recebia 1 500 Euros/mês e nada apresentou em contrapartida. Na segunda fase, a "coisa" ficou pelos 20 000 Euros/mês. O Ministério diz que houve um "erro de avaliação". Enfim, são as delícias do poder rosa. Ver aqui a notícia completa. terça-feira, 17 de julho de 2007
Deram-me uma bandeira mas nem sei para quê
É conhecida a história das romagens de idosos de várias proveniências até à capital, para recompor a "moldura humana" no Altis e bater palmas a António Costa, durante o discurso triunfal. Ao que parece, as viagens foram pagas por várias Câmaras socialistas. Ora, escreve a propósito Pedro Morgado, no "Avenida Central":Reagindo ao facto de alguns dos idosos transportados até Lisboa terem dito que a viagem era paga pela Câmara, China Pereira, líder da concelhia socialista de Cabeceiras de Basto, considera que "é natural que as pessoas confundam devido à idade". Eu vou mais longe: é naturalíssimo. O que não é natural é que o PS tenha levado para o circo de Lisboa precisamente as pessoas que se confundem devido à idade, num inaceitável aproveitamento da confusão alheia.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006
O Poder e a Glória
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