segunda-feira, 30 de junho de 2008
Slow city
O City Marketing, ou Marketing Territorial, está centrado principalmente na promoção e aumento da visibilidade de um território (região, cidade, país). A nível interno, fortalecendo a identidade e a interacção entre os seus residentes. A nível externo, atraindo investidores, turistas e visitantes, criando condições também para que os empresários locais possam exportar os seus produtos e serviços para mercados internacionais.
Cada território adopta a sua própria estratégia "diferenciadora". Uma dessas estratégias é o Slow City, ou Cidade Lenta. Mas o que é o Slow City? Uma Cidade lenta, é uma urbe na qual se pode viver sem pressas, sem correrias, sem labutas inconsequentes e, principalmente, sem a influencia totalitária da tecnologia e dos meios de comunicação, como telemóveis e Internet, entre outros. E além disso, numa cidade lenta, eliminam-se os outdoors publicitários e os anúncios de néon, a proliferação de ruídos incómodos, como buzinas e alarmes de automóveis etc. Permitindo desta forma aos residentes usufruirem de uma maior qualidade de vida, e aos turistas a possibilidade de desligarem-se, por uns dias, do caos e do stress do urbano e seus ritmos de trabalho.
Cada território adopta a sua própria estratégia "diferenciadora". Uma dessas estratégias é o Slow City, ou Cidade Lenta. Mas o que é o Slow City? Uma Cidade lenta, é uma urbe na qual se pode viver sem pressas, sem correrias, sem labutas inconsequentes e, principalmente, sem a influencia totalitária da tecnologia e dos meios de comunicação, como telemóveis e Internet, entre outros. E além disso, numa cidade lenta, eliminam-se os outdoors publicitários e os anúncios de néon, a proliferação de ruídos incómodos, como buzinas e alarmes de automóveis etc. Permitindo desta forma aos residentes usufruirem de uma maior qualidade de vida, e aos turistas a possibilidade de desligarem-se, por uns dias, do caos e do stress do urbano e seus ritmos de trabalho.
Nostalgia
Durante o fim-de-semana pela capital, não desgrudei da Praça das Flores. O objectivo era apanhar o bloquista-caviar Daniel Oliveira com a boca na botija, numa das duas esplanadas existentes no local. E porquê, perguntareis vós? Muito simples: esperava vê-lo a consultar as obras escolhidas de Trotski, na mesa do canto, com ar sisudo, ou a doutrinar as massas para o assalto a um comboio, de pé em cima de uma mesa, com os olhos e as armas apontadas aos malditos Brancos, ou de joelhos, a recitar um mantra expiatório e beijar a mão ao patusco Zé, o famoso Robin "Zé" Wood, nom de guerre de Sá Fernandes, o tal que se tem dado muito bem no poder (atenção antropólogos, case study na mira!), num arroubo sentimental retirado de um drama russo de novecentos, ou a dar cabeçadas na parede enquanto gritava "eu hei-de às fuças ao Bush", intervalado por "força, Bin, vai-te a eles!", ou a andar para cima e para baixo, à maneira de Rilhafoles, preparando mentalmente as palavras de ordem a debitar na próxima emissão de "O Eixo do Mal", em prol da pintilhésima causa fracturante, fazendo-se de sonso, o gajo, incapaz de entender o mundo em que vive, ou simplesmente um só dos personagens-chave dos romances de Cossery, os tais que que só querem a paz, rir da realidade que nos impingem, que não lutam contra, mas escarnecem, o gajo, que afinal não estava lá. Provavelmente, foi liquefazer-se numa praia. Porra, já nem há esquerdalhos como antigamente.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Twitter é o último fenómeno de popularidade dentro da web 2.0. Ou melhor, das aplicações da chamada web social. Para além do acesso e um serviço instant messaging, cada utilizador registado pode ir actualizando em qualquer momento a sua página. E como? Com novas mensagens, respondendo a mensagens anteriores, ou registando simplemente o que está a fazer nesse momento. Todos os utilizadores que integram a sua lista de contactos serão informados de imediato. What are you doing?, é mesmo disso que se trata. Usem e abusem.
Arco voltaico (2)
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Arco voltaico (1)
Quase dez por cento dos portugueses são diabéticos
pensar é sexy
pensar é sexy
Euro valoriza com subida de juros na Zona Euro
Ciência: Sol deixou de aquecer a Terra
p e n s a r
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s e x y
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s e x y
Camionista detido em Espanha está em casa
PJ apreende 199 fardos de haxixe em barco de pesca junto à costa vicentina
pensar é sexy
Mapa

manuel a. domingos, um amigo dentro e fora deste blogue, acaba de publicar o seu segundo livro de poesia. O momento é de celebração. Chama-se "Mapa" e é editado pela Livrododia, de Torres Vedras. E mais não digo. Se puderem, leiam-no. Se não puderem, também.
Desde os cafés da Guarda, nos anos adolescentes, onde tudo era ainda possível, até a um certo desencanto com o mundo, manuel a. domingos constrói uma poética feita de pequenos detalhes comuns à vida e à poesia, tentando descobrir modos de acreditar em mapas que nos soam tão estrangeiros.
