Estou agora a descobrir as potencialidades do Twitter, o novo blockbuster das redes sociais. A plataforma funciona como um alimentador de feeds, gerados entre subscritores registados. A ferramenta popularizou-se tal forma que hoje se tornou o grande acontecimento de massas da web 2.0. No entanto, ainda tenho algumas dificuldades em adaptar-me a uma novilíngua instantânea, limitada a 140 caracteres, onde o narcisismo se torna mais visível do que na blogosfera. No fundo, o Twitter é a versão geek dos diários e cadernos de notas que muitos de nós já manteve durante periodos da sua vida. Só que, se antes o destino era a gaveta, agora são comunicados em tempo real e potencialmente globalizados. Uma situação próxima da "Zona de Autonomia Temporária", do visionário Hakim Bey. Ou seja, uma estrutura comunicacional aberta, alternativa e horizontal, suporte da Rede. Mas há que ter algum cuidado. Há quem confunda o Twitter com o Hi5 ou com um chat. Por isso mesmo, há que ter um certo cuidado nos links que se cruzam. No entanto, continuo a pensar que esta plataforma, se pode fomentar a troca e o enlace de afinidades, não substitui a comoção de uma paisagem ou de um gesto, do que é indizível por natureza.
Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.
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domingo, 1 de março de 2009
sábado, 4 de fevereiro de 2006
A Zona de Autonomia Temporária
Temporary Autonomous Zone é o título de uma obra saída nos Estados Unidos em 1991, assinada por Hakim Bey. (existe edição portuguesa, sob o título “Zona Autónoma Provisória”, Discórdia edições, Braga, 1999). Um nome a fixar, este guru nómada da contracultura ligada à utilização as novas tecnologias.
A sigla TAZ ilustra, por sua vez, a nova orientação do pensamento libertário americano dos últimos 50 anos. Bey rejeita as utopias dos enclaves autárquicos, sustentando “comunidades intencionais”, à maneira de Fourrier e Owen, como desconfia de um tipo de determinismo baseado na ruptura histórica – Bakounine e Babeuf. Posiciona-se, ao invés, naquilo a que chama de anarquismo ontológico - um conceito tirado a ferros do aristocratismo radical de Nietzsche – a base para uma proliferação descentralizada de experiências sociais. A economia de informação que sustenta esta diversidade é a Rede; os enclaves são Ilhas na Rede. Como? Através do uso de uma estrutura aberta, alternativa e horizontal, de troca de informações e de afectos, graças ao amplexo de mini-sociedades nómadas de utilizadores invisíveis: a rede, isto é a web. É aqui que ele julga possível aquilo a que chamou as utopias piratas, em homenagem às redes de informação criadas pelos vagabundos do mar e corsários dos séculos XVII XVIII. Mas explica Bey que Rede, Teia e Contra-Rede são partes do mesmo complexo, do mesmo padrão — as suas fronteiras intersectam-se muitas vezes. Estas palavras não definem áreas, sugerem tendências.
Mas a Teia não é um fim em si, é uma arma: a tecnologia moderna transforma este género de autonomia num sonho romântico. No futuro, esta mesma tecnologia, liberta de todo o controlo político, poderia tornar possível todo um mundo de zonas autónomas. Por enquanto este conceito não é mais que ficção científica, especulação pura. Estaremos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca passear numa terra governada apenas pela liberdade, nem que seja por momentos? Estaremos limitados apenas a nostalgias do passado ou do futuro?
Mas é precisamente a deriva mercantilista da web, aliada ao bem-pensante triunfalismo tecnológico que fazem desta autonomia, uma realidade puramente transitória, mas não a existência em rede dos “enclaves livres”: o aparelho de Controlo, o “Estado”, deve continuar a deliquescer e a petrificar-se em simultâneo, deve continuar na presente rota, em que uma rigidez histérica serve só para mascarar uma vacuidade, um abismo de poder. À medida que o poder “desaparece”, a nossa vontade de poder deve ser o desaparecimento.
A sigla TAZ ilustra, por sua vez, a nova orientação do pensamento libertário americano dos últimos 50 anos. Bey rejeita as utopias dos enclaves autárquicos, sustentando “comunidades intencionais”, à maneira de Fourrier e Owen, como desconfia de um tipo de determinismo baseado na ruptura histórica – Bakounine e Babeuf. Posiciona-se, ao invés, naquilo a que chama de anarquismo ontológico - um conceito tirado a ferros do aristocratismo radical de Nietzsche – a base para uma proliferação descentralizada de experiências sociais. A economia de informação que sustenta esta diversidade é a Rede; os enclaves são Ilhas na Rede. Como? Através do uso de uma estrutura aberta, alternativa e horizontal, de troca de informações e de afectos, graças ao amplexo de mini-sociedades nómadas de utilizadores invisíveis: a rede, isto é a web. É aqui que ele julga possível aquilo a que chamou as utopias piratas, em homenagem às redes de informação criadas pelos vagabundos do mar e corsários dos séculos XVII XVIII. Mas explica Bey que Rede, Teia e Contra-Rede são partes do mesmo complexo, do mesmo padrão — as suas fronteiras intersectam-se muitas vezes. Estas palavras não definem áreas, sugerem tendências.
Mas a Teia não é um fim em si, é uma arma: a tecnologia moderna transforma este género de autonomia num sonho romântico. No futuro, esta mesma tecnologia, liberta de todo o controlo político, poderia tornar possível todo um mundo de zonas autónomas. Por enquanto este conceito não é mais que ficção científica, especulação pura. Estaremos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca passear numa terra governada apenas pela liberdade, nem que seja por momentos? Estaremos limitados apenas a nostalgias do passado ou do futuro?
Mas é precisamente a deriva mercantilista da web, aliada ao bem-pensante triunfalismo tecnológico que fazem desta autonomia, uma realidade puramente transitória, mas não a existência em rede dos “enclaves livres”: o aparelho de Controlo, o “Estado”, deve continuar a deliquescer e a petrificar-se em simultâneo, deve continuar na presente rota, em que uma rigidez histérica serve só para mascarar uma vacuidade, um abismo de poder. À medida que o poder “desaparece”, a nossa vontade de poder deve ser o desaparecimento.
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