quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Mais do mesmo
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Técnicas de propaganda para acossados
Como Portugal não é (ainda) uma república das bananas não é normal que um ministro acuse o Ministério Público, as polícias de investigação e não se percebeu se também o Supremo Tribunal de Justiça de “espionagem política” pois essas seriam as entidades que estavam ao corrente das escutas. Chamado ao Parlamento para explicar o que queria dizer com a expressão “espionagem política”, Vieira da Silva não explicou nada e mudou estrategicamente o alvo, acusando Manuela Ferreira Leite não se percebeu se de espiar, de alguém espiar por ela ou de estar ao corrente do conteúdo da dita espionagem. Foi secundado nesta acusação pelo deputado Ricardo Rodrigues, sendo que este último cometeu o deslize de admitir que o negócio da TVI, que Sócrates dizia desconhecer, é de facto referido nas escutas que diz alegadas. E assim, num golpe que tem a vantagem para quem o usa de contribuir para confusão que já não nos permite perceber quem disse o quê e quando – o problema deixou de ser um ministro acusar o Ministério Público e as polícias de fazerem espionagem política –, passámos a ter a líder do PSD a fazer espionagem. E mais importante ainda, caso a líder do PSD peça explicações por estas acusações de Vieira da Silva e de Ricardo Rodrigues há-se ser acusada de não ter sentido de Estado ou ridicularizada, ou provavelmente ambas as coisas. E o assunto assim morrerá até que amanhã Vieira da Silva, Santos Silva, Ricardo Rodrigues ou José Junqueiro voltem a usar esta técnica, até agora eficaz, de responder atacando duma forma que não se julgava possível num partido de governo para, em seguida, rapidamente recolherem à segurança da postura institucional. Sendo que todos sabem que para próxima usarão a mesma técnica mas o ataque será ainda mais feroz.
Contudo ficou por saber se o ministro nos informou oficialmente que existe em Portugal uma rede de espionagem nas polícias e na Procuradoria que, segundo o mesmo ministro, fornece informações a Manuela Ferreira Leite. Se Vieira da Silva quis mesmo dizer o que disse tem de voltar novamente ao parlamento porque se uma rede de espionagem política é grave, uma rede que trabalha para um determinado partido é ainda mais grave. E um ministro que lança suspeitas deste teor ou as fundamenta ou deixa de ser ministro.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A agenda socrática
- Não sei como lhe hei-de dizer, Senhor Primeiro-Ministro, mas a minha carteira acabou de desaparecer!
E continuou:
- Tenho a certeza de que estava com ela ao entrar na sala de espera. Tive o cuidado de a guardar bem, após apresentar o BI ao segurança. Não quero fazer nenhuma insinuação, mas a única pessoa com quem estive depois disso foi o Dr. Armando Vara, que está aqui na sala de espera ao lado.
O Primeiro-Ministro retira-se do gabinete. Pouco tempo depois, regressa com a carteira na mão. Reconhecendo a sua carteira, o empresário comenta:
- Espero não ter causado nenhum embaraço pessoal entre o Senhor Primeiro-Ministro e o Dr. Armando Vara .
Ao que José Sócrates responde:
- Não se preocupe! Ele nem percebeu!...
A anedota é esta. Mas à semelhança dos autores romanos, que gostavam de acrescentar uma pormenor pícaro aos mitos gregos (veja-se como Plínio, o Velho, tratou o espectro de Narciso, o esbelto filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope, descrevendo-o a debruçar-se da barca, freneticamente, para se contemplar uma última vez nas águas do Rio Lethes, ao atravessá-lo), gostava também aqui de meter a colher. Então é assim: depois da reunião, Sócrates foi consultar o dicionário de sinónimos, com um compêndio de inglês técnico ao lado, afim de engendrar as invectivas com que iria brindar Pacheco Pereira no próximo debate parlamentar. Pois é. Depois dos sensacionais "você não passa de um revolucionário retardado" e "revolucionário uma vez, revolucionário toda a vida", aguardam-se as próximas manifestações de ressabiamento do licenciado Sócrates.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Goodbye Lénine
Apesar de o comunismo ter falido em toda a linha e de ter chegado a hora das utopias pré marxistas (as únicas em que vale a pena investir), apesar das evidências do colapso da luta "anti acapitalista", há quem ainda persista na cegueira. Ora, no exemplo citado, as "detestáveis" fronteiras europeias são comparadas ao muro erigido pelos carcereiros comunistas da RDA. E os fugitivos africanos são comparados a cidadãos de uma mesma nação, que tiveram o azar de ficar do lado errado e que só desejaram reconquistar a liberdade e a prosperidade. Anular as vítimas dos "outros" com as "nossas" é o expediente monstruoso que resta a uma esquerda ultra-complexada, que ainda desfia o catecismo marxista, sem dignidade e sem sombra de vergonha. Nesse acto de devoção aparecem outros "santos" como Frantz Fanon, teórico chic do "anti-colonialismo", muito na moda nos trabalhos académicos nos anos 70. Trocado por miúdos, mais uma fraude africana sub-gaulesa, alimentada pelos compagnons de route sartrianos e afins.