(da contracapa)
Joint adventure
Segundo o IOL Diário, "a cannabis é a droga mais consumida na União Europeia, mais de 13 milhões de europeus usaram-na no último mês, mantém a mesma potência há uma década e é associada a efeitos físicos e psicológicos adversos." Quanto a mim, a própria adversidade dos efeitos é discutível. Só deixará de o ser se o consumo passar de lúdico (com fins de auto-descoberta ou terapêuticos) a patológico. Como de resto se passa com qualquer psicotrópico. Não é por nada que, durante o Império Romano, numa clara manifestação de sensatez, só havia dois produtos tabelados em toda a bacia do mediterrâneo : o sal e... a cannabis. Se não podes vencê-la, junta-te a ela. Nem mais.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
As mãos pressentem
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As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
Al Berto
Manual de sobrevivência a uma peça de Poppe
É hoje a estreia da peça "Os Sobreviventes", no TMG. Trata-se da última produção do Projec~, a partir de texto de Manuel Poppe e com encenação de Américo Rodrigues. A ficha técnica e restante informação poderá ser consultada aqui. Devo dizer que não tenho em grande apreço a escrita teatral de Manuel Poppe. Constituída por textos herméticos, solipsistas, povoados por lugares comuns, sem rasgo, onde os personagens se arrastam sempre atrás das mesmas dilacerações, dos mesmos receios, das mesmas falácias, desconhecendo em absoluto que o vazio é a nossa condição fundamental, que o truque está precisamente na aceitação dessa "dessacralização" que tanto assusta o autor, onde perpassa o choradinho em vez da coragem, ou seja "o conhecimento das coisas que um homem deve temer e daquelas que não deve temer", como dizia Platão. Provavelmente, Poppe leu demasiados autores franceses e pouco anglo-saxónicos. Provavelmente está demasiado refém de uma piedade burguesa, tão condescendente como anacrónica. Todavia, dada a qualidade dos intervenientes, espero ver um grande espectáculo logo à noite.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Monólogo do saltimbanco
Da minha participação teatral na Feira de S. João (ver aqui), na qualidade de vendedor da banha da cobra, algumas conclusões mais inclinadamente pessoais já se podem retirar:
1º Percebi a verdadeira perversidade do episódio mais emblemático de "O Perfume", de Patrick Süskind, (vd. adaptação cinematográfica de Tom Tykwer). Como se recordam, o protagonista, Jean-Baptiste, provoca um delírio colectivo na assistência, durante a gorada cerimónia pública da sua execução. Uma espécie de deliquescência erótica, uma possessão orgiástica que tomou conta de todos. Todavia, a imagem do amor que ele personificava e que contagiou o que estava em volta, era afinal uma composição metafísica, um truque. O quintessência de uma depuração gradual da necessidade, do tempo, da contingência. O resultado de uma vampirização acumulada da matéria para chegar ao espírito. Aparentemente, tudo se passou como se o brilho arrebatador que emanava do herói encontrasse eco nas pequenas chamas em redor, despertasse um sopro adormecido, o sopro da alma. O momento único em que a metáfora de desejo é também uma forma de revelação do sagrado. A fascinação é mais do que óbvia. No entanto, falta ainda um ponto essencial: a inexorável solidão do protagonista, a devoção canibalesca que suscita e que acaba por vitimá-lo. Volto ao ponto de partida, deixando de parte interpretações mais rebuscadas. Percebi o que há muito suspeitava: a verdadeira força não nasce da blindagem do ego, mas do despojamento. Não de uma alucinação mas de uma empatia. É aí que se encontra o amor sem truques. É aí que nos visita a solidão essencial. A que inspira, e já não assusta. A que nos devolve ao centro. É aí a forja onde se tempera o mais rijo aço e a mais delicada magia.
2º Por outro lado, como pude observar, quem procura a diluição numa espécie de popularidade reconfortante, acaba por se encontrar, mais cedo ou mais tarde, com o vazio primordial. E essa hora será dramática para estes praticantes da palmadinha nas costas e da conversa da treta. Pelo contrário, para bichos do mato como eu, avesso a multidões, a empatia é cirúrgica e intensa. Em resumo, digo ao que venho, bem alto, para todos, e vou-me embora. E assim, nunca chegarei a retirar o vazio portátil da mochila.
