sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Os Magalhães afinal são 100% tugas
Um grande momento de humor de "Os Contemporâneos", agora às quintas.
O gabinete sombra
Ontem à noite, durante uma épica noitada a cirandar pelos dois ou três bares que valem a pena na cidade, ouvi a solução perfeita para o futuro do país. Até pedi para me repetirem a fórmula, tal a sua simplicidade e eficácia. Seria então assim. Para governar o nosso país, a comissão europeia nomeava um gabinete de gestão, com poderes legislativo e executivo, embora com perfil think tank, constituído por profissionais de topo (economistas, gestores, técnicos, académicos), oriundos de outros países da União Europeia. Nenhum desses elementos poderia ter interesses ou familiares até ao 5º grau no nosso país, condição essencial para evitar as tentações que bem se conhecem. Essa era a ideia. À qual acrescento agora o seguinte: que esse gabinete teria um mandato com a duração de 5 anos e responderia, directa e exclusivamente, perante Bruxelas; a Constituição seria suspensa, na parte relativa à organização do poder político; seriam suprimidos o Presidente da República, o Governo, os governos regionais e os órgãos autárquicos; o parlamento manter-se-ia em funções, mas somente como órgão consultivo.; os partidos políticos seriam dissolvidos e os seus dirigentes fariam serviço cívico algures em teatros de guerra à sua escolha; grande parte dos autarcas trabalhariam compulsivamente, como trolhas, num estaleiro à sua escolha, durante dois anos. Estou convencido que só desta forma expedita Portugal se tornaria um país competitivo, igualitário e realmente desenvolvido. Tudo o resto são papas e bolos para enganar os tolos.
U qui diz mulelo
"Sabes que mais, és um bluff!!!" Pensava eu que esta sentença muito pouco salomónica tinha sido a radiografia mais cruel que me trespassou a alma. Aconteceu num taxi rumo à Venda Nova, depois de uma noitada oscilante no Bairro Alto. O putativo bluff era eu, como já devem ter percebido. A sibila de serviço chamava-se... pois... era... assim como... pronto, ora bem, já sei... tinha entabulado cumbersa (esta saiu bem) com ela à saída do Esteves, após uma breve passagem pelo bar das primas. Pois o "purblema" é que eu não era o Bukovski, mas um simples aprendiz. Queria uns poemas a dar para o sórdido, mas não me saía o Rilke da cabeça. O resultado é conhecido e muitos quebrantos (quebrantos significa bater repetidamente com a cabeça na parede, ou não?) me causou na semana seguinte. Lia repetidamente o "Poema em linha recta" e sentia-me no meio dele. Até me deu na moina criar uma oração, arrojar-me na igreja mais próxima e despejar: "Meu Deus, tende piedade de mim, sou um bluff!". À última da hora, lá poupei o Criador a estas minudências e não me desloquei a nenhum templo. Lá mais para diante, a coisa passou, com uma Páscoa divertida no Alentejo, também ia uma holandesa e tal. Mas eis que, passados uns bons anos, em vez de tiros de morteiro recebi balas de canhão. Sob a forma de apreciações avulsas sobre a minha pessoa, embrulhadas em papel custaneira e atiradas aos meus pezinhos descalços. E sabem onde? Nalguns comentários chegados a este blogue, pois então! A partir deste momento, e pela primeira vez neste espaço, o que se segue não é recomendado a crianças e pessoas sensíveis (claro que ninguém, mas mesmo ninguém, diz para si próprio nestas alturas: "ai, eu sou uma pessoa sensível, espirro com facilidade, portanto, não vou ler mais"). Meus amigos, chegámos então ao ponto sem recuo. Pronto, vou despachar isto e dizer o que me chamaram esses, esses sacri, sacri pantas amónimos, ou anóninos, ou lá o que é: "invejoso", "plagiador dos títulos do luiz pacheco", "sem coluna vertebral", "asno", "lampião cabrão", "iconoclasta", "mais um no rebanho, afinal" (o "afinal" foi um murro no estômago), " intelectual" (esta doeu!), "palhaço", "o que tu querias era ter um blogue como o do...", "ignorante", "rancoroso", "lambe-botas", "monte de merda",(ughhh!), "elitista", "esse post foi autorizado pelo...?", (não era o Papa, posso assegurar!), "eu só não o insulto, seu...seu..., porque...", "só cá faltava este caga na saquinha", "papagaio", e muito muito mais... Como devem imaginar, muito alento me têm dado tamanhas manifestações de carinho. Bués, mesmo. Vejam lá que até me fizeram acreditar que, afinal, não sou um bluff...
Mais festinhas:
20.09 - «membro da "trupe de pseudo-intelecto-blogers-lectuais"» (já sou um peseudo, já sou um peseudo, lalalalala la!)
Mais festinhas:
20.09 - «membro da "trupe de pseudo-intelecto-blogers-lectuais"» (já sou um peseudo, já sou um peseudo, lalalalala la!)