sábado, 24 de outubro de 2009
Mas ainda dão corda à criatura?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Zapping
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O nó
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
A choldra
Tudo isto a propósito da notícia que segue. Note-se que isto acontece no mesmo país onde a grande criminalidade continua impune e onde os políticos corruptos continuam a sorrir como se nada fosse com eles. Um nojo.
Dois membros do Movimento 31 da Armada foram hoje à tarde levados por elementos da Polícia Judiciária quando se dirigiram à Câmara Municipal de Lisboa para devolverem a bandeira da autarquia, disse à Lusa fonte próxima do movimento.
Rodrigo Moita de Deus e Henrique Burnay foram os elementos do 31 da Armada levados pela PJ quando tentatavam entregar a bandeira da autarquia, "devidamente engomada", que substituíram pela bandeira monárquica na noite de segunda-feira, acrescentou a mesma fonte.
Na noite de segunda-feira, pouco depois da meia-noite, quatro elementos pró-monárquicos do Movimento 31 da Armada, autor de um blogue, retiraram o símbolo autárquico da varanda dos Paços do Concelho e hastearam a bandeira azul e branca com recurso a um escadote, uma iniciativa destinada a "restaurar a legitmidade monárquica".
in "31 da Armada"
sábado, 4 de julho de 2009
O terceiro mundo
Este homem é muito mais do que um vendedor de pneus suburbano, semi analfabeto, sem competências sociais, nem "mundo". E que o laxismo que alguns confundem com democracia empurrou para o estrelato. É o representante exemplar do pato-bravismo pós prec, que prosperou à custa de negócios semi-clandestinos. E que, como bom self made men da gamba e do merxedes, não descurou o negócio. Gere o Benfica como se fosse o supermercado da esquina. Sem estratégia, sem brilho, sem resultados, sem auto-avaliação, sem respeito pelas opiniões divergentes, sem educação, sem estatura cívica condigna, sem deixar de se achar dono daquilo que é simplesmente depositário em nome dos sócios, sem rasgo, sem carisma, sem fair play, sem nunca reconhecer o erro. Este homem pode ser um bom fiscal de obras, mas não serve para um lugar como o Benfica. Se continuar, vai acabar por o banalizar, pô-lo a lutar pelo 3º ou 4º lugar, ser o bombo da festa dentro e fora do país. Um case study onde o sebastianismo manda, em lugar das vitórias. Portanto, espero bem que a coisa bata bem no fundo. Pode ser então que alguém aprenda alguma coisa.segunda-feira, 29 de junho de 2009
O arraial
sábado, 20 de junho de 2009
O coveiro

quarta-feira, 17 de junho de 2009
O braço estendido

Nota: nos comentários, podem bater no ceguinho à vontade...