1º Percebi a verdadeira perversidade do episódio mais emblemático de "O Perfume", de Patrick Süskind, (vd. adaptação cinematográfica de Tom Tykwer). Como se recordam, o protagonista, Jean-Baptiste, provoca um delírio colectivo na assistência, durante a gorada cerimónia pública da sua execução. Uma espécie de deliquescência erótica, uma possessão orgiástica que tomou conta de todos. Todavia, a imagem do amor que ele personificava e que contagiou o que estava em volta, era afinal uma composição metafísica, um truque. O quintessência de uma depuração gradual da necessidade, do tempo, da contingência. O resultado de uma vampirização acumulada da matéria para chegar ao espírito. Aparentemente, tudo se passou como se o brilho arrebatador que emanava do herói encontrasse eco nas pequenas chamas em redor, despertasse um sopro adormecido, o sopro da alma. O momento único em que a metáfora de desejo é também uma forma de revelação do sagrado. A fascinação é mais do que óbvia. No entanto, falta ainda um ponto essencial: a inexorável solidão do protagonista, a devoção canibalesca que suscita e que acaba por vitimá-lo. Volto ao ponto de partida, deixando de parte interpretações mais rebuscadas. Percebi o que há muito suspeitava: a verdadeira força não nasce da blindagem do ego, mas do despojamento. Não de uma alucinação mas de uma empatia. É aí que se encontra o amor sem truques. É aí que nos visita a solidão essencial. A que inspira, e já não assusta. A que nos devolve ao centro. É aí a forja onde se tempera o mais rijo aço e a mais delicada magia.
2º Por outro lado, como pude observar, quem procura a diluição numa espécie de popularidade reconfortante, acaba por se encontrar, mais cedo ou mais tarde, com o vazio primordial. E essa hora será dramática para estes praticantes da palmadinha nas costas e da conversa da treta. Pelo contrário, para bichos do mato como eu, avesso a multidões, a empatia é cirúrgica e intensa. Em resumo, digo ao que venho, bem alto, para todos, e vou-me embora. E assim, nunca chegarei a retirar o vazio portátil da mochila.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
A preguiça como uma das belas artes
Com a morte de Albert Cossery, ocorrida ontem, a literatura perdeu um dos seus nomes maiores . Curiosidade ou não, também ontem e desconhecendo o facto, o escritor egípcio foi para mim longo tema de conversa. Por onde começar? A obra de Albert Cossery (1913-2008) é pouco extensa. Apologista do ócio, do desfrutar da vida no que ela tem de mais prazenteiro, foi paulatinamente construindo uma obra que prima pela total coerência. Li todos os seus livros e em nenhum senti um momento de enfado. Nota-se, prestando-se atenção, que não há frase ou parágrafo supérfluo. Apesar de se ter instalado num quarto em Paris em 1945 e de ter estado 35 anos sem regressar ao Egipto, todas as histórias dos seus livros desenrolam-se nos bairros pobres do Cairo. Os seus personagens são “os homens esquecidos de Deus”: mendigos, prostitutas, chulos, saltimbancos, ladrões (“-Escuta pequeno...Se somos pobres é porque Deus nos esqueceu, meu filho. - Deus! -, exclamou a criança. E quando se lembrará ele de nós, meu pai? - Quando Deus esquece alguém, é para sempre”.). Entre estes personagens que, esquecidos de Deus, se recusam a dar um passo para mudar a sua condição, há sempre um que é uma espécie de sábio. Aquele cuja filosofia procura sempre chamar à razão todos os que, fascinados pelo que o progresso pode oferecer, esquecem a liberdade de se não trabalhar, de não ter preocupações, de não ter responsabilidades. Quando Cossery diz que gostava que as pessoas depois de o lerem não fossem trabalhar no dia seguinte, fá-lo com toda a legitimidade, uma vez que é essa a questão que qualquer pessoa se coloca ao lê-lo. A sua filosofia é de tal maneira cativante e exposta de forma tão óbvia que não conseguimos evitar perguntar-nos para quê, porquê viver a vida da maneira que a vivemos. A arma que utiliza é sempre a mesma, o sarcasmo. Em qualquer livro seu não há instante em que ele não esteja presente. Em Portugal, as suas obras foram editadas pela Antígona, entre 1999 e 2002, incluindo uma entrevista ao autor. Uma breve recensão pode ser aqui lida.sábado, 21 de junho de 2008
Feira de S. João 2008 (2)
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Praça Velha
Decorreu ontem a apresentação pública do 23º número da revista "Praça Velha", editada pela Câmara Municipal da Guarda, onde colaborei com uma recensão a um livro de poesia. A publicação apareceu com novo arranjo gráfico e o projecto editorial irá sofrer uma alteração profunda. Pelo que o número agora saído assinala uma fase de transição para o novo modelo. Do que vi até agora, os sinais são francamente animadores.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Sempre a Amante Ultrapassa o Amado
O destino gosta de inventar desenhos e figuras. A sua dificuldade reside no que é complicado. A própria vida, porém, tem a dificuldade da simplicidade. Só tem algumas coisas de uma dimensão que nos excede. O santo, declinando o destino, escolhe estas coisas por amor a Deus. Mas que a mulher, segundo a sua natureza, tenha de fazer a mesma escolha em relação ao homem, isso evoca a fatalidade de todos os laços de amor: decidida e sem destino, como um ser eterno, fica ao lado dele, que se transformará. Sempre a amante ultrapassa o amado, porque a vida é maior do que o destino. A sua entrega quer ser sem medida: esta é a sua felicidade. A dor inominada do seu amor, porém, foi sempre esta: exigirem-lhe que limitasse essa entrega.