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Pastelaria marginal

Recebi do grupo "Margem d'Arte" um amável convite para estar presente neste notável acontecimento. Patrocinado, comme il faut, por Cesariny e o seu poema "Pastelaria". Diz-se na convocatória: "Face à grave política nacional no que diz respeito ao horário de fecho dos bares, decidimos não retaliar e, ao invés, acelerar as recentes medidas governamentais. Esta antecipação passará por transformar um majestoso bar de jazz com cerca de 30 anos e transformá-lo, do dia para a noite, numa fabulosa pastelaria.
Haverá bolos para todos os gostos: compridos, curtos, altos, baixos, assim-assim, redondos, octogonais, rectangulares, com creme e sem creme, com folhas e sem folhas, etc." Repare-se que só pelo etc eu já iria a qualquer lado. Sem o etc espero lá estar caído à mesma.
Haverá bolos para todos os gostos: compridos, curtos, altos, baixos, assim-assim, redondos, octogonais, rectangulares, com creme e sem creme, com folhas e sem folhas, etc." Repare-se que só pelo etc eu já iria a qualquer lado. Sem o etc espero lá estar caído à mesma.
Dia 19 de Setembro, pelas 24:00, no Manel Bar, Praia de Santa Cruz, Torres Vedras
Uma voz na pedra
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A impostura
Ontem à noite, passou no Pequeno Auditório do TMG o documentário Loose Change (2ª edição, 2007), de Dylan Avery. Trata-se de uma versão depurada da primeira, mas retomando a visão revisionista dos acontecimentos do 11 de Setembro. Num registo muito em voga, tributário do blockbuster "Código da Vinci": mistério, conspiração, ocultação de provas, a História como branqueamento da ficção e vice-versa, etc. As "provas" apresentadas na primeira versão foram naturalmente consideradas falsas, por investigadores independentes, meios de comunicação e pelas vozes mais representativas da comunidade científica. Basicamente, neste filme Avery pretende fazer vingar a ideia de que, afinal, os atentados foram obra do próprio governo americano. Com uns efeitos especiais dignos da melhor ficção científica. Já agora, relendo os Protocolos do Sião, porque não considerar que os culpados foram os judeus, ou o estrangulador de Kiev, ou uma seita milenarista, ou até mesmo o professor Pardal? Esta demência conspirativa fez escola. Mas será explicável unicamente pelo tédio civilizacional? Pelo anti-americanismo enquanto último reduto da esquerda relativista? Pela cobardia exemplificada no caso dos cartoons dinamarqueses, da estreia gorada de uma encenação do Idomeneo de Mozart, na Alemanha, na retirada de um quadro de Lucas Cranach do metro de Londres? Onde pretendem chegar impostores como Avery? Ganhar dinheiro com as vítimas? Ou essas também são invenção? Vendo bem, não tardará a aparecer uma terceira edição deste embuste. Provando, por A+B, que os atentados de Londres e de Madrid também foram organizados pelos respectivos governos. Verdadeiros agenciadores do terror. Haja vergonha e um mínimo de respeito pelas vítimas!
PS: Após o filme seguiu-se um debate que, imagino, deve ter sido profícuo, mas que lamento ter perdido. Graças a uma irritante inflamação no pé esquerdo, a qual me tem retido em casa desde domingo, não havendo razão para requisitar uma cadeira de rodas.
PS: Após o filme seguiu-se um debate que, imagino, deve ter sido profícuo, mas que lamento ter perdido. Graças a uma irritante inflamação no pé esquerdo, a qual me tem retido em casa desde domingo, não havendo razão para requisitar uma cadeira de rodas.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Boas notícias
Eis alguns exemplos de histórias com final de princípio feliz. Verdade verdadinha:
1. O Manuel foi colocado algures no Estoril. Bolasss!
2. O Américo deu a conhecer à Guarda as suas gotas de auto-estima-te. Não é água benta, mas uma espécie de sertralina auto-insuflável que a cidade deverá consumir em abundância. Pois não se esperam milagres, a não ser que...
3. O Sérgio descobriu mais um entusiástico momento Chavez.
4. Experimentei o sensacional Spice Gold e em verdade vos digo, meus irmãos: é de estalo!
1. O Manuel foi colocado algures no Estoril. Bolasss!
2. O Américo deu a conhecer à Guarda as suas gotas de auto-estima-te. Não é água benta, mas uma espécie de sertralina auto-insuflável que a cidade deverá consumir em abundância. Pois não se esperam milagres, a não ser que...
