Afinal, a campanha desencadeada pela opinião pública e meios especializados contra a famigerada TLEBS surtiu efeito. Segundo o "Público", o Ministério da Educação anunciou que irá emitir uma Portaria que suspende a aplicação da terminologia . Mas com efeitos só no próximo ano lectivo. Entretanto, quer o alunos quer os professores envolvidos no processo ficarão a saber que estão a ensinar e a aprender algo que para o ano que vem será outra coisa. Acreditam? Mas o assunto não se esgota aqui. Um dos membros designados para a recém-criada comissão de revisão tem interesse directo na actual terminologia. A promiscuidade é a palavra de ordem em todo este processo. Os contornos desta história são contados no "Da Literatura".
Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.
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sábado, 27 de janeiro de 2007
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Abaixo-assinado para a suspensão da TLEBS
Essa aberração burocrática que se convencionou designar TLEBS continua a suscitar a repulsa de vastos sectores ligados à cultura e ao ensino. É verdade, neste momento já está e ser ministrada em doses suaves em várias escolas-piloto. Por outro lado, soube agora, através do Tomar Partido, que esta terminologia deve-se a uma medida do Governo anterior, graças à Portaria 1488/2004, da ministra Maria do Carmo Seabra.
O movimento de contestação, para além da agitação na blogosfera e nas colunas de opinião dos jornais, traduziu-se em vários abaixo-assinados. Um deles está disponível neste endereço, e que deverá ser enviado por correio electrónico para tlebs.300@gmail.com. Um outro, alojado no ipetition, pode ser acedido aqui. Nele estão contidas, de forma clara, as razão para a rejeição da medida. Espalhem a notícia.
O movimento de contestação, para além da agitação na blogosfera e nas colunas de opinião dos jornais, traduziu-se em vários abaixo-assinados. Um deles está disponível neste endereço, e que deverá ser enviado por correio electrónico para tlebs.300@gmail.com. Um outro, alojado no ipetition, pode ser acedido aqui. Nele estão contidas, de forma clara, as razão para a rejeição da medida. Espalhem a notícia.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Vá, meninos, ou se portam bem ou chamo a TLEBS
Lembram-se daquela coisa que dá pelo nome de Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, criada por excelsos linguistas, inimigos da literatura e da língua como um corpus vivo, em permanente mutação? Pois bem, a coisa está para durar, até ser esquecida - espero - numa qualquer gaveta de uma repartição obscura do Ministério da Educação. Algumas figuras bem conhecidas do mundo literário - de que EPC é exemplo - já denunciaram esta fúria sistematizadora e cega à língua portuguesa. Os autores, como seria de esperar, reagiram enquanto casta iluminada. Faltava pois um estudo demolidor, escrito por quem sabe. Encontrei-o, assinado por João Andrade Peres, Linguista e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Por favor leiam-no.
terça-feira, 14 de novembro de 2006
Perlocutório? Vai tu...
Ficámos a saber como os burocratas do Ministério da Educação pretendem reconfigurar o ensino da língua portuguesa nas escolas e, quiçá, combater o insucesso escolar. O "plano" dá pelo nome de Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário. Sobre esta pomposa inutilidade, é imprescindível ler o artigo de Helena Matos saído no "Público" de sábado, de que transcrevo alguns excertos e que poderá aqui ser lido na íntegra:
"O monstro chama-se TLEBS. Para memória futura convém defini-lo desde já como o maior contributo dado por Portugal para a iliteracia das gerações futuras. (...)Tendo em conta o que sei até agora sobre a TLEBS é natural que registe com agrado o facto de algumas escolas terem encerrado graças à greve dos trabalhadores da função pública. Pior do que uma aula não dada é uma aula onde se ensine isto. Há décadas que os portugueses assistem com um fatalismo inamovível à degradação do ensino em nome da pedagogia, do progresso, do sucesso... Tivemos de tudo e para todos os gostos. A mania dos trabalhos de grupo que todos sabiam ser feitos apenas pelas raparigas do dito grupo; a ideia do ensino lúdico que levou a que desde as contas de dividir até Platão tudo tivesse de ser divertido. No caso do Português de mania em mania fabricaram-se gerações de analfabetos. Adolescentes afogados em livros e jogos didácticos lêem a gaguejar e expressam-se com mais dificuldade do que os seus pais e avós que apenas fizeram a escola primária. Esta espécie de cidadãos semi-analfabetos que concluíram o 9º ano não sofre de insucesso escolar. Antes pelo contrário estes adolescentes são o resultado do sucesso das sucessivas modas pedagógicas que têm estado subjacentes à concepção dos programas e neste caso particular sobretudo dos programas de Português.A TLEBS arrisca-se a repetir no início século XXI o mesmo desastroso processo protagonizado pelas 'árvores' nos anos 80 e ambos os desastres partem do mesmo erro: o de confundir as aulas dos ensinos básico e secundário de português com um curso abreviado de linguística. Aliás um dos aspectos mais perturbantes de toda a concepção das aulas de Português subjacente à TLEBS é que ela sobrevaloriza a fala, a oralidade em detrimento do texto e da Literatura. Primeiro arreigou-se nos espíritos a convicção de que os alunos não se sentiam estimulados com textos literários antigos. Posteriormente já nem os escritores modernos serviam. Os textos literários foram dando lugar a prosas actuais de jornalistas. Por fim nem esses. Seguiram-se-lhes os regulamentos dos concursos televisivos... Com a TLEBS e este império da linguística os alunos vão acabar a analisar os actos de fala da conferência de imprensa da véspera ou da conversa do autocarro. Contudo ninguém perceberá a conferência de imprensa da véspera se não tiver lido autores como o Padre António Vieira. E qualquer conversa em português ganha outro brilho quando se leu Eça.Dentro de alguns anos os manuais escolares contendo as definições da TLEBS sobre as máximas conversacionais e os actos locutórios, perlocutórios e ilocutórios farão sorrir quem os abrir. Tal como hoje acontece com os manuais em que frases devidamente escolhidas eram esquartejadas com setinhas e rectângulos de modo a ilustrarem a florestal visão chomskyana da língua. Como sou empedernidamente optimista sou levada a crer que algo impedirá mais este desastre devidamente anunciado."
