Reflexões, notas, impressões, apontamentos, comentários, indicações, desabafos, interrogações, controvérsias, flatulências, curiosidades, citações, viagens, memórias, notícias, perdições, esboços, experimentações, pesquisas, excitações, silêncios.

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sábado, 7 de novembro de 2009

Lido

"(...) também sou tremedista, irreparavelmente lúcido; logo, incurável pessimista. Vi de tudo ao longo da vida, engoli seco os maiores insultos, assisti às mais reles manifestações de que a mediocridade despeitada se serve, tive de obedecer aos mais refinados poltrões e fingir que me enganava ao tomar essas árvores pela floresta. Essa foi a sina da minha geração, apanhada entre uma geração que tudo quis destruir para enriquecer e outra que, privada de todas as referências, pratica inocentemente crimes e se vangloria por coisas que não merecem um palito. Lembro-me do tempo em havia futuro e se pensava que à noite se seguia o dia, que uma inteligência oculta e justiceira se encarregaria de dar sentido ao tempo, premiar o valor e condenar e maldade. Tudo isso desapareceu. Ficámos, eu e a minha geração, agarrados a teorias sem ponto de aplicação, à ideia de um Portugal com glória e luz de que todos, afinal, se riem, a um comedimento inibidor - chamar-lhe-ia uma discreta elegância - que a geração que nos precedeu tomou por cobardia e que a geração que nos sucedeu interpreta como quixotismo."

"A minha geração, que não deu em nada", no "Combustões"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Abracadabra

Reproduzo, com a eliminação do intróito, um comentário que deixei no "Café Mondego", a propósito de um convite aí lançado por Américo Rodrigues aos seus leitores. O tema do desafio é a afirmação e confrontação de diferentes propostas para a Guarda.

Interessa-me sobretudo aquilo que divide, mas que, nem por isso, pode deixar de unir. A Guarda tem sido muito mal servida de governantes. Os custos toda a gente conhece. Menos os que beneficiaram das benesses do poder, como é de calcular. A Guarda precisa de um novo ciclo de vida, como de pão para a boca. Até agora, não vi nenhum candidato habilitado para essa ruptura. Um por falta de coragem, outro por incapacidade, os outros por impossibilidade prática. Claro que o jornalismo predatório praticado na cidade interfere demasiado na agenda política, antes e durante o período negocial, pré contratual, a que se resume a campanha eleitoral. Algo que só aos candidatos e eleitores diz respeito. Mas isso não explica tudo. É por isso que o problema não está nas "ideias" propostas, no seu brilhantismo, no seu perfil mais ou menos programático. O principal está no rigor com que se vai gerir uma estrutura ciclópica como a CMG, em que 2/3 dos recursos são afectados a despesas de funcionamento! O principal está na capacidade de gerar investimento. O principal está na coragem em abolir velhas práticas, desmantelar redes de interesses que paralisam a cidade, mobilizar o mérito e não os cartões partidários. Para atrapalhar, já basta a opacidade, os pequenos feudos, a resistência à mudança, as camarilhas que gerem pequenos interesses, com fundos públicos, sem prestar contas a ninguém, os poderes paralelos ao nível urbanístico, a tenebrosa promiscuidade entre a administração local e as empresas de construção, a ausência de uma cidadania actuante e influente, a proliferação de caciques nalgumas Juntas de Freguesia, a desqualificação de grandes sectores da população. Portanto,não obstante alguns terem feito o obituário à política pura e dura, é dela precisamente que se trata aqui. Só a criação de um novo ciclo político poderá viabilizar a Guarda. Com determinação e autoridade. Muito mais do que com listas de boas intenções.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Lido