3. O Sérgio descobriu mais um entusiástico momento Chavez.
4. Experimentei o sensacional Spice Gold e em verdade vos digo, meus irmãos: é de estalo!
Oliveirinhas strike again
O canal codificado Sport TV, chefiado pelo irmão do futuro presidente do FCP, é conhecido, entre outros motivos, pela forma tendenciosa como relata os jogos em que o Benfica participa. Caiu muito mal nesta estação a recente criação do canal Benfica e a não renovação do contrato em que o clube cede os seus direitos de transmissão. Pois a Sport TV acaba de cometer dois deslizes fatais. O primeiro foi a forma tendenciosa como transmitiu o último clássico da Luz. Basta recordar que repetiu dez vezes o lance da agressão de Luisão e esqueceu um outro em que o mercenário Rodriguez pontapeia Nuno Gomes. O segundo, um gesto de pura garotice, foi a eliminação de qualquer referência à transmissão do jogo Nápoles-Benfica na grelha de programação da Sport TV2. Apesar de, no horário correspondente, aparecer a referência FUTEBOL - UEFA (TAÇA UEFA) - DIRECTO, sem mais nada. O gesto, para além de dissipar as dúvidas acerca da orientação desta estação, revela uma estupidez sem limites, indispondo definitivamente contra ela os adeptos benfiquistas e quem exige isenção aos media.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Didgeridoo
"A sonoridade de Olivetreedance é uma experiência por si só. A espantosa dinâmica percussiva a acompanhar os exóticos sons do didgeridoo torna este espectáculo musical diferente de qualquer outro." Ver aqui mais informação sobre este grupo portuense, em especial o último trabalho, homónimo.- Quarta-feira, 17,pelas 22.00h, no Café-concerto do Teatro Viriato
- Sexta-feira, 19, Bar Fantasia - Aldeia do Catarredor, serra da Lousã
O kit
Antecipando as eleições regionais, o Governo Regional dos Açores promoveu a distribuição de um "Kit autonómico", cujo conteúdo é aqui descrito com algum detalhe. A designação do Kit é certeira e brilhante, há que confessar. Mas pode também mascarar o nome real do produto, na perspectiva do poder em funções: "kit de sobrevivência". Começo a pensar que, distraídos com o "circo Jardim", temos andado iludidos acerca do que se passa do arquipélago mais a norte. E que Cavaco tomará a atitude certa se vetar de novo o estatuto autonómico. Posição esta que o insuspeito Vital Moreira legitima.
O regresso do emplastro
Este homem continua com actividade declarada nas finanças como político no activo. Deveria haver, em certos casos, um encerramento compulsivo aplicado a certos contribuintes em situação de relaxe. A ambiguidade semântica do termo é notável. O que permite, neste caso, equiparar a ausência de animus solvendi a um impertinente animus nocendi. Ou seja, a flagrante intenção de não pagar, de não assumir responsabilidades, seguindo o seu curso, aparecendo engalanada com propósitos punitivos, retaliadores. O homem tem mau carácter. Ponto. Tem a subtileza de um elefante numa loja de porcelanas. Na diplomacia ficou-se pela canhoeira. No fair play ficou-se pela magnanimidade de um hooligan. O homem tem também pesadelos frequentes. O mais possante é o do pavor de ser apagado da história. Aqui em algoritmo sequencial. O homem é do pior que já houve na vida pública em Portugal. Retirar-lhe o microfone é uma condição de elementar salubridade. Depois da queda, esperou sempre por uma vaga de fundo. Que nunca existiu. Com excepção de alguns amigos do peito, clones e clientelas autarquicas. Ao fim ao cabo, o seu habitat natural. De resto, no PSD a memória é mais curta do que é habitual. E mais implacável. O que significa que nunca haverá graça para quem caiu em desgraça. Este homem poderia até fazer germinar alguma dignidade, reduzindo-se ao limbo da sua insignificância. Mas o low profile e a ausência de números circenses da sua sucessora exasperam-no, para além de qualquer descrição. A juntar, a inglória queda da ribalta só amplificou, desmesuradamente e sem a mediação dos spin doctors, a verdade da sua natureza. É triste. Mas verdadeiro. Os plumitivos agradecem.A nova web

Em 10 de Outubro, irá realizar-se, na Universidade do Minho, um Encontro sobre Web 2.0. Uma realidade que, como se diz na apresentação, "veio alterar o modo de publicação online, de construção de redes sociais e de social bookmarking, com repercussões na vida pessoal, na comunicação social, nas empresas e na educação." No programa estão previstas uma série de conferências e vários workshops, versando sobre as ferramentas mais representativas deste universo, dos blogues ao You Tube, do Podcast ao Second Life. Se tudo correr bem, lá estarei.