Rilke, "As Anotações de Malte Laurids Brigge"
quarta-feira, 18 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
O fogo
Já não escrevo um poema desde 2001. "Mas como é possível?", "o que é que tens andado a fazer?", perguntam os mais afoitos. " Bem, o ofício do poeta não inclui a prova sazonal, em letra de forma, mas a desmesura do resultado, o vigor da errância. É essa a sua prova de vida, ou o que isso seja", dirão os que não desconhecem a maturação recatada do poema. Mas há ainda outra razão. Que se poderia nomear, à falta de melhor o "amparo do fogo". Porquê o fogo? Mais um recurso de estilo? Mais um ingrediente de um composto inócuo? A razão é simples: deve-se lidar com ele usando de toda a parcimónia. O verdadeiro perigo está em julgar que o dominamos, que lhe adivinhamos os movimentos, as percepções, as serventias, a inteligência móvel e imprevisível. Perigo de morte, portanto. Há momentos em que ele nos convida a arder consigo, participar numa langorosa erupção do ardor. Outras, envolve-nos na vertigem da aniquilação. Todavia, fixemo-nos no que ele desvela. E então, rente à corola do silêncio, à sabedoria do mel, à dor que no caminho revela, às mãos que se acendem, escavando, é aí que saem as palavras furtivas, as palavras que buscam a obscura transparência, as palavras que estão a mais. As que queimam.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Feira de S. João 2008
Uma reconstituição da tradicional Feira de S. João, promovida pela ProRaia e Câmara Municipal, com produção da Culturguarda, irá animar as ruas da cidade a partir de dia 21. Criada em 1255, por carta régia de D. Afonso III, tinha uma duração prevista de quinze dias. E ao longo dos séculos manteve-se como uma das principais feiras com expressão nacional. A confirmá-lo, um excerto da "Carta da Feira da Guarda": "...Mandei e mando que nos quinze dias antes da dita festa de S. João e que nos quinze dias seguintes à mesma festa todos os que vierem a essa feira, venham em segurança e em salvo por todo o Reino de Portugal, com todas as suas coisas e mercadorias, à vinda para esta feira, durante ela e no regresso. E ninguém seja ousado de mal fazer ou penhorar os concorrentes a essa feira , os que dela regressarem, por nenhuma dívida, nem por qualquer demandas..." Entretanto, na perspectiva de mais uma edição da feira, noticiava o semanário "Distrito da Guarda", em 10 de Junho de 1910 : "Na véspera de S. João, além dos descantes pelas ruas da cidade, as tradicionais fogueiras de rosmaninhos e bela luz. No sanatório houve um luzido arraial, a que concorreu a elite da sociedade da terra (...) Em alguns largos houve também animadas danças, especialmente as da Travessa da Liberdade, onde a suavidade e concerto das vozes se harmonizavam com a peregrina beleza das raparigas." Afoitai-vos, valentes peregrinos!
NOTA: consultar aqui mais informação, actualizada diariamente.
NOTA: consultar aqui mais informação, actualizada diariamente.
domingo, 15 de junho de 2008
Pinantes e outras estórias

Fernando Ruas, o vitalício presidente da Câmara Municipal de Viseu, é um dos sacos de boxe predilectos deste blogue. Agora revelou uma faceta tristemente cómica que lhe desconhecia. A coisa passou-se há um mês. Logo antes de a selecção nacional ter feito o seu estágio em Viseu. Ao ser questionado pela RTP sobre o elevado custo das intervenções feitas na criação de infra-estruturas, não se fez rogado: "... isso comparado com as receitas que vai gerar, são, como se costuma dizer, PINANTES...". Posto isto, das duas uma: ou o edil anda a tomar demasiado Viagra, daí o maroto lapsus linguae, ou não chegou a concluir a disciplina de Inglês Técnico, ao contrário de Sócrates. Só assim se explica que "peanuts" (que como se sabe, em inglês significa, para além de amendoins, "insignificância", uns "trocos") tenha degenerado na corruptela que se pode ouvir. Ainda há uma terceira hipótese: Ruas quis fazer um brilharete, mas a coisa saiu-lhe mal. Faz-me lembrar um episódio passado aqui na Guarda, há uns anos, na abertura de um ciclo de cinema de Woody Allen. Chegou o momento de o orador soletrar o nome do realizador. Na primeira das palavras, notou-se uma ênfase caricatural na acentuação do "00", por via da vogal muda inicial. Como se a afectação fosse o resultado natural de um treino intenso para a ocasião. Mas foi quando chegou ao "Allen" (estive para pôr "além", mas como trocadilho era demasiado óbvio) que o caldo se entornou. O esforçado vate pronunciou o nome como se do "francês" Alain se tratasse! Afinal, só tinha ensaiado a primeira parte! Um verdadeiro momento zen...