Recomendo a leitura deste excelente texto no "Combustões", intitulado "Saber viver num país pobre ou temos de voltar aos anos 60". Aqui fica um excerto:
(...) Agora, não há dinheiro fácil, não há empresas portuguesas nem marcas portuguesas, nem investimento português ou estrangeiro que se consigam lobrigar na complexidade crescente da trama económica global. Perdemos em Portugal, perdemos no "espaço económico português", perdemos na corrida à fixação de novas tecnologias, perdemos cérebros e vamos, lenta e inapelavelmente, voltando aos concursos de costureiras, às inaugurações de nada, às visitas de estrelas de cinema "em busca de sol e praia". Não deixa de ser significativo o facto de, a partir de finais da década de 90, Portugal regredir cada ano nas estatísticas da OCDE e do Banco Mundial. Corremos o grave risco de sermos ultrapassados pela totalidade dos Estados do ex-bloco comunista e de, acorrentados à fatalidade espanhola, dependermos das flutuações e ritmos da economia vizinha.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ligações ao alto

Depois de ler este texto da Fátima Rolo Duarte percebi que já tinha ganho a semana. Sem o bíblico suor do rosto, é claro. A verdadeira razão para o benefício talvez esteja num irresistível impulso para dançar, sempre que o evoco.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Informação

A webpage do Cineclube da Guarda foi redireccionada para o blogue homónimo, recém-criado. As vantagens da sua utilização são óbvias: maior interactividade, versatilidade e possibilidade de actualização em tempo real. O novo espaço está ainda em fase de construção. Todavia, convido desde já os leitores a fazerem uma visita. Está aqui, podendo ser acedido também através deste sidebar.

sábado, 25 de abril de 2009

Lido

Hoje a “boa imprensa” voltou como obsessão, mas de forma embrulhada mais tecnologicamente e com o jargão da moda e muitos blogues, twitters e Facebook. Muita “interactividade” anónima e muita comunicação gutural. É o mesmo produto de sempre, mas adaptado aos deslumbramento tecnológicos, que disfarçam muita iliteracia cultural no brilho das luzinhas e no silvo dos “toques”...

JPP, no "Abrupto"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Esclarecimento

Há dias perguntaram-me se este era um blogue guardense. E, em acaso afirmativo, porque não insistia mais em temas locais, ou coisa que o valha. A resposta é clara: este não é nem nunca foi um blogue local. E não julguem que este traço genético acontece por encontrar algum demérito naqueles que o sabem ser com qualidade e pertinência. Longe disso. A prová-lo, remeto para o que escrevi no texto "Blogues da Terra", a propósito de uma polémica listagem de weblogs regionais editada no "Arrastão":

  1. Os blogues locais são muitas vezes os únicos espaços onde é possível assumir posições criticas e denunciar situações "no terreno", preencher a lacuna do pluralismo onde ele é tímido ou inexistente, reunir propostas convergntes para a defesa de determinada causa, suscitar a dúvida onde tudo parece transparente, exercitar a cidadania de proximidade, assumir identidades "não conformes"; em suma, são a garantia do espaço público possível.
  2. Essa rarefacção do espaço público está relacionada, como se sabe, com o caciquismo, a ausência de checks and balances eficazes nas autarquias, o afunilamento da vida pública local em torno de interesses e empreendimentos muitas vezes duvidosos e, sobretudo, uma imprensa regional na maioria dos casos domesticada pelo compromisso político e pela sobrevivência.
Para uma melhor compreensão destas razões, leia-se também o texto seguinte sobre este assunto e ainda uma explicação breve do que, para o escriba, significa "pertencer" a determinado sítio. Uma espécie de GPS legendado com as devidas coordenadas intelectuais e ontológicas. Regressando ao tema principal do post, direi que, neste espaço, falar-se-á sobre questões locais sempre que, por ser a Guarda o terreno mais próximo, ele confinar com os terrenos mais caros ao escriba. Ou seja, sempre que a condição de cidadão do mundo passe por ser cidadão da Guarda. Mas nunca definindo um centro, quer na forma quer nos conteúdos. Exemplificando: se por qualquer razão destaco um acontecimento artístico, cívico ou até mesmo de ordem pessoal com incidência local, tal quer dizer que essa menção é independente do local onde ocorre,. O seu interesse é universal, mas sem que seja descartado o seu significado local. Aliás, como poderão comprovar, todas as postagens com temas exclusivamente locais aqui editadas são depois reunidas no blogue "Guarda Nocturna". Esse sim, um espaço assumidamente local. De resto, existem títulos na blogosfera que desempenham essa função muito melhor do que eu alguma vez conseguiria. Alguns deles estão precisamente listados aqui ao lado.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Lido