Aquele f..... mês de agosto
Este Verão fui convidado para apresentar uma mão cheia de concertos em vários palcos, de norte a sul do país. Ia a dizer de leste a oeste, mas como se sabe, a medida da longitude é posterior à da latitude. Só foi determinada com exactidão em finais do séc. XVIII. O que causou muitos amargos de boca aos mareantes de antanho. Como se já não bastasse o escorbuto. Pronto, sei que esta foi de mau gosto, mas prometo que não repetirei. Assim, de Norte a Sul sempre transmite aquele à vontade e aquela vastidão de horizontes de que tanto gosto. Eles bem insistiram para que tocasse em público. "Eles" quer dizer: "Festival da Terra Queimada", na zona do pinhal; festival "Vala Comum", com música gótica e um suicídio colectivo no final, tudo incluído na EP; festival cerveja "Foster's", com direito a um boomerang e um kit de aulas de natação; festival "Novas Pautas, Novos Sentidos", uma coisa mais intelectual, com alguns coleccionadores infiltrados, estando prevista no programa a apresentação de vários músicos experimentais, um deles especializado na percussão de panelas de pressão com um polvo lá dentro e tampas de sanita a abrir e a fechar. Só que, apesar dos incontidos derrames lacrimais das legiões de fãs, não pude dar-lhes música. A razão deu-se numa bela tarde deste Verão. Tolhido num cadeirão de praia por causa de um entorse no pé esquerdo (já estou bom, obrigadinho), tive uma iluminação. Uma figura celestial chegou-se (primeiro pensava que era uma enfermeira com o anti-inflamatório) e assim falou: "ó ímpio tocador de instrumentos electrónicos, que com eles conspurcas os santos mandamentos, e que tal mudares de musiqueta? Não estás farto desses solos intermináveis, com um cheirinho dub, essas paisagens demoníacas do chill (não é o dos nitratos, ó anormal)? Arroja-te ao chão e pede perdão por tais blasfémias." E assim fiz. Seguiu-se um período de reconversão espiritual. Meti a viola no saco. Doei os samplers a uma sociedade recreativa de Bardaquém. Sou uma pessoa nova. Posso-vos contar a minha história se me enviarem 20 euros de sinal e outro tanto por cada capítulo. Dêem-me o número do vosso cartãozinho, que depois um colega espiritual aqui ao meu lado a palitar os dentes se encarrega do resto. Mesmo assim, como muito bem sabem, posso continuar a ser aquela músico enigmático, mas prolífico, que todos conhecem. Até vos posso mostrar o meu curriculum. O link segue a seguir. Querem ver, querem? Com fotografia, resmas de autores favoritos e uma frase assim intelectual e tal.
domingo, 14 de setembro de 2008
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Já é muito bom, mas...(2)
(ler anterior)
Ainda a propósito da abertura de uma livraria Bertrand na Guarda, até ao final deste ano, ocorrem-me algumas reflexões complementares.
1. Começando pelos antecedentes. Nos anos 80 e princípios de 90, salvo erro, funcionou durante algum tempo uma excelente livraria nesta cidade, na Rua Mestre de Avis. Implantada num espaço lindíssimo, dispunha, para além dos blockbusters, de um fundo bibliográfico notável. Estando representadas, em abundância, as chamadas editoras marginais. O projecto, único na Guarda, acabou por soçobrar. Neste momento, existem dois locais na cidade onde se poderão adquirir livros, para além do Modelo: a papelaria Guarda Conta e o prestimoso estabelecimento que, durante tanto tempo, foi ponto de referência para quem lia: a papelaria do Sr. Felisberto. E é tudo.
2. Por outro lado, será que alguma entidade residente, pública ou privada, se deu ao trabalho de elaborar um estudo estatístico acerca dos hábitos de leitura da população residente? A Câmara Municipal não tem especialistas e sociólogos em abundância? Se as sumidades andam ocupadas, porque não encomendar esse estudo a uma empresa? E a Biblioteca Municipal? Não deveria, neste ponto, assumir as suas responsabilidades, em vez de se comportar como um simples departamento onde o que não interessa é levantar ondas? Ora, ou muito me engano, ou esse estudo permitiria tirar conclusões surpreendentes: que existem, afinal, hábitos de leitura na Guarda; que existe um mercado para os livros; que só faltava arrumar as várias categorias que compõem a procura. Quando participei na organização da primeira feira do livro a sério na Guarda, em 2002, estive particularmente atento ao tipo de títulos vendidos. E anotei dados surpreendentes; a enorme procura de edições sobre plantas, medicinas naturais, portofólios, monografias, ensaio, crónicas reunidas de autores com alguma notoriedade por via dos media, etc.
3. Convém ainda esclarecer o óbvio, embora muitos se esqueçam: a Bertrand é uma empresa privada. Mesmo comercializando livros, não deixa de se comportar como qualquer entidade empresarial: responder à oferta e, de preferência, exponenciá-la, ganhando com isso. Não se espera que tome a seu cargo aquilo que pertence às atribuições típicas de determinadas instituições públicas, no âmbito educativo e autárquico. Para concluir, apetece-me dizer que a Guarda não é Hay on Wye *. Mas podia, no mínimo, aspirar sê-lo. Aceitam-se contributos.
* vila no País de Gales, conhecida por ser o maior centro de livros usados e albergar a maior concentração de alfarrabistas do planeta. É igualmente famosa pelo seu festival literário anual, que congrega autores e público provenientes das mais variadas origens.
Ainda a propósito da abertura de uma livraria Bertrand na Guarda, até ao final deste ano, ocorrem-me algumas reflexões complementares.
1. Começando pelos antecedentes. Nos anos 80 e princípios de 90, salvo erro, funcionou durante algum tempo uma excelente livraria nesta cidade, na Rua Mestre de Avis. Implantada num espaço lindíssimo, dispunha, para além dos blockbusters, de um fundo bibliográfico notável. Estando representadas, em abundância, as chamadas editoras marginais. O projecto, único na Guarda, acabou por soçobrar. Neste momento, existem dois locais na cidade onde se poderão adquirir livros, para além do Modelo: a papelaria Guarda Conta e o prestimoso estabelecimento que, durante tanto tempo, foi ponto de referência para quem lia: a papelaria do Sr. Felisberto. E é tudo.