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Lido
As democracias, quando frágeis, são porta aberta para as mais ferozes reacções. Crer que os homens comuns dão valor à liberdade em desordem, à angústia de não saber o que fazer com os direitos abstractos, com as constituições, com a liberdade de imprensa e a separação de poderes é acreditar que o bom-senso, a razão e a boa-vontade comandam as sociedades. Mas não, nas sociedades modernas - atomizadas, individualistas, reivindicativas - o indivíduo comum sente-se ultrapassado, isolado e em perpétua competição pelo reconhecimento das suas qualidades. Quando se esgota, culpa a liberdade dos outros pelo seu fracasso e volta-se para as soluções holísticas. (...) As pessoas andam com medo, combalidas e angustiadas; em suma, as pessoas não gostam da liberdade nem sabem o que ela vale.
Miguel Castelo-Branco, "O Fim da primeira globalização da era contemporânea", no "Combustões"
Miguel Castelo-Branco, "O Fim da primeira globalização da era contemporânea", no "Combustões"
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Os talibãs de sempre
O "deslize" de Cavaco no 10 de Junho, ao falar em "dia da raça", motivou uma reacção do PCP e BE, exigindo ao P.R. um acto de contrição e 10 avé-marias por tal blasfémia. Para os comunistas, tratou-se de "uma expressão pouco compatível com os valores de Abril e o regime democrático". Os bloquistas falam em "terminologia racista e segregadora do Estado Novo". Há claramente um défice de ocupação por parte destas luminárias. Atarefadas com trivialidades, enquanto o mundo se transforma, cada dia que passa, em direcções que estas mentes ressabiadas nem sequer sonham. Os mesmos que defendem o actual estado de laxismo e facilitismo no ensino, desde que isso envolva a captação de clientelas eleitorais, que albergam grupos terroristas (as FARC na "Festa do Avante"), que se estão nas tintas se os jovens sabem quem foi Gil Vicente, o Padre António Vieira, ou Antero de Quental (que também utilizou por várias vezes a expressão "raça"), que promovem o relativismo ético e a duplicidade em relação aos fundamentalismos. Pois agora, como sempre, querem dar lições de moral, num misto do jesuitismo de Louça, com as práticas inquisitoriais estalinistas do PCP. Estes episódios têm uma virtude impagável: lembram-me quem é quem, reforçam gratuitamente as minhas convicções.
NOTA: sobre o assunto, ler este magnífico texto, no "Cachimbo de Magritte"; do outro lado, no"5 Dias", prossegue a saga deste grupinho politicamente correcto em relação ao lapsus linguae presidencial. Nota-se claramente um défice crónico de tema. É que a silly season está a chegar e estes revolucionários de vão de escada, em vez de irem limpar as armas para uma qualquer Sierra Maestra, estão mortinhos por ir de férias, como os comuns mortais. São os descendentes directos do radicalismo europeu chic, com expressão a partir dos anos 60, que consiste em as ideologias perfilhadas por cada indivíduo nada terem a ver com as suas práticas e modos de vida.
NOTA: sobre o assunto, ler este magnífico texto, no "Cachimbo de Magritte"; do outro lado, no"5 Dias", prossegue a saga deste grupinho politicamente correcto em relação ao lapsus linguae presidencial. Nota-se claramente um défice crónico de tema. É que a silly season está a chegar e estes revolucionários de vão de escada, em vez de irem limpar as armas para uma qualquer Sierra Maestra, estão mortinhos por ir de férias, como os comuns mortais. São os descendentes directos do radicalismo europeu chic, com expressão a partir dos anos 60, que consiste em as ideologias perfilhadas por cada indivíduo nada terem a ver com as suas práticas e modos de vida.
O tempo da escrita
Já andava há uns tempos para chamar a atenção para dois textos do Manuel Domingos (neste caso, manuel a. domingos) no seu blogue, sob o título " Escrevo neste tempo que guardei só para mim". Lembrou-me que pensar em voz alta é um exercício porventura cruel, mas dos únicos realmente gratificantes. Em particular na blogosfera. Neste caso, o Manuel coloca a si próprio uma questão principal: a qualidade da sua escrita. A partir daí, podem-se colocar outras, a que também faz referência: serão os blogues, para muitos, circuitos de jogging, onde só a endurance acaba por trazer o brilho ou a visibilidade? Quando a ambição passa pela escrita, é a necessidade que traz o engenho? Sinceramente, não sei. No caso do Manuel, gosto do que ele escreve. E também sei, tal como ele deixa transparecer, que a criação de um estilo pessoal passa por algumas dúvidas, muitos sobressaltos, onde tudo se joga sem subterfúgios. A propósito, num dos poemas de Alberto Caeiro lê-se que "pensar é como andar à chuva". Neste caso, e já não sei se o Manuel concordará, acrescentaria que escrever implica também saber boiar, pois nadar não chega.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Insurreição já!
O bloqueio dos camionistas já vai no terceiro dia. Ao contrário dos que encaram a situação como uma ilegalidade que consiste na perturbação da ordem pública e no lockout inconstitucional, penso que esta revolta é saudável. Só me admiro por ter ainda uma dimensão sectorial e não se ter generalizado à maioria dos portugueses. Aqueles que se sentem esbulhados em cada dia que passa: nos impostos que pagam, nos salários que não chegam, nos empregos que não vêm, nos preços imorais dos combustíveis, no sentimento de que as desigualdades se alargam.
