Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A casa (13)

 O salto da onda / mais branca / cada hora / mais verde / cada dia / mais jovem / a morte

 Os lábios e as mãos do vento / o coração da água

A meio da noite / verte, / no ouvido de seus amantes, / três gotas de luz fria.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A casa (12)

Sol-coração, pedra que lateja, / pedra de sangue que se torna fruto: / as feridas abrem-se a não doem, / minha vida flui semelhante à vida.

 E agora, meus olhos cantam. Inclina-te sobre o seu canto, lança-te à fogueira.

Surgem / uns tantos pássaros / e uma ideia negra.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A casa (11)

 Caio e ergo-me, / ardo e afogo-me.

Não sou mais que uma pausa entre duas vibrações: o ponto vivo, o agudo, imóvel ponto fixo de intersecção de dois olhares que se ignoram e se encontram em mim.

Sou o espaço puro, o campo de batalha. Vejo através de meu corpo meu outro corpo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A casa (10)

 Vem voa ascende desperta / Rompe diques avança

 Estou parado no meio desta linha / não escrita

Não vimos senão relâmpago / não ouvimos senão o entrechocar de espadas da luz

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Km 90

 Agosto de 2003
Setembro de 2011

Duas viagens, duas mochilas, dois tempos, o mesmo Caminho. Descubram as diferenças e as semelhanças.

A casa (9)

 Negro o céu / Amarela a terra / O galo rasga a noite

 Acesa a árvore estremece /Já a noite a circundou / Ao falar com ela falo contigo

 
O céu esmaga-nos, / a água sustém-nos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A casa (8)

 A hora é transparente / se o pássaro é invisível, vemos / a cor de seu canto.

 Duma palavra à outra /o que digo desvanece-se

A noite torna enorme a janela / Não há ninguém / a inominada presença rodeia-me

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A casa (7)

 Olhos de água de sombra / olhos de água de poço / olhos de água de sonho.

 Mas já a luz irrompe com passos de leopardo / E a palavra levanta-se ondula cai / E é uma longa ferida e um silêncio cristalino.

A infância com suas flechas e seu ídolo e sua figueira.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A casa (6)

 Se tu és o bosque das nuvens / eu sou o machado que as corta

 Como o bosque em seu leito de folhas / tu dormes em teu leito de chuva / tu cantas em teu leito de vento / tu beijas em teu leito de chispas.

A água levanta-se e pergunta a hora / O vento levanta-se e pergunta por ti

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A casa (5)

 Na porta proibida / gravar o nome do teu corpo / até que a lâmina da minha navalha / sangre

 Esfrego as pálpebras: / o céu anda na terra.

Se tu és a torre da noite / eu sou o cravo ardendo em tua fronte

sábado, 3 de setembro de 2011

A casa (4)

 Todas as noites desce ao poço / e pela manhã reaparece / com um novo réptil entre os braços.

 Ergui a cara para o céu, / imensa pedra de puídas letras: / nada me revelaram as estrelas.

E nos abismos de sua luz caímos / Música despenhada / E ardemos e não deixamos rasto.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A casa (3)

 Fecha os olhos e abre-os: / Não há ninguém nem sequer tu próprio / O que não é pedra é luz

 Entre as pétalas de argila /nasce, sorridente, / a flor humana.

A luz não pestaneja, / o tempo esvazia-se de minutos, / um pássaro deteve-se no ar.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A casa (2)

 Ao fechar os olhos vi-me: / espaço, espaço / onde estou e não estou.

 O poema ainda sem rosto / O bosque ainda sem árvores / Os cantos ainda sem nome.

Duma palavra à outra/o que digo desvanece-se./Sei que estou vivo/entre dois parêntesis.