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Viver para contar
Acho que a Democracia é um erro, um erro monstro. E é-o por muitas razões, tantas quantas aquelas que achamos que deviam ser as coisas belas da vida e das quais desistimos porque achamos que nunca se realizarão. Por isso dizemos que a Democracia é o menor dos males. E esquecemo-nos de perguntar quem somos nós para dizer o que é o menor dos males. Não, o Povo não tem razão. Nós não temos razão. Morreram duas centenas de pessoas sobre o Atlântico. Temos a noção que foi um mal terrível. Será o menor dos males se não foram assassinadas por terroristas e se tivessem morrido sem dor. Não se pode dizer que ninguém sabe. Sabem mas não querem dizer porque destruiriam uma indústria que enche os bolsos a ricos e enche o prato a pobres e, pior, que mistura as pessoas todas umas com as outras, acabando com o racismo, dizem. Como se as pessoas não fossem diferentes porque estão ligadas a um certo lugar. Mas aqueles que precisam de enganar o mundo inteiro porque já ninguém acredita neles, no lugar onde nasceram, não param enquanto não impuserem a sua vontade ao mundo, enquanto não tiverem calado os outros todos. Eu já passei um voo assim. O meu avião entrou dentro dum furacão. A voz dos pilotos tremia. Eu estava sentado atrás e a fuselagem ondulava como uma barraca de palha. E, por cada ondulação o avião estalava com pancadas terríveis. Uma senhora com os filhos chorava. Os filhos perguntavam ao pai se iam cair. O Pai, corajosamente, berrava com eles a dizer uma coisa que não é verdade: que as coisas só acontecem aos aviões ao aterrar ou descolar. Ao meu lado, um veterano da Guerra colonial já deixara há muito de dizer que sobrevivera a aviões muitos piores quando fora transportado como soldado, para lugares onde alguns dos que sobreviveram ao voo, morreram em tiroteios, em emboscadas, ao calcar minas. Ao fim, em paz, depois de pairarmos sobre um mar calmo onde se reflectia a lua, os pilotos e as hospedeiras alinharam todos em silêncio, de chapéu na mão enquanto saíamos. Não se ouvia um zumbido. Como crianças grandes, deste pesadelo chamado Democracia, todos fugiram envergonhados, salvos mais uma vez, para as suas casas. E eu voltei a voar, a sofrer horrivelmente, a rezar à descolagem e à aterragem, a imaginar o meu Amigo Júlio Santos como um cavaleiro medieval, coberto de sangue levantando uma asa e um anjo enorme levantando a outra. Desfiz-me em fraternidade com os meus companheiros de viagem, tão diferentes, fui irmão, fui pai, fui filho, chorei, ri-me, sobrevivi para contar. Entreguei a alma ao criador, entreguei todos os meus bens, sonhei pela última vez com alguém que amei e que me não correspondeu, ajeitei como um anjo a roupa da cama à minha filha adormecida, troquei as últimas indicações de casa com a minha mulher de que me separei, afaguei a fronte do meu pai doente e da minha mãe sofrida. Disse ao meu irmão para não se preocupar e amei sinceramente, sem dúvidas, a Humanidade inteira. Vi Jesus estendendo os braços sobre o Mundo. Vi Buda sorrindo no Sol, senti os braços de Alá segurando o Universo que me rodeavam. Sobrevivi. Mas uma sociedade que assassinou estes passageiros todos duma forma tão bárbara sobre um lugar tão frio e inóspito que só uma certa raça de gente, e não qualquer um, a pode percorrer, não vou perdoar. A Democracia, a Técnica, a soberania absoluta dos votos e da liberdade de expressão, não são o melhor dos possíveis. A Democracia que dá a Soberania a nós todos, retirando-a a tantas coisas que existiram e existirão além de nós, não é o menor dos males. É o maior mal dos menores. E lembro-me de um ditado chinês com milhares de anos: nascer e morrer numa aldeia, ter acordado dias sem conta com o latir dos cães da aldeia vizinha. E nunca a ter visitado. Não sofremos já todos demasiado para nos tratarmos delicadamente, com carinho, com Amor, como se o nosso Próximo fosse o último?
André
quinta-feira, 7 de maio de 2009
La Dolce Vita
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Nós, os fundadores...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Democracia
Sobre a Dra. Laura Santos, psicóloga-filósofa da Eutanásia
A verdadeira voz da Democracia aí está. Os artigos de jornais, os dichotes, as manobras velozes, o aparente brilho da palavra quando a memória é curta e ela é curta sobretudo quando a submetem sempre a novidades, de difícil comprovação. Umas riscas regulares no fundo do Oceano e o título do jornal fala na descoberta da Atlântida. A presença das componentes da água em Marte e há oceanos subterrâneos no planeta vermelho. O sorriso de um homem só, na direcção de uma criança, na rua, e temos um pedófilo. O jornal assenta a sua verdade no direito à liberdade de expressão, mas também nas tiragens.
A voz da Democracia é como um ronco do Inferno que chove sob a forma de artigos de jornal, de posts, de vídeos, desenhados a preto e branco, ou a cores sumárias, sempre e sempre encadeando-nos com uma força hipnótica. E o fluxo desta avalancha, de novo é defendido de modo ameaçador pelos guardas da Democracia. Ai de quem a desafie!
Uma rapariga bonita e adulta declara-se virgem e o seu nome é arrastado pela ribalta como um marciano. Mas um guerreiro é considerado santo e o que discutem dele é quem é seu descendente, ou da sua armadura, não o seu hábito esfarrapado de monge.
A voz da Democracia é medonha, como o monstrengo que está no fim do mar. A ameaça paira no ar, as lâminas dos guardas da Democracia cortam como guilhotinas e a multidão, mais medonha que a própria Democracia, guarda as costas a estes guardas.