2. Por outro lado, será que alguma entidade residente, pública ou privada, se deu ao trabalho de elaborar um estudo estatístico acerca dos hábitos de leitura da população residente? A Câmara Municipal não tem especialistas e sociólogos em abundância? Se as sumidades andam ocupadas, porque não encomendar esse estudo a uma empresa? E a Biblioteca Municipal? Não deveria, neste ponto, assumir as suas responsabilidades, em vez de se comportar como um simples departamento onde o que não interessa é levantar ondas? Ora, ou muito me engano, ou esse estudo permitiria tirar conclusões surpreendentes: que existem, afinal, hábitos de leitura na Guarda; que existe um mercado para os livros; que só faltava arrumar as várias categorias que compõem a procura. Quando participei na organização da primeira feira do livro a sério na Guarda, em 2002, estive particularmente atento ao tipo de títulos vendidos. E anotei dados surpreendentes; a enorme procura de edições sobre plantas, medicinas naturais, portofólios, monografias, ensaio, crónicas reunidas de autores com alguma notoriedade por via dos media, etc.
3. Convém ainda esclarecer o óbvio, embora muitos se esqueçam: a Bertrand é uma empresa privada. Mesmo comercializando livros, não deixa de se comportar como qualquer entidade empresarial: responder à oferta e, de preferência, exponenciá-la, ganhando com isso. Não se espera que tome a seu cargo aquilo que pertence às atribuições típicas de determinadas instituições públicas, no âmbito educativo e autárquico. Para concluir, apetece-me dizer que a Guarda não é Hay on Wye *. Mas podia, no mínimo, aspirar sê-lo. Aceitam-se contributos.
* vila no País de Gales, conhecida por ser o maior centro de livros usados e albergar a maior concentração de alfarrabistas do planeta. É igualmente famosa pelo seu festival literário anual, que congrega autores e público provenientes das mais variadas origens.
O clã
Foi finalmente desvendado um dos mais intrigantes mistérios da evolução: a origem de Paulo Bento, o irrequieto treinador da uma conhecida agremiação excursionista do Campo Grande. Aqui fica uma foto de grupo, que um email amigo me fez chegar:
Truz truz
Hoje apresentaram-me o "Aldrabas, batentes e fechaduras". Um original fotoblog sobre o tema. Que vale a pena percorrer demoradamente e não ficar à porta. Já agora, fui ver a diferença entre uma aldraba e um batente. O resultado foi este:
aldraba - do Ár. aldabba, s.f., tranqueta; trinco; ferrolho com que se fecha a porta; peça metálica para bater às portas.
batente - s. m., ranhura nas ombreiras onde as portas jogam; régua com que se guarnece a parte interior de uma meia porta e na qual bate a outra meia porta ao fechar-se; lugar onde a maré bate e se quebra;
aldraba - do Ár. aldabba, s.f., tranqueta; trinco; ferrolho com que se fecha a porta; peça metálica para bater às portas.
batente - s. m., ranhura nas ombreiras onde as portas jogam; régua com que se guarnece a parte interior de uma meia porta e na qual bate a outra meia porta ao fechar-se; lugar onde a maré bate e se quebra;
Já é muito bom, mas...
Está prevista a abertura, até afinal do ano, de uma livraria Bertrand na Guarda. O novo espaço ficará alojado no Centro Comercial Vivace, vai ter 160 m2 e disponibilizar cerca de 25 mil títulos em permanência.
Até agora, só tenho lido comentários entusiásticos sobre a notícia. Aqui e aqui, por exemplo. Embora compreenda a euforia que deles transpira, falta ainda falar do resto. E o resto é de tal forma vasto que não permite, sem mais nem menos, um alinhamento pelo coro entusiástico que tem acompanhado a boa nova. E porquê? Creio que a simples abertura da livraria não é, de todo, a panaceia universal para o acesso aos livros e para a dinamização da leitura na Guarda. É uma notícia reconfortante, mas só isso. Será pela simples acção da oferta que a procura irá aumentar? E que tipo de procura? A abertura de uma livraria na Guarda tem um impacto maior do que noutros locais, precisamente porque é a única. Mas os resultados concretos no terreno são comuns às outras. Sobretudo quando falta o principal. Ou seja: há um ano que não existe uma biblioteca pública na cidade; não se sabe ainda quando será inaugurada a futura Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. Por outro lado, o estabelecimento será simplesmente um local de venda de livros, ou terá algo mais que faça a diferença, que crie hábitos, que fixe consumidores, que proporcione algum debate público: lançamentos, presença de autores, tertúlias literárias organizadas, etc.? Quanto à localização, não ficaria muito melhor na Rua do Comércio, um espaço nobre por excelência, onde um estabelecimento deste tipo é essencial para fixar o público, em complementaridade com outro tipo de comércio, tradicional, por exemplo? Será que se podem responsabilizar os cidadãos da Guarda, como já vi, pela não existência de um espaço livreiro em exclusivo? Obviamente que não. Aqui, as responsabilidades pela omissão vão todas para a autarquia, que pouco tem feito para convencer um grupo privado a que aqui instale uma livraria, pois a interioridade e a desertificação assustam os investidores do sector mais distraídos.