Promete-me que as tuas palavras chegarão em silêncio
Que serão da matéria da noite
Promete-me palavras de ar, de saliva ou de sangue
Inteiras e nuas como a alma
Derramadas na pele como luz ou música
Palavras que possa guardar em mim
Como uma memória ou um filho

A.M, in "A Imitação dos Dias"

terça-feira, 24 de março de 2009

Decorrente

O Manuel Domingos lançou-me novamente as argolas de outra corrente literária. Nesta, o motivo é a poesia. Já agora, será que haverá outro? O móbil do crime, diz quem lançou a ideia, é que "serão retiradas das pilhas periclitantes que se derramam atrás das portas, encostadas às paredes, aquelas pequenas gotas de alma que ficam connosco, mesmo quando nos esquecemos delas." Pois bem, não é que tenha lido muita poesia nos últimos tempos. Prefiro vivê-la e registá-la. Mesmo assim, escolhi para a ocasião um texto particularmente luminoso de António Ramos Rosa. E o Manuel vai-me perdoar mas não vou acorrentar mais ninguém.

Uma cidade amadurece nas vertentes do crepúsculo
Há um íman que nos atrai para o interior da montanha.
Os navios deslizam nos estuários do vento.
Alguma coisa ascende de uma região negra.
Alguém escreve sobre os espelhos da sombra.
A passageira da noite vacila como um ser silencioso.
O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se.
As ondas adormeceram com as cores e as imagens.
As portas subterrâneas têm perfumes silvestres.
Que sedosa e fluida é a água desta noite!
Dir-se-ia que as pedras entendem os meus passos.
Alguém me habita como uma árvore ou um planeta.
Estou perto e estou longe no coração do mundo.

in A Rosa Esquerda (1991)

quinta-feira, 12 de março de 2009

O quinto dos parágrafos

O Manuel Domingos, sempre bem vindo neste blogue, passou-me a batata quente para a mão: que dê a conhecer, urbi et orbi, a quinta frase da página 161 do livro com quem ando por estes dias enrolado. Pois bem, caro amigo, vou desiludir-te e, porventura, os leitores. Trata-se, nem mais nem menos, do que o "Prontuário de Formulários e Trâmites", volume I (Processo Civil Declarativo), de Joel Timóteo Pereira. E o pretendido parágrafo reza assim: "O processo em papel deixa de ter informação e documentos repetidos (por exemplo, cópias de notificações ou cópias do mesmo despacho enviado às diferentes partes) ou que não sejam relevantes para a decisão material da causa (por exemplo, conclusões) e, além disso, passa a estar mais bem organizado com marcadores das peças e documentos mais importantes". E pronto! Boa Páscoa e amendoinhas!

segunda-feira, 9 de março de 2009

E que tal resolver coisas sérias?

Vale mesmo a pena passar detalhadamente por este texto, assinado por LB, no "Nascer do Sol". Chama-se "O Casamento Homossexual" e constitui um dos melhores momentos de humor que tenho encontrado recentemente na blogosfera. Mais do que apropriado para o folclore criado em torno desta pérola do foguetório político, inventada pelos spin doctors do regime. Imaginemos então o dia a dia de um casal gay masculino, após o "sim" nupcial. Gostei particularmente das discussões intermináveis acerca do tampo da sanita levantado (quem foi, quem foi?) e da cena em que A está a apreciar o tronco de Cristiano Ronaldo na TV e B a cozinhar o tofu na cozinha, seguindo-se a mais que certa troca de impropérios à altura ("sua vaca", "sua puta", etc.). De ler e chorar e por mais. Vale o esforço ver também os comentários que se seguem. Onde o pretenso vanguardismo dos defensores deste absurdo chama logo "homófobos" e "retrógrados" a quem ousa sequer brincar com o tema. Como antes se atirava "façista" a quem saía uma vírgula da ortodoxia regulamentar revolucionária. Portanto, na bolsa das apostas, neste momento inclino-me para a rejeição da possibilidade do casamento homossexual. Até por uma razão simples, a juntar a outras já aqui badaladas: quem não tem sentido de humor não devia sequer pensar em casar.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Animações