A democracia inaugura e paga o debate sobre os que defendem a Eutanásia, ou o Aborto. Em ambos os casos, não estão os de piedade e excepção que são todos atendíveis. O que passa a estar em causa é a provisão e a programação da limpeza dos fetos de dentro da barriga da mãe ou a antecipação, por via duma assinatura ou duma gravação, se não mesmo duma impressão digital, daquilo que acontece inevitavelmente a toda a forma de vida mais ou menos íntegra. E, da provisão, passa-se para fazê-la uma função do Estado.
Ora se há esta possibilidade de a fazer uma função do Estado, por meio da publicação e de um lugar na opinião que se publica, constitui-se uma posição que passa a ser mais respeitada e guardada pelos esbirros da Democracia que o próprio direito a respirar. Nasce o adversário e nasce o «debate». Obriga-se a debater o judeu com o nazi, o negro com um membro da Ku Klux Klan, um violado com o violador, um minoritário com o bolchevique. E ai de quem não respeite o «debate» entre o mártir lançado às feras e os leões esfomeados da arena! A Lei, como dizia Victor Hugo, proíbe igualmente aos miseráveis e aos milionários de dormirem debaixo das pontes. Respeitinho!
A vida pode debater-se por existir em condições sempre adversas, nem que seja só pela inevitabilidade da morte e da dor. Uma vezes mais adversas e outras menos adversas. Mas ela tem que respeitar o adversário, diz-se, como não podia deixar de ser, porque, na realidade, o discurso mais popular, e constantemente popular, entre a Ditadura e a Democracia, foi sempre o do futebol. Atenção ao «adversário»... respeitinho, que sem ele não tínhamos a bola, a nossa querida bola, de tontos surdo-mudos em que nos tornámos!
Que tenhamos a coragem de não encarar um cão que nos salta ferozmente num caminho ermo, ou uma praga que invade a nossa horta, como um adversário mas sim como inimigo. Inimigo, sim!Nem tenhamos medo de ser chamados anarquistas, terroristas, fascistas, nacional-socialistas, comunistas, protestantes, católicos ou ateus se fizermos frente sem hesitações a este inimigo. O que nos chamam pouco interessa, pois quem usa a voz, não está a combater. E se a Morte vier, metamos de uma vez na cabeça, que ela virá sempre e nunca como adversário, nem como inimigo, mas apenas como fim.
André
quinta-feira, 23 de abril de 2009
O morcão ataca de novo!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O fim da poesia?
Stendhal, Pound, e sobretudo T.S. Eliot, já tinham intuído que, a partir do século XIX, seria a linguagem da prosa, e não a da poesia, aquilo que assinalaria o caminho da nova visão. Isto é, a visão "em prosa" da realidade haveria de deixar para trás,porque pertencente a outro tempo, a sagrada "visão poética". Pound chegou mesmo a fixar uma data para essa conversão: o nascimento de Stendhal. Dante, poeta, e Shakespeare, dramaturgo em verso e poeta, "vêem" o que nunca poderá ver Cervantes, narrador e mau poeta (segundo alguns)? Acaso Faulkner, como narrador, "vê" menos que Dylan Thomas como poeta? Nesta arrumação, onde cabe Blake? Em suma, de onde provem essa alegada superioridade da “visão poética” sobre a “visão” narrada em prosa? Já agora, recordemos também as “visões em prosa” dos “videntes clássicos”, sempre modernos: Baudelaire, Rimbaud e Lautréamont, três criadores que também “viram” em prosa, sobretudo os dois últimos.
A “visão poética” morreu, devido à inanidade da própria poesia, dos seus poetas, incapazes já de enfrentar a complexa realidade do século XXI, que requer quiçá uma linguagem cuja construção seja mais universal, mais aberta, mais disposta a assumir todas e cada uma das novas técnicas, das novas tecnologias, que são também instrumentos de linguagem? Acabou a “visão poética”, em beneficio da "visão em prosa"? Mas quais as causas? Por esgotamento do discurso poético, mais cerrado, carregado de "códigos" antigos, de metáforas gastas, vazías, que já nada significam, uma vez que o seu significado natural, puro, a sua essência, pertence a um mundo antigo, caduco, a uma cultura cujos referentes místico-poético-literários são próprios de outro tempo e de outra linguagem, que já não correspondem às necessidades espirituais e verbais do século XXI?