O que vai trazer de novo a Bertrand? Muito pouco. Graças às razões expostas. Mas também porque, quanto à variedade, pelo que tenho visto no estabelecimento congénere do Serra Shopping, na Covilhã, os títulos disponíveis de imediato são pouco mais do que os de um escaparate de uma grande superfície. Os preços proibitivos dos livros também não ajudam. Pelo que a alternativa das encomendas via internet continua a ser muito apetecível: pela imensa variedade, pela facilidade, pelo preço. Se uma livraria se quiser afirmar na Guarda tem que ser muito mais do que um armazém de livros. Mesmo pertencendo ao sector privado. Seria interessante estabelecer uma comparação entre os índices de leitura antes e depois da abertura da livraria. Eu não estaria muito optimista. (continuação)
Até agora, só tenho lido comentários entusiásticos sobre a notícia. Aqui e aqui, por exemplo. Embora compreenda a euforia que deles transpira, falta ainda falar do resto. E o resto é de tal forma vasto que não permite, sem mais nem menos, um alinhamento pelo coro entusiástico que tem acompanhado a boa nova. E porquê? Creio que a simples abertura da livraria não é, de todo, a panaceia universal para o acesso aos livros e para a dinamização da leitura na Guarda. É uma notícia reconfortante, mas só isso. Será pela simples acção da oferta que a procura irá aumentar? E que tipo de procura? A abertura de uma livraria na Guarda tem um impacto maior do que noutros locais, precisamente porque é a única. Mas os resultados concretos no terreno são comuns às outras. Sobretudo quando falta o principal. Ou seja: há um ano que não existe uma biblioteca pública na cidade; não se sabe ainda quando será inaugurada a futura Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. Por outro lado, o estabelecimento será simplesmente um local de venda de livros, ou terá algo mais que faça a diferença, que crie hábitos, que fixe consumidores, que proporcione algum debate público: lançamentos, presença de autores, tertúlias literárias organizadas, etc.? Quanto à localização, não ficaria muito melhor na Rua do Comércio, um espaço nobre por excelência, onde um estabelecimento deste tipo é essencial para fixar o público, em complementaridade com outro tipo de comércio, tradicional, por exemplo? Será que se podem responsabilizar os cidadãos da Guarda, como já vi, pela não existência de um espaço livreiro em exclusivo? Obviamente que não. Aqui, as responsabilidades pela omissão vão todas para a autarquia, que pouco tem feito para convencer um grupo privado a que aqui instale uma livraria, pois a interioridade e a desertificação assustam os investidores do sector mais distraídos.
O que vai trazer de novo a Bertrand? Muito pouco. Graças às razões expostas. Mas também porque, quanto à variedade, pelo que tenho visto no estabelecimento congénere do Serra Shopping, na Covilhã, os títulos disponíveis de imediato são pouco mais do que os de um escaparate de uma grande superfície. Os preços proibitivos dos livros também não ajudam. Pelo que a alternativa das encomendas via internet continua a ser muito apetecível: pela imensa variedade, pela facilidade, pelo preço. Se uma livraria se quiser afirmar na Guarda tem que ser muito mais do que um armazém de livros. Mesmo pertencendo ao sector privado. Seria interessante estabelecer uma comparação entre os índices de leitura antes e depois da abertura da livraria. Eu não estaria muito optimista. (continuação)
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Abalo
Está tão próxima
a nascente
que os nossos lábios a perdem
Tão imediata é a luz
da sua água perene
que os nossos olhos se ofuscam
tão vazia e transparente
tão cúmplice do nosso espaço
que nela somos sem ver
que nela estamos sem estar
António Ramos Rosa, (in A Intacta Ferida)
Manobras de diversão
(Reedição de um texto de 4.10)
Recentemente, escrevi um post intitulado "Verão Quente" a propósito da celeuma levantada por uma crónica de Madalena Ferreira no jornal "Terras da Beira", com o título "Matou-se". Sobre o assunto, em condições normais, nada mais teria a acrescentar. Todavia, na sua crónica de 04.10 no jornal "O Interior", António Ferreira comenta este tema. A certa altura, referindo-se àquele texto, afirma que aí revelo "que o político visado é mesmo um autarca, e da Guarda, tratando-se do próprio presidente da Câmara" (sic)! Não sei que texto leu A. Ferreira, mas não foi seguramente esse, nem nenhum outro que eu tenha escrito. A conclusão é pois unicamente sua, fazendo-a passar por autoria alheia. O que, quero acreditar, tenha resultado de uma mera desatenção. Entretanto, uma semana depois, António Ferreira fez publicar, no seu espaço de opinião do mesmo jornal, uma explicação acerca do seu equívoco. O que, pela minha parte, encerra a questão em causa. Sobre a polémica de fundo, creio que está tudo dito.
Sobre o assunto, remeto para a carta aberta a António Ferreira, que Américo Rodrigues publicou no "Café Mondego". Está lá o essencial.