No "Lisboa SOS", um excelente e interventivo photoblog de há muito por aqui visitado, descobri um retrato fiel e comovente do Bairro Alto de finais dos anos 70. Chama-se "No tempo dos marceneiros". Muitos dos locais por lá referidos foram "poiso habitual" deste que vos escreve, uns anos mais tarde. Quando desembarcou no "Bairro" e dele ficou cliente habitual durante uns bons quinze anos. Tornando-se um verdadeiro taxicodependente. Outros locais só conheci indirectamente, por terem sido referências iconográficas, ou por se terem transformado noutra coisa. Seja como fôr, enquanto o "Bairro" retratado no post é o dos pioneiros, da forte presença dos jornais e da boémia tradicional, aquele que eu conheci já tinha o selo da "movida" inscrito no seu destino. Durante algum tempo coexistiram. Depois, o segundo absorveu o primeiro. Hoje, parece que há recolher obrigatório em todo o quarteirão às duas da manhã. Espero piamente ser poupado a esse número.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Lido

Há-de haver em ti restos de um abrigo,
A sombra do lume,
Uma melodia em ruínas.
E uma palavra inteira,
Nascida agora,
Ainda suja de sangue.

A.M. in "A Imitação dos Dias"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ligações ao alto

O Hélder Beja é um jovem e activo jornalista que, pelo que tenho acompanhado, se rendeu progressivamente aos ares da Guarda. Ainda bem. E digo "ainda bem" porque a Guarda tende a reduzir-se aos ares. E a meia dúzia de loucos que teimam em remar contra a maré. Alguns tem como ferramenta predilecta os blogues. E o Hélder acaba precisamente de assinalar o que de mais interessante encontrou na blogosfera com origem na Guarda. Está aqui. Já agora, recomendo uma visitinha mais detalhada ao seu blogue, "Húmus". Garanto que vale a pena.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A conta que deus fez

Dito e feito! O "Boca de Incêndio" acaba de cumprir hoje três anos de existência. Ou seja, uma idade respeitável, no que à blogosfera diz respeito. Muita tinta já correu pois debaixo das pontes, desde que, numa manhã de Inverno, decidi avançar para a arena dita virtual. E sabem poquê? Por causa dos cartoons dinamarqueses. Entretanto, nem uma réstea de arrependimento nesta viagem. Quer dizer, não é preciso ir tão longe. Todavia, não me recordo, de momento, de uma hesitação. Mas chega de conversa. Para os leitores em geral, os amigos e os que passam por cá de vez em quando, obrigado por estarem.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