Eis o dilema aqui proposto: será que a presumível vitalidade da "visão" literária em prosa, diante de uma provavelmente esgotada "visão poética", acabará por a relegar para o limbo do tempo.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A mula
O senhor da imagem notabilizou-se, entre outras razões (vulgo, ter apoiado o "Zé" na CML, lançar umas postas de pescada na blogosfera), por participar num programa tipo "noites da má língua" e tal, na SIC N. Nessa rubrica, o títere da Praça das Flores debita uns soundbites esquerdalhos, de um reaccionarismo escandaloso. No estúdio, encontra-se devidamente acolitado pela estrela decadente "ferreira alves", "clarinha" para os happy few, mas que também assina simplesmente "clara", romancista frustrada e ex-santanete, a quem Vasco Pulido Valente dá deu uma coça monumental na blogosfera; o namorado da clarinha, apresentador; um "gajo das empresas", que debita algumas enormidades na área da economia e um outro, o único com quem simpatizo, a quem chamam "Paulo" e que escrevia, salvo erro, no blogue "Atlântico". Pois ontem o Oliveira, num arremedo de incontinência verbal, ultrapassou as marcas da simples razoabilidade e da mais elementar honestidade intelectual. Perorava o "tribuno" acerca das sensatas declarações do cardeal-patriarca, a propósito das cautelas do casamento com um muçulmano. Pois bem, a luminária afirmou então que, se em Portugal morrem anualmente 40 e tal mulheres vítimas de violência doméstica, o cardeal devia questionar o facto de alguém casar com um português. Pensei que estava a ouvir mal, mas era mesmo verdade! Para já, estas estatístivas são falsas, uma vez que só houve, no ano passado, 12 casos comprovados de morte devido a agressões no âmbito da violência doméstica. O ideal era não ter havido nenhuma, mas os números são estes. Depois o argumento é demagógico, ao estilo da velha esquerda, dona da verdade e da moral. É que, em Portugal, à semelhança dos países ocidentais que o Oliveira tanto odeia, a violência, seja ela de que tipo for, é criminalizada. E onde as mulheres não são agredidas publicamente porque não usam véu. E onde é reconhecida aos cidadãos a liberdade de terem ou não religião e a obrigação de não a imporem aos outros. E onde os prevaricadores, nos casos que referiu, foram devidamente julgados e condenados. Pelo contrário, nos países muçulmanos, as mulheres são maltratadas, sujeitas a um vexame constante, impedidas de exercer os mais elementares direitos de cidadania. Empurradas para uma sujeição feudal e patriarcal, que a religião impõe e o poder político encoraja. Todavia, nenhuma censura é dirigida a quem fomenta e beneficia deste estado de coisas. Por exemplo, para quem não sabe, nesses "paraísos de tolerância", segundo Oliveira, se uma mulher foi violada, corre o risco de ainda ser apedrejada pelos tais defensores da moral. Por outro lado, como disse e bem o "Paulo", os dirigentes religiosos podem diariamente dirigir "fatwas" a intelectuais, a dissidentes, a mulheres que tiveram a coragem de denunciar a opressão, a jornalistas, a países, a civilizações. Podem declarar à vontade o seu ódio, as suas ameaças, os seus incitamentos à violência. Mesmo assim, o imperturbável Oliveira e seus comparsas nem sequer pestanejam. Permanecem no seu limbo de ressentimento, de inveja social, de arrogância, de irresponsabilidade. Não esboçam qualquer indignação. Pois toda ela está concentrada na excomunhão do cardeal-patriarca, graças a um desabafo inóquo, que a esmagadora maioria das pessoas decerto subscreve. Acontece que, neste caso, sou insuspeito, pois várias vezes tenho aqui defendido posições em favor da laicidade e de não intromissão da Igreja na esfera das liberdades civis. Vem-me à memória, a certa altura, o delicioso final do conto "Civilização", de Eça. O narrador tem um sonho, onde, no Eden, Platão discute com o caseiro, autor das divinas favas. Entretanto, o atarantado Jacinto encontra-se às voltas no céu, montado numa mula escoiceante, à procura do seu paraíso perdido. Ocorre-me então imaginar o Oliveira no lugar perfeito para si: a mula. Em resumo, o senhor da imagem, à semelhança dos comparsas da "esquerda" gourmet, é cada vez mais um erro de casting: um "agitador" boçal, desonesto, primário, que ainda julga possível "épater les bourgeois". Uma crosta purulenta resultante de implantes cirúrgicos mal sucedidos. E que agora acedeu, de pleno direito, à galeria dos sacos de boxe predilectos deste blogue. Ao lado de Júdice, Menezes, Nogueira, Santana e Clara. Bem vindo!