Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
quarta-feira, 24 de março de 2010
O Museu


segunda-feira, 9 de março de 2009
Tábua de marés (34)
José Teixeira
Exposição patente na Galeria de Arte do TMG
De 17 de Janeiro a 8 de Março
Só para quem não sabe: José Teixeira licenciou-se em Escultura e realizou o Mestrado em Teorias da Arte na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Local onde lecciona, actualmente, a cadeira de Artes Plásticas. Como escultor expõe regularmente desde 1980, dedicando-se à medalhística a partir de 1995, disciplina onde tem vindo a ser consagrado internacionalmente. Já viveu e estudou na Guarda.
Até agora, da obra do autor só conhecia algumas esculturas, a sua intervenção no Café concerto do TMG, há dois anos, a colaboração gráfica para a revista “Boca de Incêndio” e parte das suas medalhas. Portanto, a minha expectativa em relação a esta mostra era elevada. Todavia, antes da apreciação do evento, é fundamental lançar uma advertência: esta não é uma avaliação especializada nem deverá ser entendida como tal. É uma apreciação crítica, sim, mas ancorada na sensibilidade e no despojamento possíveis de quem a expressa.
Ora, a meu ver, esta exposição enferma de um problema de concepção e de organização do espaço. O que significa isto? A mostra é constituída por quatro blocos distintos: desenhos, esculturas, instalação e uma tapeçaria instalada numa plataforma, reproduzindo um labirinto. Os primeiros estão expostos ao longo da sala. As segundas aparecem à entrada da sala principal, a maioria das quais à esquerda. Com excepção do conjunto “Passagem a” e Passagem z” encostado a cada um dos lados da parede do hall. A instalação está na sala do fundo. Por último, a tapeçaria encontra-se ao fundo da sala grande, encostada à direita. Percorrido o espaço, é notória a descontinuidade entre os vários módulos. Não se trata, claro está, do seu mérito intrínseco, mas do modo como se relacionam, do desequilíbrio criado entre as várias linguagens, da ocupação excessiva do espaço. Portanto, com este acervo, em vez de uma, justificavam-se duas intervenções: a) uma instalação composta por dois módulos distintos, em espaços contíguos, mas individualizados, num a tecelagem e no outro, mantendo-se a instalação “The road to nowhere”; b) uma outra, constituída pelas obras pictóricas e escultóricas. Porquê? Para responder, para além das razões expostas, incluiria mais duas: 1) por um lado, a tapeçaria, pelo seu magnetismo, pela sua completude e pela capacidade evidenciada em criar perspectivas ilusórias, ganharia muito em “respirar” plenamente, sem nada à volta que a perturbasse. De modo que cada um a pudesse percorrer ainda antes de a pisar. Ou ser enganado pelo seu desenho. Ou atraído pelo seu mistério, como se nele repousasse a “forma do seu destino”, nas palavras de Borges, citadas na folha de sala; 2) por outro lado, a densidade e a verticalidade das esculturas aconselharia a uma visibilidade plena, sem objectos estranhos e sem constrangimentos. Portanto, esta exposição parece-me ser um exemplo claro onde a evidente qualidade das obras apresentadas ficou prejudicada pela sua organização e disposição. Aparte este “pormenor”, esta exposição de José Teixeira constitui um grande acontecimento artístico na cidade.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Saatchi
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Tábua de marés (18)
“Ar da Guarda”
Exposição colectiva de artistas do concelho da Guarda
Organização: CMG - NAC
Galeria do Paço da Cultura
Entre 17 de Novembro e 3 de Janeiro de 2009
Em Dezembro de 2004, era editado, pelos mesmos organizadores deste evento, um caderno colectivo intitulado "Ar Livro", contendo textos e imagens, e no qual também colaborei. Nessa publicação, num texto a propósito intitulado "Ares da Guarda", escreveu Eduardo Lourenço o seguinte: vendê-los, em casa, imitar como podíamos os eternos Davos-Platz dos outros, oferecê-los aos que sofriam do "mal" de um século em vias de urbanização acelerada, lavar-lhes os pulmões nesse ar ainda não poluído da nossa provincial "montanha mágica". (...) A Guarda não se converteu na cidade onde se vinha a ares. Mas tomou consciência, e a tradição dura até hoje, que os seus "ares" eram, para quem os procurava, uma aposta de vida. Precisamente: encarar, em grande medida, a Guarda como um destino espiritual, uma finisterra purificadora. Sendo o bem mais precioso - o ar – o elemento central deste conceito. E onde os objectivos imediatos, associados às virtudes desse elemento – terapêuticos, turísticos, desportivos, científicos, a ausência de ácaros, segundo me disseram - mais não seriam do que meios para esse objectivo último e que atrás mencionei.