Recentemente, escrevi um post intitulado "Verão Quente" a propósito da celeuma levantada por uma crónica de Madalena Ferreira no jornal "Terras da Beira", com o título "Matou-se". Sobre o assunto, em condições normais, nada mais teria a acrescentar. Todavia, na sua crónica de 04.10 no jornal "O Interior", António Ferreira comenta este tema. A certa altura, referindo-se àquele texto, afirma que aí revelo "que o político visado é mesmo um autarca, e da Guarda, tratando-se do próprio presidente da Câmara" (sic)! Não sei que texto leu A. Ferreira, mas não foi seguramente esse, nem nenhum outro que eu tenha escrito. A conclusão é pois unicamente sua, fazendo-a passar por autoria alheia. O que, quero acreditar, tenha resultado de uma mera desatenção. Entretanto, uma semana depois, António Ferreira fez publicar, no seu espaço de opinião do mesmo jornal, uma explicação acerca do seu equívoco. O que, pela minha parte, encerra a questão em causa. Sobre a polémica de fundo, creio que está tudo dito.
Sobre o assunto, remeto para a carta aberta a António Ferreira, que Américo Rodrigues publicou no "Café Mondego". Está lá o essencial.
A reentrada

Está disponível, desde quinta-feira, a edição de Setembro da revista "LER". No interior, chamo a atenção para a fabulosa entrevista de Eduardo Lourenço conduzida por Carlos Vaz Marques, com o subtítulo "Estou em dívida para com a humanidade inteira". O autor fala de si, das tertúlias literárias que conheceu, das influências, da actualidade e dos livros, na perspectiva da sua substituição por novos suportes. Felizmente, parafraseando Mark Twain, as notícias acerca do fim dos livros são completamente infundadas. Ou como afirma E.L., "há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelos livros. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. (...) Porque o relacionamento com os livros torna-os bocados de nós próprios. São as tábuas privadas das nossas leis. As escritas e as não escritas." Corram a ler. Neste número, destaque ainda para o comentário de Osvaldo Sivestre à recente edição de "O Homem sem Qualidades", de Musil, com tradução de João Barrento, as crónicas de Pedro Mexia, José Mário Silva e sobretudo de Filipe Nunes Vicente. Onde nos fala de Bulgakov, da vulgarização dos "vícios" e do porquê do proibicionismo. A ler a "ler". Pois.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Lido
haverá sempre outro nome sob o meu
mesmo que atravesse a voz
ou o amor
cautelosamente
num número impecável
haverá sempre outro nome dentro deste
um nome mais fundo
que as águas mostram
ao menor movimento
mesmo que atravesse a voz
ou o amor
cautelosamente
num número impecável
haverá sempre outro nome dentro deste
um nome mais fundo
que as águas mostram
ao menor movimento
A.M., in "A Imitação dos Dias"
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Arco voltaico (3)
Ike enfraquece mas prevê-se um reforço para terça-feira
EU
A cancelam acordo nuclear com R ú s s i a
A cancelam acordo nuclear com R ú s s i a
Belmiro de Azevedo diz que há-de chegar o tempo
que os empresários exigem em P o r t u g a l
As informações estão temporariamente indisponíveis.
Mais +++++++++ de meio milhão de evacuados em Cuba
PS: Sócrates lança a ta q ue implícito ao PSD por "negativismo " e "maledicência"
Luís Filipe Menezes «Governo não tem resultados e oposição não tem horizontes»
Queda de prédio em Braga faz t r ê s mortos
Ver anteriorOs conjurados
Sobre os ex-amigos está tudo praticamente dito nesta felicíssima crónica do Pedro Mexia. Li-a em plena praia do Tonel, perto da Zambujeira. Acompanhado de algumas gaivotas, dois ou três irredutíveis e um velhote que andava por ali a apanhar polvos. Na verdade, um ex-amigo é entendido, por quem o perdeu, como um falhanço ontológico. Ou seja, utilizando o jargão psicanalítico, uma ferida narcísica. Daí o embaraço em falar no assunto.
Também existe o outro lado, tal como hoje experimentei. Receber a visita inesperada e breve de um amigo. Daqueles que, se algum dia vierem a ser ex, a coisa poderá tornar-se realmente trágica. A melhor descrição que me ocorre para esse instante é, à falta de melhor, o momento "Jef". Jef é o título de uma conhecida canção de Jacques Brel, que fala precisamente do reencontro de dois amigos e do seu extraordinário diálogo. Este mais encorajador. O nosso mais tranquilo. Durou o que teve que durar. Creio que se pode falar do episódio, ou de outros análogos, como de um momento em que o tempo é recriado enquanto ilusão. E servido em fatias que saciam toda a fome. O instante criogénico. Onde parece reconhecer-se, em conjunto, um lugar para tudo o que acabou. Ou que ainda vai começar. A conjura metafísica. Sem rei nem roque.