O cibernarciso
O coleccionador é também, por inerência, um provador. Mas nem todos os provadores são coleccionadores. A razão é simples. O provador é basicamente um agenciador do gosto. O que requer alguma profundidade, discernimento, espessura. O objectivo último é a criação de uma dinâmica relacional, apesar da subjectividade dos seus enunciados. O coleccionador, pelo contrário, só quer mostrar, exibir, demonstrar ser o mais conhecedor, o mais original, o mais prolífico. O coleccionador é o profeta de si próprio, o anunciador da boa nova do seu ego. Que surge obsessivamente artilhado com doses sôfregas de informação, para espantar os incréus. O coleccionador não sabe ou não quer saber que prega no deserto. O coleccionador quer resolver a sua ferida narcísica através do cibermundo. A sua fixação anal - utilizando linguagem psicanalítica - degenerou numa compulsão para provar ao pai ou à mãe simbólicos que "fez os deveres de casa", que está à altura do que exigiram dele, ou do que ele esperava que exigissem. O coleccionador é um esteta falhado, um repetidor insaciável, um moço de recados do espectáculo. À força de querer ser original, acaba por reproduzir clichés de originais como ele. O seu saber enciclopédico nunca transpõe os títulos, o sound byte, nunca vai mais além, nunca transmite ideias próprias, comprometedoras, sinceras. O coleccionador nunca toma partido. Se o faz, é por mera renúncia, ou porque isso o envolve num elan que pode ser cobrado mais tarde. Portanto, o coleccionador está pouco interessado em fixar padrões, por muito fugazes que eles sejam. A sua preocupação principal é a busca alucinada da admiração embasbacada, da notoriedade postiça.
Acordo ortográfico? A luta continua!
Para desespero dos marxistas, a História é cega. Não encerra nenhum desígnio. O pesadelo dos promotores do acordo ortográfico é que a língua também é cega. Dispensa burocratas e deputados desprezáveis. Vasco Graça Moura acaba de publicar "Acordo Ortográfico, a perspectiva do desastre", sob a chancela das edições Aletheia. A obra reúne intervenções públicas do escritor questionando a reforma, uma das quais lida na Assembleia da República num debate recentemente aí realizado, bem como textos inéditos. Já agora, não sei em que informações se baseia Eduardo Pitta para afirmar que a maioria dos escritores aprova o acordo. Será que a sondagem se restringiu ao universo dos happy few das redacções dos jornais e do socialite lisboeta + Nuno Júdice + Lídia Jorge? Suspeito bem que sim. Duvido que quem encara a língua como o seu terreno aceite de bom grado alterar os seus hábitos linguísticos só porque convém ao Brasil. terça-feira, 10 de junho de 2008
O escravo sorridente

Leiam bem a seguinte oferta de emprego, na parte dos requisitos exigidos. Acreditem que é mesmo real.
Nível de Aptidões Técnicas: 1.Fortes capacidades conceptuais; 2.Excelente capacidade na resolução de problemas.
Nível de Capacidades Profissionais: 1.Excelente capacidade de comunicação escrita e oral; 2.Excelente capacidade de Organização; 3.Capaz de trabalhar eficientemente cruzando diferentes ambientes funcionais; 4.Atitude positiva e um excelente senso de Humor; 5.Capaz de trabalhar sob stress, em tempos de execução de tarefas muito curtos e de forma autónoma; 6.Excelente capacidade de Análise; 7.Capacidade de trabalho excepcional.
Atributos: 1.Paixão; 2.Accountability; 3.Orientação a resultados; 4.Capacidade de adaptação; 5.Atenção ao detalhe; 6.Bom trabalhador em equipa; 7.Excelente capacidade a resolver problemas.
Como porventura se deram conta, trata-se de um emprego para um Übermensch nietzscheano caricatural, para um verdadeiro apaixonado por accountability (que, em bom português, significa, "pôr-se a jeito") um cruzador de diferentes ambientes funcionais, acima de qualquer suspeita, capaz de trabalhar sob stress, a olhar para o relógio, sem sequer praguejar onde um estóico já o teria feito, possuidor de um conceptualismo à prova de detalhe, não vá o diabo tecê-las, bom em equipa e em "autonomia", adaptável a tudo, calcinhas sempre em baixo, ser enrabado e agradecer, e ainda capaz, ainda pronto para tudo resolver, tudo prever, tudo organizar, tudo remendar, o funcionário modelo que preenche os sonhos mais lúbricos do capital, o que cumpre a hagiografia do produtor* inefável, do executor multiusos, de um émulo de Deus sem Deus, de um semideus sem arte, gravitando em torno da perfeição de um autómato, destilando energia positiva, sempre energia positiva, e humor, muito humor, enquanto o látego sobe e desce, enquanto os dias se estendem como tições em brasa, enquanto a mentira vai sobrando como a única verdade, enquanto lhe é negado o último reduto da sua dignidade, enquanto o sorriso regulamentar vai enganando a submissão.