A tentação de classificar o “Ar da Guarda” como marca registada já passou pela cabeça de muita gente. A representação é apelativa, diga-se de passagem. É claro que estamos em presença de um bem que não é escasso, até ver. O que significa que só metaforicamente se chegará à consciência, não tanto dos seus benefícios, pois esses conhecidos sobejamente, mas das suas aplicações, numa visão ampla de longo prazo. Aquilo a que chamaria “Ar da Guarda 2.0”. A imagem de marca para uma verdadeira aposta de vida. Acontece que, nesse sentido, a primeira acção pública e as subsequentes deveriam ter como suporte mais idóneo a arte, ou, mais propriamente, o manifesto artístico. E seria a sua força expressiva que teria que ser usada na linha da frente. E foi exactamente isso que foi feito. A propósito das excelsas virtudes terapêuticas da atmosfera guardense, lembro-me de uma acção conduzida há uns anos pelo NAC, numa das exposições da série "A Memória das coisas", e que consistia basicamente na criação e exibição de pequenos boiões contendo ar da Guarda. Com rotulagem criada para o efeito. Eis um feliz exemplo de arte pop, ao serviço de uma ideia com todas as condições para vingar. E que constitui o antecedente directo da exposição agora patente.
A primeira constatação é de que esta reúne artistas de várias gerações, sensibilidades e dimensão curricular. O que, desde já, me parece a aposta certa, em função dos resultados artísticos desejados. Começando pelo catálogo, tornou-se evidente que cumpriu o que lhe competia. De realçar a qualidade superlativa das fotografias de algumas das obras expostas, as quais francamente favorecem. Relativamente aos critérios seguidos na instalação das obras e sua interacção com o espaço, notei algumas falhas. A mais grave tem a ver com a arrumação das três esculturas na mesma sala. Acontece que qualquer uma delas pressupõe que sejam exibidas de forma personalizada, sem elementos externos que possas perturbar o seu desfrute. Neste caso, a notável instalação de Rui Miragaia obedece a uma lógica diversa das outras obras presentes. E, sobretudo, a iluminação intermitente diminui a percepção destas. Justificava-se, portanto, a sua mostra num espaço individualizado. Por outro lado, notei uma qualidade desigual nos trabalhos expostos. E uma fidelidade também desigual de cada artista àquilo a que habituou o público. Havendo, nalguns casos, uma linha de continuidade e noutros uma ruptura. Por outro lado, se na maioria das obras (incluindo algumas criadas especialmente para a mostra) se nota a dedicação exclusiva ao tema proposto, noutras já isso não é tão claro. O que empobrece, de alguma forma, o resultado final. Por último, e como nota informal, cabe ainda destacar, pela positiva, os trabalhos de alguns dos artistas representados: Carlos Adaixo, Teresa Oliveira, Kim Prisu e, noutro registo, José Vieira, Pedro Renca e Rui Miragaia.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Um ar sem ácaros

quarta-feira, 9 de abril de 2008
A ver navios
segunda-feira, 23 de abril de 2007
UBU
(thanks Ana)