Também existe o outro lado, tal como hoje experimentei. Receber a visita inesperada e breve de um amigo. Daqueles que, se algum dia vierem a ser ex, a coisa poderá tornar-se realmente trágica. A melhor descrição que me ocorre para esse instante é, à falta de melhor, o momento "Jef". Jef é o título de uma conhecida canção de Jacques Brel, que fala precisamente do reencontro de dois amigos e do seu extraordinário diálogo. Este mais encorajador. O nosso mais tranquilo. Durou o que teve que durar. Creio que se pode falar do episódio, ou de outros análogos, como de um momento em que o tempo é recriado enquanto ilusão. E servido em fatias que saciam toda a fome. O instante criogénico. Onde parece reconhecer-se, em conjunto, um lugar para tudo o que acabou. Ou que ainda vai começar. A conjura metafísica. Sem rei nem roque.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Tintin no país das cegonhas (3)
O Alentejo litoral não tem só belezas naturais, muito espaço e praias. A agricultura intensiva tomou conta da economia local e está a causar um impacto ambiental considerável. Eis alguns exemplos:
Lua cheia
já lá vão as vindimas. como um sol de soluços afagando as sombras. já lá vão os príncipes sem império. espalhando gestos. apelos. facécias. sonhos de cartão. e eu bebo-te. vegetal. nos poços estagnados. enquanto a espuma avança. por entre os reflexos ondulantes. as mãos não sentem. viajam perdidas para lado nenhum. algures na noite. soltem os lobos. agora. nada os poderá deter. nas penedias geladas. no trevo que já foi.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
A pista
Na semana passada, desloquei-me a Cascais, onde "aluguei" uma das biCas do programa municipal com o mesmo nome. Destinado à utilização gratuita de bicicletas, mediante identificação. O objectivo era percorrer a pista recentemente construída ao longo da costa, até ao Guincho. Após uma breve incursão na "Boca do Inferno", tentando ignorar o pesadelo das barracas de quinquilharia, nova paragem num local bem mais acolhedor: a "Casa da Guia"., logo antes do farol com o mesmo nome. Trata-se de um espaço comercial e de restauração, com óptimas esplanadas junto à arriba, em volta de uma mansão em estilo revivalista, recém-restaurada. O conjunto goza de uma disposição bastante agradável. Aconteceu então. Cá fora, à entrada de um alfarrabista, logo no cimo de uma pilha de livros a preços convidativos, deparo-me com um exemplar da edição na imagem. Trata-se de "Tempo de Solidão", um conto de Manuel da Fonseca, com desenhos de... Maria da Luz Lino (Estúdios Cor, 1969)*. Nem queria acreditar no que estava a ver! Em parte porque desconhecia esta colaboração da Maria Lino. De cuja obra, lembro, vai ser inaugurada uma exposição no TMG, no próximo dia 13. Mas também porque, no dia anterior, tinha visitado o belíssimo centro histórico de Santiago do Cacém, terra natal do autor de "O Fogo e as Cinzas". E onde se inspirou para alguns dos seus melhores contos. Ocorreu-me que os livros podem refazer qualquer lógica, ligar o impensável. Não só porque os podemos ler, mas sobretudo porque nos encontram. A procurá-los.
Vinte é a conta que Deus fez
Segundo o Portugal Diário online, "A marca nacional Portugal é a 20ª mais atractiva entre uma lista de 38 países, elaborada com base num estudo internacional, relativo ao segundo trimestre deste ano, que questionou mais de 25 mil pessoas através da Internet, noticia a Agência Lusa. (...) O estudo foi feito com base em entrevistas a 25,9 mil indivíduos com idades entre os 18 e os 64 anos, oriundos de 35 países e registados na Internet. (...) A percepção de uma marca nacional tem como base seis critérios: população, cultura e património, investimento e imigração, governo, exportações e turismo".
Sempre achei que o principal é ficarmos sempre nos primeiros vinte. Entretanto, pois, vai-se andando, tem que ser. Maravilha das maravilhas seria subornar o 19º, em vez de não nos deixarmos ultrapassar pelo 21º. Além disso, no meio do meio é que está a virtude. Mesmo assim, pode-se sempre acusar os entrevistados de andarem com muito más companhias. As tais que só sabem caluniar as delícias da nossa burocracia e do nosso atavismo. Comprados, é o que foram! Bah!
Sempre achei que o principal é ficarmos sempre nos primeiros vinte. Entretanto, pois, vai-se andando, tem que ser. Maravilha das maravilhas seria subornar o 19º, em vez de não nos deixarmos ultrapassar pelo 21º. Além disso, no meio do meio é que está a virtude. Mesmo assim, pode-se sempre acusar os entrevistados de andarem com muito más companhias. As tais que só sabem caluniar as delícias da nossa burocracia e do nosso atavismo. Comprados, é o que foram! Bah!
Acto seguinte
Arranca este sábado, no TMG, mais uma edição do "Acto Seguinte". A peça inaugural será "Começar a acabar", de Samuel Beckett, pelo ACE - Teatro do Bolhão, direcção e interpretação de João Lagarto. Um grande espectáculo em perspectiva. O (excelente) cartaz é da autoria de Jorge dos Reis. Para mais informações, consultar aqui.terça-feira, 2 de setembro de 2008
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)