PS: alguns exemplos do catálogo: palavra lexicalizada; expressão sintática lexicalizada; composto morfo-sintático subordinado; composto morfo-sintático (estrutura de reanálise); composto morfológico coordenado; origem deôntica; alvo deôntico; sujeito nulo expletivo; complementos proposicionais e adverbiais; modificadores preposicionais e adverbiais do grupo verbal; modificadores adverbiais da frase.
Não, não é literatura dos fármacos. Nem esperanto. Querem que repita?
"O monstro chama-se TLEBS. Para memória futura convém defini-lo desde já como o maior contributo dado por Portugal para a iliteracia das gerações futuras. (...)Tendo em conta o que sei até agora sobre a TLEBS é natural que registe com agrado o facto de algumas escolas terem encerrado graças à greve dos trabalhadores da função pública. Pior do que uma aula não dada é uma aula onde se ensine isto. Há décadas que os portugueses assistem com um fatalismo inamovível à degradação do ensino em nome da pedagogia, do progresso, do sucesso... Tivemos de tudo e para todos os gostos. A mania dos trabalhos de grupo que todos sabiam ser feitos apenas pelas raparigas do dito grupo; a ideia do ensino lúdico que levou a que desde as contas de dividir até Platão tudo tivesse de ser divertido. No caso do Português de mania em mania fabricaram-se gerações de analfabetos. Adolescentes afogados em livros e jogos didácticos lêem a gaguejar e expressam-se com mais dificuldade do que os seus pais e avós que apenas fizeram a escola primária. Esta espécie de cidadãos semi-analfabetos que concluíram o 9º ano não sofre de insucesso escolar. Antes pelo contrário estes adolescentes são o resultado do sucesso das sucessivas modas pedagógicas que têm estado subjacentes à concepção dos programas e neste caso particular sobretudo dos programas de Português.A TLEBS arrisca-se a repetir no início século XXI o mesmo desastroso processo protagonizado pelas 'árvores' nos anos 80 e ambos os desastres partem do mesmo erro: o de confundir as aulas dos ensinos básico e secundário de português com um curso abreviado de linguística. Aliás um dos aspectos mais perturbantes de toda a concepção das aulas de Português subjacente à TLEBS é que ela sobrevaloriza a fala, a oralidade em detrimento do texto e da Literatura. Primeiro arreigou-se nos espíritos a convicção de que os alunos não se sentiam estimulados com textos literários antigos. Posteriormente já nem os escritores modernos serviam. Os textos literários foram dando lugar a prosas actuais de jornalistas. Por fim nem esses. Seguiram-se-lhes os regulamentos dos concursos televisivos... Com a TLEBS e este império da linguística os alunos vão acabar a analisar os actos de fala da conferência de imprensa da véspera ou da conversa do autocarro. Contudo ninguém perceberá a conferência de imprensa da véspera se não tiver lido autores como o Padre António Vieira. E qualquer conversa em português ganha outro brilho quando se leu Eça.Dentro de alguns anos os manuais escolares contendo as definições da TLEBS sobre as máximas conversacionais e os actos locutórios, perlocutórios e ilocutórios farão sorrir quem os abrir. Tal como hoje acontece com os manuais em que frases devidamente escolhidas eram esquartejadas com setinhas e rectângulos de modo a ilustrarem a florestal visão chomskyana da língua. Como sou empedernidamente optimista sou levada a crer que algo impedirá mais este desastre devidamente anunciado."
PS: alguns exemplos do catálogo: palavra lexicalizada; expressão sintática lexicalizada; composto morfo-sintático subordinado; composto morfo-sintático (estrutura de reanálise); composto morfológico coordenado; origem deôntica; alvo deôntico; sujeito nulo expletivo; complementos proposicionais e adverbiais; modificadores preposicionais e adverbiais do grupo verbal; modificadores adverbiais da frase.
Não, não é literatura dos fármacos. Nem esperanto. Querem que repita?
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