*Vd. "Vigiar e Punir", Michel Foucault
Nível de Aptidões Técnicas: 1.Fortes capacidades conceptuais; 2.Excelente capacidade na resolução de problemas.
Nível de Capacidades Profissionais: 1.Excelente capacidade de comunicação escrita e oral; 2.Excelente capacidade de Organização; 3.Capaz de trabalhar eficientemente cruzando diferentes ambientes funcionais; 4.Atitude positiva e um excelente senso de Humor; 5.Capaz de trabalhar sob stress, em tempos de execução de tarefas muito curtos e de forma autónoma; 6.Excelente capacidade de Análise; 7.Capacidade de trabalho excepcional.
Atributos: 1.Paixão; 2.Accountability; 3.Orientação a resultados; 4.Capacidade de adaptação; 5.Atenção ao detalhe; 6.Bom trabalhador em equipa; 7.Excelente capacidade a resolver problemas.
Como porventura se deram conta, trata-se de um emprego para um Übermensch nietzscheano caricatural, para um verdadeiro apaixonado por accountability (que, em bom português, significa, "pôr-se a jeito") um cruzador de diferentes ambientes funcionais, acima de qualquer suspeita, capaz de trabalhar sob stress, a olhar para o relógio, sem sequer praguejar onde um estóico já o teria feito, possuidor de um conceptualismo à prova de detalhe, não vá o diabo tecê-las, bom em equipa e em "autonomia", adaptável a tudo, calcinhas sempre em baixo, ser enrabado e agradecer, e ainda capaz, ainda pronto para tudo resolver, tudo prever, tudo organizar, tudo remendar, o funcionário modelo que preenche os sonhos mais lúbricos do capital, o que cumpre a hagiografia do produtor* inefável, do executor multiusos, de um émulo de Deus sem Deus, de um semideus sem arte, gravitando em torno da perfeição de um autómato, destilando energia positiva, sempre energia positiva, e humor, muito humor, enquanto o látego sobe e desce, enquanto os dias se estendem como tições em brasa, enquanto a mentira vai sobrando como a única verdade, enquanto lhe é negado o último reduto da sua dignidade, enquanto o sorriso regulamentar vai enganando a submissão.
*Vd. "Vigiar e Punir", Michel Foucault
Nocturno em construção

depois dança contorce-se embriagado
cobre o rosto suado com a ponta dos dedos espalha
sangue e cuspo construindo a sua derradeira máscara
cai para dentro do seu próprio labirinto
como se a verticalidade do corpo fosse um veneno.
Al Berto
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Eu queria encontrar aqui ainda a terra
Gostaria de dizer algo sobre a recente apresentação da peça "Eu queria encontrar aqui ainda a terra" no Teatro Municipal da Guarda. O comentário pode ser acusado de parcialidade, é certo. Porém, antes de o escrever, coloquei-me sinceramente na pele do espectador comum, tentando pôr de parte o envolvimento directo. Começando pela encenação, Luciano Amarelo, revelou um brilhantismo, um rigor e um fino entendimento do texto que não me surpreendeu de todo. Pois já conhecia trabalhos anteriores seus. A interpretação de Paulo Calatré e Pedro Frias foi superlativa. A música de César Prata é que foi uma agradável surpresa, para quem se habituou a ouvi-lo no âmbito da música tradicional. Se no palco nada há apontar, excepto algumas deficiências do desenho de luz na estreia, corrigidas nas sessões seguintes, outro tanto não se pode dizer do silêncio que se seguiu ao espectáculo. Apesar da enorme afluência de público verificada. E isto tratando-se de uma obra apresentada a pensar especialmente na memória da cidade, embora não só, à luz dos universos de Vergílio Ferreira e Eduardo Lourenço. Um acontecimento que, em muitos outros lugares, seria encarado como uma celebração artística exemplar, um cartão de visita condigno, foi praticamente (salvo honrosas excepções, é claro) remetido ao limbo da indiferença. Ficou porém a confirmação de uma aposta ganha: o Projec~, a estrutura teatral do TMG. Sobre esse ponto, convido à leitura do que Américo Rodrigues escreveu no "Café Mondego".
Ciao blasfemos
O "Blasfémias" já foi um dos top ten deste blogue. Pelo desassombro, pela qualidade e por ser um dos pólos da blogosfera onde realmente se polemizava com ideias. Recentemente, tenho dado conta de um trágico decréscimo de credibilidade deste blogue. Leio um senhor chamado CAA inconformado com a pena imposta ao seu clube regional, por corrupção, chispando ódio por todos os lados contra o Benfica. No fundo, o típico, obsessivo e edipiano comportamento perante a grandeza. Este cómico, deve ser também o único paladino de Luís Filipe Menezes na blogosfera. Até aí tudo bem. Mas parece que o defende porque o homem também é do Norte, carago. Soa mais a cumplicidade bairrista do que a uma convergência política. E fá-lo vitimizando o emplastro Menezes e diabolizando quem viu a desgraça a tempo. Confesso que já há muito tempo não via tanta estupidez. Por outro lado, aparece João Miranda a defender a Galp com unhas e dentes, isentando-a de culpas nos pornográficos preços dos combustíveis! Até parece que o sermão é encomendado. Foi aqui que a minha paciência se esgotou. Vou apagar esta coisa do meu blogue. Simples saneamento básico. A idade tem disto. Torna um gajo mais selectivo. Só lamento a Helena Matos estar tão mal acompanhada. E não será por isso que vou deixar de ler as suas crónicas no "Público".