É já no dia 2

P: Então sempre é verdade que o "Boca de Incêndio" está quase quase a chegar aos três anos de vida?
R: Verdade verdadinha! Dois no buraco e um na pinha!
P: Há quem diga que este blogue é uma ilha. Concordas?
R: A ilha da Utopia? Quem é que não queria? Lá dizia o bom Tomás: uma mão à frente e outra atrás!
P: E como é possível não teres ainda comentado o caso Freeport?
R: Ora!!! Então o José não é engenheiro? Que mal lhe queria um simples sobreiro? Mais 15 mil no desemprego, isso é que me faz desassossego!
P: Achas que os blogues estão em declínio?
R: De tempos em tempos, em dolorosa espera arrumam a blogosfera, porém, mais certo seria espetá-la na estratosfera!
P: Quais os grandes momentos deste último ano no "Boca de Incêndio"?
R: Ora deixa cá ver!: algumas polémicas, muitas sugestões, mais crónicas, 5 ataques beras, 10 rubricas no activo: "stalker", "preces atendidas", "playlist da casa", "momentos zen", "série gajo", "u qui diz mulelo", "graffittis", "tábua de marés", "crimes exemplares" e "paperbacks", mais uma a iniciar em breve: "aqui há livro", mais amigos, mais seguidores, mais leitores, mais nomeações, menos pachorra para o Daniel Oliveira e outros comentadores da praça, como para certos políticos locais e nacionais, mais poesia mais poesia mais poesia, menos tosse, mais fogo e menos fumo.
P: E vai ser este ano que começas a pôr gajas nuas para aumentar as audiências?
R: Sabes que mais, ó reles provocador, um fino latinório te vou contrapôr: Grandia cum minimis mors ferit ense pari (Tanto morre o papa, como quem não tem capa)...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O país por dentro

Chama-se "a vida neste país aqui agora". Trata-se de um projecto em forma de blogue, pensado para um país em forma de projecto. Reúne colaborações variadas e plurais (duas palavras que os mais distraídos julgam significar o mesmo) de vários autores, onde pontuam manuel a. domingos, Henrique Fialho e Luís Filipe Cristóvão. Ora, reflectir sobre a imagem que de nós fazemos é um desafio sempre actual, aberto sobretudo a partir da geração de 70, continuado por Pessoa, assombrado por Teixeira de Pascoaes e iluminado por Eduardo Lourenço. Os autores assumem-se como um grupo. Haverá, provavelmente, uma marca geracional neste propósito. Mas que, ao nos aproximarmos do projecto, se percebe inserida numa matriz de outro tipo. Até ao momento, só alguns dos nomes constantes da "ficha técnica" publicaram as suas propostas. Naquilo que será a base para outros desafios, segundo anunciam numa espécie de declaração programática que inaugura o blogue, intitulada "ponto da situação". Diz-se aí, logo no primeiro parágrafo: "Ideia: juntar os contributos de alguns portugueses sobre a situação de viver num país como o nosso neste determinado momento histórico pelo qual estamos a passar. A proposta não podia ser mais abstracta: cada um terá um país diferente (geográfica e culturalmente, cada um fez os caminhos que fez), e o seu momento histórico será deveras influenciado pelos seus interesses pessoais. Estará aí mesmo o interesse deste exercício: gerar algum debate em volta da forma como sentimos e vivemos o nosso país e os nossos tempos." Uma ironia descontraída e uma radicalidade firmada em situações caricatas, mas significativas, são algumas das notas que pude reunir a partir do que li. Em suma, um desafio auspicioso e a seguir com atenção.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O prémio

O Generación Y , da cubana Yoani Sánchez, que já atrás referi, consolidou a sua posição de verdadeiro ícone da blogosfera. Se já antes era citado e reconhecido como um modelo a seguir, agora viu serem-lhe atribuídos dois galardões, de uma assentada: os prémios BOBS (Best of Blogs) (Alemanha) e Ortega y Gasset de jornalismo digital (Espanha). Mas a lista não acaba: Yoani foi incluída no rol das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2008, segundo a revista "Time". Ao receber o segundo prémio, Yoani escreveu no seu "balsa-blogue" um belíssimo texto de agradecimento, aqui em versão integral e que não resisto a transcrever um pedaço:
"Não faltaram os que me chamaram à paz do silencio, à tranquila mansidão da apatia. Alertaram-me sobre esta teia legal e policial que maneja conceitos como “propaganda inimiga”, “quintacolunismo”, “assalariados do Império” ou - nos casos mais leves - mero “diversionismo ideológico”. Recomendaram-me que fugisse, indicaram-me a emigração como o caminho mais curto para a catarse; todavia, ao invés de comprar um motor de chevrolet para cruzar o estreito da Flórida, tornei-me uma balseira virtual. Escapei, porém não de meu país, senão do medo, da paranóia e do conformismo."