domingo, 8 de junho de 2008
Lembrete

«Não é por acaso que a televisão que é paga com o dinheiro dos contribuintes para fazer uma coisa inefável que é o “serviço público”, ou seja ter outras prioridades que não sejam as audiências, é a que mais (ou uma das que mais) mergulharam na visão do país como um enorme campo de futebol e dos telespectadores como tendo uma bola na cabeça e o cachecol da “selecção”, com horas e horas de directos, semi-directos e pseudo-notícias sobre trivialidades, de tal maneira que Portugal, o mundo, os problemas, as notícias, ficam soterradas a um canto do delírio patriótico com o futebol. O governo, num dos piores momentos de sempre, agradece. Os romanos reconhecer-se-iam no Portugal de hoje, com o imperador a dar circo e gladiadores, para esconder que a guerra corre mal na Germânia e que não há dinheiro no tesouro para pagar o trigo do Egipto.»
JPP, no "Abrupto"
A vida minimal e repetitiva - 6
Ela avança, tritura, atropela, tiraniza, negoceia, embala, demove, alucina, quase quase que nos convence da certeza do triunfo, da ferocidade do ardor, da impossibilidade da renúncia, ela dispõe as mesas e as cadeiras, os sinais precisos e cronometrados da virtude, a ilusão da festa, o fato por estrear, o circo em letra de forma e pasteis de riso, ela, a que nos passeia à noite, nos aproxima do risco com gritinhos de virgem, nos coloca frente a frente com imagens do paraíso em papel de cenário, a que nos faz olhar para o lado quando deparamos com as escâncaras da luz, sem puto de mistério, só alegria feroz, gentileza indomável, felicidade sem linhas estendidas, sem razões, sem poços, só o trevo, a glória, a exaltação muda, o sangue cantante, ela que colocou o riso no lugar de um esconjuro acessível, universal, vedando a derisão onde ela é preciosa, ela sempre por lá, vigilante, a salvo os novos tabus, a sofreguidão do espectáculo puxando-nos para o vazio. A vidinha.
Ver anterior
Lido
Explica-me como me levo em mim
Como teço as horas e desfaço os dias
Como toco o céu sem morrer
Ou faço de mim um rio claro
Sem limos sem voz sem fundo
Como lavo as marcas do que nunca foi
Como apago os olhos
Como apago os olhos
Como teço as horas e desfaço os dias
Como toco o céu sem morrer
Ou faço de mim um rio claro
Sem limos sem voz sem fundo
Como lavo as marcas do que nunca foi
Como apago os olhos
Como apago os olhos
In "A Imitação dos Dias"
sábado, 7 de junho de 2008
Inquérito (1)
O "Boca de Incêndio" resolveu sair à rua, aventurar-se, ir ter com o "país real". Saber o que pensam os leitores acerca do que aqui se publica e quais as suas sugestões. Claro que algumas opiniões nem sequer me atrevo a transcrever, para não ferir susceptibilidades. Seguem-se, então, os primeiros de entre vários exemplos dessa recolha:
O' Felismina, luso irlandesa e grande apreciadora de leite-creme
"Acho que este blogue devia ter um espaço dedicado à astrologia, convidar a Maya ou assim, mascarada de deusa celta. Mostrar umas fotografias menos esquisitas. E falar mais sobre temas culinários, por exemplo."
J. T. Silva, ex-figurante, especialista em fundos comunitários e amigo do Berardo
"Nunca lá vi nada sobre os nossos filmes, pá. Se quiseres, arranjo-te um subsídio. Para pores também algumas gajas, vestidas à coboi, mas só com o chapéu e o coldre. E agora, pianinho, pois vou ter com o Joe beber uma poncha e comer bolo do caco."
Celestino Patareco, surfista, fã dos filmes do Harry Potter e a tentar acabar o 9º ano
"Sei lá, entrei no blogue p'raí uma ou duas vezes, mas não achei grande espingarda. Andava a fazer uma pesquisa sobre cábulas e sobre defesa pessoal, pois estou farto de ser gozado pelo pessoal do bairro. Já agora, achas que tenho mesmo cara de atrasado mental?"
Valéria (Tininha), ex- apreciadora de bolas de berlim e que não perde um episódio do "Sexo na Cidade"
"Olha, sabes que mais? O teu blogue é bué de chato. Devias mas era ter os resumos todos da série e uma parte dedicada à pastelaria, especialmente às roscas. Já agora, tens lume? Onde é que vais logo à noite